Universidade dos Açores cumpriu Plano de Recuperação Financeira, afirma reitor

UNIVERSIDADE AÇORES CORA Universidade dos Açores cumpriu o Plano de Recuperação Financeira (PRF), mas o Ministério das Finanças não respeitou a sua parte de assumpção dos encargos da dívida.

Quem o disse foi o reitor da academia açoriana, que falava ontem na sessão solene comemorativa do 42.º aniversário da instituição de ensino superior.

José Luís Gaspar afirmou que “apesar do difícil quadro financeiro, nos anos que se seguiram [à celebração do PRF] a Universidade dos Açores cumpriu com as metas orçamentais previstas no Plano, ajustando regularmente as medidas nele previstas a uma realidade que foi sempre progressivamente melhor conhecida por todos”.

O reitor da universidade lembrou que, em 2012, a academia açoriana contraiu um empréstimo, tendo acordado em 2013 com o Governo da República um plano de recuperação financeira para fazer face às suas dificuldades, e recordou que a academia  tem, actualmente, um défice zero, como aconteceu em 2016 e 2017. 

José Luís Gaspar adiantou ainda  que, no ano passado, a instituição assegurou “um saldo que lhe permitiu agora garantir a cobertura total dos cerca de 640 mil euros que lhes eram devidos pelo Governo da República no âmbito do acordo de princípio existente e que o Ministério das Finanças se recusou a transferir para a academia”.

 

Governo Regional reafirma apoio à Universidade

 

Também presente na sessão solene esteve o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, que manifestou a disponibilidade do Governo para reforçar o contributo da Universidade dos Açores para o crescimento económico e para a criação de emprego na Região.

Gui Menezes, que transmitia uma mensagem do Presidente do Governo, Vasco Cordeiro, adiantou que esta parceria permitiria “reforçar os mecanismos para que os resultados da investigação universitária possam ser transferidos para as empresas e, por essa via, ver fortalecida a competitividade da economia”.

“É, também, por isso que, no âmbito destas comemorações, o Governo dos Açores volta a propor um contrato entre o Executivo regional e a Universidade dos Açores para reforçar o contributo desta academia no crescimento económico e na criação de emprego”, frisou o Secretário Regional.

Com este contrato, segundo Gui Menezes, pretende-se uma concertação e maior articulação entre a Região e a Universidade, no sentido de que, no exercício da sua autonomia universitária, possa saber as necessidades em termos de emprego e, sobretudo, as necessidades em termos de crescimento económico.

Gui Menezes frisou que esta proposta “não pretende substituir os apoios que já existem”, mas representa “um novo patamar de entendimento do papel que a Universidade dos Açores pode ter para a Região, neste caso, realçando a componente do crescimento económico e da criação de emprego”.

Por seu turno, o Vice-presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada enalteceu, na ocasião,  o “contributo histórico da Universidade dos Açores para o desenvolvimento qualitativo do Município e da Região” e manifestou “total confiança no potencial da instituição como parceira privilegiada de um verdadeiro progresso”.

“A Universidade dos Açores ajudou no nosso progresso, enquanto cidade, região e povo”, pelo que “estamos, sem dúvida, melhores e colectivamente mais preparados, para vencer os desafios da cultura, do conhecimento, da investigação, do desenvolvimento e da competitividade”, afirmou Humberto Melo.

Para o Vice-presidente da autarquia, a Universidade dos Açores “tem razões e condições para ser, cada vez mais, um parceiro privilegiado do verdadeiro desenvolvimento da nossa Região”. “Ela pode e deve, sempre e cada vez mais, prestar relevantes serviços, conferindo fundamento e credibilidade científica, para a definição das opções estratégicas do poder autonómico e do próprio poder local”, salientou.

Durante a sua intervenção, Humberto Melo referiu ainda que “os poderes públicos têm a obrigação de aproveitarem o potencial de conhecimento que a Universidade oferece” e garantiu ser esta a “predisposição e determinação” da Câmara Municipal de Ponta Delgada.