“O peso do funcionalismo público nos Açores é excessivo”

Gualter Furtado1

O Dr. Gualter Furtado apresentou, há poucos dias, uma análise muito bem elaborada sobre diversos aspectos económicos relacionados com os Açores e a ilha Terceira, que tiveram muita repercussão em várias ilhas. Do estudo, pode-se concluir, por exemplo, que a região está a caminhar exageradamente para a criação de emprego público, através da administração pública?

Pode-se discutir, e até aceito, que os resultados a que chegámos não estejam certos a 100% dada a multiplicidade de fontes a que tivemos de recorrer.

Mas uma coisa é certa: a tendência é correcta e está de acordo com o VAB estimado para o Sector Público. 

Um peso dos trabalhadores do Governo Regional, do Sector Empresarial Regional, das Câmaras e Empresas Municipais e Juntas de Freguesias no total da População Ativa dos Açores de 26%, com preponderância para Ilhas como o Faial (50,3%) e a Terceira (41,8%) parece-me excessivo, sobretudo se acrescentarmos um conjunto de Instituições Privadas a operar nos Açores que prestam serviços de natureza social e como tal são financiadas / dependentes do Orçamento Regional, e também os Serviços do Estado nos Açores (polícias, tribunais, etc) que não entraram para estes números e se entrassem iam aumentar ainda mais o peso  do Sector Público no emprego no Arquipélago. 

A explicação para o estado a que chegámos prende-se com a dispersão territorial dos Açores, um forte trabalho intensivo em sectores como a educação, a saúde e a segurança social, a utilização do setor público para diminuir o desemprego e principalmente a ausência de um sector privado forte.

 

O Presidente da Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo considera mesmo que o peso da função pública no emprego, sobretudo na Terceira, é um problema para a economia e para a democracia...

Realmente a Ilha Terceira é um caso de estudo que necessita de ser muito bem diagnosticado. 

Por outro lado, esta ilha não tem tido a hipótese de potencializar as excelentes infra-estruturas que dispõe como são os casos do seu Aeroporto e Porto da Praia da Vitória, já que estão muito condicionadas por compromissos estratégicos e político-militares que ultrapassam em muito a capacidade de decisão da Região. 

Tem uma dimensão de mercado reduzida, e um problema de demografia em envelhecimento e com um saldo natural negativo (diferença entre os nascimentos e os óbitos). 

Como se tudo isto não bastasse a sua Pecuária está pendente  de uma situação de monopólio do lado da Indústria. 

Este quadro não muito favorável não tem solução? Eu creio que sim, até porque neste novo ciclo de crescimento da economia açoriana com o Turismo, a Terceira tem muitas potencialidades e até pode duplicar os valores que está a ter neste momento. 

Num contexto de fomento de exportações e valorização do mercado interno dos Açores, a Terceira também pode desempenhar, a todos os níveis, um papel importante. 

Tem é de arregaçar as mangas com a energia e a resiliência que demonstraram aquando da reconstrução, a seguir ao terramoto que afectou a ilha Terceira em 1 de Janeiro de 1980. 

O potencial está lá, mas com um sector  privado a ganhar mais  espaço e autónomo.

 

Noutra ilha, no Pico, os números foram entendidos como sendo a ilha picoense a mais empreendedora, porque a administração pública tem menos peso, sendo mesmo a que tem menos empregos de função pública. Como explica isso?

A ilha do Pico também tem um problema grave de Demografia e que não pode ser ignorado. 

Mas mesmo com esta forte restrição tem sabido fazer o seu caminho no Turismo, onde apresentam empreendimentos privados de grande qualidade, mas também na Agricultura e na Vinha notam-se progressos e projectos novos. 

A ilha também é detentora da Majestosa Montanha e isto só por si é uma enorme vantagem comparativa com outros destinos e com estatuto de Marca Açores. 

Mas a ilha necessita também de melhores acessibilidades com o exterior, porque estou certo que a procura já o justifica. 

 

Pode-se extrair do seu estudo que os Açores têm um défice grande na iniciativa privada?

A iniciativa privada necessita de ganhar mais espaço nos Açores e isto é muito importante para a própria viabilidade da nossa Autonomia Democrática, já que com um sector privado maior e rentável, isto significa mais IRC e mesmo IRS. 

