O facto passa despercebido aos açorianos, mas existem, na região, quintas de agricultura biológica que acolhem trabalhadores voluntários, dando-lhes em troca alimentação e alojamento. Trata-se do projecto WWOOF, existente a nível mundial, cujo objectivo passa por promover a aprendizagem sobre a agricultura biológica. Mas pode ser também uma forma de promoção da cultura e das vivências dos Açores, segundo afirmou, ao Diário dos Açores, o responsável pelo projecto, a nível nacional.
O conceito é simples: trocar trabalho voluntário por alimentação, estadia e pela oportunidade de aprender sobre a agricultura biológica. A ideia nasceu em 1871, na Inglaterra e tem ganho muitos adeptos em todo o mundo. Quando foi criado, o projecto tinha a designação de Working Weekends on Organic Farms (Fins-de-semana de Trabalho em Quintas de Agricultura Biológica), mas, o sucesso que veio a alcançar a nível internacional, fez com que mudasse de designação para WWOOF - World Wide Opportunities on Organic Farms (Oportunidades Mundiais em Quintas Biológicas).
Actualmente, existem milhares de quintas inscritas na WWOOF, espalhadas por todo o mundo e Portugal Continental e os Açores não são excepção.
O objectivo passa por promover e dar a conhecer práticas relacionadas com a agricultura biológica, a permacultura, construções ecológicas e outras técnicas ambientalmente saudáveis.
Em entrevista ao Diário dos Açores, o responsável pelo projecto em Portugal, Rodrigo Rocha, revelou que no arquipélago açoriano existem dez quintas de agricultura biológica que acolhem voluntários (os chamados WWOOFers). Estão localizadas em diferentes ilhas, nomeadamente em São Miguel, Santa Maria, Terceira, Pico e Flores. Os voluntários que chegam ao Continente e aos Açores são maioritariamente ingleses, alemães e americanos, sendo que os portugueses que fazem WWOOF “cá dentro” representam apenas 10% dos WWOOFers.
Segundo Rodrigo Rocha, qualquer pessoa pode vir a tornar-se um WWOOFer, independentemente da experiência que possa ter, ou não, no campo. Os requisitos passam por ter “vontade de ajudar e aprender”, “boa disposição, atitude positiva e flexibilidade”. “É necessário estar-se predisposto e adaptar-se às diferentes realidades presentes em cada quinta”, afirmou.
Mas, para além da troca de aprendizagem, a prática de WWOOF nos Açores pode também ser uma forma de promoção sócio-cultural da região, havendo a possibilidade de ser encarada como “turismo alternativo”.
“Ao invés de viajar e ficar em hotéis padronizados e descaracterizados, há a oportunidade de se conviver com pessoas locais e passear um pouco, nas horas livres”, salientou Rodrigo Rocha.
“Os voluntários escolhem uma determinada região para fazer WWOOF pela sua cultura, pelo que, ao se deslocarem aos Açores, ficam embebidos na cultura açoriana 24 horas por dia e com certeza que irão retornar aos seus países e divulgar a sua experiência nas ilhas”, acrescentou.
Por ano, são cerca de 1500 os que escolhem trabalhar voluntariamente em quintas portuguesas e o número tende a aumentar de ano para ano.
É nos meses de Verão, entre Julho e Setembro, que se regista a vinda de mais WWOOFers para Portugal Continental e para as ilhas. A maioria dos voluntários não faz do programa uma forma de vida, dedicando apenas alguns meses do ano para estarem ligados à agricultura biológica. No entanto, há sempre algumas excepções. Rodrigo Rocha contou o caso de um alemão que voluntariou-se a trabalhar numa mesma quinta durante três anos. Outro casal português, tomou a iniciativa de dar a volta ao mundo, a fazer WWOOF, numa carrinha movida a óleo vegetal usado. “Encontram-se agora na Grécia, a caminho da Turquia”, revelou o responsável pelo projecto em Portugal.
