Açorianos culpam governantes, partidos e deputados pela abstenção elevada

votação pessoa

Os eleitores açorianos culpam os governantes, partidos e deputados pelas elevadas taxas de abstenção nos Açores, segundo um estudo da Universidade dos Açores mandado efectuar pela Assembleia Regional.

O estudo, revelado ontem no jornal Público, foi realizado durante o último ano e entregue ao parlamento açoriano no final do passado mês de Abril, da autoria do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade dos Açores, com coordenação do sociólogo Álvaro Borralho. 

O documento analisa a abstenção eleitoral nos Açores em todos os actos eleitorais realizados entre 1975 e 2017, sabendo-se que as maiores taxas de abstenção do país são nos Açores, particularmente as do Parlamento Europeu, que em 2014 atingiram os 80,2%, quando no país foi de 66,2%.

Segundo o Público, o trabalho contempla um inquérito a 720 açorianos, com base numa amostragem representativa da região, com o objectivo de obter uma análise mais profunda das razões subjacentes ao enfraquecimento da participação política, em especial da participação eleitoral. 

Neste questionário os açorianos não têm dúvidas em apontar os principais responsáveis pelo aumento da abstenção: 88,8% por cento dos inquiridos elegeram o Governo, 88,2% os deputados e 85,5% os partidos. 

As pessoas/cidadãos em geral só surgem no quarto lugar (68,3%), seguidas da categoria “a vida em geral” – que apontava para as dificuldades quotidianas –, com 58,8%.

 

Políticos “interessados em si mesmos” e “estão a perder credibilidade”

 

Individualizando dois grupos, as pessoas e os partidos políticos, as razões mais apontadas para a abstenção da responsabilidade dos cidadãos são a “falta de interesse”, 59,9%, seguida da “falta de cidadania”, 12,8%. 

A razão menos escolhida é a “falta de educação”, com apenas 2,5%. 

Entre as causas imputadas aos partidos políticos, sobressai a categoria “estarem interessados em si mesmos”, com 33,5%, seguida de “estarem a perder credibilidade”, com 29,7%. 

Um pouco mais distante, com 15,1% surge o “estarem afastados das pessoas” e o serem “todos iguais”, com 13,8%.

Questionados sobre o que poderia ser feito para readquirir o interesse pela participação eleitoral e contrariar a abstenção, os açorianos, a partir de um conjunto de sugestões dadas, escolheram maioritariamente “readquirir a confiança nos partidos” (70,4%) e “sentir que o seu voto faz diferença (70,3%).

Com valores muito próximos, na ordem dos 60% de indicações, surgem as escolhas “sentir a sua opinião mais respeitada”, “sentir a sua opinião mais ouvida” e “sentir-se mais representado pelos partidos”.

 

Autárquicas com menos abstenção

 

Comparando a abstenção nos últimos actos eleitorais, verifica-se que as autárquicas foram as eleições que registaram as taxas menos elevadas nos Açores: em 2017 não foram às urnas 46,6% dos eleitores (45% no total nacional).

Para os investigadores que realizaram o estudo, citado pelo Público, o facto de as autárquicas serem a eleição com maior participação pode ficar a dever-se ao facto de este ser o acto eleitoral com mais candidatos eleitos. 

Na última ida às urnas foram eleitos 569 autarcas - 107 para as câmaras municipais, 312 para as assembleias municipais e 150 para as assembleias e juntas de freguesia. 

“Se a estes eleitos, juntarmos todos os candidatos que concorreram e não foram eleitos, pelos diferentes partidos, ter-se-á um número de vários milhares de candidatos. 

Isto é, o número de envolvidos é de tal ordem que a mobilização individual e o interconhecimento, entre candidatos e eleitores, criam uma dinâmica de participação que supera todas as outras eleições”, indicam.

A segunda eleição com níveis abstencionistas mais baixos é a da Assembleia da República (2015) com uma abstenção de 59% (44,2% em Portugal).

A eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (2016) tem um abstenção ligeiramente mais alta do que a para o Parlamento nacional, situando-se nos 59,2%.

Já as presidenciais de 2016) registaram uma abstenção de 69,1% (51,3% no total de Portugal).

