70 mil turistas de cruzeiros em 48 escalas este mês nos Açores

midnatsol 2Com a chegada do mês de Abril o arquipélago dos Açores prepara-se para receber 48 escalas de navios de cruzeiros que globalmente deverão trazer aos principais portos do arquipélago perto de 70.000 passageiros e 30.000 tripulantes

Ponta Delgada, com 32 escalas, é, naturalmente, o porto com mais movimento, esperando-se a vinda de mais de 53.000 passageiros e 30.000 tripulantes, que irão trazer um intenso movimento à cidade de Ponta Delgada e à ilha de São Miguel.

Nesta cidade, os dias de maior movimento serão os dias 23 com cinco escalas, 24 com quatro escalas, 13 com três escalas e os dias 5, 16, 17, 25, 26, 28 e 29 com duas escalas em simultâneo

De salientar igualmente as oito escalas que neste mês ocorrerão nas cidades da Horta e nas cidades da Praia da Vitória e Angra do Heroísmo.

As escalas do mês iniciam-se já hoje com a vinda a Ponta Delgada do MIDNATSOL, da companhia norueguesa Hurtigruten, que nesta cidade faz a primeira paragem de um interessante cruzeiro de 11 noites, iniciado em Lisboa no dia 31 de Março, e  que contempla passagens em Ponta Delgada, Angra do Heroísmo a 4 e Horta a 5 , rumando de seguida para o arquipélago da Madeira, com passagens pelo Funchal e Porto Santo antes do seu regresso à capital portuguesa.

Construido em 2003 nos estaleiros noruegueses Fosen Mekaniske em Rissa, o navio tem como dimensões 135,75 metros de comprimento e 21,5 metros de boca. Possui 16.151 toneladas de arqueação bruta. Em ocupação normal dispõe de alojamento para 500 passageiros que poderão atingir os 674 em ocupação máxima. A sua tripulação é constituída por 75 elementos.

Concebido especificamente para o mercado nórdico, os seus interiores primam pela simplicidade e com um decoração muito sóbria. Os mesmos foram inspirados pelo sol e onde as suas paredes transmitam um pouco do brilho do mesmo. A bordo existe um conjunto muito interessante de obras da moderna arte norueguesa, que se podem encontrar ao longo de alguns dos seus espaços públicos. 

A ambiência a bordo é verdadeiramente amigável e muito sociável, tornando este navio muito popular entre os aficionados pela companhia.

 

Dois cruzeiros  depois de amanhã

 

Depois de amanhã teremos no terminal de cruzeiros das Portas do Mar e no porto comercial a presença de dois luxuosos navios de cruzeiros.

O destaque vai naturalmente para a escala inaugural do luxuoso RIVIERA, da famosa operadora norte-americana Oceania Cruises, uma das empresas “premium” da NCL

Esta sua passagem em Ponta Delgada está inserida num cruzeiro transatlântico iniciado em Miami, no passado dia 28, e que, para além da passagem pelos Açores, contempla escalas em Kings Warf nas Bermudas, Tanger em Marrocos, Palma de Maiorca, terminando o itinerário em Barcelona no dia 11.

Construido em 2012 nos estaleiros italianos de Fincantieri em Sestri Ponante, arredores de Veneza, este luxuoso navio de cruzeiros possui 66.084 toneladas de arqueação bruta. Tem como medidas 251,5 metros de comprimento, 32,2 de boca e um calado de 7,2 metros. Disponibiliza 16 decks, 11 dos quais para passageiros. A sua capacidade de alojamento é de 1.258 passageiros e 800 tripulantes.

Sobre o navio podemos dizer que as suas instalações para passageiros são dotadas do que de melhor existe na indústria dos cruzeiros. As suas áreas publicas oferecem um requintado luxo, numa atmosfera descontraída e sem os formalismos de outras companhias deste segmento “premium”, sendo por isso um navio com muita popularidade junto dos aficionados da Oceania Cruises.

  O outro ilustre visitante será o  KONINGSDAM, o novo navio almirante da operadora Holland America Line. 

Esta sua segunda  paragem na nossa cidade é a primeira de um cruzeiro de 12 noites e que leva este já famoso paquete desde Fort Laudardale, porto base da companhia durante o Inverno, até ao porto italiano de Civitavecchia, incluindo igualmente no seu trajeto escalas  em Málaga e Alicante.

Inaugurado em 2016, foi construido nos estaleiros italianos de Fincantieri em Marghera, tendo sido madrinha a rainha Máxima da Holanda. Como dimensões possui 296 metros de comprimento e uma boca de 35 metros. Em ocupação normal transporta 2.650 passageiros que poderão chegar aos 3.375 em capacidade máxima, sendo a sua tripulação composta por 730 elementos. Possui 99.836 toneladas de arqueação bruta.

Tal como os restantes navios da companhia a sua decoração é muito sóbria, onde impera os tons cinza e marrom.  Os arquitectos  e os designers de interiores preocuparam-se em transmitir ao navio um conceito musical muito distinto, baptizando alguns dos seus decks com nomes de famosos compositores de outrora como Bethoven, Mozart e Gershwin. 

O seu atrium, de 3 andares, foi concebido com um tecto iluminado a imitar o céu, onde se pode apreciar o movimento das nuvens à deriva, numa atmosfera esplendorosa. Em suma um extraordinário navio de cruzeiros que tem merecido dos críticos da especialidade os melhores elogios.

