Pesca nos Açores cai para quase metade em Setembro

pesca

A pesca descarregada nos portos dos Açores no passado mês de Setembro sofreu uma queda brusca, com apenas 796.607 quilos de peixe, quando no mesmo mês do ano passado tinham sido 1,3 toneladas.

Esta foi a maior quebra de capturas do ano, fazendo com que o acumulado de Janeiro a Setembro regista um volume de 6,4 toneladas, menos do que as 6,7 toneladas do período homólogo.

Todas as ilhas registaram fortes quedas em setembro, algumas mais de metade, excepto Pico, Faial, Flores e Corvo, que aumentaram as capturas.

Em S. Miguel a queda foi de 641.794 quilos no ano passado para 338.577 quilos agora em Setembro.

Quanto a valores da pesca descarregada, também estão em queda.

No ano passado, entre Janeiro e Setembro, o valor da pesca situava-se nos 27,6 milhões de euros, enquanto que este ano, no mesmo período, atinge os 23,7 milhões de euros.

 

Açores com uma das maiores quebras de facturação nos negócios

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Os Açores registam uma das maiores quebras de facturação de negócios no país, com menos 22% de facturação acumulada em Setembro deste ano. 

Os dados constam do mais recente relatório Reduniq Insights, a que o nosso jornal teve acesso, que demonstram “uma gradual retoma da facturação e do número de transacções” dos negócios portugueses registadas na rede de cartões Reduniq, da Unicre, “apesar da facturação total acumulada até ao último mês ser de menos 20% face ao mesmo intervalo de 2019”. 

”A retoma de facturação justifica-se sobretudo pelo impulso do turismo interno e pela chegada da ‘rentrée’, caracterizada pelo aumento dos fluxos de mobilidade - quer pelo regresso às aulas ou pelo regresso ao trabalho”, refere a Reduniq.

No que diz respeito ao número de transacções, assistiu-se também a uma retoma gradual dos normais valores, com uma variação homóloga negativa de 0,42%, no período compreendido entre 6 e 19 de Setembro.

O relatório mostra ainda que os portugueses estão a gastar menos em cada compra, com o valor médio por transacção a fixar-se nos 33,50 euros, apesar de estarem a consumir mais vezes.

Quando comparados os níveis de facturação de cartões nacionais e estrangeiros, os dados do relatório mostram que, entre agosto e setembro, o consumo dos portugueses excedeu a facturação registada no mesmo período de 2019, enquanto que a facturação estrangeira obteve quebras na ordem dos 50%.

Os distritos mais dependentes do turismo, como Lisboa, Faro, Porto e as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira são os mais afectados, apresentando quebras entre 14% e 24%, em Setembro.

Logo desde o momento do confinamento, que em certa medida este se poderia ter configurado como um “alisador” de comportamentos de consumo, que se observa uma profunda disparidade nas performances de diferentes regiões (distritos).

As quebras fora muito mais acentuadas em regiões com especialização no turismo (Lisboa, Faro, Açores, Madeira e mesmo Porto).

As quebras foram maiores em cidades grandes do que em cidades médias e pequenas (em função da configuração das suas forças de trabalho e a prevalência de modelos de teletrabalho).

Os meses de Julho e Agosto, impactados por algum fluxo de turistas estrangeiros (e por comportamentos de “férias vá para fora cá dentro”), contribuíram, para o acelerar da recuperação de distritos (turísticos) como Lisboa, Faro, Açores, Madeira e mesmo Porto, até então com quebras acima dos 30%. 

As quebras, nestes distritos, reduziram-se para sensivelmente metade, situando-se, à entrada de Setembro, em valores entre os 15% e os 20%.

Na quase globalidade dos demais distritos as variações observadas em Setembro de 2020 face ao homólogo de 2019 são já inferiores a 10%, em vários casos, até, inferiores a 5%.

 

Empresas públicas regionais com prejuízo de 23 milhões de euros no 1º trimestre

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As 22 empresas públicas regionais registaram no primeiro trimestre deste ano um prejuízo conjunto de 23,8 milhões de euros, segundo as contas das respectivas empresas enviadas pelo Governo Regional ao parlamento açoriano e consultadas pelo nosso jornal.

As contas do segundo trimestre, que já devem trazer as consequências da crise sanitárias, ainda não foram disponibilizadas.

Algumas das empresas apresentam resultado líquido positivo, mas receberam quase todas subsídios do governo, na totalidade de mais de 56 milhões de euros.

 Os três hospitais da região registam um défice de exploração da ordem dos 10 milhões de euros, tendo recebido mais de 44 milhões de subsidiação.

