Inflação desceu para 0,88%

supermercado1A taxa de inflação média nos Açores desceu para 0,88%. A nível nacional situou-se novamente nos 1,12%. A taxa de variação homóloga do mês de Outubro, nos Açores, situou-se nos 0,26%, sendo a nacional de 0,96%. A taxa de variação mensal foi de -0,32% nos Açores e -0,09% no país. 

A taxa de variação média dos últimos doze meses, terminados em Outubro, do Índice de Preços no Consumidor, “Total”, desceu para 0,88%. As maiores variações médias verificaram-se nas classes “Bebidas alcoólicas e tabaco”, “Hotéis, cafés e restaurantes”, “Transportes”, “Educação”, “Acessórios, equipamentos doméstico e manutenção corrente da habitação” e “Bens e serviços diversos” com taxas positivas, respectivamente, de 4,31%, 2,70%, 2,54%, 1,57%, 1,17% e 0,92%.

A taxa de inflação nacional é de 1,12%, igual à do mês anterior. A taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor, “Total” de Outubro, situou-se nos 0,26%, descendo 0,30 pontos percentuais em relação à taxa divulgada no mês anterior. A taxa homóloga a nível nacional é de 0,96%. A taxa mensal do índice de outubro, “Total”, é de -0,32%, descendo 0,78 pontos percentuais em relação ao mês de setembro. A classe “Vestuário e calçado” com

3,71%, é a que mais se realça no sentido da alta, enquanto no sentido da baixa temos a classe “Transportes” com -2,82%.

A taxa mensal a nível nacional é de -0,09%.

Onésimo Almeida vence Prémio Fundação Calouste Gulbenkian

onésimo almeida actual “O Século dos Prodígios”, ensaio do escritor açoriano e colaborador do nosso jornal, Onésimo Teotónio Almeida, que se debruça sobre o carácter pioneiro da ciência portuguesa no período dos Descobrimentos, venceu o Prémio História da Presença de Portugal no Mundo.

“O livro O Século dos Prodígios - A Ciência no Portugal da Expansão, de Onésimo Teotónio Almeida, foi anunciado, pela Presidente da Academia Portuguesa de História (APH), Manuela Mendonça, como vencedor do Prémio Fundação Calouste Gulbenkian, “História da Presença de Portugal no Mundo”, revelou a Quetzal, chancela que editou o livro.

O livro foi lançado sexta-feira e a cerimónia de entrega do prémio ocorrerá a 5 de Dezembro, nas instalações da APH, em Lisboa.

Trata-se de um prémio instituído pela APH e patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian, que visa galardoar obras históricas de reconhecido mérito.

Num momento em que se discute a importância e a natureza dos Descobrimentos, Onésimo Teotónio Almeida lembra, nesta obra ensaística, o carácter pioneiro da ciência portuguesa desse período.

“O nosso século XVI foi, verdadeiramente, um século de prodígios, cheio de inovação, de curiosidades e de especulação”, escreve.

Neste livro, Onésimo Teotónio Almeida presta especial atenção aos séculos XV e XVI, afastando-se tanto da perspectiva nacionalista (na qual incorrem com frequência os historiadores portugueses), como da indiferença que geralmente marca a historiografia anglo-saxónica - ao ignorar o papel que Portugal teve na história da ciência e do conhecimento, descreve a editora.

Um livro que é uma “revisitação desses anos de ouro da história portuguesa e a revelação de como, durante o ‘período da Expansão’, surgiu e cresceu um núcleo duro de pensamento e trabalho científico pioneiros, que tornou possíveis as viagens desses séculos - e dos posteriores”, acrescenta.

Durante as últimas décadas, como professor em universidades americanas, Onésimo Teotónio Almeida viu-se no papel de historiador da ciência portuguesa, papel para o qual — refere na introdução do livro — nem sempre estava tão preparado quanto desejava.

Nascido em São Miguel, Açores, em 1946, Onésimo Teotónio Almeida doutorou-se em Filosofia pela Brown University e foi director de vários departamentos naquela universidade, onde lecciona uma cadeira sobre valores e mundividências.

Na Quetzal tem já publicados “Despenteando Parágrafos” e “A Obsessão da Portugalidade”.

Onésimo Almeida encontra-se por estes dias em Ponta Delgada, para participar no encontro de escritores promovido pela Câmara de Ponta Delgada.

