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Hospitais atrasam novamente pagamentos de cerca de 10 milhões de euros

Hospital interiorOs hospitais da região, essencialmente o de Ponta Delgada e Angra do Heroísmo, devem aos fornecedores de medicamentos entre 8 e 10 milhões de euros, estando o atraso no pagamento outra vez em vários meses, à semelhança do que aconteceu no ano passado.

A denúncia é feita pelo Presidente da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, Mário Fortuna, em nome dos empresários do sector, que se sentem revoltados por uma situação “que é crónica, que já vem desde há 5 anos e que é insustentável”.

de acordo com o líder dos empresários, “é incompreensível e inadmissível esta situação, porque kina a confiança das empresas, do sistema económico e do próprio sector da saúde, porque acaba por pagar mais caro”.

O empresário explica que estes atrasos por parte do governo “obrigam as empresas a atrasar pagamentos a outras empresas e a recorrer à banca para cumprir os seus compromissos com os seus trabalhadores, é um péssimo exemplo”.

E acrescenta: “o Governo regional que peça um resgate para pagar o que deve, porque isto vem sendo crónico nos últimos anos. Quando as empresas falham o pagamento ao Estado são multadas e pagam com juros, já os hospitais recusam pagar juros aos fornecedores, o que cria uma enorme desigualdade e um problema grave para as empresas”.

“Tudo isto tem um efeito de contaminação”, conclui.

Em declarações à Antena 1 Açores o Secretário Regional da Saúde, Rui Luís, confirma os atrasos nos pagamentos, mas garante que o governo tem vindo a saldar as contas com os fornecedores, reconhecendo que tem havido um aumento de consumo de medicamentos e de gastos, daí o acumular das despesas.

Faz agora um ano que a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada denunciou atrasos, alguns superiores a um ano, no pagamento a fornecedores dos hospitais a nível de “produtos farmacêuticos, dispositivos médicos, equipamentos e outros bens de consumo”. 

No final do ano algumas dívidas foram saldadas, mas agora voltou tudo ao princípio neste final de trimestre.

Dia Nacional do Cientista será em São Miguel com várias iniciativas

Manuel Heitor1A quarta edição do ciclo anual de conferências Caminhos do Conhecimento, de homenagem a José Mariano Gago, no dia do seu nascimento, vai decorrer no Teatro Micaelense, no próximo dia 16 de Maio, no âmbito do  Dia Nacional do Cientista.

O Dia Nacional dos Cientistas foi instituído por Resolução da Assembleia da República, com o objectivo de celebrar e reconhecer a contribuição histórica, relevante e inovadora da comunidade científica para o avanço do conhecimento e, assim, para o progresso e o bem-estar da sociedade.

 Do programa, a que o nosso jornal teve acesso, consta, das 10 às 14 horas um Festival de Ciência, na praça do Teatro Micaelense, em que o  Expolab – Centro Ciência Viva, em colaboração com os Centros de Ciência dos Açores, dinamiza, entre outras actividades, observações do Sol, demonstrações sobre o mar profundo e o lançamento de “mini-foguetões”, com a colaboração especial de cientistas convidados. 

As actividades culminam com uma “reacção em cadeia” organizada por alunos das escolas de Ponta Delgada, dando as boas-vindas aos participantes da quarta edição do ciclo anual de conferências “Caminhos do Conhecimento”.

Das 14 às 18 horas terá lugar a conferência “Caminhos do Conhecimento”, estando a abertura a cargo de Rosalia Vargas, Presidente da Ciência Viva, Alexandre Quintanilha, Presidente da Comissa?o Parlamentar de Educaça?o e Ciência, e Vasco Cordeiro, Presidente do  Governo Regional dos Açores.

Segue-se o painel “Ciência e Desenvolvimento: Na rota de Fernão de Magalhães”, com intervenção do convidado Onésimo Teotónio de Almeida, professor na Brown University, Providence, Rhode Island, EUA, que abordará “A Ciência no Portugal da Expansão: pensar o futuro com história e cultura”.

A apresentação estará cargo de Rosalia Vargas, da Ciência Viva, e o Comentário a cargo de João Luis Gaspar, Reitor da Universidade dos Açores.

