Metade dos cursos da Universidade dos Açores estão na lista da “baixa empregabilidade”

univerirsidade aoresO Governo Regional publicou esta semana a “lista das licenciaturas e mestrados de baixa empregabilidade”, garantindo assim que o programa “Requalificar” (Resolução do Conselho do Governo n.º 101/2013 de 8 de Outubro de 2013) volta a ser aplicado na Região – aliás, a publicação anual daquela lista é uma obrigação da Resolução.
Os resultados práticos do programa “Requalificar” se calhar nunca serão conhecidos e as dúvidas são mais que muitas sobre o efeito real do Governo pagar as propinas de mestrados ou pós-doutoramentos a licenciados que estão desempregados.
O facto é que praticamente metade dos cursos que são ministrados na Universidade dos Açores estão na categoria de “baixa empregabilidade” – que por um lado permite o acesso ao programa, mas por outro revela o enorme problema que está instalado. A universidade está a formar pessoas que depois se inscrevem como desempregados nos centros de emprego, ganhando assim a possibilidade de terem propinas pagas para… aprofundar a sua licenciatura.
A lista permite compreender que cursos estão saturados. E estão nessa categoria Biologia, História, Psicologia, Serviço Social, Sociologia, Comunicação Social, Educação Básica e Estudos Portugueses e Ingleses. Duas novidades claras: “Relações Públicas e Comunicação” parece escapar ao destino do desemprego, enquanto que “Informática” – que em todo o mundo é dos cursos com maior saída – nos Açores dá direito ao Requalificar.
E a lista aumentou em relação ao ano passado… Entre as novidades, a entrada de “arquitectura e construção”, que na UAç é um curso preparatório (só os primeiros 3 anos). Todas as áreas de Informática são outra “aquisição”, assim como Belas Artes, mas também áreas de ponta noutros lugares, como Design e Audio-Visuais.
Para o Governo, o propósito é o de “promover a empregabilidade dos açorianos que se encontram inscritos nas agências de emprego da Região Autónoma dos Açores, por via da requalificação” e “a necessidade de estimular a iniciativa individual e o apoio na procura ativa de emprego, bem como a qualificação e atualização de competências, proporcionando, assim, a aquisição e desenvolvimento de competências pessoais, sociais e profissionais necessárias à construção participada do percurso em meio laboral em diversos públicos”.
Verdadeiramente interessante é a possibilidade dos jovens com o 12º ano (nível de qualificação 3 e 4) poderem avançar para um curso superior sem pagarem propina. O problema, aparentemente, é que a formação dada pela Universidade dos Açores faz ricochete no mercado de trabalho e em breve eles estarão de volta!!!