Análise à situação política nos Açores

palácio de santana

“Para o povo ir votar faltam estadistas”

Santos Narciso, jornalista 

santos narcisoComo analisa a proposta de Vasco Cordeiro no sentido de beneficiar os eleitores que tenham um bom histórico de participação eleitoral? É uma boa proposta para combater a abstenção?

Em minha opinião, Vasco Cordeiro fez bem em ter levado a questão do combate à abstenção ao discurso do Dia dos Açores e mal não vem ao mundo com a proposta que fez, que considero utópica e impossível de concretizar no actual quadro constitucional e muito menos especificamente para os Açores que não têm qualquer voz nestas questões eleitorais. 

Basta ver o que prometeu Vasco Cordeiro em 2015, nas Flores, sobre a possibilidade de “candidaturas de cidadania”, supra-partidárias, ao parlamento regional e de que nunca mais se falou. 

Do mesmo modo, no rol dos esquecidos, ou dos mal-queridos, está a questão dos votos dos emigrantes para as Regionais. Portanto, em termos de utopias, estamos conversados. 

No caso concreto fica a discussão, até a nível nacional, despoletada pelo discurso do Presidente do Governo Regional dos Açores, sobre se o caminho para combater a abstenção passa por premiar quem vota ou penalizar quem não vota. 

Venha o diabo e escolha, digo eu, porque o caminho para combater a abstenção deve ser, primeiro fiabilizar os números, já que os cadernos eleitorais com os automatismos todos, não são de fiar, e paralelamente devem muitos políticos mudar de vida para credibilizar a política que anda mergulhada numa onda avassaladora de escândalos de corrupção e compadrio. 

Para o povo ir votar faltam estadistas…

 

O Presidente do Governo propôs, igualmente, um Conselho de Concertação entre os Governos das Regiões Autónomas e o da República. É o melhor caminho para ajudar a resolver os casos pendentes entre os governos?

Sinceramente não acredito no poder de mais um Conselho de Concertação e muito menos entre as Regiões Autónomas e Lisboa. 

Basta olhar para a história, desde 1895 e anos anteriores, para ver que a Autonomia dos Açores não vai com diálogo. Só conseguimos qualquer coisa, agora e desde sempre, com muita luta e poder de afirmação. 

Num Conselho de Concertação é preciso que as duas partes entrem em concerto e tenham os mesmos objectivos e o que se sabe é que o centralismo de Lisboa não tem conserto, nem relativamente à insularidade, como não tem em relação à interioridade. E temos o exemplo claro da propaganda política que se faz à volta da vantagem de os Governos Regionais serem da mesma cor dos da República. Como temos visto, quando as cores combinam, os nossos problemas são adiados sob capa de diálogo, de entendimentos e de dilações no tempo. 

Quando são de cores contrárias a desculpa passa logo a ser que há vinganças e incompreensões políticas. 

Portanto, Autonomia é um processo de luta contínua contra uma geração de políticos que ainda não se descomplexou da perda do império e ainda não se capacitou que são as Regiões Autónomas que dão a única dimensão e visibilidade internacional a Portugal. 

E por cá, precisamos muito de arrumar a casa, para não continuar a crescer a ideia de que somos um peso para o País. Em casos concretos da negligência nacional naquilo que lhe compete, isto não vai com Conselhos de Concertação que não constroem cadeias, nem nos garantem mais meios de segurança, nem nos trarão os radares meteorológicos e tudo o mais que, sendo da República é símbolo de estar descuidado. 

Nem um Conselho de Concertação fará com que o Tribunal Constitucional seja menos restritivo em matéria de Autonomia!

 

Como analisa a actual situação política? A situação nos transportes aéreos e marítimos de passageiros é uma pedra no sapato deste governo? E o papel da oposição?

A situação política nos Açores está complicada, essencialmente por dois motivos. Nota-se um grande cansaço no Governo Regional fruto de mais de duas décadas de poder, sem alternância e sensivelmente com os mesmos protagonistas, precisamente aquilo que o Partido Socialista condenava no tempo em que era Oposição. 

Ciclos muito longos de governo não são bons para a democracia. 

Por outro lado, a Oposição continua com muitas dificuldades de se encontrar e unir, porque há ainda um sentimento de orfandade política e ao mesmo tempo há muito carreirismo político que faz com que ninguém queira deixar os lugares que ocupa, tornando difícil qualquer renovação. 

