Presidente do Parlamento Regional apela a defesa do “regime autonómico”

Ana-LuísA presidente do Parlamento Regional, Ana Luís, afirmou segunda-feira que é importante “reforçar o apelo” à defesa “intransigente” do regime autonómico, considerando que se mantêm “actuais” e “pertinentes” os objectivos que levaram à sua instituição.
Segundo a agência Lusa, Ana Luís falava na sessão solene do Dia da Região Autónoma dos Açores, que decorreu segunda-feira na Assembleia Legislativa Regional.
“Neste dia em que enaltecemos a singularidade e a cultura do povo açoriano, importa reforçar o apelo à defesa plural e intransigente do nosso regime autonómico, reconhecido, e bem, pela democracia, e bem alto afirmar a nossa firme convicção das vantagens de um regime capaz de simultaneamente fortalecer a identidade de um povo, promover o seu desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida sem deixar de ser um firme contributo para a unidade nacional e solidariedade entre portugueses”, afirmou.
Para a presidente do parlamento regional açoriano, “os objectivos fundamentais da autonomia são hoje tão actuais, pertinentes e legítimos como no passado”.
“Sob pretexto algum podemos abdicar deles, da participação livre e democrática de todos os cidadãos, do fortalecimento e fomento dos laços económicos, sociais e culturais com as comunidades residentes fora da região, passando pela diferenciação do sistema fiscal nacional à região, segundo os princípios da solidariedade, da equidade e da flexibilidade”, sublinhou.
Para Ana Luís, os tempos actuais mostram-se exigentes e “deverão servir para accionar o que de melhor há” na “classe política”, apelando a “consensos”.
“Da classe política, a sociedade espera empenho, rigor e capacidade de superação. Importa pois que não defraudando as expectativas desta sociedade, sejamos capazes de ultrapassar compreensíveis e enriquecedoras divergências ideológicas, estabelecer consensos e encontrar soluções que permitam desenvolver nos Açores a qualidade de vida de quem habita nestas ilhas, assente numa efectiva coesão territorial, económica e social”, afirmou.
Para a presidente da Assembleia Legislativa dos Açores, “este processo” passa pelo apoio às famílias e às empresas e pela “capacidade de antecipar e impulsionar novos caminhos para a descentralização como instrumento para a autonomia”, defendendo que “é tempo” de fazer das “diferenças e das singularidades de cada ilha” da região “veículo privilegiado” de um “desenvolvimento coeso”.
Na sessão solene do Dia da Região Autónoma dos Açores houve ainda uma intervenção do presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, e foram condecoradas personalidades e instituições que se destacaram na “consolidação da identidade histórica, cultural, política e económica” do arquipélago.

Cerca de dez mil visitantes passam, por ano, pelos museus da Ribeira Grande e a maioria são estrangeiros

Museu vivo do franciscanismo“O museu é o espaço que complementa a comunidade, preserva a sua memória e permite-lhe avançar, destacando um ou outro aspecto da sua identidade. O museu é, no fundo, a comunidade, independentemente da natureza que comporte o seu espólio”. Afirmações da adjunta da Cultura da autarquia da Ribeira Grande que falou com o Diário dos Açores, no âmbito do Dia Internacional dos Museus. Lurdes Alfinete revelou que está a ser equacionada a criação de um roteiro museológico, que pretende orientar os turistas pelos quatro museus do centro do concelho.

Desde 2005 que o município da Ribeira Grande tem apostado fortemente na área da cultura. Exemplo disso são os diversos núcleos museológicos que se podem encontrar naquele concelho e que, anualmente, recebem cerca de dez mil visitantes. Um número avançado ao Diário dos Açores, pela adjunta da Cultura da autarquia ribeiragrandense, Lurdes Alfinete, numa entrevista realizada no âmbito do Dia Internacional dos Museus, que se comemora hoje.
Actualmente, o concelho da Ribeira Grande conta com quatro museus distintos. São eles o Museu Municipal, a Casa do Arcano, o Museu da Emigração Açoriana e, o recentemente inaugurado, Museu Vivo do Franciscanismo. Os quatro núcleos acabam por ser, nas palavras de Lurdes Alfinete, um modo de contribuir para a “afirmação do concelho como pólo de cultura da ilha de São Miguel”, bem como uma forma de “perpetuação da memória e da identidade de um local, das suas gentes e vivências” e de promoção em termos turísticos.
“A cultura é, sem dúvida, um motor impulsionador do turismo e, apostando em tempos, actividades e espaços diferentes e apelativos, poder-se-á trazer muitos visitantes”, afirmou a adjunta da Cultura.
A maioria das pessoas que vai conhecer os museus é do estrangeiro. Lurdes Alfinete revelou que a população açoriana e do continente visitam os espaços “de forma esporádica”, “em momentos específicos do calendário-cultural”. É o caso da Casa da Cultura, parte integrante do Museu Municipal, que na quadra natalícia apresenta um elevado número de visitantes, que vão apreciar o presépio movimentado do Senhor Prior.

