“Os açorianos vivem com mais intensidade o tempo do Natal e isso encanta-me muito”

Pe Oniel ramiroNatural de uma pequena cidade brasileira de Minas Gerais, o Padre Oniel Ramiro é actualmente sacerdote nas paróquias de Ponta Garça e Ribeira das Taínhas e, em entrevista ao nosso jornal, diz-se encantado com a forma como a população “encarna” e “vivencia” a época natalícia nos Açores. “Aqui, as pessoas procuram viver o Natal com intensidade. Todas as freguesias têm o seu presépio e os presidentes das câmaras e das juntas fazem a sua inauguração. As pessoas fazem os seus presépios, enfeitam as suas casas…”, salienta. Há quase três anos a viver em Ponta Garça, o sacerdote, que faz parte da comunidade Obra de Maria, aponta a importância de se ter um “coração aberto” e deixou uma mensagem de Natal:  “Que a vida de todo o homem, de toda a mulher e de todo o cristão seja uma vida direcionada para fazer o bem, para amar, para perdoar, fazer caridade… É aí que se manifesta Deus”.

 

Diário dos Açores - Antes de mais, como é que, do Brasil, veio parar aos Açores?

Pe. Oniel Ramiro (OR) – O processo deu-se através do Padre Jason Gouveia, na altura pároco na freguesia da Ponta Garça. Ele teve contacto com a comunidade Obra de Maria, no Brasil, da qual eu faço parte. O Pe. Jason conheceu a nossa comunidade, os nossos membros, e criou uma amizade forte. Entretanto, por intermédio do Pe. Jason vieram alguns missionários de lá para trabalhar com ele na paróquia de Ponta Garça e ajudar na evangelização, pois o nosso objectivo é evangelizar de todas as formas, com alegria. Temos como missão principal as peregrinações.

Portanto, a comunidade viveu algum tempo cá e, depois disso, também [o Bispo] D. António esteve no Brasil para conhecê-la. Conheceu o fundador, a co-fundadora e todos os responsáveis da nossa comunidade. As portas abriram-se para eu vir para os Açores cumprir esse trabalho de evangelização. 

 

Há quanto tempo está cá?

OR - Em Fevereiro, faz três anos que cá estou.

 

Como foi acolhido na comunidade da Ponta Garça?

OR - O acolhimento foi extraordinário. Foi um acolhimento tão grande, tão bonito e tão belo que chegou a constranger. Foi muito além do que eu esperava e do que estava acostumado. É um povo que acolhe com o coração aberto, que faz aquilo que está ao seu alcance para acolher bem. Foi, de facto, um acolhimento extraordinário e deixou-me até constrangido. O momento marcou-me e está guardado no meu coração.

 

Que balanço faz destes três anos a viver em São Miguel?

OR – Os Açores, e em especial a ilha de São Miguel, são uma realidade diferente da Igreja do Brasil, mas ao mesmo tempo é uma realidade de Igreja que me encanta muito. É muito tradicional, com as procissões, romarias, devoções ao Espírito Santo… A Igreja nos Açores tem este jeito de ser que me encanta e tem me ajudado muito na minha aprendizagem. Tenho aprendido muito aqui, tenho crescido enquanto pessoa, enquanto padre e enquanto cristão. A Igreja é assim mesmo, tem as suas diversidades e isso encanta-me.

 

Sendo a realidade dos Açores, como diz, diferente da realidade brasileira, qual é a diferença entre a forma como se vive o Natal cá nos Açores e no Brasil?