Estamos em democracia, mas o sistema tomou conta de quase tudo e criou dependências que tornam difícil a necessária alternância. 

No caso dos transportes aéreos e marítimos que provam a desastrada gestão do sector desde há anos, a causa principal está na politização das empresas que em vez de terem gestores têm políticos-gestores, para fazerem a vontade aos políticos-nomeadores. 

A Oposição, por seu lado, em vez de agarrar o cerne da questão, limita-se a aproveitar os desaires pontuais e como não há capacidade de uma reacção a sério os problemas vão-se arrastando até haver quem pague. 

Mas não vamos aguentar muito tempo este descalabro, pois enquanto se desvia dinheiro para travar esta bola de neve, vai-se desorçamentando o essencial que é a Saúde e a Educação que andam pelas ruas da amargura.

 

As três Câmaras do Comércio endurecem as críticas ao Governo: “Situação do transporte de passageiros no início deste Verão é um fracasso”

sata air açores

A Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA) classificou ontem a situação do transporte de passageiros inter-ilhas, aéreo e marítimo, no início deste Verão, como “um fracasso”. 

Num comunicado divulgado ao princípio da tarde de ontem, as três câmaras de comércio dos Açores dizem que “o problema torna-se ainda mais grave, quando abrange as três empresas tuteladas pelo governo regional, prejudicando, simultaneamente, residentes e turistas, numa altura em que muito se propala turismo de qualidade, que pressupõe serviços de qualidade”.

“À SATA Air Açores é cometida a missão de ser o pilar principal do desenvolvimento das várias ilhas, distribuindo pelas mais pequenas, parte dos fluxos turísticos que nos procuram, utilizando as principais portas de entrada”, lê-se na nota dos empresários açorianos. 

“Para além de todas as contingências operacionais ocorridas ao longo deste ano, que é demasiado para uma empresa de dimensão Regional, existe, no momento, um modelo de obrigações de serviço público (OSPs) ultrapassado e desajustado da realidade atual, e que só termina em 2021”, acrescenta.

A CCIA entende “prioritário a adopção de um novo modelo de OSP inter-ilhas, mais flexível, a aplicar-se já em 2020. A Região não pode suportar outro ano igual ao atual”.

E acrescenta: “A Azores Airlines segue num caminho sinuoso do ponto de vista operacional, sem aviões, sem pilotos, com cancelamentos constantes em ilhas como o Faial e Pico, e com despesas incontroláveis em ACMIs nas outras rotas, levando a que as perspectivas para 2019 já não fujam a mais uma catástrofe financeira para a empresa, para o seu acionista, logo, para os contribuintes”. 

A CCIA considera “fundamental uma redefinição do modelo de negócio da empresa para o futuro imediato, sem o que a Região será arrastada para uma situação financeira ainda mais difícil do que a atual, com uma situação crónica de pagamentos em atraso a fornecedores”.

“No caso do transporte marítimo, a Atlanticoline parece já ser mais um caso incorrigível de falhas graves. Ao fim de 20 anos ainda não se conseguiu programar o serviço de barcos, a tempo e horas, repetindo-se os mesmos erros ano após ano, com alugueres de última hora, a preços e condições que seguramente não serão vantajosas para a empresa. Não é compreensível que a Atlanticoline não receba indicações para praticar um planeamento plurianual, com barcos contratados para vários anos, permitindo o compromisso com horários e tarifas a tempo e horas, para que também sirva o turismo, o que, nas condições actuais, não é possível”, acusam os empresários.

Segundo as câmaras de Comércio, “em condições normais, os accionistas definem objectivos, contratam administradores profissionais, comprometem-se com a disponibilização de condições necessárias e facultam-lhes a liberdade necessária para que atinjam os objectivos definidos”. 

“Entende a CCIA que este deve ser o modelo a aplicar no Sector Público Empresarial Regional (SPER), o que não está a acontecer, há já demasiados anos”, conclui o comunicado empresarial.

 

Pilotos da SATA Internacional aprovaram recusar trabalhar em folga e férias

Azores Airlines - passageiros

Os cancelamentos recentes por falta de pilotos (como admitiu ontem a administração da SATA), devem-se também a uma espécie de “greve de zelo”, que foi aprovada pelos pilotos da SATA Internacional numa reunião realizada em 11 de Junho.