Esta minha convicção vai ganhar ainda mais importância nos Açores quando se fizer a consolidação/internalização das contas públicas em matéria de apuramento de resultados finais, já que quando começarem a contar os resultados do sector público empresarial para o saldo da Conta Regional, estes impostos vão fazer muita falta, atendendo a que esta consolidação pode significar défices. 

É verdade que a Lei das Finanças Públicas, os Impostos Indirectos e os Fundos Comunitários têm ajudado muito, mas isto não será suficiente e, depois, o centralismo não está morto, está é aparentemente adormecido. 

A Autonomia Política só se viabiliza e consolida com mais Autonomia Financeira.

 

Como vê o futuro, nesta área, sobretudo em ilhas mais pequenas e muito dependentes?

Em todas as Ilhas pequenas que estudei, uma das características comuns a todas elas, era precisamente um peso grande do sector público a todos os níveis. 

Enquanto estas ilhas não ganharem mercado e fixarem as populações, principalmente as mais jovens, vão continuar dependentes, a serem altamente subsidiadas, com elevados níveis de envelhecimento e a perder população. 

Só com políticas integradas, de alargamento do mercado interno, uma oferta diferenciada, boas acessibilidades e uma solidariedade inteligente podemos com sustentabilidade começar a inverter este ciclo.

 

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“Os administradores dos hospitais têm de sair das suas gaiolas douradas”

luis furtado ordem dos enfermeiros 3

 O Enf. Luís Furtado é o Presidente do Conselho Directivo Regional (CDR) da Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros e está a terminar o seu mandato. Numa altura em que a luta dos enfermeiros está na ordem do dia e o sistema regional de saúde é alvo de muitas críticas, de todos os quadrantes, ouvimos este responsável pelos enfermeiros na região, que traça um balanço geral da actividade do sector e analisa, com profundidade, a situação do nosso sistema de saúde na região.

 

Acabou de concluir três anos à frente da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, faltando ainda um ano para terminar o mandato. Têm sido difíceis estes últimos anos para o sector ou têm conseguido neste mandato concluir com êxito a caminhada a que se propuseram?

Muito haveria a dizer sobre as dificuldades que o sector atravessa. Estas resultam de inúmeros fatores e radicam ainda da conjuntura que decorreu dos anos negros de contraciclo económico que o País e a Região atravessaram, como consequência de uma violentíssima política austeridade imposta de fora, acomodada pela República, e que visou essencialmente o Estado e o cidadão. Resultam ainda do facto do Serviço Regional de Saúde dos Açores ser complexo, apesar da sua reduzida dimensão, com uma presença (infraestrutura e serviços) muito importante em todas as ilhas. As dificuldades resultam também do facto de cada vez mais se sentir necessário implementar um conjunto de medidas estruturais, reformas, se preferirmos, que irão visar o desenvolvimento contínuo do Serviço Regional de Saúde (essencialmente ao nível da estrutura de gestão e do funcionamento), preparando-o para uma trajetória de sustentabilidade de médio e longo prazo.

Independentemente das dificuldades encontradas, o balanço que faço deste mandato é extraordinariamente positivo, precisamente por termos cumprido os objetivos a que nos propusemos e termos levado a cabo um conjunto de iniciativas e de ações, onde se incluem as tomadas de posição públicas sobre diferentes matérias relacionadas com a regulação da profissão, com a defesa dos interesses dos enfermeiros e dos cidadãos, e que conferem, de certa forma, o cunho e a marca deste mandato.

Nós escolhemos, de facto, o caminho da proximidade. Este caminho foi feito com os enfermeiros e com os cidadãos. Muita da nossa intervenção visou a defesa do Serviço Regional de Saúde (SRS), da acessibilidade dos cidadãos açorianos a ele, assim como a consolidação da posição dos enfermeiros enquanto parte fundamental deste complexo sistema, mas também a expressão de uma forma de estar séria, preocupada e comprometida da Secção Regional dos Açores (SRA) da Ordem dos Enfermeiros (OE) em contribuir, ativamente, para o contínuo desenvolvimento do SRS.

Assumimos de forma convicta, clara, e sem medos, posições públicas que muitas vezes não agradaram às instituições de saúde. Não fomos brandos e essas instituições agora sabem que a SRA tem sempre uma palavra a dizer, gostem ou não disso.  

