Bombeiros dos Açores já responderam este ano a 12.741 pedidos de socorro por doença

Bombeiros CORProtecção Civil foi chamada em 2017 para 534 falsos alarmes

Em 2017, os Corpos de Bombeiros dos Açores receberam 534 chamadas que não eram emergências médicas, conforme se pode atestar no gráfico abaixo, com dados fornecidos pelo Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores. Por outro lado, verifica-se também que no primeiro semestre deste ano este número está bem mais reduzido, tendo sido registadas até Junho de 2018 apenas 3 chamadas que eram falsos alarmes.

Os dados indicam ainda que as situações por doença lideram os pedidos de socorro em emergência pré-hospitalar. Em 2017, os Corpos de Bombeiros responderam a 26 780 pedidos, enquanto no primeiro semestre deste ano já se contabilizam 12 741 pedidos de auxílio nos Açores.

Os pedidos de Assistência e Prevenção são outra situação em destaque nos Açores com 638 pedidos em 2017. Já no primeiro semestre deste ano esta situação conta com 257 pedidos.

Conforme se pode verificar pelos dados do Serviço Regional de Protecção Civil dos Açores, em 2017 foram empenhados 43.934 veículos em intervenções de socorro e nas situações em emergência pré-hospitalar. Um número que nos primeiros seis meses deste ano já se situa nos 38.479 veículos empenhados. 

 

Número de “falsas emergências” para o INEM está a aumentar

 

Não são apenas as chamadas falsas que preocupam o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), mas também as “falsas emergências”, que só este ano, até Julho, representaram 41 973 chamadas das mais de 800 mil chamadas recebidas, segundo dados estatísticos do organismo, o que representa, em média, 230 chamadas por dia. Um número que está a aumentar quando comparado com o ano passado: no total, em 2017 o INEM atendeu 75 843 chamadas de “falsas urgências”, uma média de 207 por dia.

Além disso, o INEM estima que os seus Centros de Orientação de Doentes Urgentes recebam por ano cerca de 20 000 “chamadas falsas” que originam o accionamento de perto de 7.500 meios de emergência.

Em 2018, até ao dia 15 de Agosto, o INEM recebeu 871 022 chamadas nos seus Centros de Orientação de Doentes Urgentes.

O volume de chamadas que não constituem de facto uma emergência é motivo de preocupação para o INEM, uma vez “que ocupam não só os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) mas também porque motivam o accionamento desnecessário de meios de emergência que devem estar disponíveis para situações em que são efectivamente necessários”, revelou o organismo ao DN, acrescentando que este tipo de ligações “tende a aumentar”.

 

Por Olivéria Santos

Trabalhadores portuários em greve ao trabalho suplementar a partir de 10 de Setembro

porto ponta delgada1Os trabalhadores portuários associados ao Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística (SEAL) decretaram, ontem, greve ao trabalho suplementar, entre 10 de Setembro e 08 de Outubro, reivindicando liberdade de filiação sindical. 

Conforme se pode ler no comunicado que o Diário dos Açores teve acesso, “as quatro semanas de greve ao trabalho suplementar que teve início no passado dia 13 de Agosto, e que estava anunciada até ao próximo dia 10 de Setembro, teve o condão de despoletar mais situações inaceitáveis, feridas de legalidade, por parte das empresas, e que reforçam as razões que nos levaram a declarar esta greve.

Ainda as quatro semanas de greve não acabaram e, para além de sermos confrontados com a utilização de trabalhadores sem qualificações para executar o trabalho dos estivadores no porto do Caniçal, na Madeira, detectámos violações da lei que regula o direito à greve nos portos de Leixões, da Figueira da Foz e da Praia da Vitória, nos Açores, onde as empresas  portuárias recorreram ilegalmente à contratação de novos trabalhadores após a declaração de greve a 26 de Julho, para tentarem atenuar as consequências da greve”.

Diz o Sindicato que “face à imutabilidade das razões iniciais que se prendiam com o combate às práticas anti-sindicais nos portos nacionais, com destaque para os portos de Leixões e do Caniçal, e em resposta ao avolumar deste e de outros atropelos que se verificaram nas duas primeiras semanas de greve ao trabalho suplementar, o SEAL decidiu estender a greve ao trabalho suplementar até ao próximo dia 8 de Outubro sendo que, desta feita,  a greve também se materializará noutras  situações específicas”.

