Associação Mar à Vila critica regulamento de acesso ao Ilhéu de Vila Franca

vila franca do campo

A Associação dos Utentes da Zonas de Domínio Hídrico de Vila Franca do Campo – Mar à Vila está contra o novo regulamento de acesso ao ilhéu de Vila Franca do Campo, que entrou em vigor no mês de Junho, e vai associar-se às manifestações públicas esperadas para este fim-se-semana, data da realização do evento do Red Bull Cliff Diving.

Num comunicado ontem veiculado à comunicação social, a organização critica as condições impostas no acesso àquela área protegida e defende a criação de uma estrutura de apoio à visitação do local.

“Não se entendem os novos condicionalismos de entrada no ilhéu para os tradicionais caiaques da Vila, assim como não se percebem as interdições ao mergulho recreativo durante a época balnear. Estas foram, e têm sido, actividades desenvolvidas durante décadas, e sem qualquer impacto ambiental para o Ilhéu”, refere a Mar à Vila no documento, divulgado ontem, um dia antes da reunião que a associação tem marcada para hoje com a Secretária Regional Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo, com o objectivo de “discutir e encontrar soluções para o Regulamento que vão ao encontro das expectativas de todas as partes”.

No regulamento recém-publicado são consideradas três formas de acesso ao Ilhéu de Vila Franca do Campo, nomeadamente fruição da zona balnear, contemplação dos valores paisagísticos e culturais e estudo e investigação. Sobre esta questão, a Mar à Vila considera “que as duas primeiras formas são complementares e, como tal, de difícil desagregação, considerando o conjunto do património natural existente na caldeira, dentro e fora de água, assim como todos os vestígios da humanização da paisagem ao longo dos tempos. Tudo isto faz parte, podendo ser usufruído todo o ano”.

No comunicado, a associação diz também não entender “as razões pelas quais se pretende dar possibilidade aos operadores MT [marítimo turísticos] o acesso directo dos ilhéu, fora da época balnear, quando o CNVFC [Clube Naval de Vila Franca do Camo] está apto a fazer serviço mais qualificado”, ao nível de “segurança, limpeza, manutenção e instalações sanitárias”. Segundo a entidade, “nenhum dos operadores” instalados na marina vila-franquense mostrou interesse nesta possibilidade.

A Mar à Vila considera ainda que o Clube Naval local “deverá ser a entidade que melhor presta este serviço, considerando a natureza de entidade de interesse público, sem fins lucrativos, onde a receita dos serviços de transporte reverte-se em forma de investimento social na formação de crianças e jovens no mar, na vela, etc”.

Por outro lado, a associação critica o facto de o CNVFC explorar o ilhéu apenas durante três meses no ano – “por efeito de redução da sazonalidade e do aumento do número de turistas no inverno” –, enquanto outros sete meses ficam reservados a empresas marítimo-turísticas, “incluindo a possibilidade de viagens directas de outros portos que não Vila Franca do Campo”.

 A mesma entidade destaca a importância do ilhéu para a economia local, gerando um fluxo “na ordem dos 35.000 visitantes”. “É, pois, essencial perceber o papel do Ilhéu no posicionamento de mercado e qualificação da oferta turística de Vila Franca do Campo, cujas condições naturais – em conjunto com a linha de costa, as praias, o clima, a cultura e tradições e a sua história – são fatores de diferenciação e afirmação de um produto de excelência que interessa promover”, sublinha a associação.

A Mar à Vila defende ainda a “necessidade imperiosa” de se criar uma estrutura de apoio à visitação do ilhéu, “tipo Centro de Interpretação, que seja uma âncora na atractividade, notoriedade e diferenciação da oferta do produto ‘Vila Franca do Campo’, perfeitamente enquadrado nas linhas de orientação definidas no Plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores. Este ‘recurso turístico’ tem ainda uma função importante no domínio da Educação Ambiental para públicos locais”, aponta a associação. 

No comunicado, a associação vila-franquense refere também que, “atendendo ao impacto social e económico que a entrada do regulamento tem motivado, junto da população e dos mais diversos agentes económicos são esperadas manifestações públicas durante as próximas semanas, especialmente na data de realização do evento do Red Bull Cliff Diving, às quais a Mar à Vila se associará”.