Região apresenta posição sobre estratégia para redução de emissão de gases com efeito estufa

Marta guerreiro1As secretarias regionais da Energia, Ambiente e Turismo e das Relações Externas, no âmbito de um processo de consulta pública da Comissão Europeia, apresentaram a sua posição no âmbito da estratégia para a redução a longo prazo das emissões de gases com efeito de estufa na União Europeia.

No documento, o Governo dos Açores salienta a importância desta temática para o desenvolvimento da Região, pelo que tem vindo a trabalhar na concretização de um conjunto de instrumentos para implementação da Estratégia Regional para as Alterações Climáticas.

Com este propósito, foi recentemente aprovada pelo Governo e submetida à Assembleia Legislativa uma proposta de decreto legislativo regional que visa a aprovação do Plano Regional para as Alterações Climáticas (PRAC).

 Este instrumento de planeamento determina que o combate às alterações climáticas se faça em dois planos, nomeadamente da mitigação e da adaptação.

 No plano da mitigação, “reduzindo as emissões dos gases com efeito de estufa, investindo na descarbonização e no aumento da eficiência da economia, tornando-a menos dependente dos recursos energéticos externos”.

No plano da adaptação, “implementando medidas que protejam os bens, os recursos e as pessoas, aumentando a resiliência aos impactos das alterações climáticas, tendo em conta a interacção com outras pressões, nomeadamente socioeconómicas, legislativas e conjunturais”.

O executivo açoriano frisa neste documento que o PRAC, para além de reforçar o conhecimento e a informação sobre as alterações climáticas, “tem como objectivos estratégicos contribuir para a mitigação e para a redução da vulnerabilidade e adaptação às mesmas, tendo identificado ainda um conjunto de medidas de concretização daqueles objectivos”.

 No documento enviado, o Governo dos Açores refere que o PRAC contempla um total de 74 medidas, das quais 64 relacionadas com a adaptação e 12 dedicadas à mitigação.

Segundo o executivo açoriano, o “desafio” das alterações climáticas deve ser encarado “como uma oportunidade para a reconfiguração tecnológica, assegurando a competitividade e a sustentabilidade futura em setores críticos, incluindo o mercado emergente das tecnologias verdes”, ao mesmo tempo que deve equacionar “questões fundamentais de segurança alimentar e energética, de salvaguarda de pessoas e bens, e das políticas de utilização dos solos e de mobilidade”.

Conselho Regional do Ambiente debate propostas de intervenção em 12 áreas protegidas

lagoa do fogoA Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo levou a discussão no Conselho Regional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CRADS) um conjunto de propostas concretas relativas a 12 áreas protegidas, na sequência do estudo e da monitorização que têm vindo a ser realizados, fruto da maior procura que actualmente se verifica pelo património ambiental dos Açores, gerando alargado consenso.

Segundo cita o gabinete de imprensa do Executivo, Marta Guerreiro salientou a importância de ouvir os parceiros sobre “propostas que devem ser partilhadas e discutidas em conjunto”, para que sejam encontradas as soluções “que melhor servem cada um dos locais”, tendo em conta também os níveis de procura de visitantes ao arquipélago, precisamente pelo reconhecido património existente na Região. A governante falou aos jornalistas, em Angra do Heroísmo, no final da reunião extraordinária do CRADS.

“Compete-nos, regularmente, fazer monitorizações e rever regulamentos”, frisou Marta Guerreiro, adiantando que as propostas discutidas “vão desde o estabelecimento ou alteração de taxas, passando pela fixação ou alteração das cargas máximas, até à mera regulação dos acessos, incluindo as condições de uso de veículos”. 

Estas propostas, abrangendo seis reservas naturais, três monumentos naturais, duas áreas protegidas para a gestão de habitats e espécies e uma área de paisagem protegida, “traduzem-se, em função das situações concretas, em alterações aos regulamentos vigentes ou na implementação de regulamentos ou condicionamentos onde estes não existem”, afirmou.

A titular da pasta do Ambiente afirmou que cada situação tem de ser vista de “forma isolada” e que, “consoante a pressão maior ou menor, em alguns casos prevêem-se restrições de acesso com limitações no momento ou diárias e, noutras, a introdução ou revisão de taxas”.