De acordo com o SEAL, “a greve envolverá todos os trabalhadores portuários efectivos e também aqueles que possuam vínculo contratual de trabalho de duração limitada, cujas entidades empregadoras ou utilizadoras sejam EPT’s [Empresas de Trabalho Portuário] ou empresas de estiva em actividade”.

Desta forma, a paralisação “consubstanciar-se-á na abstenção de prestação de trabalho suplementar” entre as 08horas de 10 de Setembro e as 08horas do dia 08 de Outubro.

A greve vai abranger as empresas de estiva e de trabalho portuário dos portos de Lisboa, Setúbal, Sines, Figueira da Foz, Leixões, Caniçal (Madeira), Ponta Delgada (Açores) e Praia da Vitória (Açores).

De acordo com o sindicato, na base da paralisação está “a crescente proliferação de práticas antissindicais nos diversos portos portugueses, revestindo-se estas de extrema gravidade no porto de Leixões, permanecendo ainda graves no porto do Caniçal”.

O SEAL indicou ainda que “as empresas dos referidos portos, em inúmeros casos coniventes com os sindicatos locais, protagonizam e induzem uma série de comportamentos que configuram diferentes tipos de assédio moral, desde a perseguição à coacção, desde o suborno à discriminação, desde as ameaças de despedimento até à chantagem salarial”.

Desta realidade resulta “uma maior precarização da mão-de-obra portuária, com todos os aspectos negativos a ela associados, como seja a ausência de formação profissional adequada e, consequentemente, o brutal aumento dos níveis de sinistralidade”. O SEAL acusou ainda as empresas dos portos em causa de beneficiarem “alguns agentes no terreno em detrimento da qualidade e produtividade” dos serviços prestados.

“Assistimos a diversas violações dos procedimentos legais a que as empresas estão obrigadas no seu relacionamento institucional com este sindicato, nomeadamente, a recusa de cedência de espaços para informação e trabalho sindical ou o permanente obstáculo à efectivação de plenários e restante normal actividade sindical”, referiu.

O SEAL exige a cessação imediata “das práticas anti-sindicais nos portos nacionais e os atropelos à legislação que regulamenta o direito constitucional à greve, e se proceda a negociações nos diferentes portos, rumo a um contrato colectivo de trabalho a nível nacional, para todos os estivadores e trabalhadores portuários”.

Nos portos da Praia da Vitória e Ponta Delgada o sindicato refere que “a greve incidirá sobre todo o trabalho suplementar, ou seja, sobre todo o trabalho que ultrapasse o turno normal de trabalho ou um turno de trabalho diário, em dias úteis, e sobre todo o trabalho em Sábados, Domingos e feriados; a greve aplicar-se-á igualmente em todas as operações realizadas, seja qual for o período de trabalho, normal ou suplementar, para a execução das quais as entidades empregadoras ou utilizadoras de mão-de-obra portuária contratem ou coloquem trabalhadores estranhos à profissão e que não integrassem o contingente efectivo e eventual à data de 01 de Julho de 2018; a greve consubstanciar-se-á também na abstenção de todo e qualquer trabalho, em qualquer porto, durante as primeiras 72 horas após a entrada na respectiva área de jurisdição portuária, de todo e qualquer navio que tenha operado no porto do Caniçal com recurso a qualquer mecânico, electricista ou qualquer outro trabalhador estranho à profissão, nomeadamente aqueles que trabalham para outras empresas ligadas aos sócios ou administradores da OPM ou da ETPRAM; a greve consubstanciar-se-á ainda na abstenção de todo e qualquer trabalho, em qualquer porto, durante as primeiras 72 horas após a entrada na respectiva área de jurisdição portuária, de todo e qualquer navio que tenha operado no porto de Praia da Vitória com recurso a trabalhadores que, em violação do artigo 535 do CT foram contratados após a emissão do anterior pré-aviso de greve datado de 26 de Julho de 2018, situação ilegal que já foi detectada pela Polícia Marítima e ACT locais, sem que qualquer reposição da legalidade se tenha verificado, até ao momento”.

