Mais de 1.200 emigrantes vêm dos EUA às Festas do Senhor Santo Cristo

Santo Cristo 2015São mais de 1.200 os emigrantes que virão dos EUA às Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em Ponta Delgada, de 4 a 9 de Maio próximo.

O número foi confirmado ao nosso jornal por fonte da SATA naquele país, com base nas reservas para a semana anterior ao início das festas.

“Este ano não foi preciso reforçar a operação, uma vez que já teremos voos todos os dias”, adianta a mesma fonte ao “Diário dos Açores”, acrescentando que “haveria mais gente interessada em deslocar-se às festas, mas tenho ouvido que a capacidade hoteleira em Ponta Delgada já estará esgotada”.

De facto, os operadores turísticos já estão a preparar, desde há alguns meses, a operação das Festas do Senhor Santo Cristo para este ano.

Por exemplo, no continente, o operador turístico Solférias está a propor um pacote especial para as festas do Senhor Santo Cristo com um programa de três noites em Ponta Delgada, cuja viagem pode ser realizada de 1 a 11 de Maio, custando desde 280 euros por pessoa em alojamento duplo no Vila Nova Hotel, de quatro estrelas.

Com partidas todos os dias de Lisboa e do Porto em voos TAP ou SATA, os preços apresentados são válidos para reservas até 8 de Maio.

O programa religiosos ainda não está completo, devendo ser apresentado à comunicação social nas próximas semanas, mas já é conhecido o programa cultural e recreativo, que está assim delineado: 

Sexta-feira, dia 4 de Maio:

21:30/00:30 – Arraial e concerto Pela Banda Triunfo.

Sábado, dia 5 de Maio:

21:00/22:30 – Arraial e concerto ( Lira das Sete Cidades)

23:00 – Espectáculo de fogo-de-artifício a partir do Forte de São Brás

23.15/00.30 – Concerto (Fundação Brasileira)

Domingo, dia 6 de Maio:

22:00/00:30 – Arraial e concerto (Filarmónica Aliança dos Prazeres)

Segunda-feira, dia 7 de Maio (feriado municipal):

12:30 – Homenagem da Polícia de Segurança Pública, dos Bombeiros Voluntários, dos táxis da Associação dos Táxis de S. Miguel e Santa Maria e dos Motociclistas de S. Miguel com desfile diante do Convento da Esperança.

15:00/19:00 – Cantigas ao desafio e desgarradas (Associação dos Cantadores ao Desafio dos Açores)

20:00/21.00 – Actuação do Grupo Bora Lá Tocar

21.30/23:00 – Arraial e concerto (Banda Nossa Senhora dos Remédios)

Terça-feira, dia 8 de Maio:

21.00/24.00 –Arraial e Concerto (Violas da Terra)(21:30 às 23:00)

Quarta-feira, dia 9 de Maio:

21.00/24:00 –Arraial e Concerto (Filhos da Terra-Ribeira Chã) (21:30 às 23:00)

Quinta-feira, dia 10 de Maio:

21:30/24:00 – Arraial e concerto de encerramento das Festas de 2018 pela Banda da Zona Militar dos Açores.

Açores têm a diferença de preços mais baixa entre as duas épocas

Ponta Delgada - casasAs casas mais caras e mais baratas para as férias de Verão

O motor de busca de alojamentos Holidu divulgou um estudo aos preços das casas de férias em Portugal e na Europa, onde se pode encontrar as estadias mais em conta para este Verão de 2018.

No caso dos Açores a diferença entre a época de Inverno e de Verão não é muita, rondando os 15 euros apenas.

De acordo com o estudo, existem diferenc?as de prec?os extremas entre as regio?es de Portugal. 

 

Algarve, o mais caro

 

O Algarve é 43% mais caro do que a me?dia nacional. 

Em Portugal, as casas de férias mais baratas estão no Norte e na Madeira.

Na Europa, Bulga?ria e? o destino com os valores mais baixos para alojamentos de fe?rias.

Flexibilizar as datas das fe?rias compensa e permite poupar ate? 24%, em me?dia, no prec?o do aluguer, aconselha a análise de Holidu. 