“Naturalmente que, sempre que necessário, também temos de actuar em termos de infraestruturas e é isso que temos vindo a fazer”, frisou Marta Guerreiro, acrescentando que foram discutidas “propostas de intervenções já planeadas e outras que estão a ser desenvolvidas”.

As 12 áreas protegidas dizem respeito à Montanha do Pico, Caldeira do Faial, Lagoa do Fogo, Caldeira de Santa Bárbara, Ilhéu da Praia, Pico da Vara, Caldeira Velha, Furnas do Enxofre, Ponta da Ferraria, Vulcão dos Capelinhos, Ilhéu de Vila Franca do Campo e Fajã da Caldeira de Santo Cristo.

Na sua participação neste Conselho, Marta Guerreiro reforçou que “o Programa do Governo prevê expressamente a identificação e a avaliação da capacidade de carga e da pressão do uso e fruição das áreas sensíveis incluídas nos Parques Naturais de Ilha dos Açores, com vista à sua melhor regulação para protecção ambiental e da paisagem”.

Rearborização de áreas de corte em São Miguel já envolveu plantação de 178 mil plantas

Anabela Isidoro - reflorestação A Directora Regional dos Recursos Florestais revelou ontem que já foram plantadas cerca de 178 mil plantas nas áreas de corte de madeira na ilha de São Miguel, apostando-se muito nas espécies endémicas junto às linhas de água.

“Estamos a falar em 50 hectares, onde foram plantadas cerca de 178 mil plantas. Quase 114 mil são resinosas, 35 mil folhosas e 29 mil espécies endémicas”, adiantou Anabela Isidoro, que falava no final da visita a uma plantação de endémicas no concelho do Nordeste. A Directora Regional estimou que, até ao final da época de plantação, que se prolonga até Março/Abril, se atinja uma área total de 71 hectares, com criptomérias, endémicas, folhosas e resinosas.

“O reordenamento florestal conseguido com a reflorestação já efectuada permitiu reduzir para metade os povoamentos puros de criptomérias”, frisou a Directora Regional, acrescentando que se passou a ter povoamentos puros de outras resinosas, folhosas e endémicas e 32% da área foi reflorestada com povoamentos mistos (mistura de espécies).

Anabela Isidoro salientou que se trata de um trabalho difícil, feito em terrenos acidentados, mas que está a correr muito bem, referindo que uma equipa consegue plantar, por dia, cerca de 700 endémicas, 1.750 folhosas e 2.450 criptomérias.

A utilização de espécies endémicas e de espécies folhosas em áreas de maior declive e nas linhas de água permitirá, segundo a Directora Regional dos Recursos Florestais, melhorar a gestão do solo e da água, prevendo-se ainda um impacto muito positivo ao nível da fauna e da restante flora endémica, com a criação de autênticos corredores ecológicos.

Segundo o Executivo, a produção de espécies endémicas, que teve um grande impulso ao nível da investigação e das técnicas de produção a partir de 2009, tem actualmente a finalidade de responder a necessidades dos projectos da Administração Pública Regional ou onde esta colabora, tais como a florestação no âmbito do plano de ordenamento da bacia hidrográfica da Lagoa das Furnas e o projecto LIFE+ Terras do Priolo, entre outros. A Região tem 18 viveiros florestais que ocupam cerca de 26 hectares.

A Directora Regional salientou também que todo o perímetro florestal na ilha de S. Miguel tem a gestão certificada pelo FSC (Forest Stewardship Council), pelo que a criptoméria resultante desta exploração florestal pode ostentar esse rótulo, que atesta as boas práticas florestais em execução e é reconhecido internacionalmente.

Centenas de alunos de São Miguel sensibilizados para a defesa e preservação da floresta

dia mundial da árvoreA Directora Regional dos Recursos Florestais participou ontem numa acção de sensibilização para a importância da defesa e preservação da floresta que envolveu mais de 600 alunos de escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico da ilha de São Miguel.

