Produtores de leite e de carne dizem que estão com a corda ao pescoço

vacas2Federação Agrícola reúne hoje em S. Miguel 

Todas as Associações Agrícolas das várias ilhas vão estar hoje reunidas no Parque de Exposições de Santana, em S. Miguel, num encontro marcado pela Federação Agrícola, com vista a analisar a crise no sector.
De acordo com a Federação, o sector leiteiro atravessa uma situação “que pode provocara falência de muitas explorações agropecuárias dos Açores, se não existirem medidas capazes de impedir este processo”.
E o problema, segundo a mesma fonte, não é apenas no sector leiteiro.
Estende-se, igualmente, ao sector da carne, “onde a falta de escoamento e abate de animais tem levado à consequente baixa de preço à produção”.
O sector hortofrutícola também vai merecer uma análise por parte dos elementos da Federação Agrícola.
“Pretende-se, nesta reunião, realizar um levantamento exaustivo das dificuldades e particularidades de cada ilha, no que se refere ao sector agrícola”, adianta a Federação.

Industriais também preocupados

Também os industriais de lacticínios estiveram reunidos nos últimos dias com a Ministra da Agricultura.
Fonte da Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios (ANIL)revelou que este organismo voltou a reforçar junto da ministra o enquadramento actual da indústria de lacticínios em Portugal, deixando claro, uma vez mais, quais as principais preocupações dos industriais e apelando à ministra para “a necessidade de criar condições efectivas para salvaguardar o sector dos lácteos em Portugal nos próximos anos, tendo em conta que tem vindo a sofrer fortes quebras, resultado das várias condicionantes que têm agravado e impactado fortemente a comercialização e escoamento do produto”, revela Paulo Leite, director geral da ANIL.
As condições de mercado mantêm-se agravadas, com muitos constrangimentos para os industriais, que vêm os seus níveis de stocks atingirem o máximo de que há memória, na medida que têm mantido o seu compromisso social de recolha de todo o leite produzido em solo nacional, a preços próximos da média europeia e mesmo superiores ao preço pago à produção em países com muito mais vantagens competitivas, como é o caso da Irlanda, Bélgica e Alemanha. “Este facto, lamentavelmente, não tem sido relevado pela nossa ministra da Agricultura nem por nenhum dos seus Secretários de Estado, nas diversas ocasiões em que tiveram oportunidade de o referir”, aponta Paulo Leite, acrescentando que “os preços de venda ao público do leite e produtos lácteos atingiram patamares insuportáveis para a indústria, só comparáveis com os praticados há 20 anos atrás, sem que essa descida tenha sido acompanhada por proporcional descida do preço do leite à produção”.

Práticas de dumping nos preços

O mercado externo tem-se agravado, especialmente no que se refere ao peso do mercado Angolano nas nossas exportações de lácteos que não encontra, a curto prazo, mercados alternativos de dimensão semelhante. Neste aspecto, importa também referir a instabilidade cambial que se tem verificado nos últimos meses, em nada favorável a uma ligação estável a determinados mercados influenciados pela cotação do dólar.
As importações de leite e produtos lácteos continuam ao nível de anos anteriores, com a perspectiva de atingirmos o final de 2015 com um deficit na Balança Comercial da ordem dos 250 Milhões de Euros, continuando as insígnias da distribuição a promover esta via de aprovisionamento, a preços incomportáveis e claramente a coberto de dumping, que lhe vem servindo de referência para a contínua exigência de condições aos seus fornecedores nacionais - explica a ANIL.
Acrescenta ainda que “os ataques ao sector, em especial às propriedades nutricionais do leite e de algumas categorias de lácteos, tem vindo a crescer fortemente, gerando desconfiança no consumidor, de forma completamente injustificada e contrariando as orientações das autoridades competentes que recomendam o consumo de lácteos”.
“Verificam-se ainda situações inqualificáveis nos lineares da distribuição, como as margarinas misturadas com as manteigas, as bebidas não lácteas nas proximidades do leite e produto não referenciado semelhante a queijo disponibilizado nos seus lineares e charcutarias, o que ainda mais contribui para a confusão que se tem instalado no consumidor”.
Paulo Leite destaca também que “o aproveitamento da situação particular deste sector por parte da Distribuição tem sido escandaloso, com estas empresas a desobrigarem-se de se incluir no desígnio de protecção da produção nacional.”

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