OR - Eu sou de uma cidadezinha chamada Goiabeira, em Minas Gerais. É um lugar bem pequeno, tem no máximo cerca de 3 a 4 mil habitantes. Mas o Brasil é um país muito amplo. Há lugares em que o Natal é vivido de forma mais intensa e outros em que não há tanta preocupação ou atenção dada a esta celebração. Já em São Miguel, e falando com base na comunidade, no concelho em que estou inserido [Vila Franca do Campo], o que eu vejo é que, aqui, as pessoas procuram viver o Natal com intensidade. Todas as freguesias têm o seu presépio e os presidentes das câmaras e das juntas fazem a sua inauguração. As pessoas fazem os seus presépios, enfeitam as suas casas… Não sei se é por ser um meio pequeno, com tradições enraizadas, diferente das grandes cidades, mas parece que os açorianos vivem com mais intensidade o tempo do Natal e isso encanta-me muito, toda essa maneira de o povo de cá encarnar e vivenciar bem o Natal.

 

Com que espírito devemos viver o Natal?

OR - Esse é o desafio maior… Mais do que os enfeites, os presépios, as luzes e essas coisas próprias do Natal, eu penso que o espírito que todo o cristão deve viver no Natal é o que o próprio Jesus - que é o centro do Natal - trouxe para nós. Jesus foi o próprio presente. Veio para nos fazer o bem, para nos salvar, para que nós pudessemos ter vida, viver uma vida cheia de sentido, de esperança, de alegria… Por isso, uma das reflexões que trago sempre no meu coração é essa: mais do que os presentes, do que as festas e tudo isso - que também é importante -, penso que cada cristão que segue Jesus e vivencia o Natal, precisa de fazer a sua vida como se fosse uma oferta para o próximo. Devemos pensar que devemos transformar a vida de todas as pessoas que passam pelas nossas vida, fazer com a vida delas seja melhor. Aquele que se aproxima de nós, precisa ir embora melhor do que chegou. O Natal deve ser vivenciado assim. Não viver a fé só na dimensão da teoria, das palavras e das pregações, mas em actos completos: na prática do amor, da caridade, fazer o outro se sentir melhor e feliz, levar o sentido da vida, a esperança, a alegria… Porque Deus e Jesus está presente em tudo e quando cuidamos e fazemos o bem a alguém, estamos a fazer o bem a Jesus. Quando vivemos uma vida assim, não estamos a viver o evangelho simplesmente pregado, mas o evangelho vivo.

Há muitas pessoas que não têm o hábito de ir à igreja ou à missa, mas pela sua maneira de viver, de fazer o bem, com alegria e felicidade, conseguem presenciar uma forma de evangelho vivo na vida das pessoas.

 

Referia há pouco que também os presentes e os enfeites são importantes nesta época natalícia. O elevado consumo associado ao natal não é uma preocupação? Há necessidade de combater o consumismo, cada vez mais associado a esta época?

OR - Acho que as coisas devem estar equilibradas. A pessoa tem que ver o que é necessário e saber administrar as coisas. Às vezes temos tanto, tanto, tanto e esquecemo-nos de que há pessoas que têm tão pouco para sobreviver. E isso fere um pouco o que é o verdadeiro sentido do Natal, porque os dois mandamentos essenciais são “amar a Deus sobre todas as coisas” e “amar o próximo como a si mesmo”. Se nos focarmos demasiado em consumir, consumir e consumir e em ter, ter e ter, acabamos por ferir estes dois princípios.

 

Na sua opinião, o verdadeiro espírito de Natal tem sido correctamente transmitido às crianças? 

OR – Os catequistas procuram fazer isso. Falando no caso da paróquia da Nossa Senhora da Piedade, aqui na Ponta Garça, nós temos um trabalho de parceria, entre pais e catequistas e procuramos deixar claro que a missão de evangelizar das crianças é, além da Igreja, também dos pais. Eu acredito que os padres, de uma forma geral, também têm esse papel e devem, nas suas homilias, chamar a atenção dos pais para a necessidade de evangelizar as crianças. Preparar os pais para que possam levar os ensinamentos para os seus filhos. A formação e a evangelização das nossas crianças é um papel de toda a comunidade. 

 

Na quadra natalícia assiste-se muito ao sentimento de solidariedade entre a comunidade. Como fazer com que este espírito se prolongue pelo resto do ano?