Em Portugal, as diferenc?as de prec?os sa?o significativas e indicam uma possibilidade de ate? 50% de poupanc?a, dependendo do destino e do peri?odo de estadia. 

O estudo de Holidu leva em conta as diferenc?as de prec?os entre a alta e baixa temporada para cada destino.

 

Média de 122 euros em Portugal na época alta

 

A ni?vel nacional, a diferenc?a de prec?os entre a alta e baixa temporada e? significativa, ja? que uma casa de fe?rias em Portugal custa em me?dia 122 euros na alta temporada (04.08.2018 - 11.08. 2018) e 98 euros por noite na baixa temporada (15.09.2018 - 22.09. 2018).

Ja? a ni?vel regional, é grande a diferenc?a de prec?os entre as regio?es. 

No Algarve, por exemplo, uma casa custa em me?dia cerca de 58 euros a menos por noite na baixa temporada em relac?a?o á alta. 

Observa-se tambe?m uma significativa diferenc?a na regia?o do Alentejo, onde os valores de arrendamentos de fe?rias sa?o 23 euros mais baratos na baixa temporada e no Centro, onde a diferenc?a e? de 21 euros.

 Ja? nas regio?es Norte, Ac?ores e Madeira a diferenc?a na?o e? ta?o grande, cerca de 15 euros. 

 

Reino Unido, Espanha e Grécia os mais caros

 

Ja? a ni?vel europeu, os destinos mais caros para o Vera?o de 2018 sa?o Reino Unido, Espanha e Gre?cia, com valores de 200 euros, 184 euros e 181 euros respetivamente.

Be?lgica, Croa?cia, Alemanha, Eslove?nia, Hungria, Polónia e Bulga?ria sa?o óptimos destinos para quem pretende passar fe?rias numa casa no estrangeiro sem pagar valores muito altos, ja? que todos esses pai?ses apresentam valores me?dios para alojamentos de fe?rias menores do que em Portugal. 

Outros dois destinos interessantes sa?o Turquia e Marrocos que, embora na?o fac?am parte da Europa, sa?o facilmente acessi?veis aos portugueses e apresentam valores muitos atraentes de 118 euros e 90 euros, respectivamente, conclui o estudo.

Turismo terá crescido 10% em Fevereiro e 4% em Março

turistas1Com base no modelo econométrico desenvolvido pelo SREA e na informação disponível até à data, nomeadamente a evolução do número de passageiros aéreos desembarcados e o valor dos levantamentos em caixas multibanco, o SREA estima que o número de dormidas na Hotelaria Tradicional dos Açores durante o mês de Março terá sido de 115 mil.

Comparando com o valor divulgado para Março de 2017, esse valor reflecte um aumento de 4% em termos homólogos.

Entretanto, só amanhã é que se irá conhecer o número definitivo das dormidas do mês de Fevereiro, mas já ontem o SREA fez também uma estimativa, anunciando que, com base no mesmo modelo econométrico e na informação disponível até à data, o número de dormidas na Hotelaria Tradicional dos Açores durante o mês de Fevereiro terá sido de 81 mil.

Comparando com o valor divulgado para Fevereiro de 2017, esse valor reflecte um aumento de 10% em termos homólogos. 

Em Março de 2018 desembarcaram nos aeroportos dos Açores 108 420 passageiros, um aumento de 10,5% face ao mesmo mês de 2017. 

Os passageiros com origem no estrangeiro foram 10 967, e os com origem noutras regiões do território nacional foram 54 205, implicando aumentos homólogos de 28,4% e 9,9%, respectivamente. 

Os levantamentos em caixas ATM atingiram em Março, nos Açores, um montante total de 46 970 mil euros, um aumento homólogo de 1,7%. 

Destes, 44 613 mil euros são de levantamentos nacionais (um aumento homólogo de 1,2%) e 2 357 mil euros dizem respeito a levantamentos internacionais, o que representa um aumento de 12,6%.

Três cruzeiros hoje em Ponta Delgada

brilliance of the seas 2Ponta Delgada recebe hoje três navios de cruzeiros: o “Brilliance of the Seas”, o “Star Fleyer” e o “Midnatsol”. 

