TACV concorre com SATA de Boston para Cabo Verde

tacvA comunidade cabo-verdiana nos Estados Unidos passou a dispor desde anteontem voos da TACV (Cabo Verde Airlines) entre a cidade da Praia, na ilha de Santiago, e Boston, nos Estados Unidos.

Além dos voos TACV, os imigrantes cabo-verdianos utilizam a ligação da SATA pelos Açores (que tem ligações com quatro aeroportos cabo-verdianos) ou por Lisboa.

A TACV, que já operava a partir de Providence, passa agora a concorrer com a SATA em Boston, com a vantagem dos voos serem directos, sem paragem nos Açores, como faz a SATA.

O empresário Tony Neves, da agência Neves Travel, diz que a programação dos voos da TACV devia ser alterada para servir melhor a sua comunidade.

“Neste momento, o voo chega à Praia de noite, obrigando todos os que fazem ligação para outra ilha a pernoitar. E o regresso acontece cedo de manhã, obrigando as pessoas a regressar no dia antes e passar mais uma noite na Praia”, explica Neves.

“Como só existem dois voos por semana, à Segunda e à Sexta, isso significa que quem faz ligação é obrigado a passar duas noites na Praia e apenas duas noites na sua ilha”, acrescenta.

Esta rota operou durante mais de 30 anos, servindo a numerosa comunidade cabo-verdiana de Massachusetts e Rhode Island, mas foi suspensa em 2015 e passou a operar a partir de Providence.

Tony Neves diz que a mudança de cidade de partida não é muito contestada pelos seus clientes.

“Há pessoas para quem serve melhor Providence, outras preferem Boston. Mas a comunidade está espalhada, até por outros Estados, e por isso não faz muita diferença a cidade de onde parte o voo”, explica.

“Se todas as semanas existissem dois voos de ida, e dois de vinda, seria ouro sobre azul, porque os problemas de ligação ficariam resolvidos”, diz.

Entretanto, a TACV - A Cabo Verde Airlines prevê ainda reforçar, em março, a sua frota com mais aparelhos e criar novas rotas para outros mercados em 2018.

A companhia aérea pública cabo-verdiana está em processo de reestruturação com vista à sua privatização, tendo o Governo assinado, em Agosto, com o grupo islandês Icelandair um contrato de gestão da empresa pelo período de um ano.

Com um passivo acumulado de mais de 100 milhões de euros, a empresa assegura agora apenas as ligações internacionais depois de o Governo ter negociado com a Binter Cabo Verde o exclusivo das ligações no mercado doméstico, empresa na qual entrou com 49% do capital.

A TACV tem ligações aéreas regulares para a Europa, Brasil e Estados Unidos.

Oposição acusa Governo de ter falhado no combate à pobreza nos Açores

paulo estevãoO deputado do PPM ao Parlamento do Açores, Paulo Estevão, interpelou ontem o Governo sobre o combate à pobreza na Região, admitindo que também ele nasceu pobre, mas teve a “sorte” de ser adoptado.

“Sou um dos 16 filhos de uma família muito pobre. No momento em que nasci não tinha quase nada e o meu futuro não era muito diferente daquele que aguardava outras crianças pobres por todo o país”, revelou o parlamentar monárquico, que disse ter consciência de que este “testemunho pessoal” poderá ser politicamente “imprudente”.

Paulo Estevão recordou que apenas conseguiu livrar-se da pobreza porque foi adoptado quando tinha três meses de idade, por uma família com melhores condições financeiras do que a sua família biológica, o que lhe permitiu ter uma melhor educação e melhor desempenho escolar.

“Tive as condições que os meus irmãos naturais não tiveram. Por isso, tive um aproveitamento escolar semelhante aos que não eram pobres”, lembrou o deputado do PPM, destacando que existem muitas outras “histórias de vida” como a sua.

No seu entender, é necessária uma “revolução de políticas” nos Açores, que permita combater o flagelo em que vivem muitas famílias na Região, vítimas da “indiferença e do preconceito absurdo” de muitas pessoas.

“Do que falo é de uma revolução nas mentalidades e nas prioridades da governação” disse o parlamentar monárquico, lamentando que o actual executivo socialista açoriano não tenha tido capacidade para resolver o problema da pobreza.

Paulo Estevão lembrou que os dados estatísticos sobre a situação social dos Açores são “arrepiantes”, dando como exemplo a esperança de vida mais baixa do país (77 anos), a mais alta taxa de beneficiários do Rendimento Social de Inserção (7,5% da população) ou as taxas de retenção e desistência no ensino regular, superiores ao resto do país.

“Os dados estatísticos são péssimos. O Governo Regional tem, obrigatoriamente, de assumir responsabilidades e de fazer uma autocrítica ao seu desempenho nos últimos 21 anos”, insistiu o parlamentar monárquico.

