Recepção apoteótica nos EUA

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As comemorações do Dia de Portugal, que se iniciaram no fim-de-semana, em Ponta Delgada, estenderam-se ontem a Boston e Providence, nos EUA, onde a comitiva chegou no domingo com uma hora de atraso em relação ao previsto.

“Os EUA são um grande país, mas Portugal ainda é maior. Temos o maior país do mundo”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa aos milhares de pessoas no ‘City Hall’ de Boston, onde estava a decorrer o ‘Boston Portuguese Festival’, com uma recepção popular apoteótica e em que os guarda costas viram-se “gregos” para separar o Presidente dos milhares de populares.

“Viva a cidade de Boston e o Estado de Massassuchets, viva os Estados Unidos da América, mas sobretudo viva o mais importante: Viva Portugal“, disse ainda o Presidente da República.

O chefe de Estado, que se deslocará a Washington no final do mês para uma reunião com o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou ainda que vai regressar aos EUA em Novembro.

“Em Novembro, estarei com as comunidades portugueses com as quais não me encontrarei agora”, disse, antes de adiantar que visitará nessa altura a costa oeste e a importante comunidade lusa de Fall River, na costa leste.

Marcelo Rebelo de Sousa disse saber que algumas comunidades portuguesas nos EUA ficaram tristes por não receberem agora a sua visita. “Desde já prometo que em Novembro visitarei as comunidades que não pude visitar agora em Junho. Virei à costa oeste, a Fall River, que ficaram agora muito tristes. Mas virei cá em Novembro”, acentuou.

Na sua intervenção, o Presidente da República estendeu a todos os órgãos de soberania a mensagem sobre o “orgulho” do país em relação às comunidades portuguesas e adiantou um pouco sobre algumas posições que transmitirá no final deste mês a Trump.

“Ele bem pode agradecer aos portugueses, porque tem aqui uma comunidade que trabalha pelo futuro dos EUA, que é honesta, trabalhadora, competente e que honra Portugal. Tem amor pelos EUA mas não esquece a nossa pátria, o nosso querido Portugal”.

O chefe de Estado, acompanhado do primeiro-ministro, António Costa, e pelo Presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, seguiram depois para Providence, capital de Rhode Island, onde participaram no evento WaterFire, este ano dedicada a Portugal.

No palco, Marcelo e Costa foram recebidos e antecedidos nos discursos pelo ‘mayor’ Jorge Elorza, que ofereceu ao Presidente a chave da cidade, e pela governadora do Estado de Rhode Island, Gina Raimondo, que anunciou a criação de uma matrícula automóvel especial de comemoração do dia de Portugal.

“Temos uma capacidade de compreender, de dialogar, de aproximar pessoas. Somos assim. Nós unimos, não dividimos, nós criamos a paz, não a guerra. É assim que nós somos, é essa a nossa força, é essa a vossa força”, enalteceu o chefe de Estado.

Marcelo reconheceu que Portugal e os seus representantes podem parecer estar longe, mas tal não é verdade. “Às vezes parece que estamos longe. Não estamos, estamos perto“, disse, depois de elogiar aqueles que “todos os dias criam Portugal” em Providence.

Por sua vez, António Costa manifestou-se confiante na solidez futura das relações entre Portugal e EUA, defendendo que os dois países estão unidos por valores comuns como o amor à liberdade e à democracia.

“É absolutamente essencial continuarmos a estreitar as relações entre Portugal e os EUA, porque somos ambos duas democracias, ambos amamos a liberdade e o esforço e o respeito de cada um para construir a prosperidade. É nessa comunidade de valores que Portugal e os EUA vão continuar a construir um futuro cada vez mais próximo através deste oceano Atlântico que une os nossos dois países”, disse.

Costa dirigiu também palavras à comunidade portuguesa, dizendo que o objetivo dos órgãos de soberania nacionais “é estreitar cada vez mais as relações com a diáspora portuguesa”.

“Por isso, a Assembleia da República aprovou uma nova lei da nacionalidade que facilita aos netos dos portugueses a obtenção da nacionalidade. Por outro lado, o Governo aumentou o prazo de validade do cartão do cidadão, assegurando-se que cada titular está automaticamente recenseado para poder participar nas eleições em Portugal. É muito importante a vossa participação, quer aqui nos EUA, quer lá em Portugal”, afirmou.

Tal como tinha feito horas antes em Boston, o líder do executivo referiu-se ao programa de visita aos EUA, que termina no próximo sábado.

