“A proposta do PSD é um perfeito disparate”

 

Mario Fortuna - novaMário Fortuna, Presidente da Câmara do Comércio, sobre os voos da Delta

 

O PSD/Açores defendeu que os voos a operar a partir de Maio pela Delta Airlines, que ligarão Nova Iorque a Ponta Delgada, deveriam ser repartidos entre São Miguel e a ilha Terceira. A Câmara do Comércio de Ponta Delgada está de acordo?

Mário Fortuna - A proposta do PSD é um perfeito disparate. Somos pequenos e insignificantes no contexto global e a primeira coisa que fazemos quando uma companhia como a DELTA nos aborda com a sua estratégia é dizer que devia ser diferente porque temos cá uns interesses internos que podiam ser melhor servidos se se dignassem voar para dois aeroportos, como se voar para um não fosse bom e voar para dois não acarretasse custos. 

Melhor seria que as forças políticas regionais se centrassem em orientar as políticas públicas que estão mais directamente sob a sua influência, como é o caso dos transportes inter-ilhas, feitos segundo um modelo público por elas aprovado e a ser executado por uma empresa pública, sob a sua tutela.

Era bom que se concentrassem naquilo que está directamente dependente das suas competências e não interferissem com o que depende do mercado. 

A DELTA guia-se pelo mercado - acreditem - e aje em conformidade.

 Não compliquem. É importante que não se estrague esta oportunidade que nos chega sem quaisquer exigências do orçamento público, guiada apenas pelo seu interesse comercial, que é do nosso interesse económico e social.

 

O PSD diz que há uma “contínua ausência de benefícios directos das medidas com origem nos EUA e que estão a ser impulsionadas também no âmbito da anunciada revitalização económica da Terceira”, nomeadamente estes voos da Delta que terão sido negociados no âmbito da revitalização das Lajes. Faz sentido?

Não faz nenhum sentido pensar assim! 

Não confundamos a diplomacia económica, que nós defendemos para a totalidade dos Açores, ainda com o anterior embaixador, com medidas específicas propostas para a Terceira, conforme previstas no PREIT ou conforme discutidas nas reuniões bilaterais. 

Iniciativas como a da DELTA, para já, dependem da própria DELTA e não de forças políticas e, ou são norteadas por parâmetros económicos, ou pura e simplesmente não vão perdurar, com prejuízo para os Açores. 

Deixemos cada coisa no seu lugar. 

Não podemos é imaginar que por haver um processo negocial em curso como o da Base das Lajes, todo o resto tenha de desaparecer ou parar. 

Com os Estados Unidos tem de haver diplomacia económica que interessa para além do importante assunto específico da Base das Lajes.

 

O que prevê em termos turísticos para este 2018?

O turismo para 2018 tem todas as condições para registar mais um ano de recordes quer em termos de viagens, de turistas, de dormidas e de proveitos. 

Os indicadores advêm da conjuntura nacional e internacional positiva, já perspectivada, e dos anúncios de novas ligações feitos por várias companhias aéreas. 

Saibamos nós aproveitar a energia boa desta onda e não nos enrolarmos na sua quebra ou recuarmos da sua força.

 

Este vai ser o ano da reestruturação da SATA?

Esperemos que sim. A empresa precisa e o accionista já anunciou a sua vontade de o viabilizar, manifestando, inclusivamente, o seu interesse na admissão de um novo sócio estratégico privado, única via para uma reestruturação não dependente de aumento de capital público, sob a tutela de Bruxelas ou de uma falência ruinosa para o erário público. Isto para a Azores Airline. 

Já para a SATA Air Azores, o desafio é igualmente grande pelas suas ligações à internacional e pelas suas responsabilidades na acomodação da procura do tráfego inter-ilhas. 

Não se pode descurar esta função crucial que está, inclusivamente, associada à necessidade de alteração do modelo de exploração vigente que já dá  sinais, mais do que suficientes, de estar obsoleto.

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