Por seu lado, a Secretária Regional da Solidariedade Social, Andreia Cardoso, tem uma perspectiva mais optimista dos dados estatísticos e realça as melhorias, entretanto, verificadas, no aumento do rendimento das famílias açorianas ou na redução da taxa de desemprego, que é agora uma das mais baixas do país.

A governante realçou também a importância da Estratégia Regional de Combate à Pobreza e à Exclusão Social que o Governo pretende implementar na região ao longo dos próximos dez anos.

Para a deputada Mónica Seidi, do PSD, o Governo Regional podia ter feito muito mais nesta área, recordando que a bancada social-democrata já apresentou um conjunto de propostas no sentido de ajudar a combater a pobreza no arquipélago, que foram, porém, chumbadas pela bancada da maioria socialista que suporta o Governo.

“A situação social dos Açores é o resultado de um governo que não governa para resolver os problemas da população, mas vive antes preocupado com a sua sobrevivência política”, lamentou Mónica Seidi.

Também Artur Lima, da bancada do CDS, critica a “falta de estratégia e de acção” do Governo Regional no combate à pobreza na região, recordando que os anteriores executivos do PS também se propuseram combater este flagelo, com medidas idênticas às que o governo de Vasco Cordeiro agora apresenta.

“Estas medidas que os senhores agora propõem estão condenadas ao fracasso”, sublinhou o dirigente centrista, que acusa o Executivo de Vasco Cordeiro de “reciclar” propostas do passado, e de não ter “capacidade” nem “vontade” de resolver o problema.

José San Bento, do PS, manifestou, mesmo assim, o seu “orgulho” nas medidas adoptadas pelos governos socialistas na Região, de combate à pobreza, recordando que os números até podiam ser melhores, se não tivesse existido o Governo de Passos Coelho.

“Os números da pobreza nos Açores não representam nenhum falhanço da governação do PS. Eles traduzem sim a calamidade que foi o Governo de Passos Coelho a nível nacional”, lembrou o parlamentar socialista, recordando que muitas das medidas aplicadas na região, nessa altura, se destinavam a minimizar o impacto das restrições impostas pela República.

Os partidos mais à esquerda, preocuparam-se, por outro lado, em desmontar a argumentação socialista, com António Lima, do Bloco de Esquerda, a destacar que o desemprego nos Açores não diminuiu, ao contrário do que revelam as estatísticas, porque os desempregados apenas “transitaram” para os programas ocupacionais.

Já João Paulo Corvelo, do PCP, lembra que o PS tem chumbado várias propostas apresentadas pelo seu partido, que poderiam ajudar a combater a pobreza, como é o caso do aumento do acréscimo regional ao salário mínimo, ou do aumento das pensões, considerando que já é tempo de se acabar com o “faz de conta no combate à pobreza e à exclusão social” nos Açores.

PS propõe audições sobre situação dos trabalhadores da COFACO do Pico

46e7bf1f-b804-4d33-a977-9defb3fa2736O Grupo Parlamentar do PS propôs, ontem, um conjunto de audições para que haja um esclarecimento necessário sobre a situação dos trabalhadores da COFACO da ilha do Pico e as perspectivas de futuro.

O pedido, com carácter de urgência, propõe que sejam ouvidos na Comissão de Economia a Administração da COFACO, o Governo Regional, os representantes dos trabalhadores, o presidente da Câmara Municipal da Madalena, o representante da Associação Comercial e Industrial da ilha do Pico e o representante da Associação Pão do Mar.

Recorde-se que o Partido Socialista também entregou na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores o Projecto de Resolução “Em defesa dos trabalhadores da Cofaco da ilha do Pico”.

Estas iniciativas surgem na sequência de um conjunto de contactos estabelecidos pelos deputados socialistas que colocam em primeiro lugar a situação dos trabalhadores.

“Acima de tudo queremos concentrar esforços e dedicar todas as nossas forças, iniciativas e propostas para salvaguardar a questão dos trabalhadores”, afirma Miguel Costa, deputado do PS, acrescentando que “é preciso perspectivar o futuro porque até agora não há nenhum sinal de que a nova fábrica não seja uma realidade. O que se quer é que durante este período sejam salvaguardados, acima de tudo, os direitos e as condições de estabilidade social daqueles trabalhadores”.

No projecto de resolução, que será debatido já está semana, o Grupo Parlamentar defende a garantia de que nenhum trabalhador da Cofaco da ilha do Pico tenha perda de rendimento e que seja assegurado o acesso a formação profissional durante o período de suspensão de actividade da conserveira.

O PS recomenda ainda que o Governo se comprometa a concluir, até ao final do mês de Fevereiro, a avaliação e validação da candidatura da empresa aos apoios para a construção da nova unidade fabril e que diligencie junto da Autoridade de Gestão Nacional do MAR 2020 a apreciação célere do projeto de forma a que o arranque da obra se concretize no mais curto espaço de tempo.