Época das vindimas prestes a arrancar com expectativas de melhorias em relação a 2017

Nuno Rainha

A época das vindimas está prestes a arrancar em São Miguel e a previsão, apesar de não haver ainda certezas, é de que a apanha da uva e a produção de vinho de cheiro será “ligeiramente melhor” do que no ano passado. Quem o diz é Nuno Rainha, filho do proprietário e produtor de vinho em Vila Franca do Campo, Manuel Rainha, empresa com actividade há mais de 30 anos.

“No ano passado, recebemos cerca de 80 toneladas de uva dos produtores e este ano podemos chegar perto das 100 toneladas”, revela, em declarações ao Diário dos Açores, considerando que, em comparação com 2017, este ano poderá haver uma “pequena melhoria” na produção. 

O número, salienta, é apenas uma estimativa, feita a partir do que os produtores dizem ter nas suas terras, uma vez que a sua adega ainda não começou a receber uvas. Só no final de Setembro será possível fazer contas e o balanço da produção.

“Os produtores em geral dizem-nos que os cachos são maiores e que há mais quantidade de uvas nas suas terras, o que leva a crer que a produção este ano é maior, mas há fenómenos climatéricos isolados que surgem em Setembro (chuvas intensas, ventos fortes) e pragas que podem colocar o trabalho de um ano em risco. Portanto, é complicado avançar números certos”, explica ao nosso jornal. 

Nuno Rainha reitera, no entanto, que as expectativas são boas. “Alguns produtores dizem que têm o dobro das uvas para apanhar, outros dizem que têm mais ou menos o mesmo que o ano passado. Além disso, do ponto de vista climático, tivemos um ano favorável para as vinhas, melhor do que outros anos. Por isso, o mínimo que estamos à espera é que este ano seja melhor do que o ano passado”, diz.

 

Desinvestimento ao longo

dos anos na “uva de cheiro”

 

Segundo dados do ano 2014, a empresa de Manuel Rainha contou com uma produção de 152 mil quilos de uvas, quando em 2015 foi de 133 mil quilos. Em 2016 a produção voltou a descer para cerca de 100 toneladas e, no ano passado, para as 80 toneladas. 

Uma quebra que se deve a um “desinvestimento dos produtores”. “(Trata-se de) Um desinvestimento contínuo, que se arrasta há mais de 10 anos, nesta cultura, pois não há apoios. Aliás, há todo um conjunto de circunstâncias, como a especulação imobiliária, aposta em culturas subsidiadas como a lavoura ou a produção de banana que levaram à situação actual”, afirma.

Já numa entrevista dada ao Diário dos Açores, em 2016, Nuno Rainha mencionava o mesmo assunto, enumerando os vários factores que levaram à quebra da produção da cultura desta uva, ainda muito presente no concelho de Vila Franca do Campo.

“O primeiro factor tem a ver com a propaganda do Governo Regional, no final da década de 90, para a extinção da uva de cheiro. Esta propaganda, com motivos políticos, foi apoiada pela comunidade europeia e pretendia a extinção das vinhas de casta americana, a ‘vitis labrusca’. Esta casta, do ponto de vista dos europeus, é considerada uma má casta, dá vinho de má qualidade e foi colocada na lista negra das castas da Europa. Há um decreto de lei regional que proíbe a exportação deste vinho para a Europa, pelo que só pode ser consumido na Região. Isto, obviamente, limita muito a nossa área de acção. Se só pode ser consumido aqui, não conseguimos ganhar visibilidade fora da região”, considerava, na altura. 

Um segundo factor, continuou, “é o facto de o vinho de cheiro ter sido sempre conotado como o vinho do povo, o vinho dos pobres. A partir do momento que entram no mercado marcas nacionais e empresas com uma força comercial muito maior, com formatos e designs muito mais apelativos e até com preços mais competitivos, as pessoas tendem a escolher o produto nacional, nem que seja pela experiência”. 

“Para além disso, houve nos últimos 10 ou 12 anos muita especulação imobiliária sobre os terrenos onde estavam as vinhas. As vinhas passaram a ser cimento armado, dando lugar a blocos de apartamentos, hipermercados. Aquela que era a melhor zona de cultivo de vinha na zona de Vila Franca do Campo é, actualmente, um parque habitacional. Refiro-me à zona do Aldeamento do Ilhéu e do hipermercado Solmar. Em toda aquela zona havia vinhas. Mesmo a encosta localizada atrás do parque industrial de Vila Franca do Campo eram terrenos com vinhas”, apontou.