“A sensibilização e a formação das novas gerações para a importância e defesa da floresta é uma missão que o Governo dos Açores encara com grande sentido de responsabilidade e compromisso”, frisou Anabela Isidoro, salientando que “quem está informado sobre a importância de um bem, tem uma maior noção da importância de o preservar e cuidar”.

No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Árvore, que ontem se assinalou, mais de seis centenas de alunos do 3.º e 4.º ano de escolaridade foram convidados a assinalar a data na Reserva Florestal de Recreio do Pinhal da Paz, no concelho de Ponta Delgada, onde participaram em várias actividades de carácter lúdico e pedagógico.

“Este é um dia para brincar, mas também para aprender junto da Natureza. Estes momentos simbólicos servem para se reforçar a mensagem da importância de bem cuidar das nossas árvores e da nossa floresta junto das novas gerações”, salientou Anabela Isidoro, acrescentando que, através dos jogos e das actividades preparadas para esta iniciativa, pretende-se despertar nas crianças uma maior consciência ambiental.

Os jogos didácticos sobre a temática da floresta foram orientados por técnicos e guardas florestais, tendo sido criado para o efeito um circuito rotativo, com várias estações.

A Directora Regional destacou que os Açores têm “uma floresta cuidada, em rejuvenescimento”, frisando que, nas últimas duas décadas, “cerca de 10% da área florestal privada da Região foi alvo de intervenções, por via da beneficiação dos povoamentos existentes, com acções de reconversão, rearborização e arborização, reflectindo a preocupação da Região em valorizar o material lenhoso, sem excluir os benefícios ambientais e os contributos favoráveis destes ecossistemas”.

Anabela Isidoro assegurou que o Governo Regional “tudo tem feito e continuará a fazer” para defender este património, contando para o efeito com “o apoio fundamental das novas gerações”.

Nas restantes ilhas dos Açores, o Dia Mundial da Árvore foi assinalado pelos Serviços Florestais locais com iniciativas que envolveram, no total, cerca de 2.400 crianças em acções de sensibilização e actividades, com a plantação e oferta de mais de 5.600 árvores.

Hoje, a Directora Regional dos Recursos Florestais irá participar na Praça Velha, em Angra do Heroísmo, em diversas actividades lúdicas e de sensibilização sobre esta temática, nomeadamente em duas conferências proferidas por técnicos do Serviço Florestal da Terceira, sendo uma sobre o valor económico da floresta dos Açores e outra sobre a ‘floresta dos sete ofícios’.

Geoparque Açores mantém-se como Geoparque Mundial da UNESCO até 2021

Lagoa do canárioO Geoparque Açores vai manter-se como Geoparque Mundial da UNESCO nos próximos quatro anos. A informação foi avançada pela associação Geoaçores, responsável pela gestão do Geoparque Açores. 

Segundo a associação, no âmbito do processo de reavaliação, a Comissão Nacional da UNESCO de Portugal comunicou a atribuição de um “cartão verde” ao Geoparque Açores, que se traduz na manutenção da chancela “Geoparque Açores - Geoparque Mundial da UNESCO” até 2021.

Para a Geoaçores, a decisão da UNESCO “vem reconhecer o trabalho desenvolvido pelo Geoparque Açores e por todos os seus colaboradores e parceiros nos últimos quatro anos, contribuindo assim para a geoconservação, valorização e promoção da geodiversidade dos Açores, nomeadamente pelo desenvolvimento de um geoturismo sustentável e respeitador dos valores geoambientais da Região Autónoma dos Açores”, lê-se em comunicado.

A decisão decorreu da 2ª Sessão do Conselho de Geoparques Mundiais da UNESCO, que se realizou em Setembro de 2017 na China, onde foram analisadas 15 propostas de candidatura a novos geoparques mundiais ou extensões de geoparques mundiais existentes, assim como a reavaliação de 35 geoparques inscritos na Rede Mundial de Geoparques.

O Geoparque Açores integra a Rede Europeia e Global de Geoparques desde Março de 2013 e este o seu primeiro processo de reavaliação. 

Além do Geoparque Açores, outro geoparque português, o Geoparque Arouca, viu renovada a sua chancela como Geoparque Mundial da UNESCO.