Entre os açorianos, ainda não está desperto o espírito para o trabalho voluntário em quintas de agricultura biológica. Um facto que pode dever-se à falta de divulgação do projecto. A WWOOF é mais conhecida no meio “alternativo, passando “despercebida entre a população em geral e os mass media”. Rodrigo Rocha alerta que a divulgação do projecto deve ser feita “com cautela”, para que o seu objectivo essencial (a troca de aprendizagem) não se perca. “Penso que a melhor forma de divulgação é através do relato ‘boca a boca’ das experiências individuais de cada voluntário”, frisou.
Questionado sobre de que forma poderá uma experiência de WWOOF mudar a vida de um voluntário, Rodrigo Rocha salienta que “o voluntário entra em contacto directo com formas de estar e viver alternativas ao sistema económico e social vigente e a WWOOF pode ser “pode ser o abrir de uma porta para uma vida mais equilibrada e saudável do ponto de vista ambiental, social e económico”.
O metrosídero do Campo de São Francisco vai ser alvo de uma intervenção com o objectivo de prolongar a vida da árvore centenária, classificada de interesse público, a partir da próxima segunda-feira, 29 de Julho.
A intervenção, que é de iniciativa da Câmara Municipal de Ponta Delgada, será feita pela empresa “Planeta das Árvores”, que, recentemente, procedeu a um estudo de avaliação do estado fitossanitário e biomecânico do metrosídero monumental existente no Campo de São Francisco, segundo revelou a autarquia, em comunicado veiculado pela comunicação social.
Foi responsável pelo estudo o director da “Planeta das Árvores”, Serafim Riem, pós-graduado em Arboricultura Urbana pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa e autor de mais de uma centena de estudos semelhantes, que abrangem mais de oito mil árvores avaliadas e estudadas.
A avaliação feita ao metrosídero do Campo de São Francisco aponta para a necessidade de se proceder a uma poda de reequilíbrio e redução da copa, a ser realizada em moldes correctos, instalação de mais cabos de reforço entre os ramos e a aplicação de mais prumos verticais.
A obra de beneficiação do Campo de São Francisco tem em vista a preservação da memória histórica e arquitectónica, bem como, também, a sua exigida e incontornável requalificação sob o ponto de vista do saneamento e da iluminação pública. Tudo para que esteja em condições, para que as próximas festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres se realizam, em 2014, com o Campo de São Francisco absolutamente requalificado.
Depois das obras, o Campo estará mais bonito e confortável, tanto para a expressão e para a manifestação religiosa das festividades do Senhor Santo Cristo, como, também, para o lazer e ocupação de um espaço destinado a oportunidades de encontro de famílias e de amigos, entre outras propostas, que se encontram em avaliação pelo executivo municipal de José Manuel Bolieiro, com objectivos de promover a produção regional.
A intervenção no metrosídero do Campo de São Francisco faz parte deste projeto de beneficiação da praça, pois trata-se de uma árvore centenária, plantada em 1870, que foi classificada de interesse público em 1965.
O Secretário Regional dos Recursos Naturais enalteceu na última sexta-feira, na Praia do Fogo, na Ribeira Quente, os esforços conjuntos desenvolvidos pelos poderes regional e autárquico no sentido de criar condições para que as zonas balneares dos Açores possam ostentar galardões nacionais e internacionais que reconhecem a sua qualidade e segurança.
Luís Neto Viveiros, que falava no final da cerimónia de hasteamento da Bandeira Azul e da “Praia Acessível”, que considerou “simples, mas muito significativa”, destacou “uma série de esforços” que possibilitaram criar “principalmente, condições de segurança” para quem visita esta praia da Ribeira Quente, no concelho da Povoação.
De acordo com o Gabinete de Apoio à Comunicação Social, o Secretário Regional aproveitou a ocasião para percorrer o acesso construído ao longo do areal, no sopé do talude da Praia do Fogo, que foi intervencionado pelo Governo dos Açores com o objectivo de resolver o problema de instabilidade provocado pela erosão.
