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Cerca de 500 novos doentes surgem por ano na Unidade de Dor do Hospital de Ponta Delgada

Teresa Flor de Lima - Gestora Programa Regional da DorA Unidade de Dor, no centro hospitalar de Ponta Delgada, acompanha actualmente perto de 1500 doentes. Um número que tende a aumentar, face ao constante surgimento de novas doenças. Em entrevista ao Diário dos Açores, a gestora do Programa Regional de Controlo da Dor afirma  que a dor crónica é uma “epidemia silenciosa”, que “quanto mais cedo se tratar melhor”.
A especialista em medicina da Dor garante que os Açores são a zona do país onde se regista mais dor crónica e alerta para o impacto da patologia na vida do doente, na família e na própria sociedade.

 

São cerca de meia centena os novos doentes de dor crónica que chegam, anualmente, à unidade de dor do Hospital do Divino Espírito Santo em Ponta Delgada.
Segundo a gestora do programa Regional do Controlo da Dor e responsável por aquela unidade, Teresa Flor de Lima, o aumento deve-se ao facto de estarem sempre a surgir novas doenças. “Sabemos que os casos de cancro aumentam, sabemos que as pessoas com mais idade têm mais doenças, sobretudo osteoarticulares e outras. Portanto, sabemos que as doenças estão aumentar”.
Actualmente, o número de doentes acompanhados pela Unidade da Dor ultrapassa os 1500. Um estudo de prevalência realizado a nível nacional, que incluiu o arquipélago açoriano, indica que cerca de 30% da população adulta, maior de 18 anos, sofre de dor crónica. Não existem dados específicos sobre a sua prevalência nos Açores, mas o mesmo estudo revelou que a região é das zonas do país que tem mais dor.
Definida por Teresa Flor de Lima como uma “sensação desagradável”, a dor causa “muito prejuízo” ao doente. Hoje em dia, tem um grande impacto na vida do doente, na família e na própria sociedade.
“Os doentes com dor são pessoas que têm dificuldades em trabalhar e que, por vezes, se reformam antecipadamente. Têm custos muito exagerados com a doença”, afirmou a médica especialista na área da Dor. Em termos nacionais, estudos demonstram que Portugal gasta quase 2% do PIB em doentes com dor crónica, pelo que Teresa Flor de Lima salientou tratar-se de uma preocupação que afecta toda a população, com ou sem dor.
A dor é já considerada uma doença pelos sintomas que apresenta, como a incapacidade de movimento, de mexer articulações, de ir trabalhar. Estas inaptidões geram ansiedade, depressão, dificuldades para dormir, havendo até casos que acabam em suicídio.
O Programa Regional de Controlo da Dor, que existe na região desde 2004, faz referência a três tipos de dor, nomeadamente, a dor aguda, a analgia de parto e a dor crónica. Mas é a dor crónica que pode levantar mais preocupações, no sentido de ser uma “epidemia silenciosa se o doente não se queixar”.
“A dor manifesta-se por uma percepção do cérebro e está demonstrado que há alterações a nível do sistema nervoso central sempre que há uma dor crónica”, refere Teresa Flor de Lima, que defende que “quanto mais cedo se tratar e quanto mais intensamente se tratar melhor”. “Porque a partir de certa altura as alterações que existem no cérebro são irreversíveis e por muito que façam os medicamentos, não há volta a dar”, explica.
Além disso, a especialista alerta para a necessidade de se realizar um “tratamento contínuo”. “É esta a maior batalha para nós, especialistas: fazer as pessoas compreenderem que não se trata a dor só quando ela aparece”. “Nós dizemos que a dor não se deve curar. Deve-se controlar ou aliviar, pois nunca se consegue tirar uma dor cem por centro”, acrescentou.
A unidade de dor do Hospital do Divino Espírito Santo existe há 12 anos e, em Angra do Heroísmo e na Horta, têm sido promovidas consultas da dor nos últimos dois anos. Estas unidades são constituídas por equipas multidisciplinares, que integram médicos, enfermeiros, psicólogos e outros especialistas, nomeadamente, neurologistas, fisiatras, fisioterapeutas, internistas, terapeutas ocupacionais, entre outros.
Em Ponta Delgada, a unidade liderada por Teresa Flor de Lima tem um serviço de consultas telefónicas, que possibilita ao utente não se deslocar frequentemente à consulta da dor, permitindo ainda avaliar e monitorizar o doente.
“Precisamos de saber se o doente está a cumprir o tratamento, se a dor está menos intensa, se os medicamentos têm efeitos secundários (tonturas, náuseas, obstipação). Queremos saber se o doente cumpre a medicação certa ou se tem medicamentos suficiente para o período que falta para a consulta”, explica a médica. “Isto é muito importante, porque dá uma certa confiança ao doente por se sentir sempre acompanhado”, acrescenta.
As consultas telefónicas, a par das consultas internas e urgentes, “contribuem para uma boa capacidade de resposta” da unidade de dor. “O objectivo é fazer com que haja menos doente e menos dor”, afirma Teresa Flor de Lima.