Como já foi referido, as eleições para o Parlamento Europeu de 2014 bateram todos os recordes, quer em Portugal quer nos Açores, respectivamente 66,2% e 80,2%.

 

Sugestões ao poder político

 

As ilhas onde tradicionalmente e em todas as eleições a abstenção é mais elevada são São Miguel e Santa Maria.

Os investigadores fazem algumas sugestões ao poder político para alterar a realidade abstencionista na região. 

Em primeiro lugar uma maior socialização política, em vários momentos da vida dos cidadãos, “e não só em eleições”, de forma a que se sintam “chamados a intervir, a dialogar, a expor as suas motivações, a gerar o debate, mesmo que isso pareça inútil ou que, à partida, seja dado como pouco participativo.” “A construção de uma política pública de cidadania activa será fundamental”, acentuam.

Dizem ainda que “é preciso ter presente que a melhoria da escolaridade também contribuirá para a proximidade dos cidadãos com a política” e apontam como igualmente importante o “reforço dos laços de confiança entre cidadãos e protagonistas”.

Por fim, sugerem a realização de conjunto de iniciativas “de participação dos cidadãos, para além dos meios institucionais de participação “que “ouvisse e debatesse directamente com os eleitores e não apenas com os seus representantes de ilha.

 “Uma política pública pela participação cidadã pode, muito bem, ser o instrumento de combate à abstenção, que está por realizar e, até pelo efeito de ser criada e posta em andamento, traduzir-se no primeiro passo para aumentar a participação eleitoral nos Açores”, conclui o estudo.

SATA Internacional foi a companhia com o segundo pior índice de pontualidade

Azores Airlines 2

A SATA Internacional foi a companhia com o segundo pior índice de pontualidade no ranking de Abril da consultora OAG, em que também a TAP e a SATA Air Açores tiveram dos piores índices do mês, noticia a PressTUR.

Os dados da OAG indicam que a pontualidade da SATA Internacional caiu mesmo para o seu pior nível desde pelo menos Janeiro de 2017.

A OAG, que controlou a pontualidade de 600 voos da SATA Internacional, indicou que apenas 39,6% chegaram até 15 minutos da hora prevista, cotando-a assim com o 156º pior índice do mês Abril, apenas melhor que a ViaAir, que teve 10,2%.

Antes deste Abril, o pior índice de pontualidade da SATA Internacional tinha sido 39,7%, em Julho de 2018, e seguidamente 40,5%, em Novembro de 2018.

Este ano a SATA Internacional estivera sempre acima dos 50%, com 64,3% das chegadas até 15 minutos da hora prevista em Janeiro, 57% em Fevereiro e 57,4% em Março.

A TAP, cujo presidente da Administração, Miguel Frasquilho, já admitira que a pontualidade da companhia se degradara em Abril, teve nesse mês apenas 57% dos voos a chegarem até 15 minutos da hora prevista, no que foi o 12º pior índice entre 157 companhias.

 

SATA Air Açores também piorou

 

E a SATA Air Açores não esteve muito melhor, ao registar o 16º pior índice do mês, com apenas 59% dos voos a chegarem até minutos da hora prevista.

Os dados da OAG indicam que a TAP teve este Abril o pior índice de pontualidade deste ano, em que estivera sempre acima dos 75%, com 75,6% em Janeiro, 83,1% em Fevereiro e 78,1% em Março.

A SATA Air Açores também tem o pior índice deste ano, em que registara 75,7% das chegadas até 15 minutos da hora prevista em Janeiro, 61,2% em Fevereiro e 77,1% em Março.

 

Horta e P. Delgada entre os aeroportos com os piores índices do mundo

 

Todos os aeroportos portugueses com dados recolhidos pela consultora OAG estiveram em Abril entre os piores do mundo em pontualidade, com realce para Lisboa, maior aeroporto português, que ficou em 1.172 entre 1.198 aeroportos, com apenas cerca de metade (50,7%) das partidas até 15 minutos da hora prevista.

Os dados publicados pela OAG, que são referência mundial na aviação, ao contrário de outros rankings profusamente utilizados pela imprensa portuguesa, mostram que embora Lisboa tenha registado o pior índice entre os aeroportos portugueses, os outros não estiveram muito melhores, revela a PressTUR.

