Seria “inconcebível imaginar um mês de Agosto em Santa Maria sem a realização da Maré”

helvio maré 32De hoje até Domingo, 26 de Agosto, a Praia Formosa, na ilha de Santa Maria, volta a acolher mais uma edição do mais antigo Festival de Portugal: a Maré de Agosto. O evento, que já vai na sua 34ª edição, atrai todos os anos milhares de pessoas à ilha do Sol e é já uma referência não só em Santa Maria, como também nas restantes ilhas dos Açores.

O Diário dos Açores falou com Hélvio Braga, director do Festival e Presidente da Associação Cultural Maré de Agosto, entidade que organiza este Festival Internacional de Música.

 

Diário dos Açores – Arranca hoje mais uma edição do Festival Maré de Agosto. Ansioso?

Hélvio Braga - Naturalmente, apesar da experiência de toda a equipa organizativa do Festival, há sempre alguma ansiedade até que se ouçam os primeiros sons no Palco da Maré. O início do Festival é o culminar de muitos dias de trabalho, de muitas horas entre a sede da Associação e o recinto do Festival, e, como tal, há sempre alguma ansiedade, na expectativa que tudo se inicie da melhor forma. Muito à semelhança do que acontece com os artistas quando sobem ao nosso palco e iniciam os seus concertos.

 

Como correram os preparativos? Muitos imprevistos?

HB - Organizar um evento desta dimensão numa ilha como Santa Maria, é sempre uma tarefa propícia para que possam ocorrer alguns imprevistos durante a fase de preparação do Festival. Este ano não foi excepção, mas felizmente através do esforço de todos os nossos parceiros e de um conjunto fantástico de colaboradores e voluntários, foi possível ultrapassar os imprevistos e iniciar dentro de algumas horas, aquela que acredito que será mais uma grande edição do Festival Maré de Agosto. 

 

Quais as perspectivas para este ano?

HB - Este ano conseguimos novamente reunir um excelente conjunto de artistas nacionais e internacionais que nos dão garantidas de um cartaz com muita qualidade cultural e musical, e nesse sentido, as nossas perspectivas são as melhores. Temos o regresso do Fado com Camané, do Reggae com Groundation, temos a celebração dos 20 anos de carreira dos Marienses Ronda da Madrugada, temos os regressos de Terrakota e Olive Tree Dance, entre muitos outros artistas, e como tal as nossas perspectivas são muito boas, tendo a esperança que iremos corresponder à expectativas dos nossos festivaleiros.

 

Fazer 34 anos, é um orgulho?

HB - Sem dúvida! Um orgulho que se estende a todas as pessoas que fazem ou fizeram parte das Direcções do Festival, um orgulho para todos os sócios da Associação, para todos os Marienses, para todos os nossos parceiros e para todos aqueles, que de uma forma ou de outra, contribuíram para que a Maré seja actualmente em Portugal, o mais antigo festival de música em continuidade e por essa via o festival açoriano de maior notoriedade nacional.

 

A seu ver o que representa a Maré de Agosto não só para todos os marienses, mas também para todos aqueles que fora da ilha de Santa Maria fazem questão de marcar presença neste festival?

HB - Para todos os Marienses ou para quem propositadamente visita o Festival, penso que seria completamente impossível e inconcebível imaginar um mês de Agosto em Santa Maria sem a realização da Maré, e julgo que isso representa muito bem a sua importância para ilha e até para a região. Além de ser o maior evento cultural, de reconhecido interesse público e mérito cívico, é sem sombra de dúvida o maior acontecimento impulsionador da economia mariense durante o período de Verão, sendo vital para os sectores da animação turística, hotelaria, restauração e comércio. Além disso, pela sua história o Festival marca o Verão da ilha, havendo o sentimento claro de todos quantos conhecem a Maré de Agosto e Santa Maria de que existe um período de Verão pré Maré e pós Maré.

 

E para si, enquanto Presidente da Associação que organiza este evento, o que representa a maré?

HB - Actualmente e enquanto presidente da Associação Cultural Maré de Agosto, o Festival representa fundamentalmente uma grande responsabilidade. É um evento com uma enorme história que surgiu e se mantém pelo esforço, trabalho e persistência de muitas pessoas. É no fundo uma missão e compromisso em dar continuidade ao Festival, sabendo adaptar cada edição à realidade do mundo e das tendências musicais, sem nunca esquecer os princípios e linhas orientadoras que levaram ao surgimento da Maré enquanto Festival da música do mundo, dos encontros e reencontros de gerações.