A SATA Air Açores apresenta um défice de exploração de 3,3 milhões e a Internacional de 17,8 milhões, somando 20 milhões negativos entre as duas. 

Em 26 de Fevereiro de 2018, o  Presidente do Governo Regional anunciou a redução da participação directa e indirecta do executivo em empresas e associações no âmbito de uma reforma do sector público empresarial regional que inclui a extinção de empresas, entre elas a Saudaçor (gestora de equipamentos de saúde).

Segundo Vasco Cordeiro, a reforma, que abrange 17 empresas, engloba “diversas soluções contemplando, nuns casos a extinção de empresas, conjuntamente com um processo de internalização de serviços e de recursos humanos, noutros a alienação da participação total ou parcial da região e, noutras ainda, a desvinculação de associado”.

Inquérito da AHRESP: 17% das empresas de alojamento turístico dos Açores pretendem avançar para a insolvência

Alojamento local - placa17% das empresas de alojamento turístico dos Açores pretendem avançar para a insolvência, 15% dos restaurantes açorianos não conseguiram pagar os salários de Agosto e 77% da restauração prevê uma quebra de facturação neste mês de Outubro.

Estes números vêm publicados num inquérito realizado no âmbito da ameaça global do COVID-19, e dos seus efeitos na economia, pela AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal), junto das empresas do alojamento turístico e da restauração e bebidas, de modo a apurar os efeitos que esta pandemia está a causar na actividade das nossas empresas.

O inquérito, a que o nosso jornal teve ontem acesso, decorreu entre 30 de Setembro e 4 de Outubro de 2020, tendo obtido um total de 1.173 respostas válidas, e representativas dos sectores da restauração e bebidas e do alojamento turístico, em todo o território nacional, incluindo Açores e Madeira.

 

Compromissos e Insolvências

no alojamento turístico

 

Em Outubro, face às estimativas de facturação, 53% das empresas não irá conseguir suportar os encargos habituais (pessoal, energia, fornecedores e outros);

• 14% das empresas pondera para insolvência, caso não consigam suportar todos os encargos;

• Em termos regionais, 24% das empresas da região Norte tencionam avançar para insolvência, 19% das empresas da região de Lisboa e 17% da R. A. dos Açores.

 

Facturação no alojamento 

turístico

 

Mais de 40% das empresas de alojamento registaram um quebra homóloga na facturação, superior a 80% no mês de Setembro;

• No período do Verão (Junho a Setembro) cerca de 50% das empresas registaram quebras acima dos 75% face ao Verão de 2019;

• Para o último trimestre do ano (Outubro a Dezembro), mais de 60% das empresas estimam uma quebra de facturação acima de 75%, comparado com o período homólogo;

• No caso específico do mês de outubro, destaque para a Região de Lisboa, onde mais de 70% das empresas estimam essa quebra, bem como 68% das empresas da Região Norte; 

 

 

Salários e Emprego 

no alojamento turístico

 

• Mais de 16% das empresas não conseguiu pagar salários em setembro, e 7% apenas pagou uma parte. 

Na R. A. Madeira foram cerca de 30% as empresas que não conseguiram pagar os salários de agosto, e 22% da Região Norte e 20% na Região Lisboa;

• Cerca de 16% das empresas tiveram que recorrer a financiamento para conseguir pagar os salários dos seus trabalhadores em setembro;

• Desde o início do estado de emergência, cerca de 25% das empresas efectuou despedimentos (na região de Lisboa foram cerca de 32% das empresas). 

Destas, 30% reduziram o quadro de pessoal entre 25% e 50% e mais de 25% reduziram em mais de 50% os seus postos de trabalho;

• Cerca de 15% das empresas assume que não vai conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano. 

Na região do Algarve, 20% das empresas não vão manter os postos de trabalho até ao final do ano, bem como 18% no Alentejo e 17% das empresas da região de Lisboa.

 

Salários e Emprego 

na Restauração

 

Cerca de 9% das empresas não conseguiu pagar salários em Agosto, e 13% apenas pagou uma parte. 

Na R. A. dos Açores foram mais de 15% as empresas que não conseguiram pagar os salários de Agosto, e 10% da Região Centro;

• Cerca de 28% das empresas tiveram que recorrer a financiamento para conseguir pagar os salários em Setembro;

• Desde o início do estado de emergência, cerca de 40% das empresas efectuou despedimentos (no Algarve foram 49% das empresas e na região de Lisboa 44%). 

Destas, 29% reduziram o quadro de pessoal entre 25% e 50% e cerca de 14% reduziram em mais de 50% os seus postos de trabalho;

• Cerca de 18% das empresas assume que não vai conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano.

