O Atlântida era “um elefante branco” e “demasiado grande para os Açores””...

atlantida-navioO consumo elevado de combustível do ferry Atlântida foi ontem invocado pelo engenheiro naval António Martins Iglésias como um dos motivos possíveis que levaram o armador açoriano Atlânticoline a desistir do navio.
De acordo com o jornal Público, o mesmo especialista manifestou estranheza aos deputados da comissão parlamentar de inquérito aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) por, no contrato com os estaleiros, o não cumprimento da velocidade fosse condição para a cessação da relação contratual.
“Era queimado gasóleo, não nafta, e o consumo seria de 26 toneladas por dia”. Foram estes os cálculos de Martins Iglésias, engenheiro naval que trabalhou nos ENVC de 1988 até Abril de 2011. O técnico desempenhou diversas responsabilidades nos estaleiros de Viana, de chefe de provas de mar ao teste de equipamentos, e acompanhou a construção do C-258, o nome de código nos ENVC do Atlântida. “Era um navio demasiado grande para os Açores, pelo número de passageiros e viaturas que transportava”, relatou.
“Era um projecto megalómano, o espaço das garagens era de luxo, a zona de máquinas era também muito espaçosa, só poderia transportar a totalidade da sua capacidade em épocas excepcionais”, garantiu. Depois de apelidar o navio de “elefante branco”, não deixou de frisar que o segundo ferry encomendado pela Atlânticoline a Viana, o Anticiclone, “era já mais pequeno”.
Em contrapartida, o Atlântida, ponderou o engenheiro naval, “foi pensado à grande porque havia um pedido de subsídio”. Era uma comparticipação comunitária de 80% do valor do barco, ao abrigo do Programa Operacional dos Açores para a Convergência, 2007/2013. “Queimava só gasóleo, não nafta, o consumo seria de 26 toneladas por dia”, acentuou. Este facto, aliado à dimensão do barco e ao peso adicional colocado como lastro, levou Martins Iglésias a considerar de duvidosa a sua rentabilidade no tráfego interilhas. Aliás, o engenheiro naval admitiu a utilidade do navio, com algumas adaptações, para operações de lazer turístico no arquipélago açoriano. “Aquela obra de arte, um navio bem esgalhado, podia ser rentabilizado”, assegurou. Manifestou, ainda, surpresa por o não cumprimento da velocidade ter sido, segundo o contrato, razão para o armador não receber o ferry. Na análise ao projecto, o antigo quadro dos ENVC apontou o prazo de construção como um óbice. O contrato referia 565 dias e este prazo teve consequências. “O prazo condicionou a procura de material que nem sempre estava disponível no mercado”, precisou. Foi o que aconteceu com os propulsores, cuja potência era inferior à contemplada no projecto.
“O projectista (os russos da Petrobalt) ainda estava a trabalhar numa solução e os estaleiros iam mais à frente, fez-se e desfez-se, pôs-se e repôs-se, as coisas não eram pensadas como deviam ser”, assegurou. Esta constatação, garantiu o engenheiro aos deputados, era partilhada pelo primeiro fiscal que a Atlânticoline enviou aos estaleiros para acompanhar a construção.
“O engenheiro Nuno Lima (fiscal do armador açoriano) terá dito para pararem para pensar”, revelou Martins Iglésias. O técnico manifestou, ainda, dúvidas sobre a capacidade técnica do projectista Petrobalt. Mas, do mesmo modo, admitiu que após a saída de técnicos, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo tinham a falta de um gabinete de projecto.

Vitória do Partido Socialista nos Açores, tendo a abstenção atingido os 80,3%

parlamento europeuA Região passa a ser representada no Parlamento Europeu por Ricardo Serrão Santos (PS)
e Sofia Ribeiro (Coligação PSD/CDS)

