Governo Regional cria programa de lançamento de novas lojas urbanas

sergio avila1O vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Sérgio Ávila, anunciou ontem a criação de um “programa de apoio à revitalização das lojas nos centros urbanos” que visa “a revitalização do tecido empresarial, mediante o apoio a instalação de novas unidades comerciais nos centros urbanos, para requalificação dos espaços devolutos do comércio tradicional e para apoiar a recuperação de património edificado”.
Essa é a primeira clarificação: o programa não se destina ao comércio já instalado, mas para a ocupação do que o Governo considera como “espaços devolutos”. Segundo Sérgio Ávila, “são abrangidos neste programa todos os estabelecimentos localizados nos centros urbanos da Região, que se encontrem na situação de devolutos, e nos quais se pretendam exercer actividades inovadoras de comércio e serviços”.
Outra clarificação tem a ver com as áreas de negócio que o Governo pretende apoiar, no que considera ser “um novo  paradigma de dinamização urbana”. Segundo afirmou, “será apoiada a instalação de lojas que correspondam aos seguintes conceitos inovadores:
a) Pop up stores – lojas temporárias, ideais para marcas que comercializam produtos sazonais ou colecções exclusivas;
b) Lounge – estabelecimentos reservados para produtos que exigem interactividade com o consumidor e forte presença da marca, em que a componente venda é secundária ou inexistente;
c) Lab stores – estabelecimentos pensados para marcas que precisam de algum tempo para testar a sua aceitação no mercado antes de empreenderem um investimento maior;
d) Traditional Stores – estabelecimentos que não disponham de livre serviço e que disponibilizem um atendimento de qualidade e personalizado”...
Sérgio Ávila referiu que “com este programa pretende-se apoiar a instalação nos centros urbanos de actividades comerciais inovadoras ou o lançamento de novos produtos ou marcas, disponibilizando-se de forma temporária lojas que estejam devolutas e contribuindo assim para a renovação, dinamização e reforço da atracção pelos centros urbanos das nossas localidades”, frisou, numa conferência de imprensa em Angra do Heroísmo, ilha Terceira.
De acordo com a agência Lusa, o programa ‘Loja +’, integrado na chamada “Agenda Açoriana para a Criação de Emprego e Competitividade Empresarial” do Governo Regional, disponibiliza apoio financeiro na requalificação dos estabelecimentos ou na comparticipação de rendas.
Os projectos de requalificação de estabelecimentos destinam-se a obras até 15 mil euros e um prazo de execução de seis meses, sendo que o valor da comparticipação das despesas elegíveis varia entre os 60 e 70%, consoante a ilha.
Quanto ao apoio ao arrendamento, são aceites candidaturas até ao montante máximo mensal de 14 euros por metro quadrado ou 700 euros e a comparticipação é de 50 a 60% do valor da renda, por um período máximo de 12 meses.
Para Sérgio Ávila, estas medidas vão permitir “apoiar empresas inovadoras, que não tinham espaço com visibilidade para dar a conhecer a sua actividade, bem como assegurar a reabilitação de lojas que estejam devolutas e sem utilização”.
O vice-presidente considerou também que o programa vai “garantir novos motivos de interesse e de motivação para atrair os clientes aos centros urbanos” e “dinamizar a actividade do sector da construção civil”.
Podem candidatar-se empresas com produtos sazonais ou colecções exclusivas, empresas com produtos que exigem interactividade com o consumidor, em que a componente venda é secundária, empresas que precisam de testar a aceitação das suas marcas no mercado e estabelecimentos que não disponham de livre serviço e que disponibilizem um atendimento de qualidade e personalizado.
As autarquias têm a partir de agora 30 dias para definir as áreas das cidades e vilas consideradas como centro urbano, para que os interessados possam apresentar as suas candidaturas junto Sociedade de Desenvolvimento Empresarial dos Açores (SDEA).
O programa é “acumulável” com outros apoios, como o Sistema de Incentivo ao Desenvolvimento Local e o Empreende Jovem.

Quase 50% dos hóspedes nacionais nos Açores podem ser... açorianos!