Aproximar a população aos núcleos museológicos

Apesar de os açorianos, e portugueses em geral, representarem a minoria dos visitantes, a responsável pela área da cultura defendeu que o número de visitas aos núcleos museológicos da Ribeira Grande não tem vindo a diminuir. “As pessoas estão cada vez mais conscientes da sua identidade, do seu papel enquanto cidadãos e revelam, em crescendo, mais vontade de conhecer a sua história e o que a terra oferece”.
“O arquipélago sempre teve fortes tradições culturais que procurou preservar e propagar”, frisou.
Tendo em conta esta realidade, uma das preocupações da autarquia tem passado por adoptar estratégias que aproximem a população aos museus do concelho. Uma das medidas tomadas passou pelo alargamento do horário de funcionamento daqueles espaços, que actualmente abrem as portas ao público das 9 às 17 horas. Além disto, Lurdes Alfinete apontou o trabalho de promoção que tem sido feito junto das crianças e da população sénior. “A equipa que trabalha em torno destas valências procura dar a conhecer os espaços através da instituição anual de um programa pedagógico que traz aos espaços cerca de cinco mil crianças todos os anos”, salientou, acrescentando que a aposta na proximidade com as pessoas passa também pela divulgação dos museus como oferta cultural nas redes sociais e no sítio electrónico (criado para o efeito).

O “quarteirão museológico”

Uma situação curiosa, e pouco comum se comparada com outros concelhos da ilha, é o facto de os quatro museus da Ribeira Grande se encontrarem a pouca distância uns dos outros. Uma realidade que, para muitos dos que visitam a zona, passa despercebida. É neste sentido que surge, portanto, a necessidade de se desenvolver uma espécie de circuito que oriente os turistas pelos vários espaços. “É cada vez mais pertinente a criação deste roteiro e é algo que, de momento, já está a ser equacionado, na sequência do que ultimamente se entende como «quarteirões museológicos»”, referiu a responsável pela Cultura do município.

O Museu Municipal

Um dos principais espaços a constar neste roteiro será o Museu Municipal, o único que integra a Rede Portuguesa de Museus. Com vários núcleos, a sua sede no Solar de São Vicente, na freguesia da Matriz, conta com várias exposições em permanência, desde a Arqueologia, Arte Sacra, Moinhos de Água, Lagar, Arquitectura “chã”, a Azulejaria, Trajo e Cerâmica.
O museu tem “um cunho etnográfico e lá o visitante pode partir à descoberta de artes e ofícios que tão bem caracterizaram a Ribeira Grande - como a oficina de marcenaria ou a sapataria -, assim como de uma cozinha tradicional ou de uma farmácia que parece transportar-nos no tempo”. Lurdes Alfinete relembrou, no entanto, que “o ícone deste espaço continua, todavia, a ser o emblemático Presépio Movimentado do Senhor Prior, passível de ser observado de perto todo o ano”. Em destaque também neste núcleo museológico estão as oficinas tradicionais, que retratam como era uma sapataria, uma carpintaria, uma barbearia ou a latoaria antigamente, naquele concelho.

Museu Casa do Arcano

Outro espaço que integra a oferta museológica da Ribeira Grande é o Museu Casa do Arcano. Situado na Rua João D’Horta, trata-se de uma recuperação da casa de Madre Margarida do Apocalipse que acolhe o 1º Tesouro Regional dos Açores – o Arcano Místico. A obra da Madre Margarida contém os Mistérios mais importantes do antigo e novo testamento, segundo afirmou a própria autora no seu testamento, escrito em 1854.
Os vários quadros, dispostos nos três pisos da casa, são compostos por pequenas figuras, moldadas à mão e formadas por vários materiais, tais como farinha de arroz, gelatina animal, goma-arábica e vidro moído.
“A diferença que marca esta obra, a minúcia, o amor e o rigor que decerto foram utilizados na sua concepção não deixam ninguém indiferente”, afirmou Lurdes Alfinete sobre a Casa do Arcano.