No dia 10  teremos o regresso ao terminal de cruzeiros das portas do Mar do AIDAdiva da operadora alemã Aida Cruises.

Esta sua passagem por Ponta Delgada faz parte de um itinerário de 13 noites, iniciado La Romana, na República Dominicana, onde o navio passou a temporada de inverno e tem como destino final a ilha de Gran Canária.

Construido em 2007 nos famosos estaleiros alemães de Meyer Werft, em Papenburg, o AIDAdiva possui 69.303 toneladas de arqueação bruta, apresentando como dimensões 249 metros de comprimento e 32,2 metros de boca. Tem capacidade para alojar 2.030 passageiros em ocupação normal, sendo a sua tripulação constituída por  634 elementos

Tal como os restantes navios da classe Sphinx, desta jovem operadora alemã, todos os seus interiores foram pensados para o mercado germânico, onde impera uma decoração muito moderna e apelativa, com tons muito agradáveis e aonde houve o cuidado de oferecer aos passageiros espaços convidativos, mas muito distintos uns dos outros, acabando assim por serem capazes de agradar a todos. 

Como curiosidade refira-se que, tal como na maioria dos navios da AIDA, existe uma verdadeira fábrica de cervejas que disponibiliza 3 cervejas distintas, tendo a particularidade da água usada ser água do mar que depois é devidamente tratada.

 

3 cruzeiros no dia 13

 

Para o dia 13 teremos em Ponta Delgada a presença de três navios de cruzeiros. 

Destaque natural para o regresso do BRILLIANCE of the SEAS, da Royal Caribbean. 

A sua escala no terminal de cruzeiros das Portas do Mar está inserida num roteiro transatlântico de 15 noites, entre as cidades de Tampa, na Florida, e Amesterdão, na Holanda, onde o navio ficará posicionado para a temporada de verão na Europa.

Construido nos estaleiros alemães de Meyer Werft, em Papenbourg, em 2002, foi o segundo navio da aclamada classe Radiance, 

O BRILLIANCE of the SEAS tem 90.090 toneladas de arqueação bruta. Possui 293,2 metros de comprimento, 32,2 metros de boca e um calado de 8,4 metros.  Em ocupação normal o navio tem capacidade de alojar 2.100 passageiros, sendo a sua tripulação composta por 858 elementos.

Outro dos navios que nesse dia estará em Ponta Delgada será o navio de cruzeiros à vela STAR FLEYER, da famosa operadora Star Clippers, que nos últimos anos tem sempre escalado Ponta Delgada no âmbito dos seus itinerários transatlânticos com destino ao Mediterrâneo e ilhas gregas aonde irá operar durante a época de Verão na Europa.

Construido em 1990 nos estaleiros de Langerbrugge, na Bélgica, este elegante veleiro desloca 2.298 toneladas de arqueação bruta. Possui 111,5 metros de comprimento. 14,8 metros de boca e um calado de 5,5 metros, A sua área de velas  é de cerca de 3.600 metros quadrados  podendo atingir uma velocidade de 16 nós. Pode transportar até 180 passageiros sendo a sua tripulação composta por 58 elementos.

O terceiro navio a estar nesse dia em Ponta Delgada é o MIDNATSOL, que volta novamente a passar por Ponta Delgada no âmbito de um segundo cruzeiro de 14 noites, iniciado igualmente em Lisboa no dia 10, e que contempla igualmente escalas no dia 13 na cidade da Horta e 14 na cidade de Angra do Heroísmo, segundo-se escalas na Madeira, Porto Santo, Santa Cruz de Tenerife e La Gomera nas Canárias, terminando este segundo itinerário no dia 24 em Lisboa.

 

Exclusivo Azores Cruise Club/Diário dos Açores

A Páscoa em Ponta Delgada há 100 anos

da 100 anos 2Há 100 anos, a Páscoa em Ponta Delgada era assinalada com uma procissão da Ressurreição, acompanhada pela banda “União Fraternal”, seguida de festa de Páscoa, na Igreja de S. José, com sermão pelo padre António Furtado de Mendonça, vigário do Pico da Pedra.

Era assim que o “Diário dos Açores” noticiava o dia pascal, assinalando ainda, na Matriz, mas a horas diferentes, uma outra procissão da Ressurreição, acompanhada pela banda “Lira Açoreana”, seguindo-se a missa da festa com sermão pelo padre António do Presépio Moniz.

 

Espectáculo no Coliseu Avenida

 

Nesta data assinalava-se ainda nas páginas deste jornal “um espectáculo de Páscoa dedicado ao público desta cidade”, no Coliseu Avenida.

Na publicidade comercial ficava-se a saber que muitas casas comerciais de Ponta Delgada tinham importado de França “amêndoas finas” de 22 qualidades (“torrada e crua, só com assucar”), mas também com origem da Ribeira Grande, “com gosto a laranja, rosa, peppermint e limão”, tudo  a 1$100 o kilo, na Casa Havaneza.

 

Amêndoas de Vila Franca

 

Uma outra local dava conta de que, em Vila Franca do Campo, “fazem-se amêndoas de chocolate com a máxima perfeição. Recebem-se encomendas na mercearia do Sr. Manuel de Medeiros Quental”.