Os três navios trarão à cidade mais de 3.200 pessoas, entre passageiros e tripulantes.

Destaque natural para o regresso do “Brilliance of the Seas”, da Royal Caribbean. A sua escala no terminal de cruzeiros das Portas do Mar está inserida num roteiro transatlântico de 15 noites, entre as cidades de Tampa, na Flórida, e Amesterdão, na Holanda, onde o navio ficará posicionado para a temporada de Verão na Europa.

Construído nos estaleiros alemães de Meyer Werft, em Papenbourg, em 2002, foi o segundo navio da aclamada classe Radiance, o “Brilliance of the Seas” tem 90.090 toneladas de arqueação bruta. 

Possui 293,2 metros de comprimento, 32,2 metros de boca e um calado de 8,4 metros.  Em ocupação normal o navio tem capacidade de alojar 2.100 passageiros, sendo a sua tripulação composta por 858 elementos.

Outro dos navios que hoje estará em Ponta Delgada será o navio de cruzeiros à vela “Star Fleyer”, da famosa operadora Star Clippers, que nos últimos anos tem sempre escalado Ponta Delgada, no âmbito dos seus itinerários transatlânticos, com destino ao Mediterrâneo e ilhas gregas, onde irá operar durante a época de Verão na Europa.

Construído em 1990 nos estaleiros de Langerbrugge, na Bélgica, este elegante veleiro desloca 2.298 toneladas de arqueação bruta. 

Possui 111,5 metros de comprimento. 14,8 metros de boca e um calado de 5,5 metros, A sua área de velas  é de cerca de 3.600 metros quadrados, podendo atingir uma velocidade de 16 nós. 

Pode transportar até 180 passageiros sendo a sua tripulação composta por 58 elementos.

O terceiro navio a estar em Ponta Delgada é o “Midnatsol”, que volta novamente a passar por Ponta Delgada no âmbito de um segundo cruzeiro de 14 noites, iniciado igualmente em Lisboa, no dia 10, e que contempla igualmente escalas na cidade da Horta e amanhã na cidade de Angra do Heroísmo, seguindo-se escalas na Madeira, Porto Santo, Santa Cruz de Tenerife e La Gomera, nas Canárias, terminando este segundo itinerário no dia 24 em Lisboa.

 

msc preziosaMSC Preziosa” estreia Ponta Delgada na próxima semana

 

O famoso cruzeiro “MSC Preziosa” estará pela primeira vez em Ponta Delgada no dia 19 de Abril, próxima quinta-feira.

A MSC Cruzeiros em Portugal está a preparar uma visita a bordo com os órgãos de comunicação social da região, da parte da manhã, com uma  conferência de Imprensa e Cerimónia de Boas-Vindas, por Eduardo Cabrita, Director-Geral da MSC Cruzeiros Portugal.

O “MSC Preziosa” vai realizar novamente cruzeiros com partida e chegada a Lisboa e oferecer itinerários pelo Mediterrâneo Ocidental. 

Nos dias 28 de Setembro, 7, 16 e 25 de Outubro e a 3 de Novembro, o navio parte de Lisboa num itinerário de nove noites por cidades como Barcelona, Marselha, Génova, Málaga e Casablanca.

Com partida de Hamburgo a 22 de Setembro, o “MSC Preziosa” parte numa viagem de seis noites pelo Norte da Europa e Lisboa, num itinerário com escala em Le Havre, Southampton, Vigo e desembarque em Lisboa. 

Este navio disponibilizará também dois mini-cruzeiros, de Génova a Lisboa, no dia 2 de Outubro, com escala em Málaga e Casablanca e com partida de Lisboa a 12 de Novembro, com a possibilidade de visitar Barcelona e Marselha antes de chegar a Génova. Nos últimos anos, a MSC Cruzeiros tem apostado no mercado português com saídas e chegada a Lisboa, sendo que estão ainda disponíveis camarotes para venda a bordo do MSC Preziosa, com promoção bebidas incluídas nas partidas de 13 e 22 de Outubro de 2018.

