Mais 156 açorianos no Rendimento Social de Inserção e mais 177 de baixa médica

Segurança Social - Ponta DelgadaDurante o mês de Abril, todos os dias, entraram mais 5 beneficiários açorianos no RSI (Rendimento Social de Inserção).

São mais 156 ao todo, comparado com o mês anterior, que também já tinha aumentado.

No total são agora 15.472 açorianos que estão inscritos no RSI.

Este número representa 5.603 famílias, sendo que cada uma delas recebe, em média, 278,30 euros por mês, mais 1 euro do que no mês anterior.

De acordo com os dados consultados pelo “Diário dos Açores”, também no mês de Abril foram registados mais 177 açorianos de baixa médica, sendo agora de 4.251 a totalidade de açorianos a receber o subsídio por doença. São mais 638 do que há um ano.

 

Recorde de subsídio de doença

 

No país, o número de beneficiários do subsídio por doença atingiu 200.750 em Abril, o número mais alto desde pelo menos Janeiro de 2001, devido à pandemia causada pela Covid-19, segundo as estatísticas da Segurança Social.

“Os efeitos da pandemia provocada pela doença Covid-19 estarão reflectidos nos significativos aumentos de subsídios por doença processados em Abril de 2020, um total de 200.750 subsídios, que corresponde a um acréscimo mensal de 26% (mais 41.398 pessoas)”, indica a síntese estatística elaborada pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Já a série longa publicada no site da Segurança Social, iniciada em Janeiro de 2001, mostra que o número de beneficiários das baixas por doença em Abril é o mais alto em todo o registo.

“Estes totais englobam, além das baixas por contágio pelo vírus, o subsídio por isolamento profilático por Covid-19, que foi agrupado com o subsídio por tuberculose, por partilharem condições de atribuição idênticas“, explica o GEP.

No caso do grupo “tuberculose e isolamento profilático por Covid-19” o aumento foi de 418 beneficiários em março para 27.011, enquanto no grupo “outras doenças”, o aumento foi de 21%. 

Do total de 200.750 beneficiários, 115.104 são do sexo feminino (57,3% do total), o que representa um aumento mensal de 19,6% e de 37,6% face ao período homólogo.

O sexo masculino contabiliza 85.646 beneficiários (42,7% do total), registando um aumento de 35,7% face a março e uma subida homóloga de 54,4%.

Os dados da Segurança Social mostram ainda que em Abril foram processadas 2.055.957 pensões de velhice, mais 3.234 do que em Março do mesmo ano, representando uma subida de 0,2%.

Face ao período homólogo, houve um aumento de 1,2%, sendo atribuídas mais 24.906 pensões de velhice, com as mulheres a representarem 52,8% do total.

Já o número de pensões de invalidez caiu 0,3% em relação ao mês anterior para 188.172, mas revelando um aumento de 4,5% em termos homólogos.

Foram ainda contabilizadas 715.386 pensões de sobrevivência, mais 0,2% face a março e 1,7% comparativamente ao mesmo mês do ano anterior.

“Sector do Turismo está à beira de uma situação catastrófica”

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A Câmara do Comércio e Indústria dos Açores alertou ontem, em comunicado, que “o sector do turismo, que inclui hotéis, ALs, restaurantes, rent-a-car, agências de viagens e uma série de outros pequenos negócios, está à beira de uma situação catastrófica com implicações muito sérias para o emprego nos Açores”.

As três Câmaras do Comércio estiveram reunidas para analisar a actual situação na região, tendo concluído que “o processo de controlo da propagação do coronavírus tem vindo a registar progressos muito significativos em toda a Europa e em Portugal que já entrou, em pleno, na fase de desconfinamento nacional total e de abertura de todas as actividades. Nos Açores, o processo de controlo do coronavírus evolui em ritmo acelerado para a eliminação total das cadeias e dos casos identificados. A ausência de casos na testagem alargada no sistema de ensino é sintomática da inexistência de quaisquer cadeias ativas ou mesmo casos isolados”.

“Se a incerteza do passado e a falta de preparação do sistema de saúde aconselhava a tomada de decisões para longos períodos de confinamento, a aprendizagem entretanto conseguida permite decisões mais céleres e o recurso a meios técnicos muito melhorados. O sistema de saúde já está consideravelmente melhorado na sua capacidade de tratamento e na sua capacidade de testagem”, concluem os empresários açorianos.