A seguir a Lisboa, o pior índice registado em Portugal foi na Horta, com apenas 51,3% das partidas até minutos da hora prevista, e seguidamente Ponta Delgada, com apenas 54,4%.

Os mesmos dados mostram que o melhor índice de pontualidade dos aeroportos portugueses em Abril foi registado em Faro, com 67,8% das partidas até 15 minutos da hora prevista, seguido por Funchal, com 66%, e Terceira, com 61,1%.

A OAG explica na sua informação que apenas inclui no seu ranking os aeroportos em que verifica “pelo menos 80% dos voos calendarizados” e que utiliza tempos reais na porta de embarque e não estimativas.

Para o Aeroporto de Lisboa a consultora indica que em Abril verificou 8.967 partidas, que o posicionam como o 80º maior do mês, o Porto foi 200º, com 3.835 partidas, Faro foi 269º, com 2.736 partidas, o Funchal foi 540º, com 923 partidas, Ponta Delgada foi 576º, com 834 partidas, Terceira foi 794º, com 494 partidas, e Horta foi 1.103º, com 207 partidas.

O nº1 do mundo foi, como habitualmente, Atlanta Hartsfield-Jackson, nos Estados Unidos, com 36.487 partidas, 81,3% das quais até minutos da hora prevista, tendo assim o 618º melhor índice do mês.

Seguiram-se mais quatro aeroportos nos Estados Unidos, designadamente Chicago O’Hare International, com 36.483 partidas, 77,9% das quais na hora prevista (até 15 minutos), Dallas/Fort Worth, com 27.121 partidas, 75,6% na hora prevista, Los Angeles International, com 25.713 voos, 82,6% na hora prevista, e Denver International, com 24.047 voos, 80,5% na hora prevista.

Depois, em número de voos verificados pela OAG, estiveram Beijing Capital International, China, com 22.653 voos, 70,9% dos quais na hora prevista, Charlotte, nos Estados Unidos, com 22.465 voos, 73% dos quais à hora, Tokyo Haneda, Japão, com 20.803 voos, 90% dos quais à hora, Frankfurt International, com 20.472 voos, 72,8% dos quais à hora, e Amesterdão Schiphol, Holanda, com 20.223 voos, 69,9% dos quais à hora.

Região com “regime simples de apoios estruturados” para cuidadores informais, afirma Andreia Cardoso S

Andreia Cardoso - comissão 2

A Secretária Regional da Solidariedade Social afirmou ontem no Parlamento que o regime jurídico de apoio ao cuidador informal cria “um regime simples de apoios estruturados” e “garante um conjunto de direitos” aos cuidadores.

“Este diploma, no fundo, congrega a sensibilidade que fomos conseguindo ter e a percepção que fomos tendo das necessidades dos cuidadores”, sublinhou Andreia Cardoso, em declarações aos jornalistas, à margem da audição na Comissão Permanente dos Assuntos Sociais, sobre a proposta de Decreto Legislativo Regional que estabelece Regime Jurídico de Apoio ao Cuidador Informal na Região Autónoma dos Açores.

Segundo disse a Secretária Regional, este diploma surge porque o conhecimento disponível aponta para o crescimento dos cuidadores informais nos últimos anos, “pelo que se torna necessário propiciar as condições necessárias para que tenham apoio nessa missão, capacitando-os para a prestação de cuidados e para a promoção e manutenção do seu bem-estar”.

“Perante o esforço que lhe é exigido, é normal que o cuidador por vezes sinta dificuldades para lidar com a situação. Estes apoios permitem, portanto, responder às necessidades do cuidador, fazendo com que este se sinta mais seguro e valorizado”, explicou.

Andreia Cardoso referiu as medidas previstas no documento que se assumem como os direitos do cuidador informal, designadamente, a informação e formação; o apoio psicossocial e psicológico e o apoio na prestação de cuidados; um sistema de folgas; um período de descanso anual; um apoio para intervenção habitacional; a integração em grupos de autoajuda; o acesso a cuidados de saúde e um apoio financeiro.

“Tendo em conta que o cuidador informal é a pessoa que presta cuidados a um doente com necessidades permanentes no domicílio, sem auferir qualquer retribuição financeira ou outra, é nossa obrigação apoiá-los, na medida em que a presença de um doente com estas características no domicílio altera significativamente as rotinas do cuidador e as suas prioridades”, acrescentou a Secretária Regional.

