“A mulher deve ser quem e o que ela quer ser”

colecção Andreia sousa e cláudia borges“Who Runs the World?” é como se intitula a colecção que resulta da parceria entre a marca Dinina Design e a artista plástica Andreia Sousa,  que será amanhã apresentada, no Lava Jazz Bar, a partir das 18h30.

São de acessórios de moda pintados à mão, como carteiras, chapéus e ponchos, acompanhados por quadros pintados em acrílico, que têm como inspiração o lema do empoderamento feminino. Ao Diário dos Açores, as duas artistas falam sobre o projecto e sobre a necessidade de os artistas açorianos serem mais apoiados.

 

Antes de mais, quem são Andreia Sousa e Cláudia Borges? 

Andreia Sousa (AS) -  Andreia Sousa é uma artista plástica autodidata, que se licenciou em Psicologia, mas escolheu dedicar a sua vida a tempo inteiro à arte, nomeadamente à pintura, escultura e decoração de eventos. 

Cláudia Borges (CB) - Cláudia Borges é uma criativa e autodidata, fundadora da Dinina Design®, uma marca portuguesa registada, sediada na ilha de São Miguel - Açores. Na Dinina Design® são criadas peças de qualidade na área da moda, mais concretamente acessórios, carteiras e chapéus de senhora para diferentes ocasiões e destinadas essencialmente a Mulheres com personalidade forte, respeitando sempre a assinatura marca da Dinina Design® - Arrojadamente Simples!

 

1Como surgiu a oportunidade para trabalharem juntas neste projecto, a que deram o nome “Who Runs the World”?

AS -  A Cláudia propôs um café para nos conhecermos e estudarmos a possibilidade de criarmos uma parceria e, em pouco mais de três horas, delineamos toda a coleCção, o conceito da mesma e a forma como queríamos apresentá-la ao público... o resto é história.

CB - Conheci a Andreia em 2017 e gostei do trabalho dela e por isso coloquei em prática um dos objectivos da Dinina Design® que é o de trabalhar com parcerias diferentes, com o objcetivo de conjugar o melhor de ambas as artes para obter um produto diferente e com o glamour qb. Convidei-a em Fevereiro deste ano para um café e o resto já sabem…

 

Em que consiste exactamente esta colecção? Que tipo de trabalhos vamos poder conhecer?

AS e CB - A colecção é composta por acessórios de moda confeccionados e pintados à mão, nomeadamente carteiras, chapéus, um casaco e outras surpresas. A acompanhar a colecção vamos ter quadros pintados em acrílico. 

 

E porquê o tema do empoderamento feminino? 

AS e CB - O tema surge naturalmente, pois logo no primeiro contacto que tivemos percebemos que ambas já trabalhávamos, independentemente, para um público maioritariamente feminino, criando peças que reflectissem uma mulher de personalidade forte, uma guerreira do século XXI...

 

Que mensagens pretendem transmitir com esta colecção?

AS - A mensagem principal é que a mulher deve ser quem e o que ela quer ser, criando uma vida à sua medida e não se deixando abater com preconceitos enraizados na sociedade. Também queremos transmitir que juntas somos todas mais fortes. Não precisamos de querer as mesmas coisas, mas precisamos de apoiar as escolhas umas das outras, mesmo em decisões que nós próprias não escolheríamos para nós.

CB - Independentemente dos sonhos serem individuais ou colectivos, podem ser realizáveis mesmo que surjam obstáculos, intempéries, preconceitos e desfazedores de sonhos. Basta querermos, basta acreditarmos, não desistirmos, irmos sempre à luta, sermos persistentes, resilientes e sermos sobretudo sábias. Há um Tempo para tudo.

 

6O projecto, como referem, é inspirado em mulheres guerreiras do século XXI. Quem são estas mulheres? E porquê estas mulheres?

AS - Estas mulheres somos todas nós que lutámos diariamente para sermos vistas como iguais num mundo criado para homens, que lutamos para criarmos uma vida da qual nos orgulhemos. 