Após a conclusão desta obra, que representou um investimento global de cerca de 800 mil euros, verificou-se um aumento da área do areal da praia, que passou agora a ter também condições de acesso para pessoas com mobilidade reduzida.
O projecto “Praia Acessível – Praia para Todos” teve início em 2004, tendo sido alargado aos Açores em 2005 e, desde então, o número de candidaturas apresentadas pelas autarquias tem vindo a aumentar todos os anos, refere o GACS.
Cerca de duas dezenas de voluntários juntaram-se à iniciativa da empresa municipal Ribeira Grande Mais e recolheram 520 quilos de resíduos ao longo do Areal de Santa Bárbara, na Ribeira Grande, no último sábado, dia 20 de Julho.
O grupo de voluntários composto por funcionários da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Escoteiros da freguesia da Ribeira Seca, entre outros, recolheu 340 quilos de resíduos de embalagens que foram encaminhados para valorização/reciclagem, enquanto os restantes 180 quilos foram depositados em aterro sanitário.
Segundo foi avançado em nota de imprensa, a MUSAMI – Operações Municipais do Ambiente EIM SA apoiou a operação de limpeza da orla costeira de Santa Bárbara, suportando os encargos inerentes à descarga dos resíduos no Ecoparque da Ilha de São Miguel, à semelhança de colaborações com outras entidades quer municipais quer organizações não-governamentais, com vista à protecção e conservação da natureza.
“O evento inseriu-se no âmbito da actividade de promoção e sensibilização ambiental que a empresa municipal da Ribeira Grande Mais tem vindo a desenvolver, gerando a mobilização dos mais jovens na defesa das boas práticas ambientais no concelho”, refere a mesma fonte.
A Associação de Municípios da Ilha de São Miguel (AMISM) acusa a Quercus de fazer “incursões intempestívas” e utilizar “argumentos falsos” contra o projecto da incineradora para ilha de São Miguel.
“As alegações da Quercus pretendem evitar o reinício do processo de incineração em Portugal e é por isso que tão ferozmente atacam as nossas iniciativas. Não é porque o que estamos a fazer esteja mal”, afirma a direcção da Musami - Operações Municipais do Ambiente, numa nota de esclarecimento, ontem, enviada à comunicação social.
“Sempre contamos com incursões da Quercus Nacional (com os autores regionais sempre foi possível nos entendermos, mesmo quando tínhamos discordâncias) intempestivas e utilizando argumentos falsos”, avança o documento, intitulado “As ameaças da Quercus”.
O esclarecimento foi dado em resposta à queixa que a Quercus apresentou à Comissão Europeia contra a incineradora de São Miguel. Segundo a organização ambiental, o projecto de incineração, que se encontra em concurso público, não cumpre as exigências da Declaração de Impacte Ambiental (DIA).
No entanto, a AMISM reforça a ideia de que tem “desenvolvido o sistema de gestão de resíduos na ilha de São Miguel com base nas melhores práticas europeias para o sector”.
A associação recorda ainda que têm sido feitas recolhas selectivas porta a porta “em todos os concelhos”, e também acções de sensibilização para a população “contribuir mais para este sistema de recolha”. “Em 2012 já valorizamos 24% e temos um plano para gradualmente aumentar até atingir os 50% em 2020”, acrescenta.
“Estamos a produzir um composto de alta qualidade a partir da valorização de resíduos verdes com origem selectiva e temos projectos para desenvolver ainda mais esta vertente. Em 2012 já atingimos uma valorização de 27% dos resíduos verdes”, revela a mesma fonte.
A AMISM refere ainda no comunicado que “Portugal conseguiu recuperar grande parte do seu atraso em matéria de gestão de resíduos tendo embora, ainda, um caminho a percorrer” e “nos Açores o início deu-se ainda mais tarde mas a recuperação foi muito rápida”.
“Já muitas vezes vimos forasteiros bem-falantes que, com uma linguagem elegante, nos enganam e nos deixam em má situação. Temos de promover a auto estima e acreditar que as instituições não são tontas nem estão a defender os interesses de outros”, lê-se ainda no mesmo documento.