turistasSegundo o Inquérito “Estatísticas do Turismo – 2012”, do INE, das cerca de 196 mil viagens aos Açores que foram realizadas em 2012 por residentes em Portugal, apenas 74.900 estão relacionadas com “viagem de lazer, recreio ou férias”, o que corresponde a 38% do total. O resto tem a ver com “visita a familiares ou amigos”, com 37,7%, viagens “profissionais ou negócios”, com 30,1%, e “outros motivos”, com 6,7%, não estando apurados nem as viagens de Saúde nem de Religião.
O INE estima que essas viagens geraram um total de 1 milhão de dormidas no arquipélago. No entanto, segundo os dados fornecidos pelas unidades hoteleiras nas estatísticas mensais do turismo, apenas foram registadas 481 mil dormidas em 2012, o que sugere que cerca de 50% dessas dormidas ocorreram em alojamentos alternativos, nomeadamente junto de familiares ou outros. O Inquérito conclui que o segmento do lazer. recreio ou férias é responsável por 436 mil dormidas, enquanto que as dormidas profissionais ou de negócios geraram 58 mil. Tendo em conta que a soma desses dois valores está muito próxima do total de dormidas registado pelos hoteleiros, pode concluir-se que pelo menos cerca de 12% das dormidas registadas nos Açores por residentes nacionais não tem a ver com o sector do turismo propriamente dito.
Mas quando o Inquérito aborda a origem dessas viagens, a dúvida adensa-se. Em 2012, registaram-se, com origem nos Açores, quase 54 mil viagens de lazer, recreio ou férias, mas apenas estão apuradas 17,4 mil para o continente (com o Alentejo a registar o maior valor).
Ou seja, cerca de 36,5 mil dessas viagens têm como destino as próprias ilhas (o que inclui a Madeira, embora a sua expressão não deva ser significativa).
Se essas 36,5 mil viagens forem subtraídas às cerca de 75 mil viagens nacionais no mesmo segmento de férias, a conclusão possível é que cerca de 50% das viagens realizadas aos Açores têm origem no próprio arquipélago. Não é possível tirar ilações directas sobre o impacto destas viagens no total de dormidas, porque existem outros factores que não estão estudados, mas o seu peso pode ser significativo.
O facto é que ainda não são realizados nos Açores trabalhos estatístíscos que permitam conhecer em profundidade o tipo de cliente nacional que pernoita nas unidades hoteleiras. Neste momento estão englobadas como “de portugueses” todas as dormidas de açorianos, o que constitui um segmento de negócio muito diferente. Trata-se, obviamente, de uma lacuna importante ao nível da escolha da estratégia publicitária, que pode estar completamente desviada do tipo de mercado tradicional.
Outro problema é que no Inquérito deste ano não constam dados sobre os Açores ao nível da origem dos turistas que nos visitam. Mas os inquéritos de 2011 e 2010 continham esses dados e, a manter-se a mesma tendência, o Norte é a região do continente que mais nos visita, com 16,4% das viagens de férias, seguido de Lisboa, com 13,5% e o Centro com 12%. E os açorianos, com 40%...

Novos Acordos Colectivos de Trabalho alargam trabalho médico para 40 horas

O Secretário Regional da Saúde assinou, sexta-feiraLuis cabral, em Angra do Heroísmo os novos Acordos Colectivos de Trabalhos relativos à carreira médica, no âmbito do Serviço Regional de Saúde, que vão permitir que os profissionais médicos optem pelo regime das 40 horas, em vez das actuais 35 horas.
Segundo Luís Cabral, “os acordos assinados terão um impacto positivo” dado que podem contribuir, no caso dos hospitais, “para a redução das listas de espera cirúrgicas e dos tempos de espera nas consultas de especialidade”.
Os acordos agora formalizados permitirão, também, que os médicos de família, trabalhando 40 horas, passem a ter 1900 utentes nas suas listas, “contribuindo, deste modo, para a diminuição do número de açorianos sem médico de família”.
Os acordos aplicam-se aos trabalhadores médicos que exercem funções em regime de contrato de trabalho em funções públicas e aos trabalhadores médicos em regime de contrato individual de trabalho, ao abrigo do Código de Trabalho.
O Secretário da Saúde expressou a sua satisfação pelo facto de ter sido possível alcançar estes objectivos e registou o bom diálogo que marcou as negociações com o Sindicato dos Médicos da Zona Sul e o Sindicato Independente dos Médicos.

PSD/Açores pede a congressistas americanos para defenderem a Base das Lajes

Duarte freitasO presidente do PSD/Açores pediu, sexta-feira, a 13 congressistas norte-americanos para continuarem a apoiar a presença dos Estados Unidos da América (EUA) nas Lajes para que a proibição de redução do contingente militar em 2014 seja ratificada pelo Senado.
Duarte Freitas enviou este pedido a 13 congressistas norte-americanos lusodescendentes ou eleitos por círculos eleitorais onde há comunidades importantes oriundas dos Açores através de uma carta, a que a Lusa teve acesso.
O líder do maior partido da oposição nos Açores pede aos congressistas para manterem os seus “esforços e apoio” à questão das Lajes, depois de na quarta-feira a Câmara dos Representantes do Congresso dos EUA ter aprovado uma emenda à lei que define o orçamento da Defesa norte-americana que proíbe, durante o ano fiscal de 2014, a redução do contingente militar que está na base da ilha Terceira.
A emenda foi uma iniciativa de um grupo de congressistas descendentes de portugueses ou próximos das comunidades açorianas nos EUA, pedindo-lhes agora Duarte Freitas que façam o mesmo esforço para a emenda ser ratificada pelo Senado.
Na carta que enviou aos congressistas, O líder do PSD/Açores agradece aquilo que têm feito pela manutenção do contingente militar dos EUA nas Lajes, que os norte-americanos pretendiam reduzir significativamente já a partir do próximo ano.
Sublinhando a importância da presença americana nas Lajes na economia dos Açores e da ilha Terceira, Duarte Freitas volta a referir os esforços que o Governo Regional (socialista) tem feito nesta matéria, e que diz apoiar, insistindo na importância de ser mantido o “mesmo nível de postos de trabalho” de portugueses na base.
Duarte Freitas enviou a carta a C. W. Bill Young (eleito pela Florida), David Cecilline e Jim Langevin (Rhode Island), David Valadão, Devin Nunes, Doug LaMalfa, Jeff Denham, Jim Costa e Ken Calvert (Califórnia), James McGovern e William Keating (Massachusetts), Peter Visclosky (Indiana) e Rodney Frelinghuysen (New Jersey).