Manuel Rainha recordou também os seus tempos áureos da produção de vinho de cheiro: “nós já chegamos a produzir quase um milhão de litros de vinho nesta adega, em 2001, cerca de 1800 e tal pipas de vinho, mas neste momento [2016] vamos produzir cerca de 70 mil litros. É uma queda brutal”, sublinhou.

Dois anos depois, a situação continua a mesma, uma vez que “a cultura desta uva é completamente ignorada pela Comunidade Europeia”.

“Ainda esta semana, mandámos uma palete de vinho abafado, produzido com uva de cheiro para os Estados Unidos… sendo que o cliente tem elevadas expectativas para o mesmo porque entende tratar-se de um produto único e com características muito distintas comparativamente ao que se encontra no mercado. Como é possível termos que procurar mercados tão distantes para conseguir colocar o nosso produto pois não podemos enviar  para Portugal Continental e para a Europa. É essa a nossa realidade e o quão limitados estamos para trabalhar esta casta (da espécie americana ‘vitis labrusca’)”, lamenta. 

 

Aumento do consumo pelos turistas não abrange o vinho de cheiro

 

Apesar de ter existido, nestes últimos anos, um incremento significativo do número de turistas na ilha de São Miguel, e consequentemente um aumento do consumo dos produtos regionais, Nuno Rainha alerta que o vinho de cheiro continua a não ser valorizado. “Não será, actualmente, o enfoque no turismo que faz valorizar a cultura”, considera. “Não se pode pensar que, pelo facto de estarem mais pessoas a consumir na restauração e na hotelaria de São Miguel, haverá mais procura pelo vinho de cheiro, porque se trata de um produto particular”, refere.

“Nós, produtores locais, ficamos apenas com um pequeno nicho de mercado, onde vamos colocando o nosso produto e fazendo o nosso trabalho. A realidade do vinho de cheiro que produzimos aqui é muito distante de outros vinhos regionais, no Pico, por exemplo”, salienta. No que toca a apoios, precisamente por haver a “intransigência” da União Europeia face à casta ‘vitis labrusca’, não existem: “O acontece é que, por muito que procuremos ajuda, esbarramos sempre nas limitações criadas pela União Europeia para estas castas”, frisa o produtor. “Há uma propaganda nos Açores à volta dos vinhos que são produzidos com castas certificadas na Região, como no Pico, mas já a nossa casta não pode ser certificada, o que não nos permite ter distinção ou valorização pelo facto do produto ser produzido na região. Há o reconhecimento de que há muita produção desta uva e deste vinho, só que as entidades regionais e do sector vitivinícola pouco ou nada poderão fazer...”, explicou. 

Questionado se, um dia, a produção do vinho de cheiro poderá vir a acabar, Nuno Rainha diz que não, “mas provavelmente, ao longo dos anos, poderá tornar-se cada vez mais residual”. 

O que irá acontecer no futuro, segundo diz, é que a indústria de produção deste vinho se irá “cansar de trabalhar este produto”. “Só alguns pequenos operadores irão talvez produzi-lo para os amigos ou para a famílias e pouco mais”, admite. “Talvez até se venha a tornar uma espécie de ‘fruto proibido’: o produto hoje não vale muito, mas daqui a dez anos, por ser muito pouco, poderá vir a ser mais procurado e valer mais”.

 

“Abandonar é crime e tem de ser punido a sério. Enquanto não o for, nada mudará”

animais de rua - acção de recolha

A coordenadora do núcleo de São Miguel da Associação Animais de Rua avança ao Diário dos Açores que o abandono de animais está a crescer na ilha. Por altura do Verão, a situação agrava-se. Apesar da tentativa de controlo das colónias de gatos que existem especialmente em miradouros da ilha, continuam a surgir, nestes locais, ninhadas de gatos bebés, que são deixados à sua sorte.“Abandonar é crime e tem de ser punido a sério: enquanto não o for, nada mudará”, diz Sofia Lima. A responsável aponta para a necessidade de existirem mais famílias de acolhimento para os animais que são recolhidos. São também precisos mais apoios para concretizar mais esterilizações. Em 2017, a Associação esterilizou 266 animais e, este ano, as esterilizações já ultrapassam as 170.

 

Diário dos Açores - Qual a realidade que se encontra actualmente, na ilha de São Miguel, no que toca ao abandono de animais? 