 

Mesmo assim, já disse que não se candidatava a um segundo mandato. Porquê?

De facto, não me recandidatarei. É preciso não esquecer que, no final de 2019, completarei oito anos no Conselho Diretivo Regional da SRA, primeiro como Tesoureiro (2012-2015) e depois como Presidente (2016-2019).

A decisão de não me recandidatar foi muito pessoal, apesar dos vários apelos à recandidatura, e assenta no facto de eu acreditar que a alternância é saudável para as instituições, mas também por em mim, e no seio da minha equipa, prevalecer um fortíssimo sentimento de dever cumprido. Esta certeza de que fizemos e, até final de 2019, continuaremos a fazer o melhor pelos enfermeiros, pelos cidadãos e pelo SRS, confere-nos uma serenidade para, no meu caso e no caso daqueles que comigo iniciaram esta caminhada em 2012, perceber que é tempo de deixar outros assumirem as rédeas da SRA. Se me perguntar se eu gostava que este projeto tivesse continuidade através de elementos da minha atual equipa num próximo mandato, afirmaria, com toda a certeza, que sim.

Este projeto nasceu de uma convicção. Tínhamos a certeza de que o nosso compromisso imediato e de proximidade teria de ser com os enfermeiros e com os cidadãos da Região Autónoma dos Açores (RAA), reconhecendo, justamente, a especificidade do exercício profissional e do sector da saúde num contexto marcado pela insularidade e pela descontinuidade territorial, preservando, como não poderia deixar de ser, todo o espaço para a natural colaboração com Lisboa, como de resto não poderia deixar de ser. Contudo, a palavra última, e soberana, é dos 2110 enfermeiros da RAA, que, independentemente de quem estiver a concorrer, eu espero que se mobilizem massivamente para o exercício do voto. 

 

Tem sido notória a união dos profissionais de saúde, especialmente os enfermeiros, nas suas reivindicações e nas críticas ao desempenho das tutelas e administrações. Como analisa a situação neste momento? Mantém-se tudo igual ou houve alguma evolução no sector da saúde na Região?

Aqui exige-se uma análise em duas perspetivas: uma relativa àquilo que são as reivindicações legítimas dos profissionais de saúde, e dos enfermeiros em particular, e uma outra, relativa àquilo que terá sido a evolução do sector da saúde na Região.

Relativamente à primeira questão, é clara e notória a efervescência que o sector da saúde vive. Isto resulta do impacto severo da política de austeridade a que o país foi sujeito, com cortes cegos em todos os sectores, sem qualquer resquício de sensibilidade social, sendo que a Região não escapou aos efeitos que esta política da República provocou. Simultaneamente abateu-se sobre os profissionais de saúde um fortíssimo sentimento de desmotivação. 

O caso dos enfermeiros é mais complexo, porque em causa está um desastre de carreira aprovado e publicado em 2009 e que nunca foi devidamente implementada. A carreira em vigor nem sequer previa o reconhecimento das especialidades clínicas em Enfermagem, o que é completamente inaceitável. Neste momento, e apesar de ter havido cedência naquilo que às categorias profissionais diz respeito (enfermeiro, enfermeiro especialista e enfermeiro gestor), não houve qualquer cedência em questões fundamentais como é o caso da grelha salarial que não reconhece a formação e a diferenciação dos enfermeiros entre os demais profissionais de saúde, remetendo-os para uma posição de “parente pobre”, mas também naquilo que é o reconhecimento da penosidade da profissão por via da antecipação da idade de reforma. Os enfermeiros não estarão capazes de aos 60, 61, 62... 66 anos, assegurar cuidados de Enfermagem com qualidade e segurança, o Estado tem de reconhecer isto, independentemente do peso que representa no orçamento.