E alertam: “A retoma da economia passa a ser uma prioridade que se segue para que sejam minorados os prejuízos elevados no sistema económico, com reflexos inevitáveis na capacidade de produção e de prestação de serviços e as consequentes implicações para os empregos de mais de uma dezena de milhar de trabalhadores que podem chegar ao ponto de deixar de poder viver nos Açores, por falta de oportunidades, como aconteceu na última crise com o colapso da construção civil”.

Depois de alertarem, também, para a situação do sector do turismo, aublinham que “este sector, directa e indirectamente, segura cerca de 20.000 postos de trabalho, e mais de 12% de toda a riqueza gerada. A poupança de muitas famílias dos Açores está também ameaçada numa multiplicidade de empreendimentos de AL, de restauração e de diversas outras atividades. Não haverá crédito suficiente para amparar, sem perdas avultadas, um efeito da quebra de 60 a 80% do negócio deste setor”.

“Obtido o conforto necessário relativamente à questão da saúde e perspetivada a reabertura das atividades ilha a ilha, torna-se agora imprescindível a programação, com a devida antecedência e em horizonte curto, da reabertura total. Primeiro das viagens inter-ilhas, de barco numa fase e de avião noutra, segundo do mercado nacional (em termos de procedimentos de controlo, porque este, de facto, nunca fechou) e terceiro do mercado internacional”, lê-se no documento enviado ao nosso jornal.

E acrescentam: “Nas viagens a programação com antecedência é fundamental dado o planeamento que é necessário fazer para assegurar o transporte aéreo e o alojamento. A ausência de aberturas planeadas lança as actividades na incerteza total. Hotéis, ALs, rent-a-car e muitas outras actividades só funcionam com reservas antecipadas, geralmente com vários meses de antecedência”.

“Outras regiões e muitos países já se encaminham de forma programada para abertura ao exterior, utilizando todo o conhecimento já acumulado do vírus e protocolos de testagem adequados. Já há soluções razoáveis que equilibram as preocupações de saúde pública com a abertura das comunidades, num contexto de reconhecida presença do vírus, mas de gestão correcta de procedimentos e comportamentos. A espera em confinamento total pelo dia em que haverá uma vacina eficaz e disponível é incerta, seguramente longa e certamente inviável quer em termos económicos quer em termos sociais”, conclui a nota dos empresários dos Açores.

Bispo de Angra apela a que cada cristão seja o rosto do Senhor junto dos que mais precisam

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Hoje seria o grande dia das festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, onde milhares de devotos estariam em Ponta Delgada ou para incorporar ou para assistir à procissão. Este ano de 2020 ficará para sempre marcado como o ano da não realização destas festas.

Contudo, apesar deste facto inédito em 320 anos, o Santuário da Esperança preparou alguns momentos para assinalar a festa como foi o caso, na passada Quinta-feira, da apresentação da 35ª capa que a imagem do Senhor Santo Cristo iria apresentar ao milhares de fiéis. A nova capa foi confeccionada em Vila Franca do Campo por uma artesã local e estará colocada sobre a imagem não só durante estes dias que seriam das grandes festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, e que sairia na procissão, mas, pelo menos, durante todo o Verão e aquando da realização da Missa de Acção de Graças que o Santuário quer celebrar numa fase pós pandemia. De acordo com Adriano Borges, esta nova capa, em veludo vermelho escuro e adornos em ouro, também irá sair, no futuro, na procissão. “Não no próximo ano de 2021 porque já temos um compromisso com outra capa que um grupo de emigrantes do Canadá que nos vai oferecer, mas provavelmente em 2022 sairá a capa oferecida este ano 2020”, refere.

Outra novidade prende-se com as cordas que estão na imagem e que este ano são novas. O reitor explica, a propósito, que depois da festa do ano passado, em que as cordas tinham sido restauradas, este ano foi tomada a opção de fazer umas cordas novas. “Uma vez que são cordas com sensivelmente 300 anos e também por causa do uso, algumas peças ainda continuavam a cair” e, por este motivo, adianta, “tivemos a ideia de realizar uma nova corda porque aquela faz parte do tesouro regional e foi então decidido que não devia sair mais em procissão”.