Redução da Base das Lajes pode ser evitada, dizem congressistas norte-americanos

BASE das LAJESOs congressistas de origem portuguesa na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos acreditam que a aprovação da emenda que proíbe a redução da estrutura militar da Base das Lajes em 2014 é uma oportunidade para evitar uma redução definitiva.
A emenda foi promovida pelos congressistas Jim Costa, David Valadao, David Cicilline, Devin Nunes, James Langevin e William Keating e teve na quarta-feira o voto unânime da Câmara dos Representantes.
Em declarações à agência Lusa, o democrata Jim Costa disse que “a adopção desta emenda é um grande passo em frente nos esforços para assegurar que a localização estratégica da Base das Lajes é mantida.”
Costa realçou que esta emenda foi conseguida através de “uma forte coligação bipartidária, que conhece a importância da base para a segurança nacional dos EUA e os aliados portugueses”.
“Ainda temos trabalho para fazer, mas estamos na direcção certa”, diz o congressista da Califórnia.
Em declarações à agência Lusa, o republicano Devin Nunes defendeu que “o Congresso falou de forma convicta, adoptando unanimemente a emenda para manter a força Americana na Base das Lajes”.
“Isto dá oportunidade aos líderes militares para trabalharem com o Congresso na análise das bases europeias e decidir quais devem ser mantidas operacionais devido à sua importância no posicionamento global dos Estados Unidos”, defendeu Nunes, sublinhando que as Lajes é “a base mais importante para as forças (norte-americanas) no Atlântico, Europa, Médio Oriente e África”.
O congressista referiu também que “o Senado tem agora de atuar [aprovando a emenda] para que ela possa ser assinada pelo Presidente e transformada em lei”.
A National Organization of Portuguese Americans (NOPA), que liderou o processo de mobilização da comunidade portuguesa nas últimas semanas, contactando os gabinetes dos congressistas e pedindo aos luso-americanos que ligassem para os seus representantes, também está optimista.
O presidente da organização, Francisco Semião, disse à Lusa que os açorianos “têm bons argumentos para manter as Lajes na sua capacidade total, dada a sua localização estratégica e longa parceria com o Governo português e açoriano”.
Apesar de esperar um cancelamento da redução, o responsável disse que esta emenda também “dá tempo para a comunidade açoriana se preparar melhor, caso as coisas não aconteçam a seu favor”.
Francisco Semião considerou que a actividade dos congressistas do Portuguese Caucus, que reúne os representantes lusodescendentes e com ligações à comunidade, foi “muito importante” nesta votação.

Governo açoriano, empresários
e trabalhadores estão “cautelosos”

O presidente do Governo Regional dos Açores considerou ontem “muito positiva” a decisão da Câmara dos Representantes dos EUA em relação às Lajes, mas destacou que ainda precisa de ser aprovada pelo Senado e que só tem efeitos durante 2014.
Segundo sublinhou ontem Vasco Cordeiro, essa alteração estabelece que “nenhum dos fundos dessa lei” pode ser utilizado “para proceder a qualquer redução na base das Lajes” em 2014.
Vasco Cordeiro acrescentou que, apesar de “muito positivo”, este passo “deve ser encarado com prudência e com cautela”, por serem orientações que valem apenas para o ano fiscal de 2014 e por faltar a aprovação do Senado dos EUA.
“Continuamos naturalmente a trabalhar neste assunto, continuamos com um conjunto de iniciativas, que preferia neste momento manter reservadas, sobre esta matéria, mas a verdade é que ainda tem de ser aprovada, e não foi, pelo Senado”, afirmou.
Por seu lado, os trabalhadores das Lajes e empresários da Terceira estão também cautelosos quanto aos efeitos da aprovação, nos EUA, de uma emenda que proíbe a redução da estrutura militar norte-americana na base da ilha em 2014, embora reconheçam que pode ser positivo.
O presidente da Comissão Representativa dos Trabalhadores portugueses na Base das Lajes, João Ormonde, considerou que a emenda trouxe mais tempo para reivindicarem a inversão do processo de redução da estrutura militar dos EUA.
“É sempre uma esperança porque ganhamos tempo. Vamos poder continuar a fazer ‘lobbying’ e a reivindicar”, adiantou, em declarações à Lusa, salientando, no entanto, que “não vem esclarecer em definitivo o que está na proposta”.