Museu Vivo do Franciscanismo

Desde Fevereiro do presente ano que o “quarteirão museológico” da Ribeira Grande conta com mais o Museu Vivo do Franciscanismo. O seu objectivo passa por contribuir para o conhecimento da dimensão evangelizadora, pedagógica e cultural da Ordem Franciscana. Este espaço, situado na antiga Igreja de Nossa Senhora da Guadalupe, retrata a história do Franciscanismo naquele concelho com, por um lado, o espaço da igreja conventual, onde se identificam as áreas de devoção e os rituais identitários do Catolicismo e, por outro lado, salvaguarda o Património Imaterial referente às actividades da Ordem dos Terceiros.
Os visitantes poderão apreciar a igreja do antigo convento, com os retábulos, altares, imagens, altar-mor, bem como diversos elementos expositivos que explicam a vida de São Francisco de Assis, a presença da Ordem Terceira da Penitência na Ribeira Grande e nos Açores e a realização da Procissão do Senhor Santo Cristo dos Terceiros. O espaço possibilita ainda a visualização de um filme sobre a história do convento e sobre a arte de “vestir os santos”. “É o Museu Vivo porque, anualmente, o seu espólio sai à rua, numa comunhão única com a comunidade”, explicou a adjunta da Cultura da autarquia ribeiragrandense.

Museu da Emigração Açoriana

Já o Museu da Emigração Açoriana, “também único na sua génese”, segundo Lurdes Alfinete, “possibilita o contacto com as migrações, enquanto parte integrante da história passada e presente” dos açorianos.
“Ganha, ainda, outro sabor uma visita a este museu pela oportunidade de se consultarem as Fichas de Emigrante”. A adjunta da cultura realçou que, muitas vezes, os visitantes acabam por descobrir ligações familiares registadas nos documentos.

Vasco Garcia admite saída do PSD/Açores

vasco garciaO histórico do PSD/Açores e antigo reitor da universidade da região Vasco Garcia confirmou sexta-feira à agência Lusa a sua saída do partido, dizendo-se “desapontado e revoltado com os partidos”, que “estão cheios de políticos de aviário”.
Vasco Garcia, antigo deputado regional, nacional e europeu, entregou o cartão de militante no início de Maio, por discordar do processo de escolha do candidato social-democrata à Câmara da Lagoa, um cargo que “nunca ambicionou, apesar de ter sido convidado duas vezes por duas direcções distintas do partido”.
“Este tipo de decisão não é tomada de ânimo leve. A situação já se deteriorava há algum tempo e culminou agora com a escolha do candidato do PSD à Câmara Municipal da Lagoa”, afirmou à agência Lusa Vasco Garcia, que não equaciona, para já, qualquer regresso ao PSD/Açores.
“Conforme disse há pouco tempo Miguel Veiga, histórico do PSD nacional, estou desapontado e revoltado com os partidos, que estão cheios de políticos de aviário”, afirmou Vasco Garcia, acrescentando que agora o seu partido é a família, os Açores e o Bombeiros de Ponta Delgada, instituição a que preside.
Dois militantes do PSD/Açores decidiram este mês abandonar o partido por alegadas divergências com a actual direcção, algo que o secretário-geral lamentou, contrapondo com a adesão de centenas de novos militantes de todas as ilhas.
“Desde que o doutor Duarte Freitas assumiu a liderança do PSD [em Janeiro] apenas dois militantes entregaram o cartão. A direcção do partido lamenta estas decisões. Apesar disso, temos 320 novos militantes de todas as ilhas”, afirmou à agência Lusa Alexandre Gaudêncio, acrescentando que “nada impede que estas pessoas possam voltar a ser novamente militantes”.
O outro militante do PSD/Açores que abandonou o partido foi Rómulo Ávila, antigo secretário-geral da JSD, justificando a decisão com o facto de se ter “fartado de jogos, negociatas, de gente que age tendo em conta o seu futuro e a sua carreira política”.
“Este PSD não é o PSD que me fez aos 14 anos entrar para o partido”, sustentou o antigo militante de 26 anos, alegando que a entrega do cartão “não é uma vingança”, já que em Março terminou a suspensão de dois anos, que lhe tinha sido aplicada por falsificação da assinatura de um militante, no âmbito do processo eleitoral do congresso da JSD/Açores em 2010.
Rómulo Ávila, que enviou pelo correio o cartão de militante, garante que continuará a ser “um homem de direita” e mostra-se disponível para voltar ao partido caso “mudem o estilo, a gestão e os actores”.