A nova corda, criada por Ana Paula Ferreira e a irmã, Ivone Custódio, seguiu a regra da outra, tendo 3 metros e 58 centímetros, contendo ainda duas peças que eram icónicas da outra e que são amovíveis que é o laço e o cordeiro, que são as duas peças mais visíveis da corda. O restante, foi feito com cordões de ouro, prata e algumas peças que foram oferecidas, ao longo dos tempos, ao Santuário e que agora irão estar na corda do Senhor Santo Cristo dos Milagres e que sairão também em procissão.

 

Bispo de Angra deixa mensagem de esperança aos fiéis

 

Também o bispo de Angra e ilhas dos Açores fez questão de deixar uma mensagem alusiva à festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres onde apela a que cada cristão seja o rosto do Senhor junto dos que mais precisam.

“A pandemia vem colocar-nos problemas gravíssimos. Por isso, nesta hora junto do Senhor gostaria de ter presente os que são vítimas: os doentes, os familiares, os que sofrem com os entes queridos e que não puderam despedir-se deles, os desempregados, os que padecem fome, e isso já acontece, e que exige de nós cristãos um sinal de esperança porque somos o rosto visível de Jesus Cristo, somos o rosto visível do Senhor Santo Cristo”, refere D. João Lavrador na mensagem dirigida a todos os devotos do Senhor Santo Cristo cujas festas seriam presididas este ano pelo Cardeal D. José Tolentino Mendonça.

“Que tenhamos ainda mais esta presença e que consigamos todos em comunidade trazer aos outros o amor, a verdade e a esperança do Senhor para que a ninguém falte o necessário” esclarece ainda sublinhando que “a partilha e o amor são a solução, sobretudo nestes tempos de grande fragilidade”.

Numa mensagem dirigida aos que vivem no “arquipélago dos Açores ou na diáspora”, o prelado diocesano pede que esta festa seja celebrada espiritualmente, “unindo-nos ao Santo Cristo dos Milagres tentando memorizar e contemplar a sua imagem tão significativa, naquele olhar que connosco caminha, nos olha e nos acompanha em todas as situações em que nos encontremos com serenidade e verticalidade”, referiu.

O bispo de Angra destaca, por isso, que este momento é “oportuno para fortalecer esta relação com o Senhor Santo Cristo”.

“É natural que cada um de nós chegue perto dele para lhe trazer o agradecimento pelas graças concedidas, pela Sua presença de amor e que por vezes nem damos conta” diz D. João Lavrador, mas muitos “também trazem as suas dores.

“Que tenhamos ainda mais esta presença e que consigamos todos em comunidade prosseguir na atenção de uma maneira próxima com os excluídos e os que sofrem mais”, afirma.

 

RTP Açores e RTP Internacional transmitem hoje Eucaristia a partir do Convento da Esperança pelas 09h30

 

As festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres são as mais importantes festas religiosas dos Açores, a par do Espírito Santo, mobilizando milhares de peregrinos a Ponta Delgada no quinto Domingo do ano a seguir à Páscoa. Por este motivo, o Santuário decidiu preparar alguns momentos para assinalar a festa.

Assim, este Domingo, dia 17 de Maio, na altura em que a imagem sairia para a procissão solene e para a missa campal no Campo de São Francisco, será celebrada uma missa que terá transmissão pela RTP Açores, Canal 1 da RTP e RTP Internacional a partir das 09h30. “Esta celebração é uma forma de levarmos o Senhor Santo Cristo junto de todos os devotos que este ano estão privados de participar nesta festa” disse o reitor do Santuário, cónego Adriano Borges.

Além disso, a imagem poderá também ser seguida diariamente em senhorsantocristo.com

Segundo os dados históricos disponíveis, a primeira procissão em honra do Santo Cristo dos Milagres teve lugar em Ponta Delgada, em 11 de Abril de 1700, ano em que a ilha de São Miguel foi abalada por fortes sismos.

Nessa altura, as forças vivas da sociedade mobilizaram-se e dirigiram-se ao Mosteiro da Esperança para levarem, em procissão, a imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

A imagem do Santo Cristo só sai da Igreja para acompanhar a procissão nas festas, mas saiu excepcionalmente, em Maio de 1991, para o Campo de São Francisco durante a visita do papa São João Paulo II aos Açores.

Recorde-se que a festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres foi cancelada em Abril devido à pandemia da Covid-19.