Sofia Lima (SL) - Infelizmente, este ano acreditamos ter havido ainda mais abandono animal. Não conseguimos perceber como é que depois de tanta sensibilização e divulgação de campanhas de esterilização as pessoas continuam a abandonar os seus animais para irem de férias, assim como continuam a deixar que as fêmeas engravidem, sem sequer tentar ajuda para as esterilizar. A esterilização é a solução para o abandono, pois se nascerem menos, menos serão abandonados, menos estarão nas ruas, menos se reproduzirão nas ruas e haverá mais famílias dispostas a adoptar. É um ciclo vicioso.

 

O aumento do abandono de animais durante o Verão, devido às férias, é, portanto, uma realidade cá?

SL - Sim. Infelizmente, acho que exemplo disso são as nossas colónias nos miradouros e sítios mais escondidos. Constantemente, aparecem animais novos, durante todo o ano, mas nas épocas de ninhadas e no Verão é pior ainda. As pessoas têm uma facilidade incrível em “desfazerem-se” de um animal. Como é que é possível?! Ficamos incrédulos com isto, não há justificação. Há tanta solução: pedir ajuda, divulgar nas redes sociais, em último caso entregar nos CRO. Abandonar é crime e tem de ser punido a sério: enquanto não o for, nada mudará.

 

O número de animais errantes tem aumentado ou diminuído relativamente a anos anteriores?

SL - Nós acreditamos que tem vindo a diminuir no que toca aos animais verdadeiramente errantes. O que quero dizer com isto é que, por causa do abandono, as colónias de animais errantes e silvestres nunca estão totalmente controladas. Acreditamos que se não houvesse o foco de abandono que há, as populações errantes (animais de rua, sem um responsável ou tutor) estariam muito controladas. Por exemplo, no miradouro de Santa Iria, na Ribeira Grande, esterilizamos os 18 animais do local, em Fevereiro de 2015, e a colónia ficou totalmente esterilizada. Agora passados três anos, os gatos residentes já são só quatro ou cinco. A colónia de gatos errantes reduziu naturalmente (por não haver reprodução no local e por morte/ doença dos elementos aos poucos). Ora, só neste Verão foram retirados por nós 15 bebés e suas mães. Depois disso, foram abandonadas mais três ninhadas, que tivemos de encaminhar para o CRO da Ribeira Grande, por não termos capacidade de receber mais animais em família de acolhimento. Ou seja, é uma colónia que podia estar controlada e estável há anos, mas devido ao abandono é impossível. E o mesmo se repete na maior parte dos miradouros, onde esterilizámos as colónias por completo e  que continuamos a monitorizar. É lamentável.

 

Uma das missões da Animais de Rua é a esterilização de animais carenciados. Quantos animais a associação já conseguiu esterilizar em São Miguel, ao longo de 2018? E no ano passado?

SL - Em 2018 já esterilizámos mais de 170 animais, entre eles animais errantes e silvestres, mas também alguns de famílias carenciadas. Em 2017, atingimos as 266 esterilizações, números que muito nos orgulham.

 

A Associação tem conseguido os meios suficientes para a esterilização destes animais? De que forma conseguem angariar apoios?

SL - Este ano está a ser um ano complicado, pois temos tido muitos pedidos de ajuda e, infelizmente, não conseguimos chegar a todos. A maior parte das vezes, as pessoas (cuidadores das colónias ou famílias carenciadas) não conseguem sequer pagar o valor simbólico que pedimos para podermos avançar com a esterilização, e como não podemos avançá-lo para todos os casos, há dificuldades em dizer que sim a todos os pedidos. Temos tido o apoio do Governo Regional, no âmbito da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas, nos últimos anos, e embora não sejam valores muito altos, dão ajuda para os casos mais urgentes. Temos também protocolo com a Câmara Municipal de Ponta Delgada, mas este ano não conseguimos usufruir dele desde Fevereiro, por questões protocolares. Esperamos em breve retomá-lo. Internamente, fazemos alguns pedidos de apadrinhamento para casos específicos, especialmente para colónias muito numerosas, através das redes sociais. Fazemos também algumas vendas, bazares, rifas  e sorteios, que vão remediando as despesas mais urgentes que são sempre muitas.

 

As famílias de acolhimento têm sido suficientes para dar conta do número de animais que há para adopção? Quantas são, actualmente?