Por fim, o projecto recomenda também que o Governo dos Açores diligencie junto da empresa no sentido de ser assegurado o compromisso de integração destes trabalhadores na nova unidade fabril.

Limite de captura diária de chicharro em São Miguel mantém-se nos 400 quilos

chicharros s. miguel A Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia anunciou que vai manter a permissão da captura diária de 400 quilos de chicharro pelas embarcações da ilha de São Miguel, sendo que, na ilha Terceira, as embarcações vão poder continuar a capturar 200 quilos diários de chicharro.

Segundo o Executivo, a decisão foi tomada após audição dos parceiros do sector.

O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia afirmou que esta decisão tem em consideração “a abundância do recurso e o preço de primeira venda, que se tem mantido em valores constantes nos últimos meses”.

Gui Menezes frisou que esta medida, “que teve parecer favorável dos parceiros do setor, tem como objectivo o aumento do rendimento dos pescadores”.

A alteração à portaria que regulamenta os limites de capturas diárias nas ilhas de São Miguel e Terceira foi publicada ontem em Jornal Oficial e entra hoje em vigor.

A autorização para captura de maior quantidade de chicharro nas ilhas de São Miguel e Terceira foi concedida em julho de 2017 por se ter verificado maior abundância desta espécie e se ter constatado um aumento da procura em alguns períodos do ano.

Em Outubro do ano passado, após solicitação dos parceiros do setor, a Secretaria Regional do Mar prolongou até 31 de dezembro a autorização de captura diária de 400 e 200 quilos pelas embarcações de São Miguel e Terceira, respectivamente.

Em 2017, a captura de chicharro rendeu mais de 1,1 milhões de euros na venda em lota nos Açores, o que representa mais 200 mil euros do que em 2016.

 

Primeira venda de pescado rende a pescadores açorianos 29,5 M€

 

Na Segunda-feira, Gui Menezes adiantou, na Horta, que a primeira venda de pescado rendeu aos pescadores açorianos cerca de 29,5 milhões de euros em 2017, o que representa “um acréscimo de 15% face a 2016”.

“Os números melhoraram significativamente”, disse o Secretário Regional, referindo que a primeira venda das espécies pelágicas rendeu em 2017 cerca de 6,9 milhões, o que se traduz num aumento de 35% face ao ano anterior.

O Secretário Regional do Mar, que falava à margem de uma reunião com a Direcção da Federação das Pescas dos Açores, referiu que, em 2017, a captura de tunídeos “teve um peso importante e fez com que os rendimentos dos pescadores aumentassem”.

O titular da pasta das Pescas destacou também “as boas pescarias” de atum de embarcações açorianas na Madeira, que renderam 8,5 milhões de euros.

Ainda sobre os rendimentos auferidos pelos pescadores na primeira venda em 2017, Gui Menezes destacou “o esforço e o trabalho” relativamente à gestão do goraz, “em colaboração com a Federação das Pescas e as associações do sector”, que rendeu cerca de sete milhões de euros.

“Os resultados foram nitidamente muito positivos e dependeram, efetivamente, dos pescadores açorianos e das medidas que o Governo dos Açores implementou”, frisou.

A fiscalização das pescas foi outro dos temas abordados nesta reunião, considerando Gui Menezes que “existe um equilíbrio na fiscalização à pesca profissional e à pesca lúdica”.

“Ao contrário da percepção que existe, os dados [de 2017] não são muito diferentes de anos anteriores”, disse, acrescentando que, “com os meios disponíveis, estamos a fazer um bom trabalho nesta área, mas, naturalmente, sempre na perspectiva de o melhorar”.

O Secretário Regional afirmou que “existe a percepção por parte da pesca profissional de que, em algumas ilhas, existem problemas que não estamos a detectar”, referindo que “caberá ao Governo averiguar e perceber se a actuação é a mais adequada, sendo que a preocupação primordial é a sustentabilidade de recursos”.

No cômputo geral, Gui Menezes defendeu que “houve um ligeiro aumento de missões e inspecções” por parte da Inspeção Regional das Pescas (IRP) em 2017, na ordem dos 15%, referindo que as missões realizadas cumprem as “exigências comunitárias” no que respeita à fiscalização e ao controlo das pescas.

 

Edifícios licenciados ultrapassam os de 2016

ponta delgada1O número de edifícios licenciados nos Açores atingiu em Novembro passado os 603, ultrapassando já os 594 do ano anterior, quando ainda falta apurara o mês de Dezembro.

S. Miguel é a ilha que apresenta mais edifícios licenciados, com 314 até Novembro, quando no ano anterior eram 249.

S. Miguel, Terceira e Pico são as únicas ilhas com crescimentos.