CB - São todas aquelas mulheres lutadoras que têm sonhos e defendem os seus ideais e aquilo que acharem ser melhor para elas. São as mulheres com voz mas sem voz! É para elas que estamos a mostrar que é possível!

 

Sentem que a desigualdade de género está patente na sociedade açoriana? 

AS - Claro que sim. A desigualdade de género está patente em todas as sociedades pois está enraizada na própria cultura e educação. Embora seja perceptível a mudança que ocorre no mundo neste momento, em relação à luta pela igualdade de género, a realidade é que ainda há muito a ser feito e muitos a serem educados neste sentido.

CB - Infelizmente sim! Mas está a mudar. Um passo de cada vez! Enquanto ser humano tenho os mesmos direitos e deveres que qualquer outro. Todos temos uma razão para existirmos, somos todos necessários para haver harmonia e equilíbrio.

 

Amanhã, além da apresentação da colecção vão também demonstrar como trabalham... 

AS e CB - O objectivo desta vertente de trabalho ao vivo é mostrar ao público como é que a colecção foi criada. Daí que a Andreia estará a pintar ao vivo, enquanto que a Cláudia irá estar a confeccionar os acessórios. 

 

No futuro, têm em mente a aposta em novos projectos? 

AS - Eu estou sempre a trabalhar em dois, três projectos ao mesmo tempo, para não saturar de nenhum deles. Mas devo confessar que para este ano o meu maior projecto será o investimento no meu próprio atelier, que estará aberto ao público.

CB - Claro que sim! Caso contrário a Dinina Design® não teria convidado a Andreia Sousa Arts para esta parceria. É na diversidade que está a beleza! É nesta sinergia que nascem as peças mais originais e as mais exclusivas. Tem sido um dos objetivos da marca as parcerias para parte das colecções e é um objectivo a manter preferencialmente com artistas de cá mas não só. Há também outros vôos mais altos! (risadas) Um passo de cada vez! 

 

Enquanto artistas, sentem que o vosso trabalho é valorizado, na região?

AS - Eu sinto que os meus clientes valorizam o meu trabalho, mas isto porque eles são amantes da arte, tal como eu. Contudo, se formos falar de instituições públicas ou privadas, dedicadas à arte, a valorização do artista açoriano é pouca.

CB - Por enquanto é valorizado por um nicho muito específico de pessoas sensíveis e com personalidade forte. Não é mais valorizado porque os preconceitos são ainda uma barreira.

 

Na vossa opinião, o que falta fazer para incrementar a produção artística nos Açores?

AS - Na minha opinião há duas grandes medidas que devem ser implementadas. A primeira passa por apoiar mais o artista açoriano em detrimento do artista “estrangeiro/nacional”. Criamos festivais, centros de arte contemporânea, etc, que se dedicam 95% a partilhar a obra e incentivar a produção de artistas de fora da região. A segunda medida passa por criar um apoio à divulgação e promoção dos artistas açorianos em território nacional ou internacional. Penso que a implementação destas duas medidas faria uma diferença significativa na vida de muitos artistas a produzir no nosso território. 

CB - Nos Açores já se nota algum cuidado em valorizar os artistas de cá. Já se encontram peças destes artistas em alguns estabelecimentos comerciais mas em poucos. Os artistas locais também já são valorizados em eventos e em algumas plataformas da NET mas não é suficiente. Uma sugestão seria por exemplo convidar um artista ou artistas locais a exporem em hotéis ou similares à semelhança do que o Lava Jazz Bar faz. Na minha opinião falta sobretudo crescer e amadurecer o sentido estético individual e colectivo.

 

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Trabalhadores das IPSS da região com aumentos salariais de 1%

eurosA partir de hoje, os funcionários das Instituições Particulares de Solidariedade (IPSS) dos Açores filiados no Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP) vão contar com aumentos salariais de 1%. O anúncio foi feito pelo sindicato, numa nota enviada ontem às redacções.

O SINTAP explica que “foi publicada hoje [ontem] no Jornal Oficial da Região Autónoma dos Açores a Convenção Colectiva de Trabalho celebrada entre o SINTAP e a União das IPSS dos Açores, que consagra a primeira atualização salarial daqueles trabalhadores filiados, ou que venham a filiar-se, no SINTAP desde 2009”.