“Vou ficar esta semana nos EUA para promover o investimento em Portugal, mas sei que o meu trabalho está muito facilitado, porque sempre que falamos com um americano ele conhece bem Portugal através de cada um de vós. Esse é o melhor cartão-de-visita que Portugal pode ter”, declarou.

 

Marcelo elogia os muitos Portugais

 

No domingo, ponto alto das comemorações em Ponta Delgada, durante a cerimónia na Avenida Marginal de Ponta Delgada, o Presidente da República sinalizou que o país prefere a “paciência dos acordos, mesmo se difíceis”, à “volúpia das roturas, mesmo se tentadoras”. 

O Presidente fez um discurso curto em que falou sobretudo daquilo que define os portugueses enquanto povo. 

Numa intervenção curta, de cerca de cinco minutos, o chefe de Estado elogiou a diáspora portuguesa e o “abraço” que Portugal dá “a quem chega, migrantes ou refugiados”, e a cultura de “pontes, diálogos, entendimentos”.

O Presidente estava acompanhado de algumas das mais altas individualidades do Estado, entre as quais o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, o primeiro-ministro, António Costa, e o Presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro. 

”Preferimos a paciência dos acordos, mesmo se difíceis, à volúpia das roturas, mesmo se tentadoras. O multilateralismo realista ao unilateralismo revivalista”, sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República teceu ainda elogios aos “muitos Portugais” que garantem “riqueza” ao país e frisou que não pode ser tolerada discriminação nesta diversidade identitária. “Como não sublinhar a pátria que somos, a autonomia que evocamos e o universalismo fraternal. A Pátria numa só, feita de muitas vivências”, disse Marcelo durante o seu discurso.

 “Não toleraremos que os Portugais sejam discriminados naquilo que de essencial assinala o estatuto da nossa cidadania cívica, económica, social e cultural”, disse ainda.

A habitual Cerimónia Militar, que decorreu no centro da maior cidade açoriana, contou com a participação de mais de mil militares dos três ramos das Forças Armadas.

 

Reassumir o papel no Atlântico

 

Por sua vez, o presidente das comemorações do 10 de Junho, Onésimo Teotónio de Almeida, disse que Portugal, que abriu rotas em todo o planeta, pode “reassumir o papel de rampa de saída, de ponte sobre o Atlântico”.

“Lá de fora sentimos com afago todo este interesse por Portugal e pelos Açores, em particular, e bem gostaríamos que ele fosse mais do que apenas uma descoberta do país como paraíso de férias e aposentação. Queremos o reconhecimento de um Portugal que abriu rotas para as mais diversas partes do planeta e agora bem poderá reassumir esse seu papel de rampa de saída, de ponte sobre o Atlântico”, declarou.

O professor catedrático da Universidade de Brown, nos Estados Unidos da América, que falava em Ponta Delgada na cerimónia comemorativa do 10 de Junho, afirmou que Portugal é um “país moderno e aberto” alheio aos conflitos que decorrem em outras geografias do globo, que se pode “constituir como esse espaço privilegiado”.

 

Intenso orgulho na palavra Açor

 

No sábado, o presidente do Governo Regional dos Açores afirmou  que o arquipélago dá testemunho de uma autonomia que “já venceu desafios”, mas que também quer continuar a vencê-los, destacando “o intenso orgulho” na palavra Açor. 

“Damos testemunho de uma Autonomia que foi, é e quer mais ser por causa dos desafios que já venceu, mas sobretudo por causa dos desafios que quer vencer”, afirmou Vasco Cordeiro, no Palácio de Santana, após a apresentação de cumprimentos do Corpo Diplomático ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Salientando o contributo dos Açores que, disse, “deram Presidentes da República, cientistas, militares, embaixadores, ministros e escritores, políticos e poetas”, o chefe do executivo açoriano sublinhou também a capacidade de “resistência” e de “reconstrução” do povo açoriano que “resiste a tempestades, a terramotos, a vulcões e a piratas, povo que também já resistiu à fome e às pragas, à solidão e em alguns casos ao esquecimento”.

“Aqui Portugal é diferente. Não esquecemos de onde viemos, nem ignoramos onde estamos, mas sobretudo sabemos quem somos”, referiu, reforçando “o orgulho” da identidade açoriana.

E, acrescentou, “neste intenso orgulho na palavra Açor está também o orgulho do que demos e do que damos pelo nosso país”.

Vasco Cordeiro referiu também que os Açores deram “homens e jovens que por Portugal deixaram a sua vida num qualquer campo de batalha e que mesmo quando aí não deixaram a vida em muitos casos deixaram partes de si, do corpo ou do espírito”.