Governo Regional não paga aos jardins-de-infância

notasA Direcção Regional da Educação não paga desde Abril às instituições açorianas com jardins de infância, noticiou ontem a Antena 1 Açores.

Está por pagar meio milhão de euros e alguns funcionários já só recebem metade do vencimento, revela a rádio pública.

O dinheiro corresponde ao trimestre Abril, Maio e Junho. Para Orlando Esteves, do Sintap Açores, é uma situação que se repete desde há quatro anos.

A falta de pagamento do governo já se faz reflectir na contabilidade das instituições, que, por sua vez, têm vindo a pagar metade do vencimento dos funcionários, denuncia Orlando Esteves.

O Director Regional da Educação, em declarações à mesma rádio, diz que tão depressa seja possível, o dinheiro será pago. Rodrigo Reis deixa claro que os prazos não estão esgotados.

Beneficiários da ADSE nos Açores sem cobertura no acesso aos medicamentos

farmáciaA Associação Nacional das Farmácias (ANF) alerta para a possibilidade de as farmácias dos Açores deixarem de manter a comparticipação nos medicamentos dos beneficiários da ADSE, devendo estes doentes passar a pagar os medicamentos na íntegra. 

Em causa está o facto de a ADSE ter deixado de assumir, desde o dia 12 de Setembro, os encargos com as comparticipações nos medicamentos aos seus beneficiários dos Açores, à semelhança do que aconteceu no passado no continente e na Madeira.

Mas, segundo o alerta da Associação, “ao contrário das anteriores situações, nem o Governo da Região Autónoma dos Açores, nem o Governo da República assumiram, até ao momento, a responsabilidade de continuar a garantir aos funcionários públicos e pensionistas beneficiários da ADSE o acesso aos medicamentos com comparticipação do Estado”.

A ANF refere que tem pedido, “insistentemente, essa clarificação há mais de quatro meses junto dos dois Governos”, solicitando a resolução da situação.

Segundo explica a Associação, “desde o dia 13 de Setembro, os 50 mil beneficiários da ADSE nos Açores só continuam a ter acesso a medicamentos comparticipados porque as farmácias estão a adiantar o valor das comparticipações no momento da dispensa”. O montante acumulado já terá atingido os 560 mil euros.

A Associação Nacional das Farmácias escreveu novamente no dia 8 de Novembro aos dois governos, manifestando “profunda preocupação com a não resolução e resposta a esta situação, mesmo após todas as insistências”. 

“Aguardamos, por isso, comunicação urgente, ou ver-nos-emos na impossibilidade de manter a comparticipação nos medicamentos aos beneficiários da ADSE nas farmácias da Região Autónoma dos Açores”, expôs ainda a Direcção da ANF. 

“Um cliente não é só um cliente: é um convidado nosso”

casa da rosa donos

O Restaurante Bar Casa da Rosa, localizado na Rua Hintze Ribeiro, Nº 55, em Ponta Delgada, abriu portas ao público em 2016, sendo um projecto que nasceu no ano antes por iniciativa de Miguel Nóia e Miguel Ribeiro que se tornaram sócios. Todavia, a sociedade desfez-se, e no Verão deste ano, Miguel Nóia e a companheira, Mariana Andrade, adquiriram a totalidade do negócio. À conversa com o Diário dos Açores o casal conta como tem decorrido a actividade e quais os novos projectos em vista.

 

Diário dos Açores – Como nasceu este projecto?

Miguel Nóia – Este projecto nasceu em 2015 fruto de uma sociedade composta por mim que possuía 60% da quota e por Miguel Ribeiro que tinha 40%, sendo que apenas em 2016 é que abrimos portas aos nossos clientes.

Mariana Andrade – Este projecto nasce também porque o Miguel é Chef. Ele tirou um curso de cozinha e esteve em Barcelona durante sete meses e outros três meses na Irlanda, num barco entre Dublin e Liverpool.

MN – Entretanto como este edifício ficou vago, depois de ter terminado o contrato que existia com o outro restaurante que estava naquele espaço, decidimos aproveitar a oportunidade e abrir a Casa da Rosa que se caracteriza por ter uma decoração diferente ao que estamos habituados a ver num restaurante, em que apostamos em antiguidades. Por exemplo, todas as nossas cadeiras são diferentes.

 

Ou seja, quando arrancou com este projecto já sabia que queria algo diferente ao convencional?

MN – Exacto! 