OR – É um grande desafio. Temos que parar, reflectir, pensar e encontrar meios para fazer com que estes valores do Natal continuem ao longo do ano. Acho que isso passa mesmo pela conversão. A verdadeira conversão gera compromisso. Quando sentimos o amor de Deus, comprometemo-nos com ele, com a sua Igreja, com o seu Evangelho, com os seus valores. Mas esse pensamento só surge a partir da nossa conversão, do nosso despertar. Temos que procurar colocar em prática estes valores, pois por vezes acabamos adormecendo, esfriando e arrefecendo… e não despertamos. O espírito de solidariedade é fundamental na vida do cristão, não apenas nas datas específicas como o Natal, ou outras. 

 

Como é que é viver o Natal longe da família?

OR – Já há muito tempo que não vivo o Natal em família. Estou há 13 anos na comunidade Obra de Maria. Saí de casa aos 19 ou 20 anos, fui para Recife onde fiquei um ano conhecendo a comunidade, depois entrei no seminário onde estudei Filosofia e Teologia. Fui ordenado diácono e padre e assumi a minha primeira paróquia. Fiquei três anos na minha última paróquia e depois vim para cá, em 2014. Fiz todo este percurso sempre longe da família, mas há compreensão. Quando temos o chamamento de Deus, somos chamados a cuidar de pessoas que Ele nos confia e acabamos por encontrar mais família, pais, mães, filhos, irmãos. Vamos cuidando deles e eles também cuidam de nós. Encontramos família longe da nossa casa e, ao mesmo tempo, sabemos que Deus coloca alguém junto dos nossos, para cuidar deles.

 

Quer deixar uma mensagem de Natal aos leitores do Diário dos Açores?

OR – Acredito ser essencial, neste tempo de Natal, que cada homem, cada mulher, cada cristão, tenha o coração aberto. Temos de nos lembrar que não houve lugar para Jesus quando estava para nascer. Maria e José foram batendo em várias portas à procura de um espaço para o nascimento de Jesus e não houve lugar, estava tudo cheio. Isto para lembrar que, muitas vezes, neste nosso mundo corrido, em que “corremos” para o trabalho ou para fazer isso e aquilo, acabamos por deixar Deus de fora das nossas vidas. Por isso, vamos pedir esta graça de ter o coração aberto, com lugar para Deus. Que Deus seja o primeiro da nossa vida. Como diz a sagrada Escritura, devemos buscar Deus em primeiro lugar e tudo o mais nos será acrescentado. Devemos deixar um espaço aberto para Deus nascer no nosso coração. Que fique esta mensagem, neste Natal: que a vida de todo o homem, toda a mulher e todo o cristão seja uma vida direcionada para fazer o bem, para amar, para perdoar, fazer caridade… É aí que se manifesta Deus. As pessoas vêem o mundo com tanta guerra, tanto mal a acontecer, mas a partir do momento que eu faço a minha parte eu já estou construindo o céu aqui na Terra. Cada um deve fazer a sua parte, dar o seu contributo, da melhor maneira possível. 

 

Taxa de transição/conclusão no ensino secundário: Todos os municípios dos Açores apresentam valores abaixo da média

Quadro - escolaO INE divulgou ontem que, na Educação, num contexto de melhoria da taxa de transição/conclusão no ensino secundário, todos os municípios da Área Metropolitana de Lisboa, do Algarve e da Região Autónoma dos Açores (com excepção da Calheta) apresentavam valores abaixo da média neste indicador. 

Os Anuários Estatísticos Regionais relativos a 2016, publicados ontem pelo INE, revelam que, em Portugal, a taxa de transição/conclusão no ensino secundário, no ano lectivo 2015/2016, era de 84,3%, superior ao valor do ano lectivo anterior (83,4%), mantendo a tendência de melhoria registada desde 2011/2012. 