“E tudo isto fizemos sem nunca impor condições, nem moedas de troca”, reforçou o presidente do Governo açoriano.

Vasco Cordeiro referiu-se ainda à importância do mar, mas também destacou que os Açores “dão presença em áreas de vanguarda da exploração e do conhecimento espacial”.

“Por tudo isto, e por tanto mais, é que não podem restar dúvidas que aqui Portugal é diferente. E não queremos que deixe de ser Portugal, mas também não queremos que deixe de ser diferente, porque essa nossa diferença não nos diminui em nada”, reforçou.

Vasco Cordeiro disse que os Açores dão “dimensão estratégica” pela “terra que temos e pelo mar” e dando “empenho e território na construção de pontes e parcerias para a paz, para a ciência e para o conhecimento”.

 

Marcelo mergulha no Pesqueiro

 

O Presidente da República aproveitou no sábado uma pausa na agenda das comemorações do 10 de Junho para tomar banho em Ponta Delgada na piscina natural do pesqueiro onde dezenas de açorianos aproveitavam o dia de sol.

“Vir aos Açores e não mergulhar é ofensivo”, considerou Marcelo Rebelo de Sousa.

Após cerca de 15 minutos de banho, o chefe de Estado tirou dezenas de fotografias com outros banhistas e elogiou a temperatura da água, “nos 21, 22 graus”, acima dos 14 com que tomou “nas últimas vezes” no continente.

Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa assistiram, à noite, a um concerto na igreja paroquial de São José e a um espectáculo de fogo de artifício.

 

Reacções ao discurso

 

O líder parlamentar do PSD afirmou que o Presidente da República deixou no discurso de 10 de Junho “uma mensagem de calma e tranquilidade” e de “necessidade de cumprir o que está acordado”.

“Ouvimos uma mensagem de calma, de tranquilidade, da necessidade de cumprir o que está acordado, da necessidade dos calendários serem respeitados e, portanto, foi essa a mensagem do senhor Presidente da República, uma mensagem de tranquilidade para os portugueses”, sustentou Fernando Negrão.

O líder parlamentar do PSD falava, em declarações aos jornalistas, na cidade de Ponta Delgada, ilha de São Miguel, após a cerimónia comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, num comentário sobre o discurso do chefe de Estado.

“Naturalmente nós escutaremos todos em conjunto na Assembleia da República a questão do Orçamento. Se ele será negociado pelo PS com os partidos à sua esquerda. Tem sido assim e é expectável que continue a ser assim. E, portanto, o que leio da mensagem do senhor Presidente da República é isso mesmo. A expectativa é essa, que seja negociado pelo PS com os partidos à sua esquerda”, comentou ainda Fernando Negrão. 

Por sua vez, o presidente do PS, Carlos César, considerou que as comemorações do Dia de Portugal nos Açores e nos Estados Unidos são uma prova da presença multinacional do país, que deve orgulhar os portugueses.

“Portugal é um país com uma história muito intensa, com uma presença multinacional, com uma credibilidade hoje não só no espaço europeu, como nas áreas onde intervém em missões internacionais, envolvendo em especial as nossas Forças Armadas. Temos muitas razões para termos orgulho em ser portugueses”, afirmou.

Por seu turno, o deputado do CDS-PP Telmo Correia considerou que o Presidente da República foi “coerente” com o que tem dito.

“Só temos de sublinhar que o Presidente da República é coerente com aquilo que sempre tem dito e tem defendido. É uma questão que a nós não nos diz directamente respeito. Nós fazemos o nosso papel enquanto partido da oposição e partido crítico deste modelo de governação”, adiantou.

O PCP classificou de “discurso de circunstância” a intervenção do Presidente da República na cerimónia oficial do 10 de Junho, lamentando que Marcelo Rebelo de Sousa não tenha abordado “preocupações centrais” do país.

“Foi um discurso muito geral, sem abordar questões em concreto. Um discurso de circunstância”, afirmou o dirigente do PCP nos Açores, Vítor Silva, que representou o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, que não esteve presente nas cerimónias oficiais na cidade de Ponta Delgada.

 

Cerimónias do Dia de Portugal hoje no Campo de S. Francisco

Campo de S. FranciscoAs cerimónias do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas decorrerão hoje, pelas 11 horas, no Campo de S. Francisco, em Ponta Delgada.

Estarão presentes o Presidente da República, o Primeiro ministro e demais autoridades nacionais e regionais.

Às 21h30m haverá um concerto pela Banda do Exército, no Coliseu Micaelense.