Jovens açorianos são os maiores consumidores de drogas, tabaco e álcool

alcool jovensOs açorianos foram os maiores consumidores de álcool, tabaco, cannabis e outras drogas, em 2019, de todo o país.

Os números foram agora revelados pelo ECATD-CAD 2019, um estudo oficial sobre o consumo de álcool, ,tabaco, drogas e outros comportamento aditivos e dependências, realizado em 2019 a alunos entre os 13 e os 18 anos.

O estudo percorreu todo o país, sendo que, nos Açores, foi realizado em 28 escolas, a 63 turmas e 768 alunos.

Trata-se de um documento realizado por especialistas nas respectivas áreas, da autoria do SICAD, um serviço com a colaboração de vários organismos do governo, inclusive do Governo Regional dos Açores.

O estudo relativo ao ano de 2019 mostra que 68% dos alunos do país, entre os 13 e 18 anos, ingeriram alguma bebida alcoólica ao longo da vida. 

Este inquérito, que abrangeu 26.319 alunos de 734 escolas do ensino público, mostra, também, que 38% dos inquiridos fumaram tabaco alguma vez na vida e 15% já consumiram alguma droga ilícita. Em todas as temporalidades consideradas, as prevalências aumentam em proporção com a idade dos alunos.

Cerca de 37% dos alunos inquiridos consumiram uma bebida alcoólica com 13 anos ou menos, ao passo que cerca de 15% fumaram um cigarro de combustão com a mesma precocidade.

Relativamente à prevalência de consumos, o estudo revela que, nos Açores, ao longo da vida, batemos todos os recordes, com 39,7% no consumo de tabaco (38,4% no Continente e 37,9% na Madeira), 68,9% no consumo de álcool (67,8% no Continente e 62,3% na Madeira), 17,3% no consumo de drogas (geral), sendo 15% no Continente e 14% na Madeira, 16,2% no consumo de cannabis (13,4% no Continente e 12% na Madeira), 5,5% outras drogas, que não cannabis (5,4% na Madeira e 4,8% no Continente).

Nos últimos doze meses os Açores também levam a dianteira em todos os consumos, excepto no tabaco, cuja prevalência de consumo é maior no Continente e Madeira.

Nos últimos 30 dias o Continente e Madeira ultrapassa-nos no tabaco, somos segundo no álcool, lideramos nas drogas em geral, também na cannabis e nas outras drogas somos ultrapassados pelo Continente e Madeira.

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Estudo da Parceria CCIA, FAA, UGT-A e AICOPA: “Se nada for feito, turismo vai perder 16 mil postos de trabalho”

grafico turismo mario fUm estudo elaborado pela Parceira Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, Federação Agrícola dos Açores, UGT-Açores e AICOPA (Construção Civil), apresentado ontem por Mário Fortuna na reunião do Conselho Económico e Social, alerta que, se nada for feito, os Açores vão perder 16 mil postos de trabalho só no sector do turismo. 

“Para os Açores, a CCIA tem vindo a defender, desde 17 de março, quando ficaram claros alguns contornos da crise, um cenário de quebra de cerca de 80% no turismo. Este cenário no turismo implica, só por si, uma quebra de cerca de 10% do PIB (430 milhões de euros) e uma redução de cerca 16 mil postos de trabalho, se nada for feito. Este cenário é equivalente ao assumido a 7 de maio pela OMT”, lê-se no referido estudo, a que o nosso jornal teve acesso.

Outra abordagem mais completa para os Açores, segundo o documento, coloca as quebras da economia dos Açores, para cenários de variação do turismo de -80%,  entre os 20 e os 27%, conforme o cenário.

O emprego total pode cair até 18% e o rendimento disponível até de 18 a 25%. 

O número de desempregados pode mais do que duplicar. 

 

O que propõem os especialistas

 

Para lidar com a crise, os economistas da London Business School propõem que, qualquer que seja o “mix” de políticas, estas devem, adianta o estudo:

Ser rápidas e massivas, da mesma ordem de magnitude das perdas de produção. O Reino Unido anunciou um pacote que corresponde a 15% do seu PIB. Valor sem precedente;

Começar por despesas na saúde: investindo em testes e expansão da oferta. É tarde para a primeira vaga mas ainda há tempo para conter a segunda que deverá vir no outono de 2020;

Assegurar transferências de dinheiro para as famílias e para as empresas, assim como incentivos à manutenção e criação de postos de trabalho. A redução de impostos ou incentivos fiscais e  crédito de emergência, mesmo que em condições privilegiadas, só por si, não deverão ser suficientes para prevenir o colapso da procura agregada. 