SL - Infelizmente, não. Este ano, como nos anteriores, conseguimos recolher em família de acolhimento as primeiras ninhadas, mas como as adopções são tão difíceis, chega a um ponto que não conseguimos acolher mais. Neste momento, temos quatro adultos para adopção, entre elas mães de ninhadas abandonadas este verão. Temos ainda nove bebés para adopção, abandonados em miradouros e retirados de colónias que controlamos. Uma das ninhadas eram sete bebés, extremamente doentes e fracos. Agora já têm três meses e alguns estão parcialmente cegos mas muito bem: conseguimos salvá-los e agora queremos encontrar famílias que os protejam para sempre.

 

Segundo a realidade que conhece, há alguma zona na ilha de São Miguel em que a existência de animais errantes seja maior?

SL - Os sítios mais escondidos, habitats mais naturais, mais longe das populações são sempre mais propícios para os animais errantes e silvestres se fixarem, devido a estarem mais seguros, calmos e poderem ter muitos esconderijos. Por isso, os miradouros são locais ideais para eles, muito embora nas cidades também haja colónias numerosas. Basicamente, os animais errantes fixam-se onde houver alguma segurança, onde possam circular e onde haja um ponto de alimentação fixo.

 

Quais as maiores preocupações e dificuldades da Associação Animais de Rua?

SL - As nossas grandes dificuldades passam não só pela pouca capacidade económica, mas também pelo facto de sermos uma equipa muito pequena numa associação que tem bastante trabalho e muitas solicitações. Os voluntários têm de ir para o terreno, às vezes com condições climatéricas complicadas, e ainda têm de fazer trabalho administrativo, às vezes eventos, e chegam a casa ainda têm os animais em famílias de acolhimento para tratar e cuidar. 

 

Que tipo de acções têm desenvolvido? 

SL - Fazemos muita divulgação para adopção dos animais em famílias de acolhimento, eventos como feirinhas, para angariar dinheiro, muitas capturas nas colónias numerosas, venda de rifas. Em breve (7 e 8 de Setembro) vamos estar no Festival Jardim Sagres Fest, no Parque Urbano, como causa social do festival. Vamos ter vendas a reverter para a associação e aulas solidárias de fitness. Em Outubro, dia 27, teremos o nosso Jantar Solidário Vegetariano, que é a 5ª edição, no Pavilhão das Portas do Mar e que costuma ser um sucesso!

 

Em 2022 deverá entrar em vigor a legislação que prevê o abate zero nos canis da Região. Qual a opinião da Animais de Rua sobre esta medida?  

SL - Já dizemos há muitos anos que é preciso preparamo-nos para esta medida, com fortes e agressivas campanhas de sensibilização e esterilização. É preciso esterilizar massivamente, tanto nas ruas como nas populações mais carenciadas. Só assim se conseguirá evitar que os mais animais vão parar aos canis, controlando a população dos mesmos. A esterilização é a solução.

 

Esta legislação, ao mesmo tempo que protege a vida dos animais, não irá contribuir para um aumento do número de animais errantes , tendo em conta que os centros de recolha oficiais têm um limite de lotação e essa lotação poderá esgotar-se? 

SL - Infelizmente, sabemos que poderá haver mais abandono, e é aí que a legislação e as autoridades têm de intervir, multando quem comete este crime. Em alguns CRO já se começou a penalizar quem deixa animais nos CRO e isso também pode contribuir para que haja mais abandono na rua, mas á uma medida necessária para responsabilizar as pessoas. Por outro lado, se as lotações dos CRO se esgotarem é da responsabilidade de cada município criar condições e capacidade para receber este tipo de medidas. Essa responsabilidade nunca poderá ser imputada a associações sem fins lucrativos.

 

Sentem que a população está mais sensibilizada para os direitos dos animais? Ou haverá ainda um longo caminho a percorrer?

SL - Fundei o Núcleo de São Miguel da Associação Animais de Rua em 2013 quando vim para cá viver e desde aí até hoje eu noto uma diferença enorme na mentalidade das pessoas, na preocupação com os animais, na vontade de ajudar. Em 2013, quando eu ia sozinha com a armadilha capturar gatos silvestres, as pessoas admiravam-se muito porque é que eu estava a ajudar animais que não eram de ninguém e a gastar dinheiro a esterilizar. Agora as pessoas compreendem que é uma necessidade esterilizar, não só pela saúde dos seus animais em casa, como as populações de rua, por questões de saúde, salubridade e higiene e controle populacional.