“Com a entrada em vigor desta Convenção, os trabalhadores em apreço verão os seus vencimentos aumentados em 1% já em 2018”, adianta o sindicato, que, embora reconheça ser uma percentagem “ainda diminuta quando comparada com aquilo que foi a perda do poder de compra dos salários destes trabalhadores ao longo de quase esta última década”, demonstra “uma nova e importante postura e empenhamento da União das IPSS”.

O SINTAP, que tem como presidente Francisco Pimentel, sublinha ainda a postura da União das IPSS para “o desenvolvimento de um processo negocial nos próximos anos que permita a atualização continuada e o aumento do poder de compra dos salários”.

“Para evitar desigualdades de tratamento e iniquidades neste campo, o SINTAP torna público que já solicitou a intervenção da Direção de Serviços do Trabalho no sentido de avançar com a publicação de uma portaria de extensão, que permita aplicar este acordo aos associados do SINTAP que trabalham nas Misericórdias, Cooperativas Particulares de Solidariedade Social e Casas do Povo da Região Autónoma dos Açores”, acrescenta o sindicato, na mesma nota.

Marcelo termina visita aos EUA com discurso em Boston

marcelo bostonO Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu ontem, em Boston, que a única forma de os políticos evitarem populismos é estando “perto das pessoas”, que têm “nomes, caras, sonhos”.

“Como pode um Presidente não estar perto das pessoas? As pessoas têm nomes, caras, sonhos. E são diferentes. A única forma de evitar populismos é estando perto das pessoas”, declarou o chefe de Estado, aplaudido posteriormente por dezenas de congressistas e cidadãos - nomeadamente lusodescendentes - presentes nas bancadas do parlamento estadual de Boston.

A intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa no parlamento estadual, a propósito das comemorações do 10 de Junho, arrancou cerca das 10h45m locais (14h45m nos Açores).

“Formalmente devia ler um discurso, mas tenho a tentação de improvisar. Por que não deixar o meu coração falar e dizer-vos o que sinto no fundo do coração?”, questionou o chefe de Estado, perante aplausos de dezenas de congressistas e outras dezenas de cidadãos.

Depois, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou “gratidão” em nome de Portugal pela “amizade e parceria de muito tempo” entre o país e os Estados Unidos da América, lembrando o “atravessar do oceano” nos séculos anteriores, nomeadamente de açorianos.

“Nós, os portugueses, adoramos unir, não dividir”, disse ainda o chefe de Estado.

O senador de Massachusetts Mark Pacheco, lusodescendente, apresentou Marcelo Rebelo de Sousa como “o verdadeiro Presidente do povo”.

“Há dois dias nadava no mar dos Açores com os cidadãos e ontem ignorou os serviços secretos e foi para o meio da população”, atravessando durante longos minutos o centro de Boston e tirando fotografias, prosseguiu Mark Pacheco, numa passagem aplaudida pelo senadores e cidadãos presentes na sessão.

O programa das Comemorações do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas de 2018 arrancou no sábado em Ponta Delgada e  seguiu depois para Boston e Providence, onde terminou ontem.

 

Presidente da República condecora os açorianos Henrique Aguiar Rodrigues e Padre Manuel da Silveira

Marcelo - jornalistasO Presidente da República atribuiu, por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, duas condecorações a personalidades açorianas que se distinguiram pelas suas actividades relevantes, honrando os Açores e Portugal, anunciou ontem o gabinete do Representante da República.

Foram agraciados com a Ordem de Mérito – Grau Comendador -  as seguintes individualidades: Dr. Henrique de Aguiar Oliveira Rodrigues, natural e residente na ilha de São Miguel, médico, especialista em Medicina Interna e Cardiologia, político e investigador no âmbito da Historiografia açoriana; e Padre Manuel Garcia da Silveira, natural da ilha do Faial e residente na ilha de São Jorge, onde é Pároco Emérito da vila das Velas, professor e investigador na área do património artístico e cultural açoriano..