No que se refere à evolução do sector da saúde na Região, julgo que é claro para todos que esta não foi uma legislatura de grande alterações, de reformas ou de medidas estruturais naquilo que à organização e ao funcionamento do SRS diz respeito. Dito isto, existe um conjunto de reformas importantes e necessárias que têm de ser implementadas, resultando esta consciência da minha percepção e análise, feitas ao longo destes sete anos e meio em que fui conhecendo com profundidade o SRS no exercício destes cargos. Um parte importante não será propriamente popular, mas visa preparar o SRS para uma trajectória de sustentabilidade de médio o longo prazo, aumentando mesmo a acessibilidade, a qualidade e a segurança dos cuidados de saúde prestados à população. E é aqui que o mais elevado sentido de responsabilidade terá de vir ao de cima em todos os implicados neste processo. Isto é, à governação, qualquer que seja o partido, exige-se a coragem, a determinação e a convicção de decidir e assumir as reformas, assim como a capacidade para sensibilizar e explicar à população a sua importância, a sua necessidade e as suas vantagens, mas, por outro lado, e não menos importante, também um elevado sentido de responsabilidade das oposições, secundando medidas importantes do Governo. Aqui também se incluem os municípios, que muitas vezes oferecem, em função de calendários e agendas próprias, resistências incompreensíveis face a importantes e necessárias medidas.

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A falta de enfermeiros nos Açores é grave ou está mais atenuada?

Em 2017, dando continuidade ao trabalho iniciado em 2015, a SRA entregou, numa iniciativa de cooperação com a Secretaria Regional da Saúde (SReS), cuja génese remonta à legislatura anterior, o cálculo da dotação de enfermeiros em todas as instituições do SRS. Importa dizer que este trabalho, único e pioneiro no país, permitiu que, pela primeira vez, e com recurso ao instrumento preconizado pela OE, se encontrasse o valor exato do défice de enfermeiros numa região em concreto. 

A SRA introduziu no espaço público regional a discussão sobre a escassez de enfermeiros nos Açores. Mantivemos um discurso coerente, sólido e sério, suportado em evidência. 

Este caminho, e esta forma de estar, deram frutos. A verdade é que nos últimos dois anos o Governo Regional dos Açores (GRA) contratou um número muito significativo de enfermeiros para os cuidados de saúde primários e para os cuidados hospitalares, situação que muito agrada a SRA e que vem, justamente, suportar o rigor dos números por nós apresentados e a seriedade do discurso que os acompanhou. Podemos dizer que nesta matéria existiu, de facto, uma convergência entre o GRA/SReS e a SRA.

Está o problema da falta de enfermeiros resolvido nos Açores? Não, evidentemente que não. É um esforço que a Região terá de continuar a empreender durantes os próximos anos, mantendo, naturalmente, também uma cadência constante que vise a substituição de ausências de longa duração e/ou aposentações. Temos ainda nota de serviços muito carenciados (a falta de enfermeiros é muito assimétrica entre unidades de saúde e, dentro destas, até mesmo entre serviços), pelo que já temos programadas visitas de acompanhamento do exercício profissional de modo a aferirmos, em concreto, da dimensão dos problemas.

 

Como têm sido as conversações com a tutela regional? O facto de o Diretor Regional da Saúde ser um enfermeiro, que já exerceu as funções de Presidente do Conselho Directivo Regional da Ordem dos Enfermeiros, tem facilitado?

A relação com a tutela, ao longo do mandato, tem sido essencialmente construtiva e leal. Não estamos sempre de acordo em todas as matérias, é público, mas esta discordância não tolda a visão de conjunto que importa ter e que visa o SRS como um todo. Tanto a SReS, como a SRA, na larga maioria das situações, têm conseguido encontrar pontos de convergência e entendimentos que visam, por um lado, a salvaguarda dos interesses dos utentes do SRS no que ao acesso a cuidados de Enfermagem diz respeito, e, por outro, a defesa dos interesses dos enfermeiros.

Relativamente ao facto do actual Diretor Regional da Saúde já ter exercido o cargo de Presidente do Conselho Directivo Regional da SRA, não vejo qualquer vantagem objectiva para a relação da SRA com a tutela (são papeis diferentes). Contudo, para o SRS admito a existência de claras vantagens. Desde logo, e do exercício destas funções nas estruturas de regulação profissional, emerge um profundo conhecimento de cada realidade concreta do SRS. Nós conhecemos todas as instituições de saúde, conhecemos a maioria das equipas (não necessariamente apenas as equipas de Enfermagem), tomamos o pulso e apropriamo-nos dos seus problemas, reconhecemos as oportunidades e circunstâncias específicas, entre outros aspectos. Por estes motivos, e como referi, a passagem prévia pelo cargo de Presidente do Conselho Directivo Regional desta Secção Regional, é, antes de mais, uma vantagem para a própria Direcção Regional da Saúde e para o SRS.