O PS venceu as eleições europeias de ontem na Região Autónoma dos Açores, com 41,3 por cento, mais sete pontos percentuais do que em 2009.
 Os socialistas elegeram a nível nacional oito eurodeputados e a coligação Aliança Portugal, que reúne o PSD e o CDS elegeu sete parlamentares ao Parlamento Europeu, numa eleição que ficou marcada pela surpresa com a eleição de Marinho e Pinto e de José Inácio Antunes Faria pelo Movimento Partido da Terra.
 A CDU também registou uma subida de dois para três eurodeputados com João Ferreira, Inês Zuber, e Miguel Viegas eleitos, já o BE elegeu apenas Marisa Matias.
O líder do Patido Socialista nos Açores, Vasco Cordeiro, referuiu que a “vitória do Partido Socialista é uma manifestação de confiança para o PS fazer mais e melhor”, destacado os resultados “expressivos  do partido socialista na Região”.
Vasco Cordeiro mostrou-se muito “satisfeito com o aumento do número de votos no PS/Açores em comparação com as últimas eleições”.
Duarte Freitas, presidente do PSD/Açores, admitiu dificuldades em ligar o partido aos açorianos, após a terceira derrota eleitoral, mas diz que o seu projeto é de longo prazo.
Para Duarte Freitas, “a mensagem da coligação poderá não ter sido bem transmitida” e os resultados eleitorais obtidos pelo seu partido não foram satisfatórios.
Duarte Freitas entende que a elevada abstenção que se verificou na Região, que bateu o recorde nacional com 80,3%, não permite tirar grandes ilações, mas admitiu a necessidade de “corrigir” a trajectória do PSD/A.
Artur Lima, CDS-PP considerou “os resultados eleitorais como honrosos para a Aliança Portugal (Coligação PSD/CDS) porque o PS não conseguiu a vitória que desejava”.
O Partido Comunis-ta Português (PCP)  na Região, através do seu líder, Aníbal Pires,  destacou que “foi mostrado um cartão vermelho ao governo da República e lamentou que o governo regional (PS) não tenha sido também penalizado”.
Lúcia Arruda do Bloco de Esquerda referiu que a eleição de Marisa Matias “significa que o Bloco vai continuar a lutar por uma Europa melhor”.
Manuel Moniz, do Movimento Partido da Terra (MPT), mostrou-se “muito feliz com os resultados”, destacando que “o resultado alcançado a nível nacional irá derramar para a região e que agora a ideia é consolidar o MPT nos Açores”.
Os Açores passam a ser representados no Parlamento Europeu por Ricardo Serrão Santos (PS) e Sofia Ribeiro (Coligação PSD/CDS) que substituem Luís Paulo Alves e Maria do Céu Patrão Neves.

“NOS” investe 8 M€ na rede móvel dos Açores

Vasco Cordeiro e Miguel Almeida da NOSO presidente da Comissão Executiva da NOS, Miguel Almeida, revelou ontem que a empresa pretende investir, até Setembro, oito milhões de euros na rede móvel dos Açores e criar 35 postos de trabalho na região.
“Só na rede móvel estamos a falar de um investimento que, basicamente, está concentrado entre o início do ano até Setembro. Vamos investir oito milhões de euros. Estamos a pensar criar mais 35 postos de trabalho”, afirmou aos jornalistas Miguel Almeida, após uma audiência com o presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, em Ponta Delgada.
A NOS é a empresa que resultou da fusão da ZON e da Optimus, tendo adoptado este novo nome no início de maio.
Miguel Almeida revelou que a rede móvel nos Açores está a ser “neste momento construída com as últimas tecnologias”, sendo que até setembro “a intenção é cobrir 97% da população açoriana” com as três tecnologias existentes (2.ª, 3.ª e 4.ª geração).
“Os Açores vão ter a maior cobertura do ponto de vista da população de 4.ª geração que existe em Portugal. No continente, estamos à volta dos 80%”, disse Miguel Almeida, acrescentando que o plano de investimentos da NOS na região contempla, ainda, o reforço da fibra e cabo nos serviços de televisão paga, internet e voz fixa.
Com a disponibilização da rede móvel no arquipélago, o presidente da Comissão Executiva da NOS adiantou que será possível disponibilizar nas ilhas as designadas “ofertas convergentes ou integradas”, que basicamente é ter os serviços todos (TV, internet, voz fixa e móvel) na mesma factura.
“Vamos oferecer preços mais baixos e trazer concorrência ao mercado açoriano”, assegurou.
Para o presidente do Governo Regional, o plano de investimento da NOS na região constitui um “sinal de confiança” na economia dos Açores.
“O investimento significativo que a empresa faz, os postos de trabalho que cria ou criará e, no fundo, o sinal de confiança que esse investimento representa naquilo que é o desenvolvimentos dos Açores e da economia açoriana”, afirmou Vasco Cordeiro, alegando que “este é mais uma sinal a juntar a outros”.
A NOS tem mais de 3,2 milhões de clientes móveis, cerca de 1,5 milhões de clientes de televisão, 1,5 milhões de clientes de telefone fixo e 927 mil clientes de internet de banda larga fixa.