 Na região do Algarve 43% das empresas não vão manter os postos de trabalho até ao final do ano, bem como 19% das empresas da região de Lisboa.

 

Facturação na Restauração

 

• Mais de 63% das empresas de restauração e bebidas registaram um quebra homóloga superior a 40% no mês de Setembro;

• No período do Verão (Junho a Setembro), mais de 60% das empresas registaram quebras acima dos 50%, face ao Verão de 2019;

• Para o último trimestre do ano (Outubro a Dezembro), mais de 52% das empresas estimam uma quebra de facturação acima dos 50%, comparado com o período homólogo;

• No caso específico do mês de outubro, destaque para a R. A. dos Açores, onde 77% das empresas estimam essa quebra, bem como 58% das empresas do Algarve e 52% das empresas da região de Lisboa;

Prestação da casa será 1,7% mais elevada quando forem retomados os pagamentos

casas ponta delgada

O Governo da República estendeu por mais seis meses a moratória que permite suspender o pagamento das prestações. 

A prestação da casa será 1,7% mais elevada quando for retomado o pagamento em Outubro de 2021.

Segundo o jornal ECO, as famílias que recorreram à moratória do Estado vão gozar de um fôlego adicional nos encargos com o crédito da casa, pois o Governo decidiu estender por mais seis meses, para o total de ano e meio, o período de vigência da moratória que permite suspender o pagamento das prestações. 

Esse alívio durará assim até ao final de Setembro do próximo ano, em vez do fim de Março, mas irá reflectir-se em encargos mais elevados findo esse regime. 

A retoma dos pagamentos, em Outubro do próximo ano, engordará a prestação da casa em 1,7% face ao valor que vigorava antes da pandemia, segundo o jornal.

Quando o Governo anunciou a 26 de Março a criação de uma moratória pública até final de Setembro deste ano, tanto das empresas como da habitação, divulgou também um conjunto de simulações ilustrativas do alívio de encargos que a medida permitiria.

No caso do crédito à habitação, considerou o exemplo de um financiamento de 150 mil euros por um prazo de 30 anos (dez dos quais já passados) indexado à Euribor a seis meses e com um spread de 1,5%.

 Um crédito com essas características teria associada uma prestação mensal de 495 euros aquando do anúncio da moratória, no final de Março. 

A suspensão desse encargo durante o período da moratória iria permitir uma folga de 2.963 euros no orçamento.

Uma margem financeira muito importante sobretudo para os agregados com maior perda de rendimento, como aqueles que se viram confrontados com a suspensão da sua actividade, entraram em lay-off ou ficaram sem emprego, escreve o ECO.

 O ministro das Finanças já reconheceu que em termos de desemprego o pior ainda está para vir, antecipando um agravamento da taxa de desemprego para 9 ou 10%.

A simulação do Governo mostrava ainda o impacto sobre o valor da prestação quando for retomado o pagamento do empréstimo ao fim dos seis meses. 

Com a capitalização de juros no total do montante ainda em dívida, o valor da prestação passaria a ser de 498 euros. 

Ou seja, um aumento de 0,6% face ao cenário anterior à pandemia que no exemplo considerado corresponderia a mais três euros nos encargos mensais.

Quando em Junho a medida foi estendida por mais seis meses, cálculos da Deco facultados ao ECO alertavam para o aumento dos encargos quando fosse retomado o pagamento das prestações. 

Tal acentua-se ainda mais no seguimento da recente decisão do Governo de esticar a moratória do crédito por mais seis meses, até ao final de Setembro de 2021.

Partindo do mesmo cenário do Governo, a retoma do pagamento da prestação em Abril de 2021 acarretaria um custo adicional de 1,2% face à pré-pandemia, indicavam os cálculos da associação de consumidores que assumiam que a Euribor a seis meses não sofresse oscilações. 

No que respeita ao valor da prestação, esta passaria a fixar-se nos 500,72 euros, ou seja, 5,72 euros acima dos encargos mensais prévios à moratória.

Numa nova simulação da Deco que já tem em conta o recente anúncio do prolongamento da moratória até setembro do próximo ano, verifica-se um agravamento da prestação ainda maior. 

Esta sobe 1,7% a partir de Outubro do próximo ano, para se fixar nos 503,49 euros, se for tido em conta o mesmo cenário base. 

Nesta situação, estão em causa 8,5 euros por mês a mais face à prestação que vigorava antes da pandemia.

O acréscimo dos encargos poderá não parecer muito grande, mas poderá tornar-se incomportável para as famílias mais afectadas pela pandemia. 

Até porque a profundidade e duração do impacto da pandemia sobre a economia, o emprego e os rendimentos das famílias é ainda muito difícil de avaliar, conclui o ECO.