Após as cerimónias no Campo de S. Francisco, Marcelo Rebelo de Sousa partirá para os EUA, onde vai celebrar com a comunidade da costa leste, na cidade de Boston e também em Providence, o Dia de Portugal.

Pelas 18 horas de Boston (menos 4 do que nos Açores), o Chefe de Estado presidirá ao içar da bandeira portuguesa, cerimónia integrada nas celebrações do Boston Portuguese Festival.

Ainda hoje o Chefe de Estado português estará em Providence, onde será alvo de uma recepção pelas oito da noite no Capital Grille Restaurant e tomará parte no Festival Water Fire e arraial do Dia de Portugal em Providence.

Marcelo Rebelo de Sousa regressa a Boston, onde, amanha, 11 de Junho, pelas 10 da manhã, presidirá às celebrações do Dia de Portugal na Assembleia Legislativa Estadual de Massachusetts, seguindo depois para New Bedford, onde será recebido no New Bedford Whaling Museum. 

 

Rui Rio ausente da comitiva

 

Rui Rio não integra a comitiva presidencial para as celebrações do 10 de Junho quer nos Açores, quer nos Estados Unidos

Rui Rio prefere celebrar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas na Guiné-Bissau, cumprindo um programa de três dias, onde estará com a comunidade portuguesa, nomeadamente com empresários.

Um país lusófono que ainda não mereceu a visita, nem de Marcelo Rebelo de Sousa, nem do Primeiro-ministro.

O líder social-democrata também esteve reunido com o embaixador norte-americano em Portugal e alinhou pelo mesmo discurso que Presidente da República e Primeiro-ministro: Portugal é um bom país para as empresas americanas.

Rui Rio diz que não há complexos de oposição, mas sim ao lado do interesse nacional.

O Presidente do PSD afirmou que concertou a sua deslocação à Guiné-Bissau com o Presidente da República, considerando “mais positivo para Portugal” assinalar o 10 de Junho num local diferente do chefe do Estado e do Primeiro-ministro.

“Escolheu-se aquele onde ainda não foi nenhum governante português recentemente”, explicou.

“Achámos que era simpático que eu pudesse ir a um país de língua oficial portuguesa onde ainda não tivesse ido nem o Presidente da República, nem o Primeiro-ministro (...). Para Portugal será até mais positivo eu estar num sítio diferente”, defendeu.

Rui Rio visitará a Guiné-Bissau entre 10 e 12 de Junho, onde contactará com a comunidade portuguesa, incluindo empresários.

De acordo com o programa disponível no ‘site’ do PSD, estão ainda previstos encontros com dirigentes políticos e visitas nas áreas da acção social, saúde e ensino.

“Com tanta coisa em comum, Açores e Cabo Verde deviam estar mais próximos”

presidente da rep cabo verde

Aos 67 anos, Jorge Carlos Fonseca é um Presidente seguro dos progressos do seu país, mas ambicioso quanto às metas para o futuro e crítico na análise a algumas debilidades de Cabo Verde.

Ao mesmo tempo que desvenda indicadores de progresso económico do arquipélago mais a sul da Macaronésia, aponta o dedo à liberdade de imprensa e à igualdade de género como problemas que devem ser encarados e resolvidos.

Fala do turismo com a certeza de que se trata de uma mola fundamental para a economia cabo-verdiana, é elegante mas subliminar no modo como sugere a necessidade de uma maior proximidade entre Açores e Cabo Verde, e determinado quando reforça a certeza de que o seu país é uma democracia de referência em África e no mundo.

Com três anos e meio de mandato por cumprir, o professor universitário que estudou em Portugal, investigou na Alemanha e lecionou em Macau recebe o “Diário dos Açores” no seu gabinete do Palácio Presidencial, no Plateau, a zona alta da cidade da Praia, com uma deslumbrante vista para o Atlântico. Um oceano a unir os extremos da Macaronésia.



Que passos é que, no seu entender, devem ser dados para que Cabo Verde possa crescer cada vez mais, do ponto da vista da sua afirmação internacional?

Sempre entendi que Cabo Verde tem as condições para se tornar, num prazo que não seja muito longo, num país verdadeiramente desenvolvido, sob o ponto de vista económico, político e humano, no sentido mais geral.

Nós conseguimos passar de país menos avançado a país de rendimento médio, o que é uma conquista importante, e que orgulha os cabo-verdianos. Mas creio que, com trabalho, com mais criatividade, com mais imaginação, nós poderemos crescer mais economicamente, ser um país mais justo, mais equilibrado, mais livre e mais democrático.