“Construção Civil nos Açores será diferente do período anterior da crise”

paulo moniz ordem engenheirosO sector da Construção Civil vai estar em debate depois de amanhã em Ponta Delgada, numa iniciativa do Conselho Directivo Regional da Ordem dos Engenheiros da Região Açores. Vários oradores, de craveira nacional e regional, irão apresentar os desafios que se apresentam neste sector, seguindo-se um debate público. Entrevistamos o respectivo Presidente, Eng. Paulo Moniz, promotor do evento.

 

A Ordem dos Engenheiros nos Açores é conhecida pelo seu dinamismo na promoção de muitas iniciativas públicas, como a que agora se vai realizar sobre a construção civil. Qual é o objectivo da iniciativa?

O sector da construção civil, também designada a indústria da construção civil, é uma actividade económica de grande importância e impacto nas economias das regiões e também uma das áreas de maior incorporação das diversas especialidades da engenharia, naturalmente, com preponderância para a engenharia civil em concreto.

Como sabemos, na última década, se houve sector que sofreu diversas e fortes pressões vindas de várias direcções foi o sector da construção civil. Estas influências continuadas, provocaram reacções e alterações, que mudaram drasticamente o sector e a forma como todos os seus agentes participam na sua actividade. Desde logo houve uma redução muito pronunciada do número de empresas e de activos afectos ao sector, uma desaceleração fortíssima da carteira de obras, uma escassez e falta de visibilidade do pipeline dos investimentos plurianuais, a par de uma desmobilização forçada de equipamentos e maquinaria pesada e, mais importante, de recursos humanos altamente especializados.

Esta envolvente, repercutiu-se e muito, na actividade de todos os profissionais de engenharia que tinham as suas actividades directas e indirectamente ligadas ao sector. Assistimos a um êxodo de muitos profissionais de engenharia, dando corpo, a um incremento sem memória, da internacionalização desta actividade, acompanhando os movimentos de externalização de muitas empresas do sector e em muitos casos, indo enquanto profissionais liberais independentes, para outras paragens em busca de trabalho. 

Esta conjuntura impactou muito negativamente a formação superior ao nível dos cursos de engenharia civil, tendo-se assistido a situações absolutamente inéditas de cursos de engenharia civil, que não conseguiram completar a capacidade da oferta e estamos a falar das melhores universidades portuguesas…

Aqui chegados, estamos perante um sector exaurido e fortemente abalado, que assiste concomitantemente ao surgimento implacável de uma transformação digital inevitável, como meio de ganhar eficiência, produtividade, responder aos novos desafios dos estilos de vida das sociedades e dinâmicas modernas das comunidades inteligentes (conceito smart).

A Região Açores da Ordem dos Engenheiros, consciente deste quadro sectorial e da importância para os seus membros que esta indústria representa, entendeu, agora, que vemos sinais de retoma alavancada pelo contributo do turismo, reabilitação urbana e novos investimentos ligados a esta nova realidade, ser o momento oportuno para realizar este seminário. 

Não é alheia à escolha deste momento, a necessidade de reflectir e termos visibilidade das tendências e estado da arte, bem como das oportunidades que prospectivamente poderão vir a surgir, em torno do setor industrial da construção civil.

 

Quem são os especialistas que irão intervir e o que se pode esperar de inovador das suas intervenções?

Teremos um conjunto de intervenções, desde da visão dos engenheiros que laboram nos Açores e conhecem e experienciam as dificuldades e realidades locais e que nos trarão certamente uma caracterização muito fiel e muito real do sector na região e na perspectiva do engenheiro e na sua participação nas diversas fases e áreas do sector onde intervêm.

Teremos ainda a importante participação de decisores políticos, a Secretária dos Transporte e das Obras Públicas, Dra. Ana Amorim da Cunha, e o Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Dr. José Manuel Bolieiro, que poderão revelar as suas visões estratégicas de médio prazo para o sector e que são inputs cruciais para conferir ainda mais segurança às apostas e esforços colocados por todos os intervenientes desta indústria.