A famosa mercearia Domingos Dias Machado, na Rua do Conselheiro Hintze Ribeiro, anunciava que vendia queijo de S. Jorge a 40 centavos o quilo, ao mesmo tempo que o Ateneu Comercial de Ponta Delgada dava conta de um sarau-literário no Sábado de Aleluia, onde exortava os sócios de que “podem apresentar não só pessoas extranhas à ilha, mas ainda os filhos dos sócios e senhoras de família”, avisando que a “toilete é de passeio”.

Por seu turno, a Casa Oriental anunciava que na Sexta-feira Santa tinha recebido “no último vapor Funchal, para o Verão”, uma variedade de “chapeus elegantemente confeccionados, sedas de fantazia, chiffons, tulles, rendas, chapeus de palha para meninos e meninas”.

No meio de tudo isto, em primeira página, o “Diário dos Açores” noticiava que “têm aparecido, dirigidas a várias pessoas dos Ginetes, cartas falsas, isto é, escritas em nome de diferentes cavalheiros. Entregam-se a este divertimento de mau gosto, impróprio de gente honesta, algumas pessoas d’aquela mesma freguesia, cujo procedimento, por si só as qualifica.

Consta que vão recorrer aos tribunais, as pessoas a quem estas cartas interessam”.

 

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Queda em Janeiro de 13% nas dormidas e de 14% nos hóspedes

grafico turismo ruralNo mês de Janeiro, se a taxa de resposta fosse semelhante à do período homólogo, as dormidas no sector do Turismo Rural seriam aproximadamente 594 e os hóspedes 162 – diminuições de 13% e 14,3%, respectivamente, face ao mesmo mês de 2017, no qual se verificaram 683 dormidas e 189 hóspedes, revelou ontem o SREA.

Durante o mês de Janeiro a taxa líquida de ocupação-cama (TLOC) foi de 2,3%, abaixo do valor registado no mesmo período de 2017 (2,9%). 

A estada média (EM) foi de 3,7, o que compara com 3,6 em período homólogo. 

No trimestre que acabou em Dezembro de 2017 registaram-se 4 622 dormidas, correspondendo a 1 348 hóspedes, o que compara com 4 055 dormidas e 1 019 hóspedes em período homólogo (crescimentos de 14,0% e 32,3%, respectivamente). 

 

Hotelaria Tradicional com aumento de 9% (Estimativa)

 

Com base no modelo econométrico desenvolvido pelo SREA e na informação disponível até à data, nomeadamente a evolução do número de passageiros aéreos desembarcados e o valor dos levantamentos em caixas multibanco, estima-se que o número de dormidas na Hotelaria Tradicional dos Açores durante o mês de Fevereiro terá sido de 80 mil.

Comparando com o valor divulgado para Fevereiro de 2017, esse valor reflecte um aumento de 9% em termos homólogos. 

“Passar a Páscoa na Terra Santa é uma experiência única, indescritível e indizível”

Jacinto Alberto de Meneses Bento Já vão em 31 as peregrinações orientadas pelo Padre Jacinto Alberto de Meneses Bento à Terra Santa. A 27 de Fevereiro de 2017, foi investido Cónego do Santo Sepulcro de Jerusalém.

 

Jacinto Bento já viveu a Páscoa, precisamente no local onde tudo aconteceu há mais de dois mil e hoje conta ao Diário dos Açores como foi esta experiência.

 

Diário dos Açores - Como é passar a Páscoa na Terra Santa?

Jacinto Bento - Passar a Páscoa na Terra Santa é uma experiência única, indescritível e indizível, que escapa às palavras humanas, muito limitadas para relatar o acontecimento. Tive esta experiência na Páscoa de 2013, quando a Páscoa cristã coincidiu com a Páscoa judaica. Nessa ocasião, estive na Terra Santa entre 24 de Março e 3 de Abril de 2013.

Dessa vez, fui sozinho para a Terra Santa com o objectivo de meditar, contemplar, viver e comunicar vivências do ‘Memorial dos Últimos Passos do Senhor em Jerusalém’, e participar nas concelebrações e procissões da Semana Santa, nos diversos Santuários relacionados com a Paixão-Morte-Ressureição de Cristo.

Cheguei a Jerusalém na madrugada de Domingo de Ramos (24 de Março), entrei na Cidade Velha pela ‘Porta Nova’, que dá acesso ao Bairro Cristão, ornamentada com palmeiras, onde tinha tido início, pelas 06h30, a Procissão de Ramos dos Latino-Católicos até à Basílica do Santo Sepulcro, para onde me dirigi a fim de participar na celebração da Paixão e Morte do Senhor. As cinco Igrejas que têm o condomínio do Santo Sepulcro celebravam os seus ritos ao mesmo tempo, nos seus próprios espaços, de acordo com o “Status Quo”: greco-ortodoxos (Katholikum, em frente à Edícula), arménio-ortodoxos (mosteiro, junto à Pedra das Três Marias), latino-católicos (Capela de Santa Maria Madalena), as celebrações estavam a ser presididas pelos respectivos patriarcas (existem três patriarcas em Jerusalém). Os siro-ortodoxos e coptas celebravam nas suas respectivas capelas, as únicas que possuem na Basílica, com celebrações presididas pelos respectivos bispos. Em dias solenes como este, cada Igreja entra e sai em procissão solene no Santo Sepulcro, em horários diferentes, com o respectivo patriarca ou bispo, clérigos e guardas próprios, com farda de gala para estes dias. De recordar que a guarda dos latino-católicos ainda usa a farda que vem do tempo dos turcos otomanos. Participei nas cinco celebrações, mas, como é óbvio, só em parte. Não obstante as diferenças doutrinais e rituais que historicamente em concílios dividiram estas comunidades cristãs que partilham o Santo Sepulcro, inferi que nas suas celebrações existe unidade na diversidade, quer pela beleza de forma, quer pela profundidade e espiritualidade dos diferentes ritos.