Para isso temos que acelerar o crescimento económico, para ter um crescimento mais robusto. Temos estado a crescer a taxas muito baixas (de cerca de um por cento), nos últimos dois anos passámos a taxas de aproximadamente quatro por cento, as previsões do governo apontam para um crescimento de 4,5/5,5 por cento para o próximo ano, as previsões do FMI são um pouco menos otimistas, mas precisamos crescer a taxas mais elevadas, de mais de sete por cento ao ano, que são as previsões do atual governo para o fim desta legislatura. 

 

Parece-me uma previsão arrojada...

É muito arrojada, porque, nos últimos dois anos, o crescimento aproximou-se dos quatro por cento e, portanto, para uma média de sete por cento teríamos que crescer muito mais... 

Mas mesmo do ponto de vista político, nós somos uma das democracias de referência no mundo (um dos últimos estudos conhecidos colocam Cabo Verde como a 23ª democracia do mundo), à frente de democracias importantes como a Itália, como a França, como Portugal, como os EUA, e a primeira democracia em África, mas temos alguns aspetos que nos devem merecer uma atenção especial. Refiro-me, por exemplo, às questões de igualdade de género, ao problema da violência baseada no género, que é um fenómeno que tem crescido no país e que deve merecer uma atenção particular, uma luta cerrada. Temos aspetos atinentes aos direitos fundamentais em que não somos propriamente campeões, a situação nas esquadras policiais, nos estabelecimentos prisionais e, de certo modo, também a liberdade de imprensa. Pode parecer estranho, porque nos índices africanos estamos muito bem posicionados, mas penso que temos condições para, a nível da liberdade em geral, mas particularmente da liberdade de imprensa, podermos estar entre os primeiros países a nível mundial. 

Temos condições humanas, temos ambição para nos desenvolvermos muito mais. E para isso o Presidente da República deve ser o principal porta-estandarte, o mais ambicioso dos ambiciosos a nível do país. É isso que tenho procurado ser, e, nos três anos e meio de mandato que me faltam, é uma preocupação que me acompanhará, ser porta-voz dessa ambição nacional.

 

Cooperação turística na Macaronésia deve ser mais aprofundada do que até aqui

 

De Cabo Verde para o mundo: o turismo é, certamente, uma das apostas estratégicas do país, de afirmação do “Cabo Verde do século XXI”. Até que ponto é que esta indústria poderá ser uma verdadeira mola real para a sua evolução económica?

O turismo é, neste momento, um dos setores talvez mais importantes para o desenvolvimento da economia do país, porque representa perto de 25 por cento do PIB de Cabo Verde, se pensarmos apenas nos efeitos diretos na economia. Porque se contabilizarmos os efeitos induzidos, representará perto de 50 por cento. Mas pode representar muito mais. Há perspetivas de que, antes de 2020, possamos atingir um milhão de turistas por ano, quando neste momento temos cerca de 600 mil. E perspetivas ainda mais otimistas dizem-me que poderemos chegar aos 2,5 a três milhões de turistas, dentro de cinco anos. 

Mas há um problema que se põe: o turismo em Cabo Verde, neste momento, é, numa dimensão muito forte, turismo de sol e mar, e concentrado em duas ilhas, Sal e Boavista. Nós temos que diversificar a oferta turística, como também o modo de favorecer e potenciar o desenvolvimento económico do país mais variado, mais harmónico, e que atinja o conjunto nacional. Isto implicaria ter produtos turísticos noutras ilhas (Santiago, Santo Antão, Fogo, Brava ou São Nicolau), um turismo de saúde, um turismo rural, um turismo comunitário, mas que também permita valorizar o desenvolvimento da agricultura, da pecuária, e também dos produtos culturais, em que o país é igualmente rico. 

Tudo isto obrigaria também a desenvolver os transportes inter-ilhas, que é um grande “handicap” nosso, nomeadamente os transportes marítimos.

 

Justamente pegando nesta sua última ideia, e considerando os Açores como a região mais próxima (embora geograficamente mais distante) na Macaronésia, pelas características de dupla insularidade, de diversificação de ilhas: será importante para Cabo Verde desenvolver parcerias, criar sinergias e pontes de colaboração ao nível do “know how”, de uma estratégia comum com os Açores para atacar problemas porventura similares?

Com todos os arquipélagos da Macaronésia. Com os Açores, com a Madeira, embora me pareça que os Açores têm uma afinidade adicional, até pelos nome das ilhas. Estive na Madeira há pouco tempo e vi que a ligação entre as ilhas é muito eficiente, mas trata-se apenas de Madeira e Porto Santo. Quanto aos Açores, havendo nove ilhas, é uma afinidade mais forte. Poderia ser uma experiência interessante para Cabo Verde, para além de nós podermos ter interesse nas ligações entre os diferentes arquipélagos, sendo algo que já funciona, de certo modo, mas que poderá ser favorecido.