Segundo apurou o nosso jornal, os pilotos reuniram-se em “Assembleia de Empresa”, na sede do SPAC (Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil), e deliberou “manter as formas de pressão e correspondente ao exercício de direitos” contra a administração da SATA, aprovando quatro pontos: 

“- Não aceitação de trabalho em folga/férias e dias de compensação de feriados;

- Não aceitação de alterações ao planeamento e às escalas publicadas;

- Pedido de folgas em atraso;

- Exigência da publicação das folgas de acordo com o AE.”

Esta reunião, de acordo com as mesmas fontes, teve “elevada participação de Associados”, em que mais de dois terços dos Pilotos associados “votaram favoravelmente esta proposta sem qualquer voto contra”.

 

Baixas médicas 

e recusas em substituição

 

De acordo com fonte conhecedora deste processo, “na prática, quando um dos pilotos certificados para operar no Pico e Horta metem baixa, como não há um número suficiente de pilotos para fazer uma escala em standby, a SATA fica dependente da boa vontade dos pilotos”. 

Até Maio os pilotos acediam a fazer os voos de substituição sem problema, mas depois da referida reunião, não houve mais disponibilidade.

Alguns dos recentes cancelamentos terão sido motivados por baixa médica de comandante ou co-piloto, e pelo facto de ninguém aceitar fazer a substituição. 

A reunião na sede do SPAC serviu ainda para os pilotos tomarem conhecimento de alguns aspectos relacionados com o progresso das negociações com a administração da SATA, onde foi apresentada uma carta enviada à administração da empresa no dia 7 de Junho, que a dado passo diz o seguinte:

“A proposta agora apresentada de teor minimalista não só não se aproxima dos objectivos definidos pelos Pilotos para esta negociação, que tem em conta os vários anos sem aumentos salariais, como introduz factores de distorção naquilo que são as relações entre os trabalhadores e a empresa. Na verdade, condicionar os aumentos aos resultados da empresa sem que os Pilotos participem na decisão de gestão ou possam influenciar o rumo da empresa implica transferir para os Pilotos um risco que não controlamos e como tal não aceitamos. O histórico de decisões de gestão que os Pilotos criticam e que muito tem contribuído para a situação da empresa é um bom factor para tornar inaceitável a proposta. No limite os erros de gestão seriam suportados pelos Pilotos; trata-se de uma proposta inaceitável, irrealista e desajustada das condições reais.”

 

Como avançou a proposta 

de greve

 

Foi nesta sequência que a administração convocou, depois, uma nova reunião para 12 de Junho, que os representantes dos pilotos dispuseram-se a participar, mas avançaram de imediato com outras deliberações, que transcrevemos:

 “Nos termos do artigo 54.º dos Estatutos dos SPAC compete à Assembleia de Empresa declarar a greve na SATA.

Neste contexto, a Assembleia de Empresa da SATA Internacional reunida no dia 11 de Junho de 2019, após ter discutido os termos da negociação em curso com a empresa e apreciada a última proposta apresentada pela Empresa, rejeita a mesma qualificando-a como inaceitável.

A Assembleia de Empresa considera ainda que as negociações em curso encontram-se num impasse, não tendo a empresa mostrado uma clara intenção de negociar uma revisão global do Acordo de Empresa.

Neste contexto, a Assembleia de Empresa delibera mandatar a Direcção do SPAC para declarar greve para todos os fins-de-semana de Julho e dias a determinar em Agosto de 2019 com o limite de 8 dias por indicação da Comissão de Empresa e em função da avaliação do decurso das negociações, caso não se verifiquem progressos significativos nas negociações até ao dia 24 de Junho de 2019”.

 

Greve poderá ainda avançar

 

Depois disto, ficou-se a saber a posição da SATA anteontem, após reunião na Secretaria Regional dos Transportes, entre a titular, Ana Cunha, e a administração da empresa, onde ficou decidido voltar às negociações, com a condição do sindicato cancelar a greve.

O sindicato aceitou e as reuniões começaram ontem à tarde em Lisboa.

Fonte ligada ao processo garantiu ao nosso jornal que o sindicato não irá abdicar do que foi mandatado pelos associados e, caso se mantenha a posição da administração nas negociações, os pilotos avançarão mesmo para a greve.

 

Preocupações nas ilhas 

do Triângulo

 

Entretanto, as preocupações nas ilhas do Triângulo mantêm-se relativamente à operação deste Verão.