A imposição das insígnias será feita por delegação do Presidente da República, pelo Representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Embaixador Pedro Catarino, em cerimónia a marcar oportunamente. 

 

Três militares condecorados

 

Três militares dos três ramos das Forças Armadas - Exército, Força Aérea e Marinha - foram domingo condecorados pelo Presidente da República na cerimónia do 10 de Junho, distinguindo o seu desempenho no exercício de funções.

A imposição das insígnias aconteceu na cerimónia militar das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que decorreu em Ponta Delgada.

Um dos militares distinguidos foi o coronel Matos Alves, que recebeu a Medalha de Serviços Distintos, grau Prata, pelo desempenho como segundo comandante da zona militar dos Açores, funções que exerceu durante ano e meio, até Fevereiro.

O coronel Matos Alves esteve envolvido na preparação da força que, pela primeira vez, os Açores destacaram para o Iraque. 

A força destacada, com 30 homens, está neste momento a dar formação ao exército iraquiano, em Bagdad.

O cabo adjunto mecânico de eletricidade Pintéus foi distinguido com a Medalha de Comportamento Exemplar, grau Cobre, pela “conduta moral e disciplinar patenteada ao longo do desempenho de funções no comando aéreo”, onde esteve nos últimos três anos, na esquadra de manutenção.

O primeiro sargento fuzileiro Costa Rainho foi condecorado com a Medalha de Mérito Militar de 4.ª Classe, pelo “elevado desempenho como formador na Escola de Fuzileiros”, onde prestou serviço durante três anos e fez a avaliação dos formadores do gabinete de tecnologias educativas, destacando-se pela capacidade de organização, pela atitude positiva e pela extrema disponibilidade. 

 

Marcelo recebe chave do município

 

O Presidente da República considerou que a autonomia dos Açores “fez a diferença” na vivência açoriana, mas também portuguesa, manifestando orgulho por ter votado como deputado da Assembleia Constituinte este regime de governação do arquipélago.

“Conheço os Açores há muitas décadas. Sou testemunha não de um momento, mas de um longuíssimo processo histórico só possível devido à autonomia que, tal como consagrada na Constituição, fez a diferença na vivência açoriana e, por isso, também na vivência portuguesa”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado, que recebeu sábado, na Câmara Municipal de Ponta Delgada, a Chave de Honra do Município, referiu que todos os constituintes “perceberam o alcance do que estavam a votar, e eu certamente percebi”.

E Marcelo Rebelo de Sousa percebeu que este era um “processo imparável, irreversível, de virtualidades crescentes e que, longe de ser contraditório com o todo nacional em que nos integrávamos, só valorizava e enriquecia”.

As décadas que disse ter privado com os Açores e os açorianos “vieram confirmar o acerto desta visão”.

O mais alto magistrado do país declarou que mesmo antes de receber esta distinção da edilidade, que o honra e à nação, já se considerava um pontadelgadense e “beneficiário do direito” de ser visto pelos locais como um deles, porque é um “aliado, sempre incondicional”.

Para Marcelo esta “aliança que vem das afinidades afectivas, ou espirituais, não passa, uma vez criada dura até ao fim da vida”.

O Presidente da República considerou que o facto de Ponta Delgada ser a “capital de Portugal” por estes dias, uma expressão do presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, José Manuel Bolieiro, é uma homenagem prestada” à cidade e, através, desta, à Região Autónoma dos Açores e a “todas e todos os açorianos”.

O Presidente da República referiu que os Açores estão “permanentemente no coração de todas e todos os portugueses”, e Ponta Delgada “de um modo muito especial”, sendo que o entrosamento vivido nestes dias “só peca por ser escasso pelo tanto que haveria a agradecer” em homenagem a “estas terras e estas gentes”.

A decisão da Câmara Municipal de Ponta Delgada, presidida pelo social-democrata José Manuel Bolieiro de atribuir a Chave de Honra do Município, a mais alta distinção honorífica municipal, ao Presidente da República Portuguesa prende-se com o facto de a cidade ser este ano sede oficial da celebração do Dia de Portugal e das Comunidades Portugueses.