Com as Canárias, há já uma cooperação muito estreita. Para lhe dar um exemplo, ao nível dos projetos turísticos com a ilha do Fogo, essa ligação existe para o aproveitamento do vulcão da ilha do Fogo, e tudo aquilo que, em termos turísticos, gira à sua volta. 

Portanto, Cabo Verde, estando inserido neste contexto da Macaronésia, que é um elemento também forte da parceria que nós temos com a União Europeia, é um tipo de cooperação que deve ser estimulado e muito mais aprofundado do que tem sido até este momento. 

 

Olhando para a diáspora cabo-verdiana no estrangeiro, ela está agora mais próxima com a ligação permitida (duas vezes por semana) pela Azores Airlines de Boston à Praia (com curta escala em Ponta Delgada). É importante que se criem estes veios de comunicação, até para o aproveitamento das experiências e conhecimentos adquiridos no estrangeiro e que podem ajudar Cabo Verde a evoluir?

Creio que sim, e cada vez mais! Há 40, 50 ou 60 anos, nós víamos as comunidades cabo-verdianas no exterior como o emigrante tradicional, clássico, que sai de Cabo Verde numa situação económica muito difícil, que não tem muita qualificação, que trabalha nas fábricas, que faz o trabalho não qualificado, o que foi para as roças de São Tomé, que faz trabalhos pesados. Hoje em dia, a quantidade de quadros muito qualificados, especialistas mesmos, que temos nos EUA, em Portugal, em França, mas mesmo na emigração africana (no Senegal ou em Angola), médicos, engenheiros, informáticos, inventores nas áreas da meteorologia, da robótica... Se nós conseguirmos ter a noção mais precisa dos recursos que temos, porque não se trata apenas dos nascidos em Cabo Verde, há muitos descendentes de cabo-verdianos, de segunda ou terceira geração, é um potencial de recursos que ultrapassa de longe aquilo que nós cogitamos.

Essa diáspora pode ser muito importante na cooperação tecnológica, mas também do ponto de vista financeiro, do ponto de vista dos investimentos em Cabo Verde. Mas também porque pode ajudar a mobilizar recursos nos países em que estão inseridos. Por exemplo, nos Estados Unidos da América, há um potencial em fundações, associações, universidades, organizações religiosas ou de sociedade civil, em que estão envolvidos centenas de cabo-verdianos ou descendentes. Há gente com muito dinheiro nessa diáspora.

E, portanto, falta-nos fazer um trabalho de mobilização séria, rigorosa, sistematizada, estruturada da nossa diáspora, um potencial fundamental que nos pode ajudar a construir este Cabo Verde muito desenvolvido que nós ambicionamos.

 

Criar hábitos de trabalho, exigência e rigor para ser um país de referência

 

Projetemos o futuro a médio prazo: como vai ser o Cabo Verde de 2050?...

A minha ambição é a de que devemos trabalhar para sermos um país desenvolvido bem antes de 2050. Se ao nível continental, África tem uma agenda para 2063, a África do futuro, próspera, desenvolvida, democrática, respeitadora dos direitos humanos, se devemos contribuir para essa agenda africana, devemos também ser mais ambiciosos, para um Cabo Verde que possa ajudar a construir essa África bem antes dessas datas.

Mas temos de trabalhar mais, temos de ser mais exigentes connosco próprios. Por exemplo, as nossas escolas assinalam datas menos felizes (a perda de um aluno ou de um professor) com o seu encerramento. Nós podemos assinalar todas as datas (mais ou menos felizes) trabalhando, para criar hábitos de trabalho, de exigência, de rigor, como única maneira de crescermos mais, mais disciplinados, mais ambiciosos, mais exigentes e mais rigorosos. Isso é uma condição para que possamos crescer mais, e sermos realmente um país de referência, um país desenvolvido.

 

Há muitos emigrantes cabo-verdianos nos Açores (talvez bem mais do que açorianos em Cabo Verde), e muitos pontos de contacto entre as duas regiões, desde o número de ilhas aos respetivos nomes, passando pelas características multi-arquipelágicas de Açores e Cabo Verde. Que mensagem envia o Presidente de Cabo Verde à região mais a norte da Macaronésia?