Empresários, autarcas e população em geral têm manifestado as suas preocupações dos mais variados modos, tendo o Presidente da ACIP (Associação do Comércio da Ilha do Pico), Rui Lima, declarado à Antena 1-Açores que “é urgente transmitir confiança aos mercados e operadores, cabendo à SATA e ao Governo regional encontrar soluções rápidas”.

De acordo com o empresário picoense, todos os empresários do Triângulo estão preocupados com o Verão, havendo já grandes unidades hoteleiras, como o Hotel Caravelas, na Madalena, que se viram obrigados a cancelar reservas e refeições na ordem das centenas.

No Faial há também muito descontentamento, sendo possível que grupos cívicos, activos nas redes sociais, possam convocar uma manifestação de protesto aquando da próxima deslocação do Presidente do Governo àquela ilha.

 

Preocupações também 

com os barcos

 

A mesma preocupação se estende aos transportes marítimos de passageiros no Triângulo, com o convencimento de autarcas e empresários de que o Verão já estará comprometido.

As maiores preocupações vêm da ilha de S. Jorge, que se vê privada de muitas ligações e cujos autarcas já manifestaram o seu descontentamento.

Entretanto, acaba de ser anunciado que, com o início da segunda metade de Junho, a Linha Azul da Atlânticoline sofre um reajustamento, passando a ilha do Pico a dispor de mais duas ligações marítimas nesta rota.

Mais concretamente, passa a existir o “barco das 9 da manhã” entre as ilhas do Pico e do Faial, bem como novas viagens às 13h e às 15h (sendo que estas últimas substituem a viagem das 14h). 

Esta situação manter-se-á até meados de Setembro.

“A SATA tem que canalizar recursos para o Triângulo”

rui lima picoRui Lima, Presidente da Associação Comercial e Industrial do Pico

Como é que analisa a situação dos transportes aéreos e marítimos no Triângulo, face aos últimos acontecimentos?

Analiso com grande preocupação. 

Falando exclusivamente como representante de uma associação de empresários, e tendo em conta as especificidades do destino (Triângulo), o tipo de turismo praticado em que as dificuldades já são, sem constrangimentos, elevadas, dependendo em exclusivo dos transportes aéreos e marítimos, existindo a interrupção desse serviço, não há qualquer alternativa. 

Acresce o facto de serem prestados, numa e noutra situação, por uma empresa só!

 

Considera que o Triângulo está a ser prejudicado em termos turísticos e que isto possa afectar a imagem da região no futuro?

Considero que é imprevisível calcular os danos. 

É obrigatório transmitir confiança aos operadores e clientes, e fazê-lo é corrigindo o problema e comunicando bem. 

Tenho dúvidas que alguém com férias marcadas no Triângulo, que ouça e tenha conhecimento que de 90 pilotos a empresa que os transportará só tem 60, fique impávido e sereno. Não sei se alguém ficaria.

 

O que acha que deve ser feito para ultrapassar esta situação e repor a boa imagem nas acessibilidades?

A resposta é complexa. A curto prazo penso que canalizar os recursos da empresa para estas rotas. E nas restantes, partir para outras alternativas, em que existe possibilidade para tal. 

A médio prazo, fazer tudo o que pedimos há muito tempo, ouvir as pessoas, e recuperar a SATA, acredito na empresa e sua viabilidade, mas muito distante deste modelo. 

Acho que não é o momento oportuno para dar a minha opinião, relativamente a esta problemática. É altura de resolver o imediato. No final do Verão, a conversa será outra, como já o foi no passado, sem eco.

 

SATA diz que tem falta de 30 pilotos

Azores Airlines 2A Administração da SATA e o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação retomam hoje negociações sobre a carreira dos tripulantes, estando “suspensa” uma greve que deveria acontecer entre 22 de Junho e 1 de Julho. 

De acordo com o Presidente do Conselho de Administração da operadora açoriana, António Teixeira, a greve, que estava prevista, “foi suspensa”, entrando agora a empresa e o sindicato “num plano de negociações” que irão começar hoje visando chegar a um consenso entre as partes.

António Teixeira, que falava em Ponta Delgada, à margem de uma reunião com a Secretária Regional dos Transportes e Obras Públicas do Governo dos Açores, Ana Cunha, referiu que se tem vindo a “apelar a todos os sindicatos ao bom senso para se chegar a um bom termo no plano de negociações na fase em que a SATA se encontra”, nomeadamente a nível financeiro, depois de terminar 2018 com prejuízos de mais de 53 milhões de euros.

