Fornecedores vão deixar de vender medicamentos ao Hospital de Ponta Delgada

Hospital interiorOs fornecedores de medicamentos  ameaçam deixar de vender ao Hospital de Ponta Delgada, já a partir do final deste mês, caso não seja encontrada uma fórmula para pagar dívidas atrasadas, algumas até já vão em 15 meses.

A denúncia foi feita ontem, pela Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, que numa nota enviada ao nosso jornal explica que tem vindo ao longo dos anos a desenvolver diligências com entidades responsáveis pelo sector da saúde, face à situação recorrente de dívidas não regularizadas atempadamente às empresas fornecedoras dos hospitais em termos de produtos farmacêuticos, dispositivos médicos, equipamentos e outros bens de consumo.

“Dando voz aos associados, a CCIPD fez, no final do ano passado, novas diligências, face ao agravamento da situação, tendo sido apresentadas a responsável do sector, em reunião, as preocupações das empresas. Foi, na ocasião, sido acordado um prazo para resposta às mesmas. Não tendo havido uma resposta, até ao momento, os associados consideram que não é possível continuar a fornecer os hospitais da Região nas condições que o vêm fazendo”, lê-se no documento.

“Na realidade, constata-se, em alguns casos, a existência de atrasos nos pagamentos dos fornecimentos em prazos superiores a 15 meses, quando na generalidade, deveriam ser pagos a 2 meses, nos termos estabelecidos nos concursos”, denuncia a Câmara do Comércio, acrescentando que “esta situação tem-se vindo continuamente a degradar, tendo em consideração designadamente o aumento do volume dos montantes em dívida, a que se junta a redução nos pagamentos correntes que os hospitais vinham fazendo às empresas”.

“Para as empresas do sector, que são de pequena e média dimensão, não é possível manter esta situação, que está a provocar significativas dificuldades ao seu funcionamento e gestão, colocando-as em risco, tendo designadamente em atenção que estas necessitam de meios financeiros para cumprirem as suas obrigações para com os seus fornecedores, para com o próprio Estado, que é implacável quando os privados se atrasam, e para com os seus trabalhadores. Acresce ainda a dificuldade na obtenção de crédito, uma vez que algumas já têm os respetivos plafonds esgotados”, sublinha o comunicado dos empresários.

“Tendo em consideração esta situação, as empresas vão deixar de fornecer a crédito os hospitais, a partir do final do corrente mês, caso não haja garantias claras e fiáveis da resolução dos montantes em dívida, bem como do cumprimento dos prazos convencionados para novos fornecimentos”, afirmam os fornecedores.

“Acresce ainda a suspeita de existência de práticas discriminatórias nos pagamentos por parte de alguns hospitais, com diferenciação de prazos para alguns operadores, situação incompreensível, que carece de ser investigada por quem de direito, uma vez que são todos do mesmo sistema”, conclui a nota da Câmara do Comércio.