Em 2015/2016, as regiões Norte (86,7%), Centro (86,0%) e Alentejo (85,3%) superavam o valor nacional. 

A Região Autónoma dos Açores, assim como o Algarve e a Área Metropolitana de Lisboa, apresentavam, comparativamente, menores taxas de transição/conclusão.

A análise da taxa de transição/conclusão ao nível municipal evidencia que os desempenhos mais favoráveis nas regiões Norte e Centro têm, contudo, disparidades internas, nomeadamente com os municípios do Litoral da região Norte a apresentar valores mais elevados neste indicador. 

Por sua vez, os 18 municípios que compõem a Área Metropolitana de Lisboa, bem como todos os municípios com oferta de ensino secundário no Algarve, registavam taxas de transição/conclusão inferiores à média nacional. 

Do mesmo modo, com excepção do município da Calheta, na Região Autónoma dos Açores, e dos municípios da Calheta, Ponta do Sol, Porto Moniz e Santa Cruz, na Região Autónoma da Madeira, os restantes municípios das regiões autónomas apresentavam valores inferiores à média nacional. 

A Região de Aveiro, e as sub-regiões do Douro e Alto Alentejo apresentavam, no ano lectivo 2015/2016, uma maior assimetria entre municípios neste indicador. 

 

Açores na frente na taxa de retenção

 

No ano lectivo 2015/2016, a taxa de retenção e desistência para o total do ensino básico e do país era 6,6%, sendo de 10,0% considerando apenas o 3º ciclo do ensino básico. 

No caso do 1º ciclo e do 2º ciclo aquele valor correspondia a 3,7% e a 6,7%, respectivamente. 

Ao nível regional, todas as regiões NUTS II registavam taxas de retenção e desistência no 3º ciclo superiores ao valor total do ensino básico e, simultaneamente, taxas sucessivamente crescentes do 1º até ao 3º ciclo.

A Região Autónoma dos Açores registava as taxas de retenção e desistência para o total e para os diferentes níveis do ensino básico mais elevadas. 

Nesta região, a taxa de retenção e desistência no 1º ciclo correspondia a 8,5% e aproximava-se dos 15% em relação ao ciclo terminal do ensino básico. 

Em contraponto, as regiões Norte e Centro apresentavam, taxas de retenção e desistência comparativamente mais baixas e também inferiores à média nacional – na região Norte atingiam cerca de 2,8% e 8,9% para o 1º ciclo e 3º ciclo, respectivamente, e na região Centro estes valores correspondiam a 3,5% e 8,2% para o 1º ciclo e 3º ciclo, respectivamente.

 

Crédito ao consumo está a disparar também nos Açores

Multibanco

O crédito ao consumo está a aumentar nos Açores a um ritmo tão elevado como o que se verifica a nível nacional, registando níveis de preocupação para alguns economistas e instituições financeiras, devido ao forte endividamento das famílias.

Só nos primeiros nove meses de 2017 foram emprestados, em média, 17,7 milhões de euros de crédito ao consumo por dia, no nosso país. 

No total, foram concedidos 4.800 milhões de euros de novo crédito para compra de carro, electrodomésticos e  outros produtos de consumo, num crescimento de 12% em termos homólogos, e que faz despertar receios de que muitas famílias estão a cair, novamente, numa espiral de endividamento excessivo.

Com o aproximar do Natal, este crescimento de crédito ao consumo vai disparar ainda mais.

 

Recorde nos levantamentos multibanco

 

Nos Açores não conseguimos obter dados concretos sobre a aplicação do crédito, mas fontes bancárias confirmaram-nos que o crédito ao consumo também está a disparar, embora alguns bancos sedeados na Região digam que estão a conceder crédito “dentro do orçamentado”.

Um dos nossos contactos chamou-nos a atenção para o aumento de levantamentos no multibanco, “que reflecte bem a tendência do consumo dos açorianos”.

