O Secretário Regional da Agricultura e Florestas inaugurou, o Centro de Divulgação Cinegética, localizado na Reserva Florestal de Recreio da Chã da Macela, um espaço composto por zonas limitadas para as diversas espécies cinegéticas da Região, nas quais foram recriados os habitats característicos de cada uma.
Com este investimento orçado em cerca de 65 mil euros, o Governo dos Açores pretende proporcionar informação, sensibilização e educação dos caçadores (locais e visitantes), dos candidatos a exame para carta de caçador, de escolas e dos visitantes da reserva florestal de recreio, através da exposição das diferentes espécies cinegéticas existentes e de painéis informativos, de forma a permitir a sua identificação e a obtenção de informações relacionadas com as suas características, tipos de habitat onde se encontram, hábitos alimentares, períodos de reprodução e medidas de gestão cinegética desenvolvidas.
Os visitantes poderão ainda ter acesso a informação relacionada com a Lei da Caça, onde se destacam os diferentes processos de caça previstos, assim como os calendários venatórios estabelecidos para cada uma das ilhas do arquipélago.
A construção e promoção deste espaço são da responsabilidade do Serviço Florestal de Ponta Delgada que, para o efeito, recorreu à utilização de recursos próprios e a uma empreitada para construção dos muros e lagos.
Cerca de uma dezena de espécies lenhosas endémicas dos Açores foram plantadas na Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos da Ilha de São Miguel, na manhã do passado sábado.
Este é o resultado de uma parceria estabelecida entre a Associação de Municípios da Ilha de São Miguel e a Direcção Regional dos Recursos Florestais, tendo reunido cerca de 20 voluntários no cultivo de mais de 200 plantas de azevinho, cedro do mato, faia da terra, folhado, louro, pau branco, sanguinho, urze e uva da serra.
O jardim de plantas endémicas está localizado entre a zona dos armazéns de triagem de resíduos recicláveis e o Parque de Verdes, ideal pelas características do solo que será fertilizado pelo composto orgânico produzido pela AMISM, muito apreciado e procurado pelos agricultores biológicos.
A partir de agora, para além do circuito dos resíduos, todos os visitantes da ETRS passarão a conhecer também as espécies lenhosas endémicas dos Açores produzidas nos viveiros da Direcção Regional dos Recursos Florestais, numa área de 477 metros quadrados cedida pela AMISM.
A AMISM acedeu à proposta da Direcção Regional dos Recursos Florestais, dando continuidade à missão de protecção da natureza que imprime em cada uma das suas acções de sensibilização, preservando em simultâneo as características açorianas como é o caso destas espécies lenhosas endémicas, em prol do ambiente.
Passados seis meses após a abertura oficial (de Julho a Dezembro de 2011) da Unidade de Vermicompostagem no concelho de Nordeste, já foram recolhidas cerca de mil toneladas de resíduos. Um balanço que José Carlos Carreiro, presidente daquela autarquia, considera satisfatório, já que “a taxa de reciclagem é muito elevada para uma unidade de tratamento de resíduos indiferenciados.”
Dessas mil toneladas de resíduos que entraram no Aterro Sanitário de Nordeste, 69% correspondem a resíduos indiferenciados, tendo sido encaminhados para a vermicompostagem, 24% correspondem a resíduos provenientes da recolha selectiva (vidro, papel e plástico) e os restantes 7% correspondem a outros tipos de resíduos. Além disso, já foram produzidos cerca de 125 mil kg de composto orgânico e cerca de 6 mil kg de húmus (matéria orgânica depositada no solo, resultante da decomposição de animais e plantas mortas).
Tendo em conta que, nesta fase, aquela empresa ainda está a ser financiada por fundos comunitários, José Carlos Carreiro explica que, neste momento, o composto orgânico está a ser oferecido aos habitantes/residentes do concelho de Nordeste. Portanto, para já a empresa não pode cobrar dinheiro pela venda do composto, uma vez que foi apoiada pelos referidos fundos da União Europeia.
A compostagem orgânica produzida é apenas oferecida às pessoas daquele concelho (em especial aos agricultores porque são quem mais procuram o fertilizante, embora também exista muita utilização nos jardins municipais), visto que “a população [nordestense] assegura o total escoamento de todo o produto”, explica José Carlos Carreiro.
Paralelamente, embora a recolha seja também efectuada apenas naquele concelho, actualmente está a ser feita uma experiência para receber lamas provenientes das Etar (Estação de Tratamento de Águas Residuais) do concelho de Ponta Delgada, estando a “aguardar por um parecer técnico-científico”, avança o autarca.
Como é feita a recolha
As pessoas estão
sensibilizadas para esta causa?
José Carlos Carreiro explica-nos que a recolha de todo o tipo de resíduos é efectuada porta-a-porta em todo o concelho do Nordeste, sendo que a nível da população, o indiferenciado é recolhido duas vezes por semana, sendo o restante (vidro, papel e plástico) recolhido apenas uma vez por semana. Em relação ao comércio, o vidro e o papel são recolhidos duas vezes por semana e o plástico uma vez por semana.
Interrogado sobre o facto de as pessoas estarem ou não sensibilizadas para esta causa e separarem o lixo, o presidente da Câmara Municipal de Nordeste confessa que “ainda há um longo caminho a percorrer, pois ainda se deita fora com o lixo indiferenciado muito material que poderia ser valorizado”, acrescentando que “embora estejamos a receber uma grande quantidade de lixo indiferenciado em comparação com o da recolha selectiva, apenas cerca de 15% do que chega no indiferenciado são recicláveis.”