Falta de profissionais
No entanto, a especialista lamentou que existe falta de meios humanos para colaborar com a unidade. “A formação dos profissionais não tem sido fácil. Há instituições que têm um número de profissionais mais reduzido e que não os podem disponibilizar”, referiu.
Por outro lado, existem dificuldades no que toca à formação. Teresa Flor de Lima apela ao Governo Regional, nomeadamente à Direcção Regional da Saúde, para que dê continuidade ao Programa Regional de Controlo da Dor e para que “melhore as condições na formação dos profissionais”. A gestora do programa, única especialista na medicina da dor na região, pede mais profissionais da mesma área para os Açores.
O programa está em vigor há mais de quatro anos no arquipélago. Fez parte do Plano Regional de Saúde e tem como objectivos “divulgar o que é a dor crónica, tratar o mais possível os doentes, quer na área da dor crónica, quer na área da dor aguda” e “promover a formação dos médicos e enfermeiros e de outros profissionais para tratar melhor a dor”.
Teresa Flor de Lima explica que “o Programa Regional de Controlo da Dor não está implicado com a Associação de Doentes da Dor Crónica dos Açores, na medida em que o funcionamento desta associação não está dentro dos parâmetros estipulados no início e que não tem qualquer apoio de profissionais de saúde especializados”.

Especialistas discutem em Ponta Delgada doenças como a diabetes e a obesidade

Hospital PdlO Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, acolhe até sexta-feira,  no seu auditório, o XIII Congresso de Endocrinologia e Nutrição dos Açores, bem como as XIV Jornadas de Diabetologia e o V Simpósio Satélite.
De acordo com o médico Rui César, da comissão organizadora, “mais de metade da população nos Açores tem excesso de peso”, e, por isso, é premente a organização desses eventos, pois a obesidade infantil e adulta “é um dos maiores problemas da nossa região e de todo o país ocidental”, salienta, acrescentando, no entanto, que “o último estudo do professor Luís Sardinha diz que nós, nos Açores, não pioramos, mas também não melhoramos”, estabilização esta, que  poderá estar relacionada com “alguma sensibilização que as pessoas vão tendo”.
Rui César considera, por outro lado, que a família é fundamental para mudar os hábitos alimentares que resultam em excesso de peso. “É bom que nós todos comecemos a pensar seriamente de que a escola não tem de substituir a família. É na família que começa o primeiro passo para que as nossas crianças comecem a ter uma alimentação mais saudável. É evidente que há muitas famílias desestruturadas e que não estão preocupadas com esse aspecto, mas há que preparar o futuro dos nossos filhos, pois o que fizemos na nossa infância e adolescência tem repercussões na vida inteira”, enfatiza.
Os Serviços de Endocrinologia e Nutrição do hospital de Ponta Delgada e de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do Hospital Egas Moniz organizam estes encontros, com periodicidade bienal, há vários anos, e continuam “apostados em manter a dinâmica que os têm norteado, desde a já distante era de 1987, ano das primeiras Jornadas de Diabetologia dos Açores, o que perfaz 26 anos de actividade”. Outro motivo de orgulho, são os 30 anos que já passaram desde que foi fundada, por Rui César, a consulta de Endocrinologia e Nutrição, no antigo hospital de Ponta Delgada, especialidade médica que passou a ter estatuto próprio.
O programa “fantástico”, debruçado sobre uma área médica, cujo peso, em termos de morbilidade e mortalidade nos Açores “é por todos reconhecida”, e a  importante presença dos mais destacados Endocrinologistas, Diabetologistas e Nutricionistas nacionais, incluindo o Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, garantem, nas palavras de Rui César, a “qualidade técnica e científica” dos trabalhos que irão ser apresentados.