A Alemanha e Itália já aprovaram pacotes em excesso de 20% do seu PIB.

De acordo com o documento apresentado no Conselho Económico e Social de ontem, o Programa de Estabilidade 2020, que Portugal apresentará à Comissão Europeia, é admitido que cada 30 dias úteis (cerca de um mês e meio) de confinamento tenham um impacto negativo no PIB anual de 6,5 pontos percentuais (Os três meses para que caminhamos implicariam uma quebra de 13%). 

O Eurostat, por seu turno estima uma quebra do PIB português perto dos 7%, depois de considerado o efeito das medidas adotadas.

Para lidar com esta situação o Governo apresenta medidas com impacto orçamental da ordem dos 1.900 milhões de euros (0,9% do PIB) e medidas com impacto financeiro mas sem impacto orçamental da ordem dos 25.138 milhões de euros (11,84%) do PIB, para um total de 12,7% do PIB.

Esta intervenção fica muito aquém das intervenções de outros países da EU mas deverá aguardar reforço em função dos apoios europeus cujo anúncio ainda se aguardam.

 

O caso dos Açores

 

Para o caso dos Açores, com um PIB de cerca de 4.351 milhões de euros, em 2019, 10% corresponde a 435 milhões e 20% a 870 milhões.

A Parceria (CCIA, FAA, UGT-A e AICOPA), em comunicado de 6 de Abril de 2020, avançou já com esta ordem de grandeza. 

Citando “A tarefa com que a sociedade está confrontada para a recuperação da economia é de tal ordem elevada que leva a CIP a reivindicar um pacote de intervenção pública nunca inferior a 10% do PIB (20 mil milhões de euros para Portugal). 

A dimensão da intervenção nos Açores, dada a sua vulnerabilidade aos efeitos da Covid19, nunca poderá ser inferior a 20% do seu PIB de 2019 (870 milhões euros).

No estudo que continuamos a citar foi proposto a adopção de dois princípios: 

1. Salvaguarda determinante da capacidade produtiva das cadeias de valor fundamentais (clusters) para a economia dos Açores, dados os seus efeitos multiplicativos: cadeia agroindustrial; cadeia marítimo-industrial-recreativa; cadeia do turismo e; cadeia da construção.  

Estas cadeias de valor (clusters) trazem consigo uma multiplicidade de efeitos que arrastam positivamente a atividade económica. 

2. Ampliação extraordinária do orçamento público para a implementação das medidas de mitigação da Covid-19. 

“Concretizando, no primeiro princípio, foi proposta a adopção das seguintes medidas: 

Mobilização massiva de liquidez para a sustentação das empresas através de medidas nacionais e medidas regionais complementares e próprias para manter a capacidade produtiva da economia, com especial enfoque nos sectores críticos, transformando-a em apoios a fundo perdido no curto/médio prazo;

Redução conjuntural muito significativa dos custos de contexto para as empresas, incluindo os custos burocráticos, os custos dos transportes e os custos das diversas energias; 

Melhoria das condições de aplicação do lay-off como medida temporária de suspensão de empregos que noutras circunstâncias são perdidos para o desemprego, com desestruturação da capacidade produtiva”, refere o documento apresentado por Mário Fortuna.

E acrescenta: “Concretizando, no segundo princípio, foi proposta a adopção das seguintes medidas: 

Reivindicação de verbas nacionais de solidariedade pelos impactos acrescidos das medidas nacionais (à semelhança do que aconteceu para cobertura dos danos associados ao furacão Lorenzo); 

Aumento do endividamento da Região, através de empréstimo do Tesouro com taxa de juro nula; 

Aumento do endividamento da Região, através de empréstimo contraído no mercado; 

Revisão dos critérios de fixação dos limites de endividamento previstos na LFRA;

Saneamento, com ajudas de Estado próprias, assistido pela EU, do grupo SATA;

Pronto pagamento de todos os contratos de aprovisionamento do sector público e de todos os trabalhos de empreitadas de obras públicas”.