Vermicombustagem VS Compostagem Natural
A vermicompostagem é um sistema de reciclagem de matéria orgânica onde os restos de comida, resíduos de jardim, estrumes, papel e cartão são digeridos por minhocas e excretados por estas sobre a forma de vermicomposto – um fertilizante.
Enquanto a compostagem natural é um processo lento, pois tem de esperar que as folhas e restos de madeira que caem das árvores, juntamente com os corpos de animais mortos e excrementos de animais vivos, sejam gradualmente decompostos e transformados numa matéria uniforme (o húmus), a vermicombustagem apresenta uma grande vantagem em relação à compostagem tradicional (sem o recurso a minhocas) – pode ser feita em grande escala.
A Plataforma de Cidadania, através do coordenador Rui Simas, reuniu ontem de manhã com a Associação Amigos dos Açores-Associação Ecológica a fim de debater questões ambientais, mormente, na defesa de um turismo ecológico, dotando a Região como referência, por excelência, no exterior como Região Ecológica, sustentada no turismo do bem-estar.
Dos vários assuntos debatidos, transversais a todos os sectores de actividade, onde a ecologia ocupa um lugar de preferência, ficou patente a necessidade urgente de se olhar ao meio ambiente da forma mais cuidada de, pelo facto, de ele ser o pilar da sustentabilidade socioeconómica da Região.
“Voltar à “terra” valorizando os recursos naturais e maximizando o potencial que o Mar nos oferece, será a única forma inteligente de se criar condições para um desenvolvimento sustentável. Nunca seremos ninguém se não nos conhecermos e nunca poderemos sobreviver se não respeitarmos o ambiente”. E conhecermo-nos é saber que caminho seguir e, respeitar o ambiente é valorizar o seu potencial” alertou Rui Simas.
Umas das grandes preocupações debatidas na reunião inferiram para a necessidade de se ter consciência nas promessas e medidas de improviso que só acarretarão, para a Região, prejuízos irreparáveis. “Basta de loucuras, é urgentíssimo perceber que o caminho traçado até hoje não nos trouxe nada que nos pudéssemos orgulhar neste âmbito. Que se aprenda com os erros e se tenha a humildade de aceitar a realidade. Falar de exportações sem perceber que não temos dimensão para competir com mercados super industrializados é entregar o tecido empresarial produtivo para falsas expectativas. O importante, agora, é fazer um esforço para travar as importações e produzir para o mercado interno para que o escoamento produtivo da Região possa competir internamente com os produtos vindos do exterior” acrescentou Rui Simas.
Para a Associação Amigos dos Açores as políticas para o ambiente e o mar têm sido feitas à margem dos “agentes do sector” e da população sem respeitar as básicas cinco regras do desenvolvimento de qualquer projecto, “informação, consulta, envolvimento, cooperação e capacitação” ficando-se apenas pela consulta que, nas práticas actuais, nem tem tido um papel inclusivo.
Os trabalhos de conservação do Planalto dos Graminhais, uma das maiores áreas de turfeira dos Açores, mas em estado de degradação avançado, vão permitir “a reflorestação com espécies endémicas e uma visitação segura daquele habitat”.
“Em 2009 foram iniciados trabalhos pontuais para controlo das espécies invasoras em colaboração com os Serviços Florestais do Nordeste. A partir de 2011 a área começou a ser alvo de uma intervenção que vai permitir a reflorestação com espécies endémicas e uma visitação segura dos habitas”, sublinhou à Lusa Rui Botelho, técnico da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e responsável pelas acções de conservação das turfeiras do projecto LIFE Laurissilva Sustentável.
A SPEA organizou sábado uma visita guiada ao local para “dar a conhecer aquela importante área natural e os trabalhos que estão a decorrer para a sua recuperação”, no âmbito do projeto LIFE+ Laurissilva Sustentável, associando-se às comemorações do Dia Mundial das Zonas Húmidas.
O Projeto Laurissilva Sustentável é cofinanciado pelo programa Life+ da Comissão Europeia e coordenado pela SPEA em parceria com a secretaria regional do Ambiente e do Mar e a Câmara Municipal da Povoação, visando a conservação e recuperação dos habitats naturais de floresta de laurissilva e de turfeiras de altitude na Zona de Protecção Especial do Pico da Vara/Ribeira do Guilherme (S. Miguel).
No caso dos Graminhais, “a intervenção abrange 75 hectares do Planalto, uma das maiores áreas de turfeira dos Açores, mas em estado de degradação avançado devido à acção humana”, referiu Rui Botelho.
De acordo com o técnico, “uma das ameaças estava relacionada com a tentativa de serem criadas zonas de pastagens na área, que levaram à abertura de valas de drenagem, a par da invasão por espécies exóticas, uma delas conhecida como “Gigante” e ainda o feto arbóreo”.
Os trabalhos passam pelo encerramento de valas de drenagem, para ajudar na recuperação das turfeiras, e encerramento dos caminhos de acesso no interior da área, a par da reflorestação com espécies endémicas, como o cedro do mato, azevim, a uva da serra e a urze e a recuperação do trilho que passa nos Graminhais, explicou.
Segundo Rui Botelho, a intervenção para conservar a zona, que faz parte do Parque Natural de S. Miguel, “termina este ano”.
O técnico da SPEA sublinhou o interesse da visita guiada que a SPEA promoveu, “uma vez que permite dar a conhecer às pessoas um habitat que não é muito conhecido, mas de grande importância”.
“As turfeiras são zonas húmidas essenciais para a regulação do ciclo da água e para garantir o fornecimento de água limpa e em quantidade às populações”, sublinhou.