PSD apela aos governos da República e Regional para “salvarem” Universidade dos Açores

univerirsidade açoresO PSD/Açores apelou sexta-feira aos governos regional e nacional para se mobilizarem na defesa da universidade do arquipélago, que enfrenta dificuldades financeiras e revelou que vai perder meio milhão de euros de financiamento do Estado em 2014.
Segundo a agência Lusa, o deputado António Marinho disse aos jornalistas, na Horta, que o PSD está preocupado com a situação da academia, um “instituição chave” e uma das “traves mestras da autonomia açoriana” e do desenvolvimento da região.
António Marinho pediu por isso ao Governo da República, que tutela a universidade, e ao executivo regional para “não se furtarem às suas responsabilidades” e “não deixarem cair” a academia.
O deputado disse ainda que a própria universidade tem também de “racionalizar o seu funcionamento”.
Durante a manhã também o líder parlamentar do PS na Assembleia Legislativa dos Açores, Berto Messias, tinha manifestado preocupação com o corte no financiamento da universidade, referindo notícias na imprensa nacional que estimavam que “a academia perderia 4,3 milhões de euros em transferências no âmbito da proposta de Orçamento do Estado para 2014”.
Em declarações à Antena 1, o vice-reitor da Universidade dos Açores, Cabral Vieira, disse, no entanto, que essa diminuição deverá ser muito inferior (500 mil euros), tendo em conta outras transferências feitas por parte de Lisboa.
Por causa das dificuldades financeiras que enfrenta, a Universidade dos Açores está a negociar com o Ministério da Educação um plano de reestruturação e assistência para os próximos três anos.

Parlamento dos Açores aprova 35 horas na Administração Regional

ALRAAO Parlamento dos Açores aprovou ontem por unanimidade, num plenário extraordinário, uma proposta do PPM que mantém as 35 horas de carga horária semanal na Administração Regional.
Segundo a agência Lusa, a iniciativa foi justificada pelo deputado monárquico, Paulo Estêvão, como uma “bolsa de resistência” à chamada lei das 40 horas na função pública, imposta pelo Governo da República.
“Não se trata de defender ou criar uma situação de privilégio em relação aos restantes trabalhadores portugueses”, explicou Paulo Estêvão, acrescentando que a intenção é estabelecer nos Açores uma “bolsa de resistência contra o aumento injusto, desnecessário e inconstitucional do horário dos trabalhadores portugueses”.
A proposta de Decreto Legislativo Regional, que tem agora de ser promulgado pelo Representante da República nos Açores, acabou por ser apoiada por todas as bancadas, inclusivamente pelo PS, que tem dito que esta é uma competência reservada à Assembleia da República, havendo dúvidas sobre se as regiões autónomas têm competências próprias para legislar de forma diferente nesta matéria. Graça Silva, da bancada socialista, lembrou que há trabalhadores que não serão abrangidos por esta lei, nomeadamente os funcionários da administração local e central que desempenham também funções nos Açores. Joaquim Machado, do PSD, entende que os socialistas açorianos “chegaram tarde” a este debate, porque “não tinham uma posição definida” desde o início sobre esta matéria. Também Artur Lima, do CDS-PP, destacou o “embaraço” que a proposta do PPM gerou na bancada do PS, que acusa de ter sido “ultrapassada” pelo deputado monárquico, apesar de os socialistas terem aprovado, na passada semana, uma ante-proposta de lei, enviada à Assembleia da República, que pede ao Parlamento nacional a manutenção das 35 horas de trabalho nos Açores.
Aníbal Pires, do PCP, lembrou que o aumento da carga horária na Função Pública é “culpa da República e não da Região”, e que foram os partidos que governam em Lisboa (PSD e CDS) que aprovaram essa medida. Já Zuraida Soares, do Bloco de Esquerda, tem esperança que a solução agora encontrada para os funcionários públicos da Administração Regional também possa vir a abranger outros trabalhadores.
O vice-presidente do Governo Regional, Sérgio Ávila, entende que o problema só se resolve se a anteproposta de lei apresentada pelo PS for aprovada na Assembleia da República. Por isso, fez um apelo aos partidos da maioria no Parlamento nacional para que não permitam que haja “açorianos de primeira e açorianos de segunda”.
Por causa desta proposta, os deputados açorianos, que já tinham estado reunidos em plenário na passada semana, tiveram de voltar ontem ao Parlamento, na cidade da Horta, para uma discussão que durou menos de duas horas.