Depois da participação nas celebrações matutinas na Basílica, fiz um frugal almoço no Souk. Os souks exalam cheiros muito fortes, difíceis de distinguir, paladares muito diversos e muita música árabe anima os transeuntes. Imediatamente a seguir ao almoço, subi o Monte das Oliveiras, onde encontrei um conhecido jovem casal cristão palestiniano de Jerusalém, com os filhos, que me fez companhia até Betfagé (fica ainda dentro do ‘muro de segurança’, por isso parte integrante de Jerusalém oriental), onde teve lugar a bênção dos ramos, pelas 16h30, num toldo no adro da Igreja Franciscana de Betfagé, seguida de Procissão até à Igreja de Santa Ana. De acordo com os sinóticos e a tradição, a procissão seguiu os passos que Cristo percorreu há dois mil anos, passando pela Eleona (Pater Noster), Dominus Flevit, Getsémani, atravessou a Estrada de Jericó e entrou pela ‘Porta dos Leões’, porque a ‘Porta do Messias’, por onde Cristo entrou, está fechada a pedra e cal. Os fiéis que participaram na procissão foram calculados, pela polícia de Israel, em mais de trinta e cinco mil. Terminou na Praça do Convento e Seminário dos Padres Brancos, em Santa Ana, onde o Patriarca Latino, sua Beatitude Fouad Twal, deu a bênção com o “Santo Lenho”; de seguida, os jovens fizeram o seu animado festival, como se faz em todo o mundo católico.

Na procissão que durou aproximadamente três horas, participaram povos de muitas nações, hasteando, além das enormes palmas, os seus próprios estandartes e bandeiras. Incorporaram-se as mais diversas irmandades, bandas, instrumentos diversos, congregações e ordens religiosas, franciscanos, bispos, sacerdotes, diáconos, o Núncio Apostólico na Terra Santa e o Patriarca Latino, que benzeu os ramos e presidiu à procissão. Por incrível que pareça, esta multidão quase toda jovem (alunos de escolas católicas) que encheu as ruas de Jerusalém era ordeira, mas caminhou sempre sob o olhar bem atento das forças de segurança de Israel, com helicópteros policiais que sobrevoaram todo o percurso e carrinhas em todas as ruas e vielas. O povo caminhava liderado pelos seus animadores distribuídos por todo o cortejo, padres e leigos com altifalantes e megafones de alta tecnologia, demonstrando a sua fé com o “Lauda Jerusalem Dominum”, “Christus Vincit”, entre outros.

 

Como adjectiva esta experiência?

JB - É muito difícil adjectivar esta experiência colectiva de fé, que em alguns casos chegava à euforia; deve ser única em todo o mundo católico, misturam-se a alegria, a exultação, o júbilo, a festa, a oração, os cantos e a dança, os gritos, as lágrimas, a emoção e a fé que atingiu o seu ponto culminante no cimo do Monte das Oliveiras, onde se divisa toda a Cidade, quando o jovem sacerdote, Pe. George Ayoub, Chanceler do Patriarcado Latino, exortou a multidão de fiéis à conversão da mente e do coração e à contemplação de Jerusalém, sobre a qual Jesus há dois mil anos tinha chorado. A cidade estava completamente iluminada pela luz dos raios de sol, que a tornavam brilhante como o rosto de Cristo transfigurado no Tabor. Esta luz dava à cidade um tom completamente dourado, conferindo-lhe o título bem merecido de “Golden City”.

Do cimo do Monte das Oliveiras, avistam-se todos os santuários evocativos dos últimos passos de Cristo: Cenáculo, Getsémani, São Pedro in Galicantu, Santo Sepulcro. Durante todo o percurso, os carrilhões das muitas igrejas da cidade sempre tocaram, dando um tom ainda mais solene ao acontecimento. Este evento também trouxe à rua muitos fiéis muçulmanos (não só para fazerem negócio, mas também por curiosidade, como há dois mil anos) e judeus, bem como fiéis de outras denominações. 

Na Segunda-feira Santa (25 de Março), houve celebrações eucarísticas na capela franciscana da Quinta Estação da Via-sacra, que faz memória do encontro de Jesus com Simão de Cirene. Pelas 06h00, no Calvário, celebrou-se missa paroquial em árabe e às 07h00 no Santo Sepulcro. Às 16h00, fez-se a procissão dentro da Basílica, como acontece diariamente, com visita aos catorze sítios relacionados com a Paixão de Cristo: Altar do Santíssimo Sacramento, Coluna da Flagelação, Capela da Prisão de Cristo, Altar da Divisão das Vestes, Capela da Invenção da Santa Cruz, Capela de Santa Helena, Capela dos Impropérios, Capelas do Calvário, Altar de Nossa Senhora das Dores, Pedra da Unção, Santo sepulcro, Altar da Aparição a Maria Madalena e Capela da Aparição de Jesus a Sua Mãe.