 

Porquê Casa da Rosa?

MN – Porque a dona do edifício é a minha avó e chama-se Rosa. Desta forma quis fazer-lhe uma homenagem em vida.

 

E como foi de 2015 até hoje?

MN – A sociedade acabou por terminar, sendo que eu e a minha companheira, Mariana Andrade, adquirimos os 40% da quota do antigo sócio.

MA – Comecei a trabalhar com o Miguel no início de 2017. Na altura estava numa pausa do curso de arquitectura que estava a tirar um Lisboa e como estava desocupada decidi procurar algo para fazer. Comecei então a trabalhar na Casa da Rosa como cozinheira, mas ajudava também onde era preciso. Fazia um pouco de tudo. Entretanto, engravidei e com o passar dos meses, fui realizando tarefas adequadas à minha condição de grávida. Deixei a cozinha e comecei a fazer sobremesas, depois envolvi-me mais na parte burocrática do negócio como contabilidade, orçamentos, entre outras coisas. Depois do Tomé nascer, em Abril deste ano, fiquei mais ausente do negócio. Quando chegamos ao Verão deste ano um novo rumo foi tomado. Foi nesta altura que a anterior sociedade acabou por se desfazer mas de forma tranquila. Acabamos por adquirir a parte do outro sócio e ficamos por inteiro com o negócio.

casa da rosa - frente

Sendo a Casa da Rosa um projecto que querem que seja diferente, como foi acolhido este projecto?

MN – Foi um projecto muito bem aceite principalmente à hora de almoço pelos locais, em que oferecemos um pacote por oito euros que inclui sopa, prato do dia, que pode ser uma de três opções, onde se inclui um prato vegetariano, peixe ou carne, café e água aromatizada. Reaproveitamos as cascas do ananás ou das laranjas fazemos uma infusão e criamos uma água muito agradável.

Ao jantar também temos clientes locais, mas os turistas estão em maioria.

MA – É um projecto que vai tendo momentos altos e baixos. Entre finais de Abril e início de Maio é quando começa a nossa época alta indo até Outubro. A partir de Novembro já começamos a sentir uma quebra. No entanto, o mês de Dezembro, geralmente costuma ser bom por causa dos jantares de Natal das empresas. Nesta altura usamos muito o piso de cima do nosso restaurante que é reservado para eventos desta natureza.

Vamos gerindo o nosso negócio dia-a-dia sem manter grandes expectativas e adequando-nos ao mercado.

 

Onde reside a vossa maior aposta na Casa da Rosa?

MN – Essencialmente no facto de termos um espaço diferente ao nível da decoração e também na nossa carta. Posso garantir que o bife que servimos é totalmente diferente do que é servido em outros restaurantes. Também primamos por apresentar os pratos de forma diferente e criativa.

MA – Creio que o primeiro impacto está mesmo na nossa decoração, porque o cliente não vai encontrar outro espaço igual em outro lado. A nossa decoração não é aleatória, foi mesmo muito pensada para ser assim. Em relação à ementa, temos o bife, mas não só: também temos o hamburger ou o entrecosto que se destacam por serem diferentes…

MN – A nossa carta é muito curta. Temos alguns pratos fixos, como o entrecosto, o hambúrguer, o salmão ou o bacalhau, mas todos os dias apresentamos novidades, isto porque apostamos também nos produtos frescos. No que concerne aos pratos vegetarianos também vamos variando consoante o que temos disponível. O facto de termos um prato vegetariano foi outra das nossas apostas, porque sentia que era uma lacuna na ilha. Como quisemos apostar na versatilidade, optamos por ter uma carta que fosse ao encontro de todo o tipo de cliente.

 

Apesar de Casa da Rosa ter ainda poucos anos de existência, diria que já é uma aposta ganha?

MN – Isto é uma luta contínua e diária. Nada está garantido! É um projecto que ainda está em construção.

MA – Tendo em conta que só abrimos as portas no Verão de 2016, é um projecto que ainda está numa fase embrionária, por isso é natural que estejamos ainda em construção. Para além disso, a partir deste Verão a gerência passou a ser outra, daí que neste momento estamos a tentar colocar tudo à nossa maneira.

 

Mas já sente satisfação por aquilo que já foi conquistado neste pouco espaço de tempo?

MN – Sim. É gratificante ver o andamento deste projecto.

 

E há novos projectos e novas ideias a levar a cabo?