 

Lembra-se dos seus primeiros passos neste Festival?

HB - Sim, sendo praticamente da idade do festival, e ainda sem memória, os primeiros passos foram dados em família, muitas das vezes fora até do recinto da Maré, nas mantas que muitas pessoas habitualmente colocavam na berma da estrada de Malbusca, a partir da qual era possível visualizar o Palco da Maré. Mais tarde, já no interior do recinto e sob o olhar atento dos meus irmãos mais velhos, as primeiras memórias recordam os concertos de Extreme, Gabriel O Pensador, Ronda, Rui Veloso, Xutos entre muitos outros…

 

Relativamente ao cartaz, houve este ano algum cuidado mais especial, alguma aposta mais particular?

HB - À semelhança de anteriores edições, este ano trabalhamos no sentido de apresentar um cartaz o mais equilibrado possível nos três dias de festival e com a maior qualidade artística possível dentro daquela que é a nossa capacidade e disponibilidade orçamental. Fizemos questão de manter os nossos critérios habituais para a elaboração do nosso alinhamento musical, nomeadamente através da presença de vários géneros musicais, respeitando as várias gerações de festivaleiros que passam pela Maré, através da selecção de artistas e projectos representativos de diferentes culturas e que dificilmente teriam oportunidade de actuar em qualquer outro palco dos Açores, assim como artistas de reconhecido mérito internacional, no seio dos seus géneros musicais, sem fazer como habitualmente a distinção de cabeças-de-cartaz, assumindo igual importância todos os artistas presentes na 34 edição.

 

Qual a parte mais difícil na organização de um Festival como o da Maré?

HB - Actualmente a parte mais difícil na organização de um Festival como a Maré é, claramente, toda a operação logística que envolve o transporte de equipamentos, técnicos e artistas. Além de ser a componente mais dispendiosa da produção do festival, é também aquela que exige maior articulação e coordenação por parte da organização, muito por culpa das limitações de uma ilha como Santa Maria, ao nível das ligações aéreas e marítimas.

 

Neste momento em que posição está a Maré de Agosto numa altura em que proliferam festivais por quase todas as ilhas dos Açores e, em particular, em São Miguel?

HB - Pessoalmente julgo que a Maré deverá manter a sua posição de Festival com características únicas no arquipélago, disponibilizando um cartaz verdadeiramente distinto dos restantes festivais dos Açores. O presente e futuro devem preservar a nossa capacidade de conciliar a música do mundo, a música dos Açores e os novos valores do panorama musical nacional. Se nos tentarmos colocar ao nível dos festivais das ilhas mais populosas, que baseiam os seus cartazes na música mainstream, penso que aí sim, teremos sérias dificuldades perante esses festivais que estão vocacionados para um público-alvo tendencionalmente maior que o nosso.

 

A realização, nos últimos anos, de outros festivais em datas próximas à da Maré prejudica o Festival de Santa Maria?

HB - Em certa forma é possível que venha a prejudicar, uma vez que, a maior percentagem dos nossos festivaleiros vem das ilhas onde ocorrem inúmeros festivais antes da Maré de Agosto. Se atendermos às limitações financeiras dos nossos jovens, estes são naturalmente forçados a fazer opções e por vezes a escolha recai pelo festival “à porta de casa” em detrimento de uma viagem a Santa Maria. 

 

Quem gostaria de levar à Maré se tivesse hipótese?

HB - Muitas seriam as hipóteses, levariam algum tempo a decidir e está prestes a começar mais uma edição…

Seis empresas já instaladas através do projecto ‘Terceira Tech Island’

sergio avila11Seis empresas nacionais e internacionais já se instalaram na ilha Terceira através do ‘Terceira Tech Island. O anúncio foi feito ontem pelo Vice-Presidente do Governo Regional, para quem o projecto se tem desenvolvido com “enorme sucesso”.

“Já conseguimos captar e instalar na Praia da Vitória seis empresas nacionais e internacionais na área das tecnologias, recrutando para o efeito os formandos que têm sido disponibilizados através dos programas de formação desenvolvidos no âmbito do ‘Terceira Tech Island’”, afirmou Sérgio Ávila, citado em nota do gabinete de apoio à comunicação social do executivo.