Às 15:30 segue-se o painel “Conhecimento do Atlântico: Do mar profundo à observação do  oceano”, tendo como orador convidado Joaquim Hernandez-Brito, do AIR CENTRE, sendo moderadores Ricard Guerrero, da Academia Europaea, e José Álamo de Meneses, Presidente da Câmara de Angra Heroísmo.

Os Comentários estarão a cargo de Mariana Marques, do ENTA, CanSat, Ana Colaço, do Okeanos, Universidade dos Açores, Christopher Pham, do Okeanos, Universidade dos Açores, Nuno Lourenço, do CEIIA, Mário Rui Pinho, da Universidade dos Açores, e Teresa Tiago, também da Universidade dos Açores.

Às 16:30 será a vez do painel “Conhecimento do espaço”, sendo oradora Chiara Manfletti, Directora da “Portugal Space”, Agência Espacial Portuguesa, o Moderador será Arnaldo Machado, Presidente do Conselho de Administração do NONAGON, e os Comentários estarão a cargo de Ricardo Sousa, da Edisoft, Ricardo Conde, da Edisoft, Luísa Bastos, da Universidade do Porto, Luís Santos, da Portugal Space, Agência Espacial Portuguesa, e Gabriela Queiroz, do IVAR, Universidade dos Açores.

Às 17:30 decorrerá o fecho e apresentação do livro “Caminhos do conhecimento, 2018”, com intervenções de Gui Menezes, Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, e Manuel Heitor, Ministro da Cie?ncia, Tecnologia e Ensino Superior

No final da sessão será assinado um Protocolo de colaboração entre o Governo Regional dos Açores, através da Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia e a Ciência Viva.

 

Ponta Delgada é o município dos Açores mais sustentável e Vila Franca o pior

ponta delgada - avenidaDos 30 municípios mais sustentáveis do país, apenas um é dos Açores, o de Ponta Delgada, cinco são da Região de Lisboa e dois são da região do Algarve. 

A Região Centro e Norte são dominantes (oito em 30 municípios mais sustentáveis). 

Dos menos sustentáveis, seis são da Região da Madeira, dois dos Açores (Vila Franca do Campo e Madalena do Pico), quatro do Alentejo e nenhum é da Região de Lisboa. 

Lisboa é o concelho mais bem classificado do país no “Rating Municipal Português”, isto apesar da capital estar na posição 132 da tabela da Governação e na posição 110 no “ranking” da Sustentabilidade Financeira. 

Lisboa só consegue o primeiro lugar porque obteve 202,44 pontos na tabela do Desenvolvimento Económico e Social. 

A pontuação total de cidade foi de 291,46 pontos, mais 48 pontos do que o segundo classificado que é o município do Porto. 

 

É o primeiro rating feito em Portugal

 

Esta é a primeira vez que é feito um “Rating Municipal Português” (RMP): uma avaliação com notas a vários critérios que não têm apenas a ver com a atividade autárquica.

O RMP define quatro dimensões: Governação, Desenvolvimento Económico e Social, Eficácia nos Serviços à População e Sustentabilidade Financeira, que por sua vez estão segmentados em 25 indicadores.

O estudo, coordenado por Paulo Caldas para a Ordem dos Economistas, pretende dar todos os anos uma visão integrada de avaliação dos municípios.

Paulo Caldas sublinha que “mesmo Lisboa, que tem uma posição de liderança, seguido pelo Porto e por Oeiras, pode melhorar uma das suas dimensões de sustentabilidade, nomeadamente Sustentabilidade Financeira, assim como a Governação”.

Este RMP também coloca em evidência que os 10 municípios com pior classificação são todos de pequena dimensão. 

Para o economista Paulo Caldas, “isto significa que existe uma dimensão mínima para os municípios fazerem serviços à população e para terem capacidade de fazer investimentos estruturantes”.

Para contrariar esta realidade, defende que se avance para a cooperação estratégica intermunicipal e não com a fusão de autarquias.

“Os municípios com continuidade geográfica, integrados na mesma comunidade intermunicipal não só devem cooperar estrategicamente para reduzir custos, mas também para servir com qualidade a população”, conclui.

O economista alerta ainda para a cautela que se deve ter quando se retiram aos municípios os apoios à baixa densidade.

 

Um radar de informação

 

 “Por exemplo, Alcácer do Sal, Vouzela e Vila Verde foram dados recentemente como municípios que iriam ter investimentos acima de 100 milhões de euros em termos empresariais, e isso era condição bastante para poderem sair da lista dos municípios de baixa densidade. Deve haver alguma cautela nisso porque são municípios pouco sustentáveis”.