Na Terça-feira Santa (26 de Março), pelas 07h00, missa solene no Santo Sepulcro, 08h00 missa Solene no Santuário da Flagelação com cânticos alusivos à Paixão; 16h00, procissão diária. 

Visitei o Muro das Lamentações (Kotel), por ser o primeiro dia da Páscoa dos judeus, para contemplar a grande multidão de judeus ortodoxos, do Estado de Israel e da diáspora, que vieram para orar piedosamente, no primeiro dia da ‘Pessach’ e certamente também para dar cumprimento ao “Shemá Israel Adonai elohenu Adonai Ehad” (Dt. 6, 4). O Muro das Lamentações é o local mais sagrado do judaísmo, o foco da oração judaica. Foi o centro das atenções e memórias dos judeus por mais de 2000 anos. O único fragmento do Segundo Templo que sobreviveu à destruição de Tito no ano 70 d. C. De acordo com a fé judaica, a presença Divina nunca se ausentou do Muro. Foi construído por Herodes, o Grande, para suportar o lado oeste do Monte do Templo; também é conhecido como o Muro Oeste e, em hebraico, HaKotel HáMa’aravit. Por ser a estrutura mais sagrada do Povo Judeu e uma zona, sob o ponto de vista religioso, muito sensível, para o seu acesso existem algumas medidas de segurança. 

Na Quarta-feira Santa (27 de Março), pelas 07h00, missa Solene no Santo Sepulcro, com cânticos alusivos à Paixão, seguindo-se a procissão diária e pela mesma hora houve missa na Basílica da Agonia no Getsémani, com cânticos alusivos à Paixão, pelas 9h00; veneração da coluna da Flagelação ao longo do dia na capela do Santíssimo Sacramento, na Basílica do Santo Sepulcro; 15h00 Liturgia das Horas na Basílica.

Estive quase todo o dia na Basílica do Santo Sepulcro, contemplando mais de perto os últimos passos do Senhor, mais propriamente na Capela Franciscana do Santíssimo Sacramento, também conhecida pela Capela da Aparição de Jesus Ressuscitado a Sua Mãe, onde se venera, em Quarta-feira Santa, a Coluna da Flagelação de Jesus. Esta é uma das capelas dos católicos, representados no Santo Sepulcro pelos franciscanos; as outras Igrejas também têm as suas próprias capelas, muito embora a Edícula, construída sobre o sepulcro, seja propriedade de todos. Ao redor da Edícula, foi erguida uma cúpula, chamada ‘Anástase’ (“ressurreição”, em grego).

Quinta-Feira Santa (27 de Março) iniciou-se o Mistério Pascal com a missa da instituição da Eucaristia, do Sacerdócio e do Mandamento Novo, com a entrada solene do Patriarca Fouad Twal, pelas 07h30. Iniciou-se a procissão de entrada até ao espaço da celebração que é bastante exíguo, entre a Edícula e o Coro dos gregos (Katholikon). As celebrações neste espaço só acontecem em determinados tempos litúrgicos, dias e horas, de acordo com o Status Quo, entre eles o Tríduo Pascal. 

Durante o Tríduo, os latino-católicos celebram de manhã. O altar de prata foi colocado em frente à porta de entrada do Sepulcro e a Cátedra do lado de fora da porta do Coro dos greco-ortodoxos. O Patriarca presidiu à Eucaristia concelebrada por seis bispos, cento e cinquenta padres, com a assistência do mestre-de-cerimónias e de alguns diáconos, com a participação dos franciscanos, religiosas, seminaristas e muitos leigos. A missa foi celebrada em latim, só a homilia foi proferida em francês. Seguiu-se o lava-pés, renovação das promessas sacerdotais, bênção dos óleos dos enfermos e dos catecúmenos e consagração do crisma. Por não haver missa crismal, a renovação das promessas e a bênção dos óleos fazem-se na mesma celebração da instituição da Eucaristia, do Sacerdócio e do Mandamento Novo. Após o pontifical, teve lugar uma soleníssima procissão de trasladação do Santíssimo Sacramento para o Santo Sepulcro. A procissão deu três voltas à Edícula pela Rotunda/Anástase. Seguindo-se, durante todo o dia, adoração eucarística com solene liturgia das horas. À hora prevista, fechou-se a porta da Basílica, mas trinta fiéis, aproximadamente, foram autorizados a permanecer em vigília noturna. 

No Cenáculo, um templo cruzado, mas que por vicissitudes históricas só pode ser visitado, oficialmente, duas vezes ao ano pelos franciscanos, Quinta-feira Santa e Pentecostes, também se celebra a Semana Santa. Às 15h30, iniciou-se a celebração da palavra, porque não se pode celebrar a Eucaristia naquele local tão significativo para todos os cristãos. A liturgia, presidida pelo Custódio, teve o lava-pés, com leituras, salmos, antífonas e cantos adequados ao dia e local. Após a celebração, fez-se uma procissão até à Catedral dos arménio-ortodoxos e dos sírio-ortodoxos, dadas as boas relações com estas igrejas, pelas ruas da Cidade Velha de Jerusalém.