De acordo com o regulamento das distinções honorificas da autarquia a Chave de Honra do Município destina-se a “galardoar titulares de órgãos de soberania nacionais ou estrangeiros e personalidades nacionais ou estrangeiras de reconhecida projeção e prestígio, que tenham desenvolvido ou desenvolvam ação meritória relacionada com o Município de Ponta Delgada ou que a ele se desloquem em visita de interesse relevante”.

 

 

 

 

“Queremos consolidar ainda mais a nossa posição no mercado” micaelense

carreiro e filhosA Carreiro e Filhos arrancou em 1982 pelas mãos de João Carlos Carreiro. Passados 36 anos de actividade a empresa é hoje gerida por neto João Carreiro, depois do contributo do pai, Eduardo Carreiro. Uma empresa que vai na terceira geração e que o Diário dos Açores foi conhecer melhor junto da Eduardo e João Carreiro, pai e filho respectivamente.

Diário dos Açores – Como nasceu a empresa Carreiro e Filhos?

Eduardo Carreiro – A empresa começa entre os anos 1979/1980 pelas mãos do meu pai, João Carlos Carreiro que era gerente de uma empresa ligada às tintas. No entanto, na altura, como o meu pai era técnico de contas ele saiu daquela empresa e decidiu montar um gabinete de contabilidade. Em 1981, fui trabalhar com o meu pai, deixando a minha actividade na função pública, isto porque já tínhamos um bom leque de clientes e muitas empresas com alguma dimensão.

Entretanto, em 1982, fruto da ligação que o meu pai tinha às tintas, surgiu a hipótese de ele ficar com a Valentine que era uma multinacional de capital maioritariamente francês. Na altura foi então constituída uma sociedade, a Carreiro e Cabral, Lda., que alguns meses depois alterou a sua denominação social para Carreiro e Cª, Lda., por aquisição da quota ao sócio Cabral.

É então fundada a empresa Carreiro e Companhia, Lda., que em associação com a Valentine SA, criam a Valentine Açores, Lda. que fica com a representação e distribuição nos Açores dos produtos fabricados pela Valentine Portugal então líder da repintura automóvel a nível nacional.

Uma sociedade que durou até 1987, altura em que se vendeu a Valentine SA. A empresa passa a chamar-se Carreiro e Filhos, deixando de ter os capitais da empresa Carreiro e Cª e da Valentine SA, ficando a Carreiro e Filhos a ser detida pelo meu pai e os três filhos. Como a empresa Carreiro e Cª se dedicava à área da informática, foi criada uma outra empresa para esta área, onde eu fiquei como sócio-gerente até 2011, altura em que o meu pai se reformou. Voltei então para a Carreiro e Filhos, entre 2011 e 2015, tendo a empresa sido liderada por mim e pela minha irmã durante este período de tempo. Como também passei à reforma, a partir de 2015 o meu filho João Carreiro passou a ser o sócio-gerente da empresa, em sociedade com o meu outro filho.

 

Como se deu o crescimento da empresa?

EC – Abrimos na Rua Caetano de Andrade, no rés-do-chão do palácio Caetano de Andrade, e em 1999, adquirimos um imóvel sito à Rua do Mercado, 17 – 19, em Ponta Delgada, parte do Solar dos Pacheco de Castro, com vista a concentrar ao máximo as empresas do Grupo, (Carreiro e Cª e Carreiro e Filhos), numa área de 1.000 m2, perspectivando a racionalização e optimização dos recursos físicos e humanos existentes.

Antes, em 1992, compramos uma antiga fábrica de chicória Dinis da Mota Soares, que se encontrava em ruínas, que restauramos, reconstruímos e transformamo-la em armazéns, bem como restauramos e reconstruímos também a residência existente.

No ano 2000 inauguramos, em Setembro, as novas instalações da Rua do Mercado (em frente ao Mercado da Graça), após um ano de obras de profunda restauração com amplo espaço de exposição, vendas, escritórios e armazenagem, complementado com uma melhoria significativa das condições de trabalho de todos os funcionários e colaboradores.