Já tive o prazer de estar algumas vezes nos Açores, inclusivamente de férias. Somos arquipélagos, isso aproxima-nos. Pertencemos à Macaronésia, partilhamos uma língua comum, ainda que com variantes, o que só enriquece a língua nossa. Há muitas afinidades, uma maneira de ser e de estar como ilhéu que aproxima muito o açoriano do cabo-verdiano.

Mas, para além disso, também há, do ponto de vista da cultura, grandes escritores cabo-verdianos que passaram longas temporadas nos Açores e lá escreveram (Manuel Lopes, por exemplo), mas mesmo mais recentemente, intelectuais, escritores e críticos açorianos que se ocupam e fazem trabalhos sobre literatura de Cabo Verder, como Urbano Bettencourt. Há um conjunto de afinidades e cumplicidades.

O meu apelo é que, com tanta coisa em comum, devíamos estar mais próximos, porque, de certa forma, estamos um pouco afastados, apesar de, geograficamente, a distância não ser tanta assim. Pessoalmente, só estive em São Miguel e na Terceira, mas tenho convites para visitar o Pico e o Faial, e tenho uma grande curiosidade em conhecer a ilha das Flores, que parece ter parecença com a ilha Brava, aqui em Cabo Verde. Desejo todo o progresso, felicidade e bem estar aos açorianos!

 

Por Rui Almeida, jornalista da Deutshe Welle/Exclusivo Diário dos Açores

“Diário dos Açores” viajou com a Azores Airlines na rota Ponta Delgada-Praia-Ponta Delgada

Presidente da República chega hoje e profere conferência

Marcelo - TunaO Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, chega hoje a Ponta Delgada e estará presente em dois eventos fora das cerimónias do  Dia de Portugal.

O PR vai encerrar a apresentação do “Retrato dos Açores”, um resumo dos indicadores estatísticos sobre a Região, com informação por ilhas e municípios no contexto do país, da autoria da Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que decorrerá na Universidade dos Açores, na Aula Magna, pelas 18 horas, sendo apresentado por Maria João Valente Rosa, directora da Pordata.

Seguir-se-à um debate, com intervenção de Mário Fortuna, professor da Universidade dos Açores e Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Maria João Valente Rosa e moderação a cargo da jornalista Helena Garrido.

Depois, Marcelo Rebelo de Sousa participa no jantar do Rotary Club de Ponta Delgada, no Hotel Marina Atlântico, onde proferirá, pelas 22 horas, uma conferência sobre “A Ética na construção da paz”. 

 

Vasco Cordeiro espera “pedagogia das autonomias regionais”

 

O Presidente do Governo dos Açores manifestou o desejo de que as comemorações do 10 de Junho, que decorrerão em parte em São Miguel, representem um “bom contributo” para um “mais aprofundado e mais esclarecido” conhecimento da Região. 

“Se essas comemorações contribuírem para um conhecimento mais aprofundado e mais esclarecido aos mais variados níveis da realidade açoriana e das autonomias regionais, julgo que também aí essas comemorações terão dado um bom contributo para esse ser verdadeiramente o Dia de Portugal”, destacou Vasco Cordeiro.

O governante antecipava as comemorações do 10 de Junho, que decorrem parcialmente em Ponta Delgada, antes de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o Primeiro-ministro, António Costa, e também Vasco Cordeiro, se deslocarem até aos Estados Unidos da América.

Declarando a “honra” que é o acolhimento das celebrações, Vasco Cordeiro frisou que “comemorar o dia 10 de Junho na Região Autónoma dos Açores não é como comemorar numa qualquer parte do país”, havendo um “significado concreto e preciso” na ocasião.

O chefe do Executivo açoriano lembrou ainda a sua intervenção no Dia da Região de 2017, na qual esteve com o Presidente da República, para reforçar o apelo a uma “pedagogia das autonomias regionais” e da sua importância para o país. 

 

O voto dos emigrantes

 

O Secretário de Estado das Comunidades considerou ontem que o recenseamento automático, em discussão no Parlamento, acabará com “uma desigualdade incompreensível” entre portugueses, pedindo aos emigrantes que votem “para mostrar que valeu a pena”.

“Aproxima-se a data da votação final, na Assembleia da República, do recenseamento automático dos portugueses no estrangeiro. O Governo fez o seu trabalho e provou que é possível concretizar esta importante medida política”, afirma José Luís Carneiro, na tradicional mensagem aos cidadãos portugueses por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que se assinala no próximo domingo.

Caso esta medida venha a ser aprovada pelos deputados, refere, “os portugueses no estrangeiro vão receber uma carta a perguntar se querem ser inscritos nos cadernos de recenseamento eleitoral para poderem votar” e “deixam de ter que deslocar-se aos consulados, muitas vezes centenas de quilómetros, para se recensearem”.