MN – Para já queremos dinamizar ao máximo a Casa da Rosa e a longo prazo já temos vários projectos.

MA – Projectos há muitos, mas ainda falta amadurecer as ideias para os colocar em prática. Primeiro queremos consolidar o que já temos e torná-lo estável, para depois avançar com outras apostas.

Uma das nossas ideias passa por abrir o espaço do piso de cima para clientes à carta, uma vez que, actualmente, serve essencialmente para eventos. Aquele espaço tem muito potencial, mas está muito limitado, por isso pretendemos alterar e dinamizar aquela área.

No entanto, importa referir que desde que assumimos a gerência, já realizamos algumas mudanças na Casa da Rosa. Temos uma esplanada nova e a decoração também já sofreu alterações. A nossa imagem de marca, que é o nosso cadeirão, também já sofreu uma renovação e agora apresenta-se “de cara lavada”. Já investimos também em outras duas poltronas para o piso de cima, isto para conforto dos nossos clientes e para manter a ligação entre o restaurante e a sala do primeiro andar. Neste momento, o nosso principal foco está em dinamizar ainda mais a nossa área.

Também já estamos a fazer alterações no que diz respeito à carta, nomeadamente ao nível do ao empratamento e apresentação ao cliente. Aliás, também a loiça que utilizamos vai ao encontro do perfil da Casa da Rosa, sendo que os pratos também são todos diferentes.

Podemos ter ainda música ao vivo ou alguns eventos temáticos.

 

Quem é a equipa da Casa da Rosa?

MA – Já somos uma equipa relativamente grande. Em época alta somos 17, mas no Inverno a equipa fica reduzida a 13 elementos. Actualmente temos na cozinha 5 elementos e o Chef e dois copeiros. No Bar e na Sala temos mais sete pessoas. Contamos com dois chefes de sala, o Manuel Santos e o Paulo Nunes, um para o dia e outro para a noite. São pessoas em quem podemos confiar, porque nem sempre conseguimos estar todo o tempo no restaurante e assim estes chefes asseguram o que é preciso na nossa ausência e são o ponto de ligação entre toda a equipa.

Estamos abertos a partir do meio-dia e encerramos à meia-noite de segunda a quinta-feira. Às sextas-feiras e Sábados encerramos às 02h00.

A nossa matriarca é a Luxínia Câmara que tem 56 anos, está connosco desde a primeira hora e é a nossa cozinheira durante o dia e também para os eventos de buffet. Já para o serviço à carta contamos com o Chef de Cozinha André Raposo que acabou por vir substituir o Miguel e que também está na empresa desde o início.

MN – Sou eu que elaboro e penso em todas as ementas, e o Chef executa-as. Quando é necessário ainda me veem na cozinha, mas o facto de ser gerente obriga-me a estar disponível para outras funções. 

 

Quais as vossas perspectivas quanto ao futuro?

MN – É preciso que tanto o Governo Regional como outras entidades comecem a apostar mais na promoção da nossa Região no Inverno. Temos uma enchente de clientes no Verão, em que chegamos ao cúmulo de mandar clientes embora e quando chegamos ao Inverno há falta de clientes. Não temos um Inverno muito rigoroso, por isso entendo que se deveria fazer campanhas de forma a captar clientes também na época baixa. 

MA – Creio que se fossem criados eventos de Inverno que fossem atractivos para os turistas que tínhamos uma época baixa com mais actividade. De Verão há muita coisa a acontecer na ilha, mas quando chegamos ao Inverno pouco ou nada se faz.

Ainda assim olhamos para o futuro com optimismo. Já estamos em Novembro e até ao momento o negócio tem corrido muito bem! Já estamos a sentir uma diferença em relação ao Verão, mas não nos podemos queixar. Estamos muito orgulhosos do nosso trabalho, porque já estamos a sentir algum retorno fruto da nossa dedicação e do nosso esforço e isso é muito gratificante e eleva-nos o ego.

 

A Casa da Rosa ainda tem muito para oferecer?

MA – Sim, sem dúvida! Vamos continuar a apostar na diferença e na melhoria do nosso espaço. Para nós um cliente não é só um cliente: é um convidado nosso. A partir do momento em que abrimos as portas estamos a convidar as pessoas a virem à nossa casa e, neste sentido, temos que as saber receber. Estamos abertos à mudança, ouvimos as criticas que nos fazem e queremos melhorar cada vez mais.