Em 2016, para maior conforto dos clientes abrimos um novo espaço na Rua das Laranjeiras, onde o estacionamento é mais fácil e onde permanecemos até hoje.

Foi uma empresa que foi sempre crescendo desde a sua fundação, e que foi líder no mercado durante muitos anos.

Fomos a primeira empresa, em 1987, a adquirir e a montar a primeira cabine/estufa que apareceu nos Açores, a fim de possibilitar a aplicação das tintas acrílicas, neste caso o VALROC na repintura automóvel que surge como sistema revolucionário.

Aquela cabine teve a intenção de, não só possibilitar as indispensáveis acções de formação aos profissionais de pintura, mas também, e em simultâneo, disponibilizá-la aos nossos clientes para as suas esmaltagens, o que contribuiu decisivamente para a nossa conquista e liderança do mercado.

Durante estes 36 anos fomos consolidando a nossa posição no mercado, até à chegada da crise que também nos afectou e que fez com que as nossas vendas caíssem muito. 

Hoje em dia a concorrência é muito maior e nos últimos 5/6 anos temos vindo a retomar a nossa posição de liderança. Neste momento, não sei se já o somos, mas espero que o sejamos muito em breve.

 

O que começou num pequeno espaço, está hoje transformado num grande negócio com três empresas distintas e em áreas bem diferentes…

EC – Sim. Hoje somos três empresas: A Carreiro e Cª, que se dedica à venda e aluguer de bicicletas, continua a ser a empresa que é do meu pai, onde os meus irmãos trabalham, e em que o meu irmão é o responsável. Vamos desenvolver este ano, sendo uma ideia da minha irmã, na parte superior do edifício junto ao Mercado da Graça, um projecto de alojamento local, uma vez que o espaço ficou muito vazio com a saída das tintas de lá para as Laranjeiras.

Temos a Carreiro e Filhos que se dedica ao comércio e indústria de tintas e a CT Sfot que se dedica ao ramo da informática, sendo que o meu filho João é o sócio gerente destas duas empresas distintas. A CT Soft é uma empresa à parte do grupo.

 

Nos anos da crise a Carreiro e Filhos também se ressentiu. Como conseguiu dar a volta por cima?

EC – Foi preciso muito trabalho, muito esforço e utilizando algum capital que tínhamos angariado ao longo dos nossos anos de actividade…

João Carreiro – Passou também por fazer algumas reestruturações na empresa. Tendo em conta a dimensão da nossa empresa foi preciso controlar custos. Uma vez que os volumes de facturação tinha vindo a decair muito, não podíamos ter a mesma estrutura que, na altura, era muito pesada. Foi necessário reinvestir. Basicamente, tivemos que dar um passo atrás, para poder dar dois passos para a frente, tentando sempre consolidar a nossa posição no mercado, tendo em vista retomar a liderança no mercado micaelense e nos Açores. Felizmente, actualmente já estamos a colher os frutos da aposta que fizemos na repintura automóvel e especialização nesta área.

EC - Uma aposta que foi reforçada pelo facto dos nossos parceiros serem os mais fortes no mercado. Trabalhamos com a Styseck que é líder no mercado nacional e recentemente tornamo-nos parceiros da 3M que é líder mundial. Nos últimos três anos tivemos que investir e fazer este esforço, consolidando estas parcerias. Pensamos que actualmente estamos muito mais fortes e certos que conseguiremos retomar a nossa posição no mercado.

 

Onde reside a vossa maior aposta?

EC – Está na especialização dos serviços na área da repintura automóvel. Trabalhamos também com a construção civil, mas o nosso forte é, de facto, o ramo automóvel. Trabalhamos com marcas líderes, apostando sempre na formação e nos nossos serviços.

 

O que vos distingue da concorrência?

EC – A qualidade dos nossos produtos e serviços e a própria relação que temos com os nossos clientes.

 

Há novos projectos a levar a cabo?