 

Tem feito duras críticas àquilo que chama “ausência de liderança” e “falta de compromisso” por parte das estruturas organizativas hospitalares da região. Mantém-se tudo na mesma?

Tenho tecido duras críticas aos Conselhos de Administração (CA) de muitas da organizações de saúde do SRS e não há qualquer motivo para neste momento não manter a posição. Há, efectivamente, ausência de liderança e falta de compromisso. Devo dizer que esta tutela teve muito azar com uma parte importante dos CA (existem algumas, poucas, excepções), incapazes de resolver problemas ou situações simples da vida diária das organizações. Uma parte importante desta incapacidade resulta do profundo desconhecimento do próprio funcionamento das organizações, mas também, e por incrível que pareça, por não conseguirem o necessário alcance daquilo que é a decisão, ou a não decisão, em matérias de funcionamento das organizações de saúde (decidir em saúde é diferente). Temo-nos visto forçados, por insuficiência de resposta dos CA, a remeter inúmeras matérias para a Inspecção Regional de Saúde (IReS), apenas para esta vir a confirmar, como várias vezes aconteceu, a posição da SRA. Eu questiono sobre qual a necessidade de sobrecarregar uma estrutura inspectiva, sem muitos recursos, com questões que seriam facilmente resolúveis pelos próprios CA se, primeiro, estes escolhessem existir ao invés de sobreviver, e, segundo, tivessem um compromisso efectivo com o funcionamento das organizações, procurando, no limite das suas possibilidades e competências próprias, soluções equilibradas e ajustadas.

Confronto-me frequentemente, com queixas dos CA relativas a falta de meios financeiros ou falta de autonomia na esfera de decisão. Para mim estas justificações não chegam! Muitas, e importantes, medidas que visam um melhor funcionamento, uma melhor fluidez e agilidade nos processos internos, uma comunicação efetiva com a estrutura organizacional, ou até mesmo o conhecimento da realidade em que se opera para decidir de forma ajustada, dispensam meios financeiros ou um incremento da autonomia de decisão que dizem não ter. Os membros dos CA têm de sair das suas gaiolas douradas. A isto chama-se visão, e ela é muito curta na maioria destes CA. Estou certo de que, havendo pessoas capazes à frente das instituições, com visão e conhecimento efectivo do contexto em que estão, uma parte importante dos problemas poderia ser sanada localmente, ao invés de se arrastar no tempo a incapacidade de resolução.

O arrastar dos problemas cria um desgaste tal à organização e aos profissionais a elas afectos que, mais cedo ou mais tarde, emergem sérias entropias ao normal funcionamento.  É só olhar para o exemplo do Hospital do Divino Espírito Santo EPER, o que era e aquilo em que se tornou. Hoje em dia está irreconhecível aos olhos de quem lá trabalha e aos olhos dos utentes que a esta instituição de saúde recorrem.

 

Como é possível, depois de tantos programas e de tantos milhões, ainda se manter uma longa lista de espera para cirurgias, casos como aqueles de doentes com alta mas a ocuparem camas nas enfermarias, etc, tudo isto afecta o desempenho dos profissionais?

Este assunto é-me particularmente caro. Devo dizer que desconheço, no sector da saúde, área que tenha sido tão politizada como é a que envolve as listas de espera para cirurgia e a produção cirúrgica (no País e na Região). Em primeiro lugar é necessário desmistificar e, desde já, digo que pouco me importa se vão desvirtuar ou interpretar de forma conveniente aquilo que vou dizer. As listas de espera existem e vão continuar a existir, é uma realidade com a qual temos de viver. Elas têm de ser geridas, mas geridas da melhor forma possível, optimizando a resposta e escalpelizando a prioridade efectiva. Com isto não estou a dizer que não se deva prosseguir com o objectivo de redução, claro que devemos, não podemos é aspirar à sua eliminação porque isto não irá acontecer (quem afirma isto, lamentavelmente, mente), nem desvirtuar o discurso no sentido daquilo que mais jeito dá em determinado momento ou circunstância. Depois, é necessário separar aquilo que são casos prioritários, de casos não tão prioritários (e aqui não incluo a cirurgia urgente e emergente, que exige repostas imediatas, respostas esta que hoje existem), e dentro dos casos não tão prioritários, aqueles que poderão aguardar mais tempo pela cirurgia (situações em que a circunstância que levou à proposta cirúrgica não coloca a pessoa em risco de vida, não gera sofrimento/dor, não prejudica o seu bem-estar, não afecta a sua produtividade laboral, e não resulta em procura directa por cuidados de saúde (episódios de urgência e/ou internamento)), daqueles cujo esforço deverá ser de realização mais célere do procedimento cirúrgico.