Este Regime Jurídico de Apoio ao Cuidador Informal compreende um conjunto de apoios destinados a todos aqueles que, nos Açores, têm a seu cargo pessoas com dependência, no sentido de assegurar um conjunto de direitos que permitam aliviar o impacto que esta situação tem nas suas vidas.

Taxa de inflação continua em queda nos Açores

IPC TOTAL ABRIL 19

A taxa de inflação média nos Açores desceu para 0,22%. 

A nível nacional situou-se nos 1,02%.

A taxa de variação homóloga do mês de Abril, nos Açores, situou-se nos 0,16%, sendo a nacional de 0,77%.

A taxa de variação mensal foi de 1,10% nos Açores e 0,58% no país. 

A taxa de variação média dos últimos doze meses, terminados em Abril, do Índice de Preços no Consumidor, “Total”, desceu para 0,22%. 

As maiores variações médias verificaram-se nas classes “Bebidas alcoólicas e tabaco”, “Hotéis, cafés e restaurantes”, “Transportes”, “Acessórios, equipamentos doméstico e manutenção corrente da habitação”, “Educação” e “Bens e serviços diversos” com taxas positivas, respectivamente, de 2,83%, 2,16%, 1,89%, 1,77%, 1,21% e 0,97%.

A taxa de inflação nacional foi de 1,02%.

A taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor, “Total” de Abril, situou-se nos 0,16%, subindo 0,21 pontos percentuais em relação à taxa divulgada no mês anterior.

A taxa homóloga a nível nacional foi de 0,77%. A taxa mensal do índice de Abril “Total”, foi de 1,10%, descendo 0,30 pontos percentuais em relação ao mês de Março. 

A classe “Transportes” com 4,30%, foi a que mais se realçou no sentido da alta, enquanto no sentido da baixa tivemos a classe “Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas” com -0,70%. A taxa mensal a nível nacional foi de 0,58%.

SATA anuncia que reservas crescem, com mais receita e taxa de ocupação

Azores Airlines 2Entre os meses de Janeiro a Outubro 2019, o índice de ocupação médio registado (viagens e vendas já realizadas e reservas futuras) no computo geral da operação aérea do Grupo SATA, representa uma subida de + 3 p.p. na taxa de ocupação nas ligações liberalizadas entre o Continente e os Açores; de + 3 p.p. nas rotas ao abrigo das Obrigações de Serviço Público; de + 8 p.p. nas rotas EUA - Portugal e de + 9 p.p. nas rotas Canadá - Portugal - anunciou ontem a administração da SATA. 

“De igual forma, os resultados obtidos ao nível da receita vendida global, denotam uma melhoria nos resultados na ordem dos 16% na operação da SATA Air Açores e da Azores Airlines”, lê-se numa nota enviada ao nosso jornal.

Esta evolução positiva, segundo a SATA, é em parte atribuída ao conjunto de medidas adoptadas no final do ano de 2018, designadamente à implementação de uma aplicação de base tecnológica, que veio permitir melhorar as estimativas da procura e, consequente, optimização da oferta. 

“A adopção deste sistema permite receber informação objectiva acerca da necessidade de efectuar cancelamentos ou a oportunidade de realização de voos extraordinários (mediante a disponibilidade de recursos) face à estimativa de procura e receita”, explica a empresa.

“Em suma, a adopção deste sistema permite receber informação objectiva acerca da necessidade de reforço da oferta de lugares permitindo fazer face, de forma mais ágil, ao aumento de procura. 

Por outro lado, permite um controle mais efectivo evitando o desperdício de recursos. O equilíbrio é alcançado considerando os meios técnicos e humanos disponíveis, ajustados à realidade da operação aérea e à dimensão das transportadoras”, lê-se ainda na nota da SATA.

“Considerando os resultados obtidos até ao momento, o cenário dos próximos meses apresenta-se animador no que respeita à taxa de ocupação média dos voos e consequente aumento da receita. Considerando a proximidade da chegada de mais uma unidade Airbus A321LR estima-se que esta conjugação de esforços venha a concorrer para uma melhoria dos resultados das transportadoras e melhoria da qualidade do serviço prestado”, conclui.