De facto, em termos acumulados, de Janeiro a Novembro de 2017, verifica-se uma variação homóloga positiva de 3,5% no levantamento em caixas ATM nos Açores.

Por exemplo, os levantamentos em caixas ATM atingiram em Novembro de 2017, nos Açores, um montante total de 46,4 milhões de euros, um acréscimo homólogo de 3,4%. 

Destes, cerca de 44,5 milhões de euros são de levantamentos nacionais (um acréscimo homólogo de 3,1%) e cerca de 1,9 milhões de euros dizem respeito a levantamentos internacionais, o que representa uma variação homóloga positiva de 10,6%. 

A nível nacional, os levantamentos totalizaram 2.331,9 milhões de euros, verificando-se um acréscimo homólogo de 4,9%.

No trimestre terminado em Novembro de 2017, os levantamentos em caixas ATM totalizaram 143,3 milhões de euros, crescendo 3,4% em comparação com igual período do ano anterior (138,6 milhões de euros).

 

Não se via igual há 13 anos

 

De acordo com os dados do Banco de Portugal, em Outubro foram disponibilizados 390 milhões de euros em novo crédito ao consumo, o nível mais elevado desde Março deste ano. 

A subida da concessão de crédito com esse fim acontece numa altura em que se aproxima o Natal e as compras habituais da quadra.

Os dados divulgados pela entidade liderada por Carlos Costa sinalizam ainda que o último mês de Outubro foi o mais intenso em termos de concessão de crédito ao consumo dos últimos 13 anos. 

Seria necessário recuar até Outubro de 2004 para ver um valor mais elevado, em termos homólogos.

 

DECO alerta às famílias

 

Recorde-se que, recentemente, a Deco veio alertar precisamente para os riscos associados ao apelo irresistível das campanhas de crédito agressivas doa bancos nesta época do ano. 

Natália Nunes, coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira da Deco, adiantou à TSF que a associação tem recebido “várias denúncias de consumidores confrontados nos últimos tempos com muitos e-mails a proporem crédito pré-aprovado, uma prática comum antes de 2007-2008 e que já na altura era muito contestada por nós pois é um incentivo ao endividamento pouco responsável dos consumidores”.

Quem também está preocupado com a evolução da concessão de crédito às famílias em Portugal é o Banco de Portugal, mostrando-se particularmente alerta em relação ao crédito à habitação. 

A entidade liderada por Carlos Costa coloca mesmo a possibilidade de apertar os critérios para a concessão de crédito às famílias.

“Governo madeirense devia iniciar negociações com os Açores para entrar no capital da SATA”

Carlos Pereira - PS MadeiraO Presidente do PS-Madeira, Carlos Pereira, considera que com as exigências de mobilidade e o desenvolvimento do turismo, aquela região deve criar condições para estabelecer o início das negociações com o Governo dos Açores de modo a estudar a forma de entrada da Região no capital da SATA, noticia o Jornal da Madeira.

“É fundamental que a Região tenha um instrumento efectivo de suporte à defesa dos interesses dos nossos cidadãos e da promoção do nosso turismo”, sublinhou o presidente do PS madeirense, enquanto apresentava o ‘pacote’ de 80 propostas alternativas ao Orçamento Regional para 2018.

Por outro lado, Carlos Pereira considera que deverá ter início, em 2018, uma nova geração de política de investimentos, recuando na predominância em investimentos rodoviários sem prioridade e fixando o interesse noutros investimentos.

 O presidente do PS sugere o reforço do investimento no hospital orçamentando o valor total das expropriações de 25 milhões de euros (o ORAM só contempla 5 milhões), o lançamento do concurso público internacional para a construção da obra e o início do processo de instalação do cabo de fibra óptica entre a Madeira e o Continente, aproveitando os fundos do quadro em curso.

