Dados privados de saúde estão a ser acedidos por não-médicos

médicosA Ordem dos Médicos revelou ontem que estão a ser realizadas inspecções pela Inspeção Regional de Saúde que constituem “devassa de registos de informação confidencial”, feita por pessoas que não são médicos, o que contraria a legislação em vigor. São em alguns casos pessoas com formação de engenharia ou advocacia, que estão a ter acesso a dados confidenciais, e segundo Jorge Santos, isso “atropela a dignidade dos médicos e doentes”, considerando mesmo ser “inaceitável, do ponto de vista ético, pois é como considerar que não há médicos honestos”. A Ordem dos Médicos está “frontalmente contra esta situação” e está neste momento a estudar diversos casos de que já teve conhecimento para decidir sobre o caminho a seguir.
A legislação considera que “a ficha clínica está sujeita ao segredo profissional, só podendo ser facultada às autoridades de saúde e aos médicos afetos ao organismo com competência para a promoção da segurança e da saúde no trabalho do ministério responsável pela área laboral” e que “constitui contraordenação grave a sua violação, imputável ao empregador no caso de serviço interno, ou à entidade titular de serviço comum ou de serviço externo que não seja convencionado”.
Jorge Santos, de resto, é bastante crítico à forma como a classe médica tem vindo a ser tratada pelo Governo Regional. Mesmo ao nível da estruturação das políticas de saúde, os médicos não estão presentes, o que é considerado “insultuoso, uma autêntica desqualificação dos médicos que é inaceitável”. E diz “crer que é uma espécie de suspeita que se lançou sobre a classe, e não estamos a ver mais nenhuma classe profissional ser desconsiderada desta maneira”.
A secção Regional da Ordem dos Médicos, que ontem recebeu a visita do Bastonário, José Manuel Silva, mostrou-se solidária com orientação nacional de contestação à política nacional de saúde, que poderá terminar numa greve nacional.
Está em causa, entre outras, a política de encerramento de internamento nos centros de saúde, o que levará a que uma parte significativa de doentes que neste momento são internados perto do seu local de trabalho, passem para camas hospitalares, que para além de serem mais distantes, custarão cerca de 3 vezes mais. Em causa também a contratação de médicos estrangeiros a preços superiores aos que são praticados pelos médicos portugueses, que neste momento estão a emigrar.

Turismo: subida em Abril mas com sabor amargo...

turistasO número de dormidas na hotelaria açoriana registou em Abril um aumento de 9,5% em relação a mesmo mês de 2013, mas apesar desse aumento é evidente que continua a haver um problema com o turismo regional.
Desde logo, na comparação com o país, onde o crescimento foi de 25%. Os Açores apenas têm um aumento menor do que o da Madeira, que se ficou pelos 5,5%, mas a taxa de ocupação não mente: a Madeira está com 63,4% de ocupação, enquanto que os Açores se ficam pelos 32,2% e a média nacional é de 43,7%.
Também ao nível dos proveitos o aumento é ainda mais ténue, com apenas 4,6%, tendo atingido os 3 milhões de euros no mês. Trata-se do crescimento mais baixo do país, onde a média geral foi de 20,2%, e os Açores ficam abaixo de todas as regiões.
Os resultados no ano também estão longe de poderem ser satisfatórios. Um aumento de apenas 2,6%, com um total de 188 mil dormidas, que está muito abaixo do país, onde a média foi de 11%, e abaixo de todas as restantes regiões. Ao nível dos proveitos, as receitas totais revelaram um aumento de 1,44%, muito abaixo dos 10,17% de média nacional e muito abaixo de todas as regiões.
Há igualmente uma curiosidade: o crescimento de Abril fez-se sobretudo à conta de um aumento de 6,6% das dormidas de portugueses, enquanto que os estrangeiros registaram mesmo uma diminuição de 1,5%, o que acontece pela 1ª vez este ano. Recorde-se que os aumentos dos últimos meses tinham sido conseguidos sobretudo com sucessivos aumentos desse segmento. É um indicador que deixa as maiores dúvidas em relação ao futuro.
No conjunto do ano, de Janeiro a Abril, os portugueses (que incluem os açorianos em mobilidade interna) são responsáveis por 43% das dormidas. Em termos homólogos, esse segmento cresceu 18,6%, enquanto que os estrangeiros apenas cresceram 3,5%.
Dos estrangeiros, os alemães continuam na dianteira, representando no total do ano 31,2% do total, enquanto que em 2º está Espanha, mas com apenas 10%. Os nórdicos representam neste momento apenas 17,6% do total de estrangeiros, com predominância para suecos e noruegueses, com 7,8% e 6,4% respectivamente.