Nesse sentido, adiantou que as empresas ACIN - iCloud Solutions, Bool, B-Synergy, Bring, CodeforAll e Glintt estão já instaladas e a desenvolver a sua actividade na Praia da Vitória, recrutando programadores formados no âmbito do ‘Terceira Tech Island’.

“A última empresa a instalar-se na Praia da Vitória foi a Glintt – Global Intelligent Technologies, uma das maiores empresas tecnológicas nacionais”, frisou Sérgio Ávila.

Para o titular da pasta do Emprego e Competitividade Empresarial, o balanço do ‘Terceira Tech Island’ é “extremamente positivo” e assume-se como um “enorme sucesso, superando as expectativas que tínhamos no seu desenvolvimento inicial”.

Segundo o Vice-Presidente do Governo, o projecto conjuga a captação de empresas para instalação na Praia da Vitória com o desenvolvimento de um programa de formação intenso e exigente, mas que assegura “um enorme grau de empregabilidade”.

O Vice-Presidente do Governo destacou ainda a “excelente dinâmica na captação de empresas, de criação de emprego qualificado e também de consolidação de um projecto que irá, com certeza, na sua plenitude, criar condições para até anular os impactos de redução da actividade da Base das Lajes”. O executivo perspectiva a criação de um ‘Hub’ e um centro tecnológico como resposta para a dinâmica económica, criação de emprego e para o desenvolvimento da actividade empresarial centralizada na Praia da Vitória.

Abastecimento de água preocupa lavoura micaelense

vacas pastosA Associação Agrícola de São Miguel veio ontem a público dar conta que tendo em conta a situação de seca que se faz sentir nos Açores, para “além da diminuição da quantidade de alimentos disponíveis para os animais”, a falta de água, já “tem provocado ruturas no abastecimento deste bem, em muitos dos pontos de fornecimento espalhados ao longo da ilha de São Miguel”.

Uma situação que, conforme se pode ler na nota enviada às redacções, “se está a tornar dramática” e “tem obrigado os agricultores a percorrerem grandes distâncias, o que origina elevados custos para as explorações agrícolas”.

Desta forma, a Associação Agrícola entende que “é necessário encontrarem-se soluções capazes de resolver esta problemática, tal como sucedeu no passado”, pelo que irá solicitar a todas as Camaras Municipais da ilha e à Secretaria Regional da Agricultura e Florestas, reuniões com o objectivo de avaliar as disponibilidades de água existentes e encontrar soluções para que a regularização dos caudais de água, existentes nos pontos de abastecimento à Lavoura, seja uma realidade. 

Avança a Associação Agrícola de São Miguel que “embora necessitemos de um plano hidrológico para a região, que aponte uma estratégia para a captação de água, para servir não só a agricultura, mas também outras actividades económicas e a própria população, já que actualmente, o consumo de água para os habitantes começa a ser uma preocupação, é preciso agir no imediato e assegurar o fornecimento de água às explorações agrícolas”.

 

Festival RuaCanto em destaque nas Noites de Verão desta semana

RuaCantoO programa das Noites de Verão desta semana têm em grande destaque um evento diferente do habitual, o Festival RuaCanto, iniciativa da Câmara de Ponta Delgada, que vai ter como palco a Travessa do Arco e decorrerá entre 23 e 25 de Agosto.

“RuaCanto” surge no âmbito do projecto Ruativa, que tem vindo a contribuir para  a regeneração, promoção de ideias, de iniciativas culturais, bens ou serviços, em contacto directo com o público, através da ocupação de espaços actualmente inactivos, em zonas urbanas. 

Trata-se de um envolvimento temporário que visa salvaguardar a imagem/vivência da cidade e, assim, preencher os seus vazios com uma realidade regeneradora, representante de uma sociedade empreendedora. 

Na activação de espaços urbanos a prioridade, este ano, passa por uma intervenção em espaço público, através de um festival, que pretende constituir-se como uma plataforma de partilha de informação e desafiar artistas e criadores com uma relação vincada com os Açores a apresentar os seus trabalhos e, desta forma, proporcionar ao público uma experiência cultural e pedagógica, de forma instintiva, directa e imediata. 

A localização foi escolhida considerando uma área da cidade a activar, através do reforço das suas características morfológicas, condicionantes da sua situação isolada. 

O festival pretende proporcionar as melhores condições possíveis de projecção e som de acordo com as limitações e especificidades da intervenção no espaço.