Paulo Caldas defende que o “Rating” funciona como um “radar de informação” para melhorar as políticas de médio prazo que vão além do mandato autárquico.

De resto, “dos 30 municípios mais sustentáveis apenas um é dos Açores (Ponta Delgada), cinco são da Região de Lisboa e dois são da região do Algarve. 

A Região Centro e Norte são dominantes (oito em 30 municípios mais sustentáveis).

 Dos menos sustentáveis, seis são da Região da Madeira, dois dos Açores, quatro do Alentejo e nenhum é da Região de Lisboa, podemos ler no RMP, que se baseou em dados estatísticos de 2018.

Nevoeiro afectou ligações aéreas nos Açores

Azores Airlines 2O nevoeiro que se registou ontem em algumas ilhas dos Açores levou ao cancelamento de duas ligações da SATA, enquanto um voo entre Lisboa e Ponta Delgada viu-se forçado a  divergir para Lisboa devido ao nevoeiro que se fazia sentir na ilha de São Miguel. Como explicou o porta-voz da companhia aérea açoriana, António Portugal, “as condições meteorológicas impediram também a realização da ligação da Azores Airlines Lisboa/Horta/Lisboa, que foi cancelada”, acrescentou.

Quanto à SATA Air Açores, que assegura as ligações entre as nove ilhas açorianas, o porta-voz da companhia disse que foi cancelado o voo Ponta Delgada/ Horta, devido ao nevoeiro.

Ainda ontem alguns dos passageiros para Lisboa foram reencaminhados, sendo que os restantes seguirão viagem  durante o dia hoje.

Carne de bovino para exportação cresce 20%

VACAS E LAUVOURA 02

A expedição de carne de bovino cresceu 20% nos Açores no primeiro trimestre deste ano, comparativamente a igual período de 2018, ultrapassando a dezena de milhar de carcaças, o que representa o valor mais alto dos últimos cinco anos para o período de referência.

A informação  ontem avançada pela Secretaria Regional da Agricultura e Florestas, em comunicado, aponta que, no período em análise, foi registado ainda um crescimento de 3% no número de cabeças destinadas às salas de desmancha, um indicador que o Secretário Regional da Agricultura considerou “muito positivo”.

Para João Ponte, “a expedição cada vez maior de carne embalada e em formato final de consumo permitirá uma maior valorização da produção, criar riqueza e postos de trabalho na Região”.

O executivo acrescenta que “a situação favorável que se verifica no mercado da carne de bovino é resultado da aposta estratégica do Governo dos Açores nesta fileira, onde os investimentos na rede regional de abate são aqueles que têm maior visibilidade, e do trabalho que os agricultores têm feito ao nível da melhoria constante das suas produções”.

Para além da dinamização das salas de desmancha, o governo açoriano  pretende ainda concluir o processo de certificação de todos os matadouros dos Açores até ao final da presente legislatura. 

Este ano foram já certificados dois matadouros pela norma ISO 22.000 relativa à qualidade e à segurança alimentar. “Este é mais um contributo considerado relevante para a competitividade do sector”, frisou o Secretário Regional.

No mesmo comunicado, o executivo aponta que o crescimento registado no sector “foi um factor decisivo para o Governo dos Açores apoiar com verbas regionais os produtores de carne bovina, de modo a compensá-los face às elevadas taxas de rateio inicialmente previstas nas ajudas do POSEI em 2018 e que foram pagas no final de Abril, sendo que, em alguns casos, os rateios seriam superiores a 30%”.

“O apoio atribuído permitirá que nenhum produtor de carne tenha rateios superiores a 10%. Por outro lado, a decisão de isentar de rateio os produtores mais pequenos, com abates até 10 animais por semestre, permitiu que mais de 4.000 produtores (84%) não sofressem qualquer corte na ajuda atribuída”, lê-se.

A Secretaria Regional refere que, do total de abates aprovados para consumo nos matadouros da Região no ano passado, “que representam 73 mil animais, apenas 31% se destinou ao consumo local em carcaça, o restante teve como destino a exportação e salas de desmancha”. Resultados que, segundo o executivo, são “indicadores da dinâmica de crescimento e da afirmação sustentável da fileira da carne no contexto do sector agrícola dos Açores”.