Na Basílica do Getsémani, uma das maiores da Terra Santa, pelas nove horas da noite, houve outra soleníssima liturgia da palavra também presidida pelo Custódio da Terra Santa. A Basílica de António Barluzzi, o arquitecto da Terra Santa, foi muito pequena para acolher a quantidade de fiéis que participaram. A celebração fez memória do que aconteceu ali, há dois mil anos, oração, agonia e prisão de Jesus. Depois do cortejo de entrada, o presidente colocou pétalas vermelhas sobre a rocha (em frente ao altar) que guarda a memória da oração de Jesus e onde, segundo o Evangelho (Lc 22,44) e a tradição, Jesus suou sangue. 

As leituras foram todas cantadas em diferentes línguas, com salmos e orações. No fim da celebração, fez-se uma enorme procissão com archotes e velas acesos até São Pedro in Galicantu, onde se localizava o palácio de Caifás, passando pela torrente do Cédron. O dia foi muito longo, foram três celebrações distintas, em lugares distintos, mas todas elas fizeram parte do mesmo e único mistério salvífico, onde se renova e aprofunda o encontro com o Cristo da História e da Fé. Foram experiências e vivências de fé únicas, raras e indiscritíveis nesse ano da fé ‘nos passos de Cristo’.

Na Sexta-feira Santa (29 de Março), “segundo uma antiquíssima tradição, a Igreja não celebra os sagrados mistérios”, mas consagra-lhe um especial Rito Comemorativo, que compreende três partes bem distintas: a Liturgia da Palavra, Adoração da Cruz e a Comunhão Eucarística. Todas as celebrações desse dia foram seguidas por grandes multidões de fiéis em profundo silêncio.

No Gólgota, pelas oito horas da manhã, o Patriarca presidiu à Celebração da Paixão e Morte do Senhor; não foram distribuídas credenciais de entrada para este dia, porque o espaço é muito pequeno. Ao entrar-se na Igreja, logo ao lado direito da porta, uma escada leva ao Calvário. O espaço é dividido por duas grandes colunas, o lado direito está confiado aos latinos-católicos, onde se encontra o altar que recorda a descida da Cruz e outro pequeno altar de Nossa Senhora das Dores, oferecida pela Rainha Portuguesa D. Maria I, em 1778. O lado esquerdo pertence aos greco-ortodoxos, onde está o altar no local em que se ergueu a Cruz, ao lado do qual se pode ver a fenda da rocha que, segundo os Evangelhos e a tradição, foi provocada pelo terramoto. 

Às 11h30, como de costume, junto aos santuários da Flagelação e Condenação, muitos grupos de peregrinos evocam e celebram estes momentos da Paixão do Senhor, na Via-Sacra. Só consegui integrá-la a partir da Oitava Estação. Participei na Nona Estação, junto à Igreja Luterana do Redentor e segui, imediatamente, para o Gólgota, embora com muita dificuldade, porque a multidão tentava passar a segurança que era muito apertada. Consegui lugar na capela dos gregos, de onde pude participar nas três estações seguintes, que são feitas no Calvário. Depois, desci até à Pedra da Unção, onde se fez a Décima Terceira Estação, a Décima Quarta e Décima Quinta foram feitas dentro da Edícula. 

 

Estar nestes lugares, precisamente na Páscoa deve ser muito emocionante…

JB - Sem dúvida que a via dolorosa é sempre, mas sobretudo neste dia, um lugar muito emocionante, de grande devoção popular, piedade e fortalecimento da fé, não só para os fiéis da Igreja Mãe de Jerusalém, mas também para os muitos peregrinos que vieram de perto ou de longe associar-se à contemplação do memorial dos últimos passos de Cristo.

Às 16h00 foi a Liturgia das Horas e às 20h00 a Procissão da Paixão/Enterro; cheguei ao Gólgota duas horas antes, onde umas piedosas peregrinas dos Estados Unidos me ofereceram um lugar que me permitiu contemplar os últimos passos de Cristo, ainda mais de perto. A procissão foi de grande solenidade, presidida pelo Custódio, com Mitra, Cruz Peitoral e Anel, ele e os assistentes, revestidos de ricos paramentos negros. O cortejo, depois de ter percorrido as diversas capelas evocativas dos últimos passos de Cristo, subiu ao Calvário, substituindo o ícone ortodoxo pela Cruz de Cristo, onde se evocou a crucifixão, a morte e a descida da Cruz. Tiraram os cravos com um martelo e deram a bênção com eles aos fiéis. Depois colocaram o crucificado num lençol e levaram-no até à pedra da unção onde foi ungido, como há dois mil anos. Finalmente, o Senhor foi depositado no Sepulcro e fechada a porta.

A atmosfera vivida dentro da Basílica era muito pesada e de grande silêncio. Nunca vira, anteriormente, dentro daquele espaço, tamanha multidão que teimava em permanecer no seu interior; a multidão teve mesmo de ser forçada a sair pelos guardas, porque o horário do encerramento da igreja já tinha sido ultrapassado, em muito. Nunca vira uma coisa assim. Foi impressionante.