Assim, a 23, 24 e 25 de Agosto, entre as 21h00 e as 00h00, haverá animação para todos os gostos na Travessa do Arco.

A 23 de Agosto, às 21h00, terá lugar a sessão de abertura do festival e vernissage, seguindo-se o concerto de viola da terra com música electrónica & SOUNDSCAPES, que se prolongará até depois da meia noite. O Festival Multi Artes será também a 23 de Agosto.

Nessa mesma noite, os convidados apresentarão os seus projectos em 20 slides com 20 segundos por slide para descrever cada imagem, apresentando ao público um máximo de projectos em várias áreas criativas/culturais.

A 24 de Agosto, às 21h30, regressa a música com a Viola da Terra e Rafael Carvalho, ao que se segue o encontro da viola da terra com a electrónica com Rafael Carvalho e FliP, e SOUNDSCAPES - Performance Audiovosual - Manipulação de sons urbanos com música ambiente electrónica, com Filipe Caetano e Elliot Sheedy.

A 25 de Agosto, entre as 21h00 e 00h00, terá lugar a Mostra de Cinema Açoriano. Serão apresentadas as curtas-metragens “Flores” de Jorge Jácome, “O Desvio de Metternich” de Tiago Melo Bento, “EU” de Sara Azad’e e “North Atlantic” de Bernardo Nascimento, “AZ-RAP: Filhos do Vento” de Diogo Lima, “Degrau em Grau” de Hugo França e Carolina Rocha e  “Adormecido” de Paulo Abreu (diálogo com os convidados).

De salientar que as Noites de Verão nas Portas da Cidade e na Praça do Município prosseguem na amanhã, às 21h30, com uma performance de gogo, com os Fungis Magic Truxis- Associação 9 Circos (animação itinerante), e no Domingo com uma Noite de Fado com Bárbara Moniz, Dinis Raposo e Moniz Correia, também às 21h30.

SINTAP exige reposição das 35 horas para trabalhadores dos hospitais da Região

Hospital interiorO Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (SINTAP) dos Açores quer a reposição, a partir do dia 1 de Setembro, das 35 horas semanais para trabalhadores do Serviço Regional de Saúde, com contrato individual. 

Segundo recorda o SINTAP em nota, numa reunião com o secretário regional da Saúde, no passado dia 9 de Agosto, o sindicato exigiu que os trabalhadores do Serviço Regional de Saúde com contrato individual de trabalho, e com funções correspondentes às desempenhadas por trabalhadores das carreiras gerais, possam usufruir de 35 horas de trabalho semanal e do direito à carreira, à semelhança dos contratados do continente e da Madeira.

A força sindical pede que a reposição das 35 horas semanais de trabalho seja feita já a partir de 1 de setembro e não em Janeiro de 2019, como foi sugerido pelo executivo açoriano, uma proposta que dizem ser “uma incompreensível injustiça”, tendo em conta que o sindicato tinha apresentado uma proposta de acordo “há cerca de um ano, de modo a que fosse aplicada também em 1 de Julho de 2018.”

“O SINTAP e os trabalhadores dos hospitais públicos de Angra, Horta e Ponta Delgada não aceitam discriminação de que poderiam ser objecto já que os trabalhadores quer no continente quer na Madeira já usufruem das 35 horas de trabalho semanal, por isso consideram urgente, a consagração prática do princípio da igualdade de tratamento entre trabalhadores que, exercendo as mesmas funções, vivem uma situação de discriminação objectiva no que diz respeito a uma série de direitos, que devem ser iguais em todo o território nacional independentemente da natureza dos respetivos vínculos laborais”, refere o SINTAP num comunicado ontem veiculado.

O SINTAP afirma ainda estar disponível para a assinatura imediata do Acordo Colectivo de Trabalho e reclama, junto da secretaria regional da Saúde, que a assinatura do acordo seja feita “no mais curto espaço de tempo”. “O SINTAP insta assim a Secretaria Regional da Saúde a envidar todos os esforços no sentido de que a assinatura do acordo mencionado tenha lugar no mais curto espaço de tempo, permitindo desta forma que os seus efeitos possam produzir-se já a partir do dia 1 de setembro, evitando injustiças que, inevitavelmente, conduzirão a que os trabalhadores considerem a adoção de formas de luta que seriam desnecessárias”, lê-se.