38 açorianos metem baixa médica por dia

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É um valor recorde nos Açores: durante 2017 houve 13.879 açorianos que meteram baixa médica, uma média de 38 por dia.

De acordo com os dados a que o “Diário dos Açores” teve acesso, através da Segurança Social, no ano passado houve 8 açorianos que meteram baixa por tuberculose e 13.871 por outras doenças.

Este valor tem vindo sempre a aumentar, com 12.930 em 2016, 11.152 em 2015, 10.225 em 2014 e 9.755 em 2013.

O mesmo crescimento tem-se verificado no primeiro trimestre deste ano.

Em Janeiro havia 3.428 açorianos com baixa médica, em fevereiro aumentou parta 3.735 e em março 3.830.

Comparando com o mesmo período do ano passado, são mais 316 açorianos que meteram baixa médica em março deste ano.

O mesmo fenómeno regista-se a nível nacional, em que, apesar do aumento da fiscalização das baixas médicas, a Segurança Social registou nos primeiros três meses do ano um número recorde de trabalhadores em casa doentes que não se via há pelo menos quase duas décadas.

 

Recorde também a nível nacional

 

Nos primeiros três meses de 2018 pediram-se 5 mil baixas médicas por dia, em média, mais cerca de 800 que no mesmo período de 2017.

Em Janeiro, Fevereiro e Março contaram-se 450 mil subsídios por doença, mais 70 mil (+18%) que em igual período do ano passado.

A última vez que se tinham registado números parecidos na série de quase 20 anos disponível no site da Segurança Social foi em 2001 (435 mil) quando a população a trabalhar era superior à de hoje.

Fonte oficial do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social confirma que já notaram este aumento detectado pela rádio TSF, nomeadamente pelo crescimento da despesa.

No entanto, o Governo acrescenta que, comparando com o que se passou em 2017 e 2016, a relação entre despesa-receita das contribuições para a Segurança Social se manteve estável”.

Ou seja, defende o Ministério, “usando o indicador da despesa (mais fiável do que o número de baixas) podemos concluir que a tendência observada acompanha o crescimento do emprego”.

Os números consultados pela TSF revelam, contudo, que apesar do crescimento da população empregada (que naturalmente aumenta o número de baixas), os pedidos de subsídio de doença nunca foram tão altos nos últimos 18 anos, mesmo quando a população a trabalhar era muito superior. 

Por exemplo, em 2001, último ano com dados divulgados no site da Segurança Social, a população empregada ultrapassava os 5,1 milhões de pessoas, mais que os 4,8 milhões registados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística.

O Presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Família admite que tem lógica o argumento de que o aumento da população activa fez aumentar as baixas, mas adianta que isso não explica tudo.

Rui Nogueira acredita que há várias explicações para este crescimento abrupto de baixas, mas adianta duas: um surto de bronquite; e o aumento da população activa com mais de 50 ou 60 anos. 

O Presidente da Confederação Empresarial de Portugal admite, em declarações à TSF, que, tal como os números da Segurança Social, também têm notado um aumento evidente das baixas médicas nos últimos dois anos.

 

Crescimento de baixas fraudulentas

 

António Saraiva diz que as razões são várias, mas a primeira que apresenta é o crescimento das baixas fraudulentas. 

A Confederação garante que há empresas com dificuldades de resposta às encomendas por causa destas baixas fraudulentas e que já fez a denúncia ao governo há cerca de um ano. 

No entanto, ainda não sentem efeitos palpáveis do combate a essa fraude.

Um problema que António Saraiva associa à recuperação económica, que leva alguns trabalhadores, sobretudo qualificados, a perceberem que podem estar de baixa e fazer uns biscates noutro lado para ganharem mais dinheiro.