Açores são a região do país com maior carência de vitamina D, revela estudo

pessoas em Ponta Delgada1Os Açores são a região do país que apresenta o maior défice de vitamina D, quando quase metade da população do arquipélago sofre desta carência.

A conclusão é de um estudo levado a cabo pela Faculdade de Medicina de Coimbra, em colaboração com a Nova Medical School, cujos resultados foram apresentados a 13 de Outubro, no evento Forum D, em Coimbra, numa iniciativa da Clínica Universitária de Reumatologia, que visou “trazer à luz da sociedade e da comunidade médica a verdade científica sobre vitamina D e seu uso na prática clínica”.

Segundo os dados apresentados, “os Açores são a região do país onde o défice [de vitamuina D] é mais acentuado: 46.5% da população açoriana avaliada tinha níveis inferiores a 10ng/mL, o que corresponde a carência grave, segundo a Endocrine Society dos Estados Unidos da América”.

O estudo revela que a carência de vitamina D é “muito frequente na população adulta portuguesa”, sendo que “apenas 3,6% da população nacional apresenta valores considerados ‘normais’ (?30ng/mL)”.

Apesar de o arquipélago açoriano ser a região do país mais afectada, a investigação mostra que 66,6% da população adulta portuguesa apresenta também carência desta vitamina. 

“Com estes resultados o Fórum D procura sublinhar a necessidade de implementação de medidas de saúde pública de forma a minimizar esta situação a nível regional e nacional”, lê-se num comunicado, enviado às redacções. 

Os grupos populacionais com maior prevalência de carência de vitamina D, de acordo com a mesma fonte, incluem as mulheres (duas vezes mais que os homens); as pessoas com mais de 75 anos de idade (cinco vezes mais do que as pessoas com 18-29 anos); e as pessoas consideradas obesas  (duas a três vezes mais do que as IMC 18.5-24.9 kg/m2). 

A carência de vitamina D é 18 vezes mais frequente no inverno do que no verão, não só por ser menor a exposição solar, mas porque o sol não tem, nessa época, em Portugal, intensidade suficiente para induzir a produção de vitamina D na pele.

O estudo em causa mostra ainda que “um estilo de vida sem prática regular de exercício físico, a obesidade, o tabagismo e uma exposição solar inadequada são factores cuja modificação pode contribuir decididamente para a diminuição da carência de vitamina D. Contudo, a idade, o género e área geográfica também estão entre os principais factores de défice de vitamina D, mas não podem ser modificados facilmente”.

Os especialistas do Fórum D alertaram para a necessidade de se tomarem medidas ao nível da saúde pública que visem combater a carência de vitamina D na população adulta e a implementação de estratégias que podem passar pela suplementação, em função do caso e idade, para obter os níveis recomendados.

 As doses diárias recomendadas pelo Governo norte-americano como adequadas para manter a saúde do osso e o metabolismo do cálcio, em pessoas normais, são de 600 unidades/dia para crianças e adultos até aos 70 anos de idade e de 800 unidades/dia, depois dos 70 anos de idade.

 Contudo, muitos investigadores e entidades científicas independentes consideram que as doses ideais deveriam ser mais altas, na ordem de 2000 ou 3000 unidades/dia, especialmente em pessoas obesas. Importa sublinhar que esta vitamina tem uma elevada segurança, sendo necessárias doses muitíssimo elevadas para induzir toxicidade.