O responsável afirmou que o bloqueio na marcação de lugares nos aviões da operadora vai ser ultrapassado - entre 22 de Junho e 1 de Julho não era possível marcar viagens na Azores Airlines - deixando de fazer sentido o plano de contingência que estava projectado para os dias da referida greve, que esteve prevista, mas cujo pré-aviso de greve não chegou a ser apresentado oficialmente.

O administrador considerou que a situação actual do grupo SATA “não se compadece com situações dessa natureza”, sendo “extremamente difícil levar em frente o projecto se houver internamente convulsões”, adiantando que tem contado com os parceiros sociais neste processo.

A titular da pasta dos Transportes, sobre os recentes cancelamentos de voos da SATA para as ilhas do Pico e Faial, que motivaram a reunião, assumiu que “existem constrangimentos na comunicação com os passageiros em todas as situações irregulares, não só nos casos que afectaram aquelas duas ilhas, mas em geral, em outros casos que se têm verificado”.

A administradora do grupo SATA responsável pelas operações, Ana Azevedo, considerou que os cancelamentos para o Faial e Pico se ficaram a dever a “razões técnicas” motivadas por um pássaro que entrou no motor de um avião, que teve de ser reparado, tendo ainda havido dois cancelamentos por “falta de tripulação”.

Ana Azevedo considerou que o volume de pilotos “ainda não está com os níveis desejados para a frota existente”.

A administradora afirmou ainda que a falta de aviões e tripulações serão colmatadas com recurso aos ACMI (aluguer de aeronaves e profissionais) para os aeroportos onde se pode operar, sendo que no caso do Faial e Pico “tem que ser com a frota da SATA”.

O grupo SATA possui cerca de 60 pilotos, alguns dos quais em formação e treino, sendo a meta para a frota existente chegar aos 90, havendo neste momento uma “grande sobrecarga de trabalho” para os profissionais que estão no terreno, que estão a trabalhar nas folgas e férias.

 

PSD chama Secretária dos Transportes ao parlamento

 

O PSD/Açores solicitou ontem a audição da Secretária Regional dos Transportes e Obras Públicas no parlamento, com o objectivo de obter explicações da tutela sobre a “falta de lugares” nas ligações inter-ilhas e os cancelamentos de voos do continente para o Pico e Faial.

“Face aos constrangimentos que têm afectado a mobilidade muitos açorianos, o PSD solicitou a audição urgente da Secretária Regional dos Transportes e Obras Públicas na Comissão Parlamentar de Economia”, anunciou a deputada social-democrata Mónica Seidi, após uma reunião com a Direcção do Aeroporto Internacional das Lajes, no âmbito das jornadas parlamentares do partido.

A parlamentar do PSD/Açores salientou que têm sido muitas as queixas de passageiros nas últimas semanas, nomeadamente a falta de lugares nos voos da SATA Air Açores e os seis cancelamentos, nas últimas duas semanas, da Azores Airlines nas rotas Lisboa/Pico e Lisboa/Horta.

“Os açorianos não podem continuar reféns de um Governo Regional que não tem uma política declarada nos transportes aéreos. Este governo tem sido incapaz, de forma sucessiva, de se antecipar aos problemas que todos anos ocorrem, sobretudo na época alta”, disse.

Para Mónica Seidi, os açorianos “têm ficado órfãos da ausência de uma verdadeira política de transportes aéreos, que pudesse servir a população”.

“Também nos transportes aéreos, são necessários novos protagonistas e uma nova visão nos Açores. O PSD está aqui para ser alternativa”, frisou.

Na abertura das jornadas parlamentares do PSD/Açores, Mónica Seidi pronunciou-se ainda sobre a certificação da pista da Base das Lajes para uso civil, considerando que “é notório que, do ponto de vista prático, a mesma está aquém das expectativas criadas pelo Governo Regional juntos dos terceirenses”.

“Não se verifica o impacto positivo que a mesma deveria causar no desenvolvimento económico da ilha Terceira. Há uma clara falta de ambição e de estratégia por parte do Governo Regional, que assim não tira partido desta infraestrutura nem consegue captar novos fluxos turísticos, essenciais ao desenvolvimento da ilha”, concluiu.

 

Manifestação no Faial?

 

Os cancelamentos de voos para Faial e Pico têm provocado uma onda de indignação em vários sectores daquela ilha, sobretudo os mais ligados aos negócios de turismo, que acusam a SATA de estar a prejudicar o negócio do sector no Triângulo.