Valor do peixe nas lotas dos Açores é em média 26% mais baixo que no continente

pescadoresSegundo a publicação “Estatísticas das Pescas - 2013”, do Instituto Nacional de Estatística, no ano de 2013 os açorianos apanharam cerca de 10% do total de peixes marinhos capturados no país, enquanto que em termos de receitas a venda em lota atingiu 31,3 milhões de euros, o que representa 17% do total gerado no país.
Esses valores, no entanto, são grandemente devidos às capturas de atum e similares, que representaram 64% do total capturado na Região e 47,5% da receita.
Na comparação com os preços praticados no resto do país, uma conclusão evidente: os preços são bastante mais baixos nos Açores, embora com maior intensidade no caso dos atuns e similares.
Excluindo os atuns, das 26 espécies analisadas pelo INE, em 9 espécies o preço é superior nos Açores e em 11 é inferior. Mas quando se compara os valores em causa, o peixe valeu 16,4 milhões de euros, mas se fosse aplicado o valor do continente, o seu valor seria de 20,8 milhões de euros. Ou seja, os pescadores perdem cerca de 4,4 milhões de euros, o que representa cerca de 27% do que receberam. É significativo.
Incluindo os atuns a situação é muito mais grave. Os atuns renderam  perto de 15 milhões de euros, mas se fosse praticado o preço do continente, teriam rendido cerca de 33,6 milhões de euros, o que é uma diferença de 18,7 milhões de euros, ou 125% do rendimento obtido.

peixe-quadro

Habitantes de S. Roque do Pico e do Nordeste são os açorianos que revelam maior longevidade

idososViver em ilhas não é para idosos! Segundo as estimativas da população do INE, das pessoas com mais de 65 anos, nos Açores apenas existem 10,53% de idosos acima dos 85 anos e na Madeira 9,72%, quando a média nacional é de 12,24%. A diferença mantém-se quando se compara com outras faixas: acima dos 75, há cerca de 46% de idosos acima dos 85 tanto nos Açores como na Madeira, quando a média nacional é de quase 49%.
S. Roque do Pico e Nordeste parecem ser os concelhos onde o peso dos que têm mais de 85 anos é maior na população com mais de 70 anos, ultrapassando os 56,5%, o que é um valor superior a todas as regiões do país.
Já a Lagoa, com 42,3% e Ponta Delgada com 42,8% parecem ser os concelhos com menos pessoas de 85 anos no universo dos que têm mais de 75.
A Ribeira Grande é o concelho com maior número de jovens com menos de 14 anos, atingindo um peso de 22,3% da população total, enquanto que tem apenas 5,4% de pessoas com mais de 70 anos.
A Calheta, com 15,9% da população com mais de 70 anos de idade, é o mais envelhecido da Região, o que se situa acima da média nacional que é de 14,33% (o Alentejo é a região mais envelhecida, com 18,35%). Lajes do Pico, Santa Cruz da Graciosa e Lajes das Flores estão acima da média nacional.

Destino do navio “Atlântida” será conhecido até ao final do mês

atlantida-navioO prazo para os candidatos à compra do Atlântida melhorarem as ofertas terminou ontem, mas o destino do navio rejeitado pelos Açores só será conhecido até final do mês, avançou fonte dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC).
“O prazo para os três candidatos melhorarem as ofertas iniciais terminou às 11h, mas antes do final do mês não será conhecido o resultado do concurso público internacional”, explicou à agência Lusa fonte da administração dos ENVC.
Ao concurso para a venda do navio que o Governo Regional encomendou aos ENVC, e depois rejeitou, concorreram três empresas: a Mystic Cruises, do grupo Douro Azul (cruzeiros turísticos); o consórcio MD Roelofs Beheer BV e Chevalier Floatels BV (empresas holandesas representadas por um grupo espanhol); e os gregos da Thesarco Shipping.
A melhor proposta das três apresentadas ao concurso lançado a 11 de Março pela administração dos ENVC foi a dos gregos, rondando os 13 milhões de euros. Já a proposta da Douro Azul rondava os oito milhões e a dos holandeses quatro milhões.
De acordo com o caderno de encargos, que tem como único critério a melhor proposta financeira, após a fase agora concluída, explicou à Lusa a fonte dos ENVC, o júri tem cinco dias úteis para elaborar um relatório preliminar. Conhecida esta decisão do júri, presidido por um elemento da Inspecção-Geral de Finanças, os três concorrentes dispõem de cinco dias úteis para se pronunciarem.
Findo este prazo, e “caso não haja reclamações”, explicou a mesma fonte, o júri, que integra ainda um elemento da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças e outro da Direcção-Geral de Armamento e Infra-estruturas de Defesa (MDN), terá que elaborar o relatório final em cinco dias úteis. Comunicará então a decisão à administração dos ENVC, a quem cabe a última palavra, ao que tudo indica “antes do final deste mês”. “Se os prazos forem interrompidos por causa de reclamações, a previsão de conclusão do processo até final do mês poderá ser dilatada”, adiantou a fonte dos ENVC.
As três empresas na corrida à compra do Atlântida foram convidadas a melhorar as ofertas iniciais no passado dia 27 Maio.
O navio foi construído nos ENVC, por encomenda do Governo Regional dos Açores, que depois o rejeitaria em 2009, devido a um nó de diferença na velocidade máxima contratada. Concluído desde Maio desse ano, o Atlântida está avaliado em 29 milhões de euros no relatório e contas dos ENVC de 2012, quando deveria ter rendido quase 50 milhões de euros.
Os ENVC estão em processo de liquidação, tendo os terrenos e infra-estruturas sido subconcessionadas ao grupo privado Martifer, que criou para o efeito a West Sea. A nova empresa tomou posse no passado dia 2 de Maio.