No Sábado Santo (30 de Março), o Patriarca entrou solenemente na Basílica pelas 7h30, para celebrar a mãe de todas as vigílias. Paramentou-se na capela dos franciscanos e seguiu com os outros bispos, os presbíteros, franciscanos e outros clérigos e religiosos até à porta da Basílica, já encerrada, para benzer o fogo e nele acender o círio pascal. Depois fomos em procissão até ao espaço da celebração, entre a Edícula e o Coro Grego. 

Um dado curioso é que o Sepulcro ainda estava fechado. Sua Beatitude presidiu à celebração, com mais dois bispos, cento e cinquenta padres, assistido pelo seu mestre-de-cerimónias e alguns diáconos, com a participação de muitos franciscanos, religiosas, seminaristas e leigos. 

A celebração foi toda em latim, quase toda cantada, nomeadamente, o Precónio, as sete leituras do Antigo Testamento com os salmos, a Epístola, o Evangelho, o prefácio e as orações. 

Outros dados curiosos nesta Eucaristia: o Evangeliário saiu, solenemente, do Santo Sepulcro, (não sei exactamente quando teria sido aberta a porta) e o Patriarca é que proclamou sempre o Evangelho. Não houve homília e a bênção da água baptismal fez-se do lado direito da Edícula. Seguiu-se a oração dos fiéis e a liturgia eucarística. No fim, o Patriarca deu a bênção solene. 

No dia de Páscoa (31 de Março), como nos dias anteriores, de manhã muito cedo, dirigi-me ao Santo Sepulcro; não me dei conta de que a celebração do dia de Páscoa era mais tarde, pelas 9h45, mas aproveitei o tempo livre para contemplar a grandeza, a austeridade, o significado e as memórias que a Basílica guarda, sobretudo do Sepulcro vazio. O Patriarca Fouad entrou solenemente na Basílica, com mais dois bispos, o cabido, o clero, diáconos, seminaristas e a guarda dos latinos, que nestes dias enverga trajes que remontam aos militares otomanos, como referi, a baterem com as ‘massas’ no chão para afastarem a multidão que se apinha. Sua Beatitude foi recebido à porta da Basílica, pelos franciscanos, com a cruz patriarcal e água benta. Depois, dirigiu-se para a capela dos franciscanos onde se paramentou. 

Seguiu-se a procissão de entrada para o mesmo espaço litúrgico dos dias anteriores (entre a Edícula e o Coro dos gregos). A Eucaristia Solene da Ressurreição do Senhor, “Ressurrexit Sicut Dixit, Alleluia”, foi presidida pelo Patriarca, concelebrada por mais dois bispos e, só, por vinte e sete presbíteros, porque uma boa parte do espaço reservado aos padres nos dias anteriores estava ocupado por entidades religiosas (outras Igrejas) e civis. Felizmente, por especial privilégio e por graça de Deus, eu estava incluído nos concelebrantes.

Embora toda a celebração tenha sido cantada em latim, a homilia foi proferida em francês. Primeiramente, Mons. Fouad desejou ‘ Santa Páscoa para todos’ e referiu que a ‘Ressurreição é o centro da fé cristã’. Depois, disse que a ‘peregrinação a este lugar é uma ocasião de reencontro pessoal e incarnado com Jesus. Neste sentido, os cristãos da Terra Santa são a memória colectiva viva da história de Jesus. Mas, ao mesmo tempo, eles têm necessidade dos outros fiéis, das suas orações, da sua solidariedade; a presença dos peregrinos é, de facto, um verdadeiro testemunho de fé e de comunhão com a nossa Igreja do Calvário’. 

Mencionou que ‘viver no Médio Oriente como cristão não é uma escolha, mas uma vocação. É preciso passar pela cruz para conhecer a Ressurreição. A cruz faz-nos muitas vezes medo, pois ela parece ser a negação da vida. Na realidade é o contrário! Ela é o “sim” de Deus ao homem, a expressão extrema do seu amor e a fonte de onde nasce a vida. Pois do coração aberto de Jesus na cruz brotou esta vida divina’.

Imediatamente a seguir à Missa, fez-se a procissão com três voltas à Rotunda/Anástase e cantou-se, solenemente, três textos em latim, alusivos à Ressurreição, os últimos junto à pedra da unção. A procissão terminou na Capela do Santíssimo Sacramento, onde o Patriarca fez mais orações, deu bênçãos e cumprimentou todas as entidades presentes, civis e religiosas.

Após a Missa, que durou mais de três horas - os cristãos do Oriente não olham ao tempo das celebrações, como nós no Ocidente -, fui almoçar com uma família amiga, com quem passei o resto do domingo de Páscoa.

Os dias da Oitava da Páscoa, passei-os a visitar algumas cidades de Israel e Palestina na companhia de três portugueses.

Celebrar a Páscoa em Jerusalém, nos lugares, nos dias, e nas horas que tiveram lugar os eventos da Paixão-Morte-Ressurreição, com as leituras, cânticos, orações e antífonas que Jesus pronunciou, faz-nos recuar dois milhares de anos, por onde se entra no tempo e no espaço de Cristo, de Nossa Senhora, dos Apóstolos e da Comunidade Primitiva que encontramos, hoje, bem viva, na Igreja Mãe de Jerusalém, que prolongou ao longo do tempo e do espaço a comunidade que pertenceu Jesus, como uma torrente da mais pura água.