Nas redes sociais há a proposta para uma nova manifestação junto ao aeroporto da Horta aquando da visita do Governo àquela ilha a meio desta semana.

As vozes de revolta são muitas e um dos testemunhos é do empresário de turismo Carlos Morais, que também é o Presidente da ATA, ao escrever que  se sente “triste por várias razões”, uma das quais é “tentar ter ordenados em dia a fornecedores e deveres com o Estado é uma tarefa árdua, principalmente quanto a última parte, principalmente 10 meses depois quando nos pedem as certidões do que já utilizaram a 300 dias”, para depois perguntar: “será que se cancelassem o voo de hoje pdl/fnc e reencaminhassem os passageiros via Lisboa para o Funchal onde existe muitas mais soluções não teria sido mais viável economicamente, e menos prejudicial a companhia em vez de cancelar Lis/Pix ?”.

E acrescenta: “Nesta mesma linha de pensamento será que em vez de fazer pdl/fra amanhã de manhã em detrimento Lis/hor não seria mais viável para todos nós ? E os ACMI (319)?”.

O empresário lamenta-se que “sou leigo na matéria mas uma coisa eu sei, a Matriz da Sata foi para servir os açorianos, assim não, tenho muitos compromissos com famílias, são mais de 55, levei um rombo muito grande nos primeiros 15 dias deste mês, os meses que tanto esperamos”.

“Levei anos a vender o meu “peixe” aos operadores a dizer que tinham de programar o triângulo, felizmente nos últimos 6 anos fui ouvido e temos tido algum sucesso, embora localmente outros que chegaram a menos tempo a esta arte até já foram homenageados”.

“Investir no turismo no Triângulo !!?? Com que garantias??”, conclui Carlos Morais.

 

Passageiros protestam

 

Vários passageiros prejudicados pelos cancelamentos de voos têm manifestado os seus protestos nas redes sociais.

Um deles, Paula Decq Mota, descreve o que aconteceu num dos voos em Lisboa, que classifica de “surreal”.

“Fomos informados que poderíamos arranjar alojamento e ser reembolsados na chegada ou então aguardar no aeroporto até às 14h30 pelo transporte para um hotel. Aguardámos horas e horas, tomámos pequeno almoço e almoço no aeroporto (pago pela sata) e fomos para o local indicado. Às 15h uma menina da Groundforce (que me explicou que não havia funcionários da sata disponíveis) encaminhou-nos para um autocarro”, conta a passageira 

E prossegue: “Então, o surreal vem agora: A Sata (sem questionar os passageiros que precisariam ou não de hotel) fretou 2 autocarros daqueles mto grandes para levar.... 6 pessoas!! (Presumo que muitos dos passageiros tivessem ido para as suas casas ou arranjado o próprio alojamento). A responsável do autocarro ficou de boca aberta e nós também. E diz que a sata contratou os 2 autocarros às 6h da manhã, para um serviço que marcou as 14h30!

Agora estamos a porta de um hotel de 4 estrelas (daqueles mesmo caros) que aparentemente estava à espera de 150 pessoas, mas para o qual a sata não emitiu nenhum voucher (que nos disseram não ser necessário) e que agora nem nos quer aceitar! Ah, em momento algum deste processo pediram a nossa identificação ou perguntaram sequer o nosso nome! 

Os milhares e milhares de euros gastos hoje, por pura incompetência e desorientação, deixam-me revoltada...”.

Outro passageiro afectado é o jornalista e nosso colaborador Rui Almeida, que afirma “É momento para dizer que a situação bateu no fundo, tão grande é já o prejuízo para operadores turísticos e para residentes naquela zona do arquipélago. Espanta-me o silêncio do Presidente da SATA, refugiado em gabinetes a ver a companhia afundar. E o silêncio “ruidoso” da tutela: a Secretária Regional da área, Ana Cunha, e o Presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, têm de se pronunciar e, por uma vez, agir. Não para remendar, mas para reestruturar e preparar a companhia para os fortíssimos desafios do futuro imediato, com alguém que, efetivamente, perceba de aviação comercial e das suas particularidades.

Ruinoso não é apenas o “modus operandi” da companhia; é também o modo como a tutela açoriana se está a comportar numa situação inacreditável, inaceitável e pela qual, naturalmente, se não inverter caminho, corre sérios riscos de ser penalizada”.