Sindicato acusa SATA de alargar “privilégios de chefias e negar direitos a trabalhadores”...

sata-internacional1O SINTAC acusou ontem a nova administração da SATA de alargar as facilidades de transporte a mais chefias e respectivos familiares, ao mesmo tempo que as nega a trabalhadores em licença parental, violando o Código do Trabalho.
“Existe um tratamento diferenciado. Se, por um lado, ao abrigo do Orçamento do Estado, nos limitam os direitos às passagens, por outro lado, não têm qualquer pudor em estender as passagens a outros trabalhadores e seus familiares, inclusivamente”, disse o dirigente sindical Filipe Rocha.
Num comunicado ontem divulgado, o SINTAC (Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil) explica estar em causa “uma comunicação interna” onde o Conselho de Administração da transportadora aérea dos Açores “faz saber que passa a garantir o direito a Facilidades de Transporte, em lazer, em classe executiva, às primeiras linhas de chefia e seus familiares”.
“Falamos de mais de trinta trabalhadores privilegiados que passam a ter ainda mais privilégios. Antes não chegavam a uma dezena, hoje passam a ser largas dezenas”, garante o sindicato.
No entanto, segundo o sindicato, a empresa “nega quaisquer direitos de facilidades de transporte a trabalhadores que se encontram de licença parental, violando claramente o disposto no artigo 65.º do Código do Trabalho”.
O dirigente nos Açores do SINTAC, Filipe Rocha, acrescentou à Lusa que a nova administração da SATA, presidida por Luís Parreirão, alterou, “de forma unilateral”, o regulamento de facilidades de transporte dos seus trabalhadores.
“No passado recente, a empresa passou a cobrar mais dinheiro por estas passagens. No entanto, agora entende que tem de estender estes privilégios às primeiras linhas de chefia”, frisou.
Filipe Rocha considerou que está em causa um “desrespeito total” pelo direito e pela lei e acusou a administração da SATA de “estar mais preocupada em conceder privilégios a quem não tem do que em resolver os problemas sociais da empresa, que são muitos”.
O sindicalista disse ainda ver “com maus olhos” este novo ciclo no grupo SATA, uma vez que não há manifestação de preocupações em termos de concertação e se aposta, em alternativa, na “arrogância”.
SATA emite esclarecimento

Na sequência desta acusação, a SATA emitiu um esclarecimento, no qual diz que “o Regime de Facilidades de Transporte que a empresa vem praticando há anos, em linha com o que é seguido no sector da aviação, ao contrário do que é afirmado, não sofreu, agora, qualquer ampliação ou restrição relativamente ao que vem sendo praticado” .
Além disso, o Conselho de Administração do Grupo SATA “entende que esta, como quaisquer outras matérias, devem ser objecto da maior transparência, pelo que deliberou [ontem] determinar aos serviços da empresa a produção de um novo Regulamento de Facilidades em linha com a prática seguida na generalidade da indústria aeronáutica e devidamente enquadrado na realidade da empresa, o qual deverá estar concluído no prazo de 60 dias”.

Açores ganham à Madeira prioridade para receber patrulhas oceânicos

Navio patrulha oceânicoSó no próximo ano e por um período de três meses, a Zona Marítima da Madeira (ZMM) será novamente controlada por um dos dois novos patrulhas oceânicos da Marinha Portuguesa (‘Viana do Castelo’ ou ‘Figueira da Foz’).
De acordo com o Diário de Notícias da Madeira, a informação foi avançada ontem, no Funchal, pelo comandante da ZMM, que reconheceu que a experiência do ‘Figueira da Foz’ na Madeira “correu muito bem” mas que a “prioridade” nas missões dos dois novos navios será “render as corvetas que estão atribuídas à Zona Marítima dos Açores”.
Em Julho, o patrulha ‘Cacine’, que conta já com 45 anos de actividade, termina a comissão na Zona Marítima da Madeira e será rendido por um navio da mesma classe, o ‘Cuanza’. Em Outubro, está prevista a vinda do patrulha ‘Schultz Xavier’. “Só de acordo com a disponibilidade é que porventura poderá haver a hipótese de para o ano um patrulha da classe ‘Viana do Castelo’ vir novamente para a Madeira por um período de três meses”, adiantou o capitão-de-mar-e-guerra Félix Marques.
O oficial falava no final da cerimónia de lançamento ao mar de uma coroa de flores em homenagem a todos aqueles que faleceram no mar. O evento, que encerrou as celebrações do Dia da Marinha, decorreu a bordo do patrulha ‘Cacine’ e ao largo do Funchal. O representante da República, Ireneu Barreto, que pela quarta vez presidiu a esta cerimónia, qualificou o acto como “tocante”, pois corresponde a “uma homenagem àqueles que deram a sua vida ao mar, quer civis quer militares” e a quem “devemos estar gratos”.