Ocorrências nas praias tendem a aumentar, com crescimento do turismo em São Miguel

Polícia Marítima - Salva vidas na vigilancia das praiasO aumento do turismo em São Miguel tem contribuído para o crescimento de ocorrências nas zonas balneares desta ilha. A informação é avançada pelo capitão do porto de Ponta Delgada e Vila do Porto, o comandante Cruz Martins, que considera ser uma situação “compreensível”. 

“A tendência tem sido de aumento [de ocorrências], o que é compreensível devido ao aumento de turistas na ilha de São Miguel”, refere o comandante local da Polícia Marítima, ao Diário dos Açores. Apesar do aumento, têm sido ocorrências “de pouca gravidade, e que muitas vezes devido à rápida intervenção dos nadadores salvadores, são resolvidas sem consequências graves”, aponta.

O responsável faz um balanço positivo, até ao momento, da época balnear de 2018, frisando o facto de não terem sido registadas vítimas mortais. “Até agora o balanço é positivo porque não existem vítimas mortais a lamentar. Contudo, a época balnear ainda não acabou e por isso é necessário continuar a trabalhar para a segurança dos banhistas”, alerta.

Segundo adianta ao nosso jornal, são reportadas ocorrências “quase todos os dias” pelos nadadores-salvadores de várias zonas balneares, tratando-se de acontecimentos “de pouca gravidade”. “[São] Basicamente situações de dificuldade de natação de alguns banhistas, que acabam por motivar a intervenção do nadador salvador, mas na grande maioria são lesões por pequenas quedas em terra ou lesões provocadas por algumas atitudes menos prudentes”, esclarece.

Recorde-se que, na ilha de São Miguel, existem 21 zonas balneares oficiais, definidas em portaria do Governo Regional, “todas elas os nadadores salvadores necessários”, de acordo com a legislação. “Essas 21 zonas balneares oficiais necessitam de um efectivo total de 48 nadadores salvadores, de forma a cumprir com o dispositivo legal em vigor, que obriga a que cada posto de praia tenha dois nadadores salvadores (NS) em permanência durante o horário balnear”, explica o comandante Cruz Martins, que acrescenta que “quase todas as 21 zonas balneares têm um posto de praia, exceptuando-se a praia das Milícias que tem dois postos de praia (e como tal quatro nadadores salvadores) e a praia de Santa Bárbara que tem três postos de praia (e seis nadadores salvadores)”.

Ao Diário dos Açores, o comandante local da Polícia Marítima reiterou a importância da rápida intervenção dos nadadores salvadores, que garantem que situações potencialmente graves, não passem de um susto para os banhistas. “Algumas das situações só não se tornaram graves, e algumas mesmo eventualmente mortais, devido à rápida e eficaz intervenção dos nadadores salvadores dessas áreas balneares”, refere. Ou seja, continua, “situações em que o banhista fica em dificuldades, quer seja por não saber bem nadar ou por ser apanhado nalguma corrente, e que se fosse numa zona não vigiada poderia tornar-se numa situação potencialmente perigosa, mas que com a intervenção do nadador salvador não passa de um susto”. 

Segundo afirma, a “esmagadora maioria” dos banhistas respeita as regras, “mas nas questões da segurança balnear, nomeadamente no que se refere a acidentes mortais, não devemos regular-nos por percentagens, porque um único caso mortal que seja é sempre lamentável”.

Cruz Martins alerta ainda que, mesmo depois da época balnear terminar, “continua a ser fundamental uma atitude prudente da parte dos banhistas para que não existam acidentes”.

O responsável acrescenta ser “fundamental a existência de uma boa interligação entre todas as entidades que contribuem para a segurança balnear” e deixa um conselho aos banhistas: “terem sempre presente que a segurança de cada banhista começa sempre nele próprio e nas atitudes e comportamentos prudentes que deve sempre adoptar”.

 

Mais Lidas nos últimos 3 dias

Condutor detido com 2,94 g/l de álcool no sangue
terça, 13 novembro 2018, 00:00
Faleceu o deputado do PSD/Açores Paulo Parece
terça, 13 novembro 2018, 00:00