Teremos ainda o nosso ‘keynote speaker’, o Prof. António Costa Aguiar, Professor no Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura do Instituto Superior Técnico, cujo trabalho de investigação tem sido desenvolvido no âmbito da Gestão da Informação, Gestão de Projectos e Contratação e particularmente aprofundado, na vertente das tecnologias de informação e BIM (Building Information Modeling). Este especialista ir-nos-á revelar as tendências de modernidade e de evolução do sector, com particular incidência para a transformação digital inexorável, ao nível das ferramentas informáticas, dispositivos, técnicas, materiais e novas formas de laborar nesta indústria.

Finalmente, um realce particular para o nosso orador, Eng. Fernando Santo, Engenheiro Civil, com vastíssima experiência no sector público e privado, ex-Secretário de Estado da Administração Patrimonial e Equipamentos do Ministério da Justiça, ex-Bastonário da Ordem dos Engenheiros, que, no momento, integra a Administração Executiva da Caixa Económica Montepio Geral e que nos trará das visões mais conhecedores do nosso país ao nível do sector e da realidade imobiliária em particular, com toda a envolvente desta e na sua interligação ao mundo da construção.

O seminário será moderado pelo Osvaldo Cabral, a quem caberá a difícil tarefa de gerir e conduzir os trabalhos, para que nenhum dos assuntos deixe de ser abordado, dada a relevância do seu conjunto para esta discussão.

 

A construção civil foi, antes da crise, como já descreveu, um pilar na economia açoriana, sobretudo na área da empregabilidade. Do ponto de vista da Ordem dos Engenheiros, é possível recuperar esta situação e voltarmos aos tempos áureos do sector?

O sector da construção civil será, no futuro, que já o é hoje, muito diferente do que era há dez anos, ou seja, no período anterior à crise.

Convém trazer aqui algumas das reflexões internacionais sobre a caracterização do sector e que algumas delas são também traços comuns ao que se passa na realidade dos Açores.

Baixo investimento em Investigação & Desenvolvimento, inovação e adopção tardia e desfasada da inovação; Dificuldade na transferência e partilha de conhecimento e incorporação deste conhecimento e aprendizagem na continuidade das obras que vão sendo realizadas; Inexistência de metodologias e técnicas de monitorização em tempo real e acompanhamento ao longo da vida útil dos activos edificados; Escassez de novos quadros aos diversos níveis de especialização, particularmente com formação avançada em tecnologias de informação ligadas ao sector da construção civil.

Estes pontos estão a sofrer profundas alterações alicerçadas na transformação digital, que o sector está a ser alvo, e que procura através do uso de novas ferramentas informáticas e novas formas de trabalhar, desde da fase de projecto, preparação, produção e manutenção, encontrar ganhos de eficiência e contribuir para o tão desejado aumento de produtividade.

Não é provável que surjam no sector capacidades de libertação de margens de negócio similares à pré-crise, sem as empresas e os intervenientes do sector alterarem profundamente a forma como actuam.

Não é provável que se assistam a ciclos de grandes obras públicas com investimento de capital intensivo e direccionados às obras estruturais e estruturantes. Grande parte destas infraestruturas foram já construídas e os movimentos sociais e as suas dinâmicas, impelem a novas atitudes de valorização, desde logo da necessidade de possuir habitação própria.

Todas estas alterações e envolventes, indiciam que as empresas e o sector, poderão obter ganhos e margens libertas, à custa de novas técnicas e ferramentas de trabalho, emprego de materiais mais flexíveis, energeticamente mais eficientes e ambientalmente sustentáveis, onde o conceito da economia circular, exibe uma importância absolutamente central, numa região como os Açores e onde os recursos materiais são escassos e limitados.

 

De facto a engenharia está a modernizar-se em todo o lado, com a introdução de novas tecnologias e para o que ainda virá com a chamada ‘Internet das coisas’. Estará o sector preparado para o embate aqui nos Açores ou vamos manter-nos muito agarrados ao passado?

O sector da construção civil sofre um processo de transformação digital e que é transversal a todo o sector e com impacto em todas as fases, processos e intervenientes.

