Açores é onde mais se sente fenómeno da criminalidade aliada à toxicodependência

  • Imprimir

O especialista em Medicina Legal José Pinto da Costa criticou ontem, no Porto, o atual sistema de reinserção social dos toxicodependentes que se submetem a tratamento, defendendo que o que deveria ser feito era “desinseri-los” do seu meio.
“Nós temos um toxicodependente, fazemos-lhe uma cura de cinco anos e quando ele está curado, o que temos por missão? Reinseri-lo socialmente. Então vamos pô-lo no mesmo bairro, na mesma casa, na mesma família, rodeado de drogados e traficantes. E, portanto, ele fica reinserido socialmente, volta ao ciclo e nunca mais sai, o que é bom para quem se dedica a tratamentos deste género”, disse Pinto da Costa.
O especialista e ex-diretor do Instituto de Medicina Legal do Porto defende, por isso, que “devia haver programas de desinserção social”.
“Mora em Paranhos, vai para Loulé, é de Loulé, vai para Braga, e assim sucessivamente. Com apoio, obviamente”.
Pinto da Costa, que falava no VI Simpósio Nacional de Educação e Proteção face às Toxicodependências, organizado pela junta de freguesia de Paranhos, afirmou ainda que “a toxicodependência está muito associada ao aumento da criminalidade”, referindo que é no Norte e nos Açores que as pessoas “mais sentem” este fenómeno.
“Há maior número de casos, relativamente, e a maneira de interiorizar estas situações é mais dificultosa no Norte do País e nos Açores”, frisou.
A idade, de acordo com o mesmo especialista, é “um fator importante” na toxicodependência.
“Há mais casos no grupo entre os 20 e os 35 anos, mas a idade está a descer bastante. Hoje em dia, o ecstasy começa a ser tomado com 13 anos de idade. Já é significativo, do ponto de vista epidemiológico, o número de crianças com 13 anos que tomam ecstasy”, afirmou.
Contudo, salientou, “o maior número de dependências no mundo já não tem a ver com a cocaína ou heroína. São as benzodiazepinas (grupo de fármacos ansiolíticos)”.
“Criminalidade e toxicodependências”, “A Dimensão Temporal Neurobiologia da adição”, “Qualidade do diagnóstico em dependências” e “Toxicodependência e perturbações da personalidade” são alguns dos temas em análise no encontro.