Utilizar este assunto como parte importante da retórica parlamentar, não me parece bem. Pela sua dimensão, relevância e impacto na população, já para não mencionar os custos associados a este segmento dos cuidados de saúde, deve prevalecer a serenidade na abordagem a esta matéria, procurando um equilíbrio capaz de responder às necessidades existentes. Volto a dizer, o fundamental é garantir que quem necessita de uma cirurgia em pouco tempo, ou no tempo clinicamente aceitável para a sua condição, a tenha efectivamente.

Por outro lado dou por mim a pensar em como se pode discutir programas de incentivo à produção cirúrgica (sejam eles quais forem), quando muitas vezes os blocos operatórios estão subaproveitados no período de normal funcionamento. Como se podem exigir mais meios para produção, quando a capacidade instalada não está esgotada? Sobre esta matéria, o Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia nos Açores introduziu um conjunto de mecanismos importantíssimos para uma efectiva monitorização e controlo da produção cirúrgica na RAA, contudo, neste momento, permanece ainda aquém do seu potencial. A gestão de inscritos para cirurgia (lista de espera) e o acompanhamento e controlo da produção (regular e adicional), não podem ficar nas mãos das instituições de saúde, justamente pelo facto de serem elas beneficiárias dos programas de incentivo à produção cirúrgica, daí a importância de todas as estruturas previstas na Portaria n.º 111/2016 de 14 de dezembro estarem em pleno funcionamento, exercendo controlo efectivo sobre a produção e sobre as instituições de saúde.

 

O que é que antevê o sector para este último ano de mandato? 

Julgo que não são previsíveis grandes tumultos naquilo que a medidas importantes para o sector diz respeito. Este não é o momento para reformar. Estas coisas fazem-se no início das legislaturas.

É expectável que muito do debate se centre na saúde, até porque 2020 é ano de eleições legislativas regionais. Esta é uma área da governação particularmente sensível e exigente. O GRA tem perfeita noção disso, assim como têm as oposições, daí que muito se diga, muito se discuta, muito se discorde e muito se afirme fazer. 

Nós somos poucos comparativamente ao todo do País, dispersos por nove realidades insulares, mas com uma proximidade efectiva do poder político em tudo diferente da que se verifica no continente português. Contudo, este facto coloca sobre a governação um peso diferente neste sector (a saúde diz respeito aos 243.682 habitantes dos Açores, não se cinge apenas a uma segmento da população ou da atividade, diz respeito a todos), mas também oferece às oposições, pelo mesmo motivo, o espaço e a oportunidade para marcar uma posição numa matéria que é de todos.

Uma vez mais, aqui importará sempre invocar a responsabilidade: nem todas as medidas, propostas pelo GRA ou pelas oposições, são válidas, mas também não serão sempre más, deverá prevalecer a procura pelo serviço aos açorianos, sendo que de um lado e do outro da barricada existirão propostas com valor.

 

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Mais 165 beneficiários do RSI nos dois primeiros meses deste ano

pessoas em Ponta Delgada1O número de beneficiários e famílias  dos Açores que recebem o Rendimento Mínimo de Inserção (RSI) aumentou em Fevereiro, com mais 165 beneficiários em relação ao mês de Janeiro.

Comparando com o mês homólogo, regista-se uma descida de 951 beneficiários.

No final de Fevereiro existiam nos Açores 17.796 beneficiários do RSI.

Quanto ao número de famílias, são mais 30 de Janeiro para Fevereiro, e menos 317 do que em Fevereiro de 2018.

A nível do país, também o número de beneficiários e famílias aumentou ligeiramente em fevereiro, havendo actualmente mais de 219 mil pessoas e 100.655 agregados a receber esta prestação social.

De acordo com os dados mais recentes do Instituto de Segurança Social (ISS), no final do mês de Fevereiro havia registo de 219.367 beneficiários do RSI, mais 866 do que em Janeiro, o que representa um aumento de 0,4%.