Por: Olivéria Santos

 

Dívida bruta dos Açores aumenta para cerca de 1,7 mil milhões de euros

quadro deficeA dívida bruta da administração pública dos Açores tem vindo a aumentar de ano para ano, segundo revelou ontem o SREA, situando-se perto dos 1,7 mil milhões de euros em 2017.

Em 2013 a dívida bruta açoriana era de 1,2 mil milhões, em 2014 de 1,4 mil milhões, em 2015 passou para perto dos 1,5 mil milhões, aumentando para cerca de 1,6 mil milhões em 2016. 

No quadro disponibilizado pelo SREA pode verificar-se que em 2017, a necessidade líquida de financiamento da Região foi de 57.036 mil euros.

O rácio da necessidade líquida de financiamento sobre o PIB foi de (-1,4%) em 2017, inferior ao verificado em 2016 (-1,6%), sendo inferior a 2% em cada um dos últimos cinco anos apresentados.

Assim passou de (-2,2%) em 2012 para (-1,4%) em 2017.

A necessidade de financiamento do país correspondeu a (-3,0%) do PIB, segundo INE.

O total da Dívida Bruta da Administração Pública da RAA, englobando o Governo Regional e as empresas públicas incluídas no perímetro da Administração Pública, foi de 1.690,4 milhões de euros, 41,6% do PIB.

A Dívida Bruta do país, segundo o BdP, correspondeu a 125,7% do PIB. 

O INE enviou ontem para o Eurostat e divulgou no seu portal, a primeira notificação de 2018 relativa ao Procedimento dos Défices Excessivos, onde inclui a informação do Défice e da Dívida relativa aos Açores, apresentada pelo SREA e validada pelas autoridades estatísticas nacionais.

Esta notificação, tal como as de 2017, obedece ao novo Sistema europeu de Contas 2010 (SEC 2010), que implicou um conjunto significativo de alterações metodológicas, em relação ao SEC95, e que se traduziram em revisões relevantes que já foram divulgadas em notificações anteriores, segundo explicação do SREA.

 

INE desmente Costa e César

 

António Costa tinha dito na Assembleia da República, secundado por Carlos César, que a Madeira iria prejudicar o défice de 2017. 

Em reação, o Presidente da Madeira, Miguel Albuquerque, disse que era exactamente o contrário, ficando a polémica no ar.

 O INE desmentiu ontem o primeiro-ministro com os números que publica sobre o défice excessivo.

De acordo com o jornal ECO, no final do debate quinzenal de 14 de Fevereiro, o primeiro-ministro acusou a Madeira de prejudicar o défice nacional. 

Na altura o Governo Regional recusou a ideia assegurando que “as contas públicas estão controladas”. 

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) desta segunda-feira confirmam essa tese: a Madeira apresentou um excedente de 85,2 milhões de euros, o que beneficiou o défice nacional. 

O ataque chegou pela voz do PS, mas continuou na intervenção do primeiro-ministro, lembra o ECO, com o presidente do PS, Carlos César, a afirmar que “a Madeira atingiu um défice de pelo menos sete vezes mais do que o dos Açores” em 2017, criticando “o único governo do PSD que resta em Portugal”. 

Algo que só teria sido compensado por causa da “prudente execução financeira do governo dos Açores e da maioria das autarquias locais”.

 

O défice da Madeira foi sete vezes superior ao dos Açores?

 

António Costa falou em “desagradável surpresa” e “consequências negativas” para o país, argumentando que o “desempenho orçamental do governo da Madeira penalizou em uma décima o défice do sector público administrativo”. O país “nada fica a dever” à Madeira no controlo do défice, garantiu o primeiro-ministro no Parlamento.

Contudo, os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) desmentem a tese do PS e de António Costa. Segundo os dados revelados esta segunda-feira, a Madeira registou um excedente orçamental de 85,2 milhões de euros. Este número é em contabilidade nacional, ou seja, na óptica de compromisso, a que interessa a Bruxelas e pela qual Portugal é avaliado pelas instituições internacionais.

A acusação de Carlos César, ex-presidente dos Açores e actual presidente do PS, não encaixa na realidade, uma vez que os números do INE revelam que os Açores registaram um défice e a Madeira um excedente.

Os dados mostram que os Açores mantiveram um défice, ainda que este tenha diminuído. A região registou um défice de 57 milhões de euros em 2017 — abaixo dos 62,7 milhões de euros registados em 2016 — em linha com os valores alcançados, pelo menos, nos últimos três anos.

Por outro lado, a Madeira continua a ser das entidades mais endividadas. 

E que essa dívida continuou a aumentar em 2017. 

A dívida bruta da Administração Regional da Madeira subiu 13,5 milhões de euros situando-se nos 4.866,3 milhões de euros.

Já a dívida dos Açores, apesar de também ter aumentado, é muito mais baixa: 1.690,4 milhões de euros.

Ontem, o Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que no ano passado o défice atingiu 5.709,4 milhões de euros, o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Este resultado, explica o INE, “inclui o impacto da operação de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), no montante de 3 944 milhões de euros, que determinou um agravamento da necessidade de financiamento das AP em 2,0% do PIB”.

A dívida bruta das Administrações Públicas terá atingido 125,7% do PIB, que em 2017 ultrapassou 193 mil milhões de euros. Sem a recapitalização da Caixa, o défice teria ficado em 0,92% do PIB, abaixo da estimativa de 1,1% do governo.