 

3 milhões para o Hotel Comfort Inn e 5 casas de alojamento local

hotel comfort inn 2A Fábrica de Tabaco Micaelense assinou ontem a escritura de compra e venda do Hotel Comfort Inn, que agora vai ser remodelado, mantendo os 46 quartos e com projecto de ampliação, soube o nosso jornal.

Com esta aquisição, a Fábrica de Tabaco Micaelense assume uma nova estratégia de diversificar a sua actividade para o sector turístico, investindo, para já, 3 milhões de euros na compra deste hotel em Ponta Delgada e num outro projecto de reconstrução de 5 casas que já possui na Rua José Bensaúde, junto à Fábrica, transformando-as em alojamento turístico.

 

À espera dos americanos

 

De acordo com as nossas fontes, o Hotel Comfort Inn será remodelado até ao primeiro trimestre do próximo ano, havendo um projecto de ampliação, mantendo o nome e o conceito americano, numa estratégia de captar turistas americanos, com o início da operação da Delta Airlines a partir do próximo ano. 

Situado na Rua Dr. Bruno Tavares Carreiro, o Hotel Comfort Inn faz parte do centro histórico de Ponta Delgada.

Possui 46 quartos com televisão por satélite, todos incluem ar condicionado, uma secretária e uma casa de banho privativa com produtos de higiene pessoal e um secador de cabelo. Os quartos apresentam uma decoração moderna com mobiliário de madeira e janelas do chão ao tecto.

 

Vantagens do centro

 

Para explorar a Ilha de São Miguel, os hóspedes podem alugar um carro ou uma bicicleta na recepção 24 horas. O hotel também alberga um centro de negócios bem equipado.

Todas as manhãs, os hóspedes podem desfrutar de um buffet de pequeno-almoço completo na sala de pequenos-almoços do Hotel Comfort Inn Ponta Delgada. O bar propõe uma selecção de bebidas.

Os comentários dos hóspedes nas páginas de reservas sublinham, sobretudo, a proximidade do centro de Ponta Delgada e o conforto do respectivo hotel.

 

Nova aposta da FTM

 

Esta aposta da Fábrica de Tabaco Micaelense no sector turístico, segundo as nossas fontes, não ficarão por aqui, dependendo sempre do sucesso da actividade nos próximos anos.

A Fábrica de Tabaco Micaelense foi fundada em 1866 e é produtora de cigarros, charutos e cigarrilhas, com tabacos das melhores origens, utilizando as melhores e mais tradicionais técnicas de fabricação. 

O tabaco foi introduzido em S. Miguel em 1815. 

Inicialmente o seu local de produção foi nas Furnas, mais tarde com o declínio do ciclo da laranja, o tabaco surge como uma nova esperança a nível económico. 

Um dos grandes impulsionadores desta nova indústria foi José Bensaúde, que em 1866 fundou a sociedade Fábrica de Tabaco Micaelense. 

Ao comemorar 150 anos no ano passado, a fábrica de tabaco prepara assim o futuro com consolidação e adaptação contínua aos novos desafios. 

A unidade mais antiga dos Açores neste sector, com uma história que começou na monarquia, viveu guerras e uma nacionalização e aposta agora em adaptar-se continuamente aos novos tempos. 

Há 22 anos voltou para a posse de privados, sendo actualmente propriedade de um grupo de empresários açorianos, tendo na liderança o professor universitário e economista Mário Fortuna, que também é Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada. 

 

Contratos fechados até 2020

 

A fábrica tem 90 funcionários distribuídos pelos Açores, onde está a sede, e pela Madeira, onde está a estrutura de distribuição. 

Apesar do contexto fortemente regulado e tributado que as tabaqueiras enfrentam, a unidade fabril tem contas consolidadas e há mais de uma década dá sempre lucro, resultado “de uma estratégia de sustentabilidade de médio e longo prazos”. 

A consolidação financeira da fábrica está garantida nos próximos cinco anos, segundo os seus responsáveis, na medida em que em 2015 fechou contratos com os seus principais clientes e até 2020 tem um percurso estável.