Autarquia investe 1,2 milhões de euros em escola da freguesia de Arrifes

Escola ArrifesAs obras de recuperação e Ampliação da Escola EB/JI Eng. José Cordeiro, na freguesia de Arrifes, vão avançar já no próximo verão. A obra foi adjudicada à empresa Marques S.A. por 1,2 milhões de euros e tem um prazo de execução de 300 dias, sendo comparticipada por fundos comunitários, através do PROCONVERGÊNCIA, segundo avançou a autarquia.
A intervenção prevê a requalificação e ampliação do equipamento existente e a criação de novas estruturas.
O edifício actualmente existente será alvo de uma “profunda reestruturação”, por forma a melhorar as condições actuais e garantir uma eficaz ligação com as novas infraestruturas.
A mesma fonte revela que irá proceder-se a uma reparação generalizada na estrutura do edifício, prevendo-se uma remodelação interior parcial “de forma a contribuir para um melhor funcionamento deste estabelecimento de ensino e integrar os novos espaços propostos”.
O projecto em causa prevê dotar as salas de aulas de bancadas de trabalho, com lavatório e zona de arrumação, bem como saídas de emergência para o exterior, enquanto no espaço exterior a instalação sanitária vai ser remodelada com vista à introdução de duche e equipamento sanitário de apoio ao Jardim-de-Infância.
Todos os materiais da sala polivalente serão renovados, estando prevista a construção de um espaço de arrumação de apoio às actividades previstas e o aumento da área dos vãos exteriores e dos vãos interiores que estabelecem comunicação com o restante edifício.
Os novos volumes propostos no projecto base prevêem a construção de um espaço de maior dimensão que integra o refeitório e instalações de apoio, nomeadamente uma copa para recepção de alimentos confeccionados e prontos a servir no local, instalações sanitárias e balneários de apoio ao pessoal de serviço.

Direitos marítimos açorianos “devem ser reafirmados perante Governo da República”, defende PSD/Açores

peixes  fundo do marO PSD/Açores defendeu a reafirmação, “perante a República, dos direitos da Região na gestão do seu espaço marítimo e dos seus recursos, incluindo os dos fundos marinhos”, sendo que “um envolvimento activo dos Açores nessa tarefa resultará em vantagens para o País e para a Europa”, disse o deputado Luís Garcia.
Segundo nota de imprensa emitida pelo PSD/Açores, o social-democrata lembrou, durante a apresentação de um projecto de resolução, que se vem assistindo “a um enfoque especial na importância do mar e dos seus recursos no nosso desenvolvimento”, pelo que, “depois de décadas de costas para o mar, a Europa em geral e Portugal em particular, parecem querer agora fazer dele uma aposta para o nosso desenvolvimento”.
“A proposta do PSD/Açores surge numa altura adequada e certa”, pois os oceanos e os mares “são um recurso com enorme potencial, que podem desempenhar no futuro um papel ainda mais fundamental na nossa vida económica, social e cultural. A Região, pela sua localização geo-estratégica e pela sua extensa Zona Económica Exclusiva, experiência e tradição marítimas e pelo seu conhecimento científico quer ter um papel relevante na gestão e na utilização sustentável dos seus mares”, disse Luís Garcia.
Para o deputado do PSD/Açores “é competência do Primeiro Órgão da nossa Autonomia reafirmar e defender os nossos direitos nesta matéria, pelo que estaremos sempre ao lado dos Açores, cooperando com os órgãos de governo próprio em todas as acções que venham a ser tomadas para assegurar e defender os direitos e as competências da Região sobre esses recursos”.
“Mas é preciso definir de forma clara o que queremos fazer, pois a melhor forma de defender a nossa Autonomia é exercendo-a”, avançou Luís Garcia, lembrando que estão em elaboração “diplomas orientadores sobre a utilização que Portugal que dar ao mar, como a Estratégia Nacional para o Mar e a lei que estabelece as bases da política de ordenamento e de gestão do espaço marítimo”.
O parlamentar acrescentou que, “o eventual alargamento da plataforma continental das 200 milhas para as 350 milhas, cuja proposta já foi submetida às Nações Unidas, cria novos desafios nos quais a Região quer estar presente”, até porque “a Comissão Europeia pretende revitalizar a economia marinha e marítima no Oceano Atlântico, com objectivos muito auspiciosos para as suas regiões costeiras”, frisou.
Luís Garcia alertou para a nova dimensão económica, financeira e científica “em trono da biodiversidade de recursos marinhos do arquipélago, e do interesse crescente nas possibilidades de utilização desses recursos, pois a sua exploração não pode deixar de merecer especiais cautelas por parte da Região”.
O deputado defendeu ainda que se deve garantir “uma estratégia regional que tenha o mar dos Açores e os seus recursos como objecto central, de tal modo que a mesma possa servir de base de fundamentação da defesa das posições regionais no contexto das pretensões nacionais”, concluiu.