Em relação às famílias, os dados mostram que em Fevereiro havia 100.655 agregados com direito ao RSI, mais 102 do que no mês anterior.

No entanto, tanto no caso das famílias como dos beneficiários individuais, a tendência foi de decréscimo quando comparado com o período homologo de 2018, em que havia mais 1.127 pessoas com direito ao RSI e mais 635 famílias.

Relativamente à distribuição geográfica, os dados mostram que a maior parte dos beneficiários está concentrada nos distritos do Porto (62.800), Lisboa (40.459), Setúbal (20.624) e Região Autónoma dos Açores (17.796).

Igual distribuição têm as famílias, que também estão concentradas nos distritos do Porto (30.277), Lisboa (18.379), Setúbal (9.117) e Região Autónoma dos Açores (6.324).

No mês de Fevereiro, no país, o RSI teve um valor médio de 117,78 euros por beneficiário, mais 0,29 euros do que em Janeiro, enquanto nas famílias foi de 263,45 euros, mais 0,20 euros do que no mês anterior.

Três navios cruzeiros amanhã no porto de Ponta Delgada

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Ponta Delgada vai apresentar amanhã uma imagem diferente, com muito movimento de turistas, já que vão estar atracados no porto da cidade três navios de cruzeiros, com mais de 6 mil passageiros e 3 mil tripulantes.

Este cenário deve-se ao facto do MSC Divina ter antecipado de Terça para hoje a sua escala em Ponta Delgada, devido ao mau tempo nas Bermudas, permanecendo nesta cidade até às 13 horas de segunda-feira. 

Os outros dois navios cruzeiros que estarão amanhã nas Portas do Mar são o  BRITANNIA e o BRAEMAR.

 

MSC Divina lotado

 

O regresso hoje a Ponta Delgada do MSC DIVINA, uma das mais modernas unidades da companhia italiana MSC Cruises, a maior companhia de navegação privada do mundo, está englobado num interessante cruzeiro de 20 noites que se inicia na cidade norte americana de Miami no próximo dia 14 de Março, e que engloba paragens em New York, Kings Warf nas Bermudas, Ponta Delgada, Lisboa, Málaga, Valência e Marselha, terminando este cruzeiro em Génova no próximo dia 3 de Abril.

Construido nos conhecidos estaleiros franceses de STX Europe, em St Nazeire, este impressionante paquete italiano iniciou a sua atividade em 2012. 

Das suas principais características destacam-se as 137.936 toneladas de arqueação bruta, 333,3 metros de comprimento, 37,9 metros de boca e 8,6 metros de calado. 

Em ocupação normal pode transportar até 3.274 passageiros que poderão chegar aos 3.959 em ocupação máxima, sendo a sua tripulação composta por 1.313 elementos.

Pelo que julgamos saber o navio vem com a sua ocupação total, o que com certeza virá dar à cidade de Ponta Delgada e à ilha de São Miguel um interessante movimento diurno e nocturno.

 

Britannia regressa à Europa

 

O Britannia, navio almirante da operadora inglesa P&O, regressa à Europa depois da sua temporada de Inverno nas Caraíbas.

Esta escala está inserida num itinerário denominado “14 nights Caribbean Transatlantic” que se inicia a 15 de Março em Bridgetown nos Barbados e que irá terminar em Southampton no dia 29 , depois de escalas em St. Lucia, St Kitts e St Johns nas Caraíbas.

Construido nos estaleiros italianos de Fincantieri, em Monfalcone, o  BRITANNIA fez a sua viagem inaugural a 14 de Maio de 2015. 

Das suas características principais realce para as 143.730 toneladas de arqueação bruta, 330 metros de comprimento, 38,4 metros de boca e 8,3 metros de calado. 

Possui 15 decks  para passageiros. 

Em ocupação normal pode transportar 3.611 passageiros que poderão chegar aos 4.324 em ocupação máxima, sendo a sua tripulação  composta por 1.350 elementos.

 

Braemar também amanhã

 

Igualmente para amanhã está programada no porto comercial desta cidade a escala do BRAEMAR, da companhia britânica Fred Olsen Cruises Lines, numa escala englobada num itinerário de 16 noites de regresso à Europa denominado “16 Nights Caribbean Retourn ”, que se inicia em Bridgetown nos Barbados no dia 14 e que irá terminar na cidade inglesa de Southampton no dia 30 do corrente mês.