A metodologia BIM (Building Information Modeling), como tecnologia de informação e comunicação, permitindo a completa compatibilização e interoperabilidade entre todos os processos e intervenientes, é considerada na actualidade como a mudança central para se conseguirem os aumentos de competitividade e sustentabilidade exigidos ao sector. 

Outra das áreas onde se verificam novos desafios e incorporação de inovação e de desenvolvimento tecnológico é o da eficiência energética.

Os edifícios são responsáveis por parte significativa da energia consumida (cerca de 40% da energia primária na Europa), a produção e o armazenamento de energia passarão cada vez mais por essas estruturas. No futuro, os sistemas serão cada vez mais integrados, numa visão holística das construções, transformadas em minicentrais eléctricas.

As áreas tradicionais da Engenharia Civil continuarão a existir, evoluindo para um ponto de equilíbrio que consistirá na incorporação de competências (TIC) muito acima das actualmente detidas, às quais, se somarão novos e interessantes desafios de futuro.

 

Quantos engenheiros estão inscritos na Ordem aqui nos Açores? É obrigatória a inscrição?

Actualmente a Região Açores da Ordem dos Engenheiros tem cerca de 600 membros.

O exercício da profissão de engenheiro(a), e consequente utilização do título de Engenheiro(a), carecem de inscrição prévia obrigatória na Ordem dos Engenheiros. Decorrente da responsabilidade inerente aos actos de Engenharia praticados, a Lei estabeleceu  que os trabalhadores dos serviços e organismos da administração directa e indirecta do Estado, das regiões autónomas, das autarquias locais e das demais pessoas colectivas públicas, que pratiquem, no exercício das suas funções, actos próprios da profissão de engenheiro, e realizem acções de verificação, aprovação, auditoria ou fiscalização sobre actos anteriores, devem estar validamente inscritos como membros efectivos da Ordem.

 

Que papel podem desempenhar os engenheiros, de todas as áreas, no futuro da região?

A engenharia é recurso absolutamente estratégico e transversal nas sociedades modernas e caracteriza as que assim a assumem e que estão na linha da frente do desenvolvimento humano.

É cada vez mais difícil tomar decisões que nos afectam colectivamente sem terem o adequado rigor da avaliação técnica, a ponderação rigorosa de todas as variáveis envolventes, o escrutínio dos custos inerentes a cada opção e o detalhe pragmático que é consequência do conhecimento aprofundado que caracteriza a actuação da engenharia.

Vimos no passado que a leviandade de opções técnicas indevidamente fundamentadas ou não fundamentadas de todo, tem custos económicos, sociais e geracionais enormes, que nalguns casos se perpetuam, quer colectivamente quer nas opções individuais que são feitas.

Talvez a engenharia esteja para os desafios que se colocam aos Açores do século XXI, como o pilar pragmático capaz de criar, de fazer acontecer e dar corpo aos conceitos que tantas outras áreas, e bem, têm pensado, discutido, anunciado e ansiado.

Pensar em inovação é pensar em engenharia.

Os Açores da actualidade possuem um corpo de engenharia, nas mais diversas especialidades e áreas, da maior qualidade, com formação continuada e com palmarés de nível internacional. Tenham os Açores o engenho de o saber aproveitar bem.

 

 

O Eng. Paulo Moniz, com 49 anos, Presidente da Ordem nos Açores, é engenheiro electrotécnico pelo Instituto Superior Técnico. Qual foi o seu percurso até aqui?

Seguiu-se o reforço da formação académica, tendo regressado ao IST para concluir o mestrado em electrónica de potência e automação industrial. Pela convicção da importância das novas tecnologias, esteve na génese da criação da Globaleda e, mais tarde, da Oniaçores, a par da leccionação como docente convidado na Universidade dos Açores, dos cursos de engenharia e da Presidência da ACIST, Associação Empresarial de Comunicações de Portugal. A ligação à Ordem dos Engenheiros já vem de há alguns anos, onde acompanha com bastante proximidade todas as actividades de engenharia nos Açores e, mais recentemente, por responsabilidades nos órgãos nacionais, também na visão nacional. 

 

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