Vasco Cordeiro “preocupado com atrasos nos regulamentos do novo quadro comunitário”

leite 2O presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, manifestou sexta-feira “grande preocupação” pelo atraso verificado na aprovação dos regulamentos que suportam a entrada em vigor do quadro plurianual 2014-2020 da União Europeia.
Segundo a agência Lusa, Vasco Cordeiro falava em Saint-Denis, na ilha de Reunião, no âmbito da XIX Conferência dos Presidentes das Regiões Ultraperiféricas, que decorreu quinta e sexta-feira naquele território ultraperiférico da UE.
“Suscita-nos grande preocupação o facto de ainda não terem sido aprovados os necessários instrumentos regulamentares para a aplicação dos fundos europeus, sem os quais não será possível o início atempado da execução do novo período de programação 2014-2020”, declarou o chefe do executivo açoriano.
Vasco Cordeiro apelou a todas as instituições europeias para que tenham uma “atenção redobrada” às condições económicas e sociais reais da UE e, em particular, as de alguns dos países sob assistência financeira, preconizando uma “conclusão rápida” destes processos, “sem taticismos” e “falsos impedimentos”, que afirmou “não serem – nem poderem ser – bem compreendidos pelos cidadãos europeus”.
“Uma vez mais, compete à Europa e aos seus líderes evidenciar que os momentos de hesitação não se repetirão, que as divisões estão ultrapassadas e que o projecto europeu avançará, para benefício de todos, com uma real atenção às necessidades dos seus cidadãos”, defendeu o presidente do Governo Regional.
Vasco Cordeiro referiu que o Executivo açoriano encara o novo quadro comunitário de apoio como “uma oportunidade, por excelência” para uma “aposta decisiva” na qualificação dos açorianos, “capacitação” e “fortalecimento” da economia regional, criação de emprego sustentável e apoio social.
“O Governo dos Açores tem a noção clara de que só uma aposta decisiva na qualificação e nas políticas activas de emprego poderá lançar a região para um novo patamar de desenvolvimento, razão pela qual prevemos reforçar em 100 milhões de euros as verbas comunitárias a alocar a esta componente”, declarou Vasco Cordeiro.
O presidente do executivo açoriano defende que a Europa necessita, no quadro das regiões ultraperiféricas, de passar de uma política “baseada apenas na consideração” das suas debilidades estruturais, para uma “política de incentivo ao crescimento”, apostando em áreas em que o potencial dessas regiões ainda não está plenamente realizado.
Vasco Cordeiro protagonizou que no contexto agrícola a UE dê “uma atenção” e “apoio especiais” ao sector do leite nos Açores, de forma particular no quadro do desmantelamento do regime de quotas e da revisão do programa específico POSEI.
Vasco Cordeiro refere no âmbito do FEAMP e do POSEI Pescas que o seu executivo não concorda com a possibilidade de a Comissão Europeia “passar a adoptar actos delegados” sobre a lista dos produtos da pesca elegíveis, nível e método de cálculo para a compensação, sem o “devido controlo legislativo” que considera “natural” nesse sector, por parte de outras instituições.