Construido nos estaleiros espanhois Union Navale de Levante em Valência em 1993 para a extinta Commodore Cruise Line como Crown Dynasty, foi adquirido pela Fred Olsen em 2001 e renomeado com o actual nome. 

Possui 24.344 toneladas de arqueação bruta, 195 metros de comprimento, 22,5 metros de boca e 5,6 metros de calado. 

Tem capacidade de transportar 989 passageiros em ocupação normal, sendo a sua tripulação composta por 400 tripulantes.

 

AIDAluna na Terça-feira

 

Outro visitante, na Terça-feira, será o paquete AIDALUNA, da conhecida operadora alemã Aida Cruises que está a fazer um roteiro transatlântico de 18 noites entre Montego Bay na Jamaica e a cidade de Hamburgo, e que para além de Ponta Delgada inclui paragens em Samana, Tortola e St. Maarten nas Caraíbas, La Coruna,Ferol,  Espanha,  Le Havre, França e Dover nas ilhas britânicas antes da chegada a Hamburgo.

Sobre as suas características gerais, o navio mede 251,9 metros de comprimento, 32,2 metros de boca e 7,3 metros de calado. 

Possui 69.200 toneladas de arqueação bruta e tem capacidade para receber até perto de 2.050 passageiros em ocupação normal, sendo a sua tripulação constituída por 634 elementos.

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Com Azores Club Cruise

 

Cadeia de hotéis Selina vai abrir uma unidade nos Açores

selina hoteisA conhecida cadeia de hotéis Selina pretende abrir uma unidade nos Açores. 

Rafael Museri, co-fundador desta empresa panamiana, não especifica em que ilha, mas adianta que o projecto faz parte da carteira de intenções da Selina, que é abrir 20 hotéis em Portugal nos próximos quatro anos.

A cadeia Selina nasceu em 2014 no Panamá e tem-se expandido para outros países da América Central e do Sul, sendo que a cidade do Porto é o primeiro destino europeu escolhido pela marca.

O objectivo é abrir unidades hoteleiras com o conceito boutique nos EUA, Polónia, Grécia, Israel, Alemanha, Espanha e Reino Unido, mas Portugal é mesmo o primeiro país fora das “américas” a receber um Selina.

Esta escolha do Porto é explicada por um dos fundadores dos hotéis Selina, Rafael Museri, que juntamente com um amigo, criou o conceito em 2014, numa cidade do Panamá ligada ao surf, Venao.

Ao site Trendy, aquele empresário afirma que “a opção de iniciar a nossa expansão europeia em Portugal foi natural, uma vez que é um país cheio de vida, com locais maravilhosos. O Porto é uma cidade encantadora, conhecida pela sua arquitectura, gastronomia e pelas pessoas calorosas que sabem como receber e que partilham um espírito de comunidade”.

O investimento foi de 8,8 milhões de euros, valor que incluiu a “compra da propriedade, renovações, arte e design com curadoria local”, diz o CEO. 

Em quatro anos, a marca expandiu-se para a Costa Rica, México, Colômbia, Equador, Guatemala, Nicarágua e Peru.

Uma das características do Selina Porto é o facto de contar com vários ambientes: há um espaço de coworking, sala de cinema, jardim, food&beverage, wellness e ofertas recreativas. 

O hotel está ainda recheado de obras de arte de artistas portuenses.

No jardim existe, inclusivé, uma food truck a servir tacos e receitas que misturam ingredientes sul-americanos com portugueses, revela o Trendy.

Em relação aos quartos, há várias tipologias.  

O Selina Porto tem 190 camas e mais de 50 quartos, divididos entre dormitórios (com 4, 6 e 8 camas) e quartos privados de três categorias distintas: Standard, Deluxe e Unique.

No mapa das próximas aberturas estão locais como Lisboa, Albufeira, Cascais, Comporta, Ericeira, Lagos, Douro, Açores, Vila Nova de Mil Fontes e Peniche.

Os preços variam entre os 30 euros (para o dormitório de seis camas) e podem atingir os 300, no quarto mais luxuoso do Selina, o Unique. 

As reservas podem ser feitas directamente no site do hotel.