“Iremos pôr um fim a uma desigualdade incompreensível entre os portugueses que vivem em Portugal e os portugueses que vivem no estrangeiro”, considera o governante, que sublinha a importância de os emigrantes “participarem nos futuros actos eleitorais, seja qual for o sentido de voto, para mostrarmos que valeu a pena promover esta importante mudança nas condições de participação cívica e política das comunidades portuguesas”.

São Miguel é o destino preferido dos portugueses para férias deste Verão

LagoadasSeteCidadesNuma altura em que muitos europeus estão já a planear as suas férias de Verão, a Momondo, um dos maiores motores de busca de viagens, hotéis e carros de aluguer em todo o mundo, revela que no topo das preferências dos portugueses estão as cidades europeias, com Paris a liderar o ranking dos mais populares destinos. 

Os dados são do International Travel Study (ITS), estudo anual de viagens da Momondo, realizado a utilizadores de 26 países, incluindo Portugal, sobre os hábitos de viagens.

No que diz respeito a destinos nacionais, o consumidor português continua a eleger a ilha de São Miguel, nos Açores, como o local ideal para passar as suas férias. 

Funchal e Porto Santo, no arquipélago da Madeira, a ilha Terceira, também nos Açores, e Lisboa encerram a lista, mantendo-se como os cinco destinos preferidos.

Margarida Gameiro, Country Manager da Momondo para Portugal, sublinha que, de acordo com o estudo, “este ano, 52% das pessoas em todo o mundo preferem férias de praia, um número que em Portugal é superior (67%) à média, mas na verdade são as capitais europeias que continuam a assumir o topo dos destinos mais pesquisados para o Verão”. 

No caso em concreto do turista português, Margarida Gameiro reforça que “é um consumidor que continua a ser muito sensível ao preço e, como tal, as cidades europeias, sendo um destino mais acessível, acabam por liderar a preferência dos portugueses”.

Paris é o destino que apresenta mais pesquisas no estudo anual de viagens Momondo, registando a segunda tarifa ida-volta mais baixa (127 euros), seguido de Londres, Nova Iorque, Roma e Barcelona. 

Este ano, a capital italiana destronou Amsterdão, que se encontrava entre os 5 destinos mais procurados para o verão em 2017.

Margarida Gameiro acrescenta que “o curioso nestes dados é que os portugueses, quando viajam para o estrangeiro no verão preferem conhecer outras cidades, ao contrário do que acontece quando viajam internamente em que dão preferência às ilhas, onde podem estar em contacto com paisagens naturais incríveis e praia, ao mesmo tempo.”

Contudo, os destinos que apresentam o maior crescimento, em termos de procura, face ao ano passado, são opções mais exóticas, quentes e conhecidos pelas suas praias. 

A liderar surge São Tomé e Príncipe, com um crescimento de 138%, acompanhado por Malta (96%), Ilha do Sal (53%), em Cabo Verde, e Los Angeles, nos Estados Unidos da América (41%). 

A excepção desta lista é Moscovo (65%), na Rússia, a única capital europeia a figurar nesta lista, devido ao facto de ser o país anfitrião do campeonato de jogos de futebol. 

 

eDreams também escolhe Ponta Delgada

 

A eDreams, a maior agência de viagens online da Europa, também acaba de anunciar o seu relatório* de tendências de viagens de Verão para 2018, no qual revela que os portugueses elegeram as cidades de Ponta Delgada, Paris e Funchal como os principais destinos para viajar neste Verão.

O novo relatório inclui uma lista com os 10 destinos mais reservados pelos portugueses para o período entre 15 de Junho e 15 de Setembro de 2018, destacando também os destinos com maior crescimento para este Verão, bem como o valor médio gasto em passagens aéreas, os números de dias escolhidos e as semanas mais populares para as partidas para férias. A nível doméstico os portugueses elegeram as cidades de Ponta Delgada, Funchal, Faro, Porto e a ilha Terceira como os principais destinos para o Verão de 2018; já em relação aos destinos internacionais, as principais escolhas foram Paris, Barcelona, Londres, Roma e Amesterdão.

O estudo da eDreams destaca também os destinos que registaram maior crescimento na escolha dos portugueses para o verão de 2018, face ao ano anterior.

No topo da lista surge Nova Iorque, cujo número de passageiros nos voos cresceu 223% em relação a 2017, seguidos da ilha de Menorca (166%), da cidade de Faro (mais 115%) e da ilha de Maiorca (86%).