JC – Para já, pensando no futuro e sem nunca esquecer o presente, queremos consolidar ainda mais a nossa posição no mercado para conseguirmos ser líderes, termos uma posição mais confortável perante a nossa concorrência, e também para podermos estar numa posição negocial com os nossos parceiros mais fortalecida. A nossa aposta agora passa por aumentar a nossa quota no mercado da repintura automóvel, baseada sempre naquilo que é a nossa especialização e as nossas vantagens que passam pelo nosso know-how nesta área que foi uma conquista de 36 anos de actividade desta empresa.

A partir daí, a ideia é dar um passo de cada vez, analisando o mercado e observando o que indica o futuro. Estamos a apostar noutras áreas de negócio, mas, nesta fase, não podemos ir para ramos onde não temos possibilidades de sermos uma referência. Vamo-nos manter na área onde somos e queremos continuar a ser uma boa referência.

 

O João está na empresa desde 2015, como tem sido a sua actividade?

JC – Tem sido um trabalho contínuo no esforço de conseguir quota de mercado, apostando na formação dos nossos técnicos, não só na parte comercial, mas também nas aplicações e apostando também nas parcerias com os nossos fornecedores, nomeadamente a Spies Hecker, a 3M e a Indasa que para além da tinta, também nos fornecem todos os produtos que são utilizados para aplicação em todos os processos da repintura automóvel, desde a preparação até aos acabamentos.

Primamos por oferecer aos nossos clientes não só os nossos produtos, como também conhecimento de forma a que possam saber aplicar, da melhor forma possível, os nossos produtos para que eles também possam fornecer aos seus clientes o melhor serviço possível a um bom preço.

Ou seja, essa formação vai servir para os nossos clientes ficarem a conhecer o produto, saberem como o aplicar, aumentar os seus níveis de eficiência ao utilizarem os nossos produtos e comprovarem que o temos é o melhor que existe no mercado, tendo um melhor acabamento e melhor eficiência económica para quem o adquire. Queremos tornar sustentáveis e rentáveis os negócios dos nossos clientes, porque se não apostarmos na rentabilidade dos nossos clientes, não estamos a apostar na nossa própria rentabilidade.

 

Ao nível de recursos humanos, como está organizada a empresa?

EC – Temos três vendedores na rua, um técnico, um gerente de loja e a parte administrativa.

 

Mantêm a vossa actividade unicamente em São Miguel?

EC – Temos um distribuidor na ilha do Pico, e já tivemos representação nas ilhas todas, mas hoje em dia estamos focados apenas um São Miguel. O trabalho de consolidação que estamos a levar a cabo tem como prioridade a ilha de São Miguel, depois desse trabalho iremos pensar nas restantes ilhas dos Açores, porque as parcerias e representações que temos são para todo o arquipélago.

 

Uma empresa que já vai na terceira geração acarreta muita responsabilidade?

JC – Sim, sem dúvida. Tudo começou com o meu avô que arriscou tudo o que tinha para seguir em frente com este projecto, conseguindo criar uma empresa sólida e com bases para que os que viessem a seguir pudessem levar a empresa em frente. São pontos de referência para mim, e são sempre pessoas que podemos contar para nos ensinar e dar conselhos. É verdade que hoje o mercado está diferente do que era há 30 anos, e temos que dar outras respostas, mas as bases do passado são fundamentais para se poder levar a empresa rumo ao futuro. 

É uma pressão extra, mas saudável.

 

É um orgulho para o Eduardo ver que a empresa que começou com o seu pai e que já passou pelas suas mãos, tem agora o seu filho como sócio-gerente?

EC – Sim, é um grande orgulho ver que o que o meu pai construiu e eu ajudei a construir tem agora alguém a continuar este projecto. Ele está empenhado e sabe o que quer.

 

Como olha para o futuro?

JC – O futuro é sempre uma incógnita. A história já nos mostrou que nada é previsível. Nunca sabemos o que o mercado tem para nos dar. Aquilo que fazemos é estabelecer metas e objectivos, e tentar alcançá-los, tendo sempre como foco o nosso cliente e a sua satisfação, de modo a que todos possamos crescer enquanto empresas.

Queremos expandir, ter uma empresa que corresponda às necessidades dos nossos clientes e apostar nas nossas parcerias.