5ª redução consecutiva no RSI

Pessoas na rua - PDLOs Açores registaram em Outubro a 5ª redução sucessiva no número de beneficiários do Rensimento Social de Inserção, que passou de 19.534 em Junho para 18.655, acompanhando a tendência nacional de decréscimo. No entanto, em relação a Junho, a redução nos Açores ficou-se pelos -4,5%, enquanto que no país atingiu os -8,8%.
Os Açores mantêm-se como a 4ª região em número total de subsídios, com 7,55% do total. Já não são os valores que se verificavam em 2004 e 2005, quando a Região chegou a ser responsável por mais de 13% do total de beneficiários nacionais (13,2% em Novembro de 2004), mas continuamos a ser a primeira do país em termos do subsídio per capita. Em Outubro, 7,4% da população açoriana recebia o RSI, o que não tem qualquer paralelo no país. A média nacional fica-se pelos 2,35% da população, e o distrito mais próximo é o do Porto, com 3,87% - praticamente metade da taxa regional.
O valor médio da prestação é neste momento de 66 euros, o que representa uma redução em relação aos mais de 83 euros de média verificados no país.Essa é, no entanto, uma diferença quie se tem mentendo ao longo dos anos.
Esse baixo valor faz com que o peso deste programa nos Açores seja inferior ao peso do número de beneficiários. E, Outubro, o programa custou 1,233 milão de euros nos Açores, o que representa 5,95% do total nacional, que foi de 20,7 milhões de euros. Em 2013, o programa fez entrar nos Açores 12,36 milhões de euros.
Nos Açores existem 5.561 famílias a receber o RSI, o que dá uma média de 3,35 beneficiários por agregado familiar. Esse valor revela um agregado familiar típico, pelo menos ao nível dos mais desfavorecidos, muito maior que a média nacional. No país, a média é de apenas 2,46 beneficiários por agregado, e não há mais distrito nenhum que atinja os 3.
A média de prestação por família é nos Açores de 225 euros por mês, enquanto que a média nacional é de 208 euros.                                       

Ponta Delgada continua a perder peso no mercado das embarcações de recreio

Marina de Ponta DelgadaO número de embarcações de recreio que aportaram nas marinas dos Açores entre Janeiro e Outubro aumentou cerca de 4% este ano, enquanto que o número de passageiros baixou cerca de 1,7%.
Ponta Delgada continua a perder peso no mercado das embarcações de recreio e este ano, de Janeiro a Outubro, ficou reduzida a 14,97% do total regional – uma redução quase contínua desde 2009, quando chegou a ser responsável por 20,35% do total. Com apenas 547 embarcações a aportar, trata-se de uma redução pelo 3º ano consecutivo. O melhor ano terá sido o de 2009, quando atingiu um total de 717 embarcações.
A Horta também tem vindo a reduzir o seu peso relativo, representando agora 30,76% do total regional, quando em 2009 era responsável por 37,5%. Aliás, de 2000 a 2006, a Horta era responsável, em média, por mais de metade de todas as embarcações de recreio atracadas nos Açores. A Horta registou este ano 1.124 embarcações. As marinas da Terceira também registam alguma variação negativa do seu peso regional, embora muito mais ténue, baixando para 21% do total, mas registando um aumento de quase 16% este ano.
A “culpa” é dos aumentos acentuados que se registam em Vila do Porto, São Jorge e Flores. S. Jorge é responsável neste momento por 11,9% das embarcações, quando antes de 2006 não registava nenhuma. Vila do Porto detém 8%.

Número de passageiros nacionais desembarcados nos aeroportos dos Açores baixa pelo 3º ano consecutivo

Aeroporto de Jo--o Paulo IIO número de passageiros desembarcados entre Janeiro e Outubro nos aeroportos do Açores, no segmento dos “territoriais” (ligações com o continente e Madeira), desceu pelo 3º ano consecutivo.
Desde 2009 que houve apenas uma subida, e o número está neste momento 10,89% abaixo desse ano. Desembarcaram nos 5 aeroportos “gateway” apenas 276 mil passageiros, o que é o valor mais baixo dos últimos 5 anos. Em 2009, o total tinha sido de 310 mil passageiros, mas desde 2011 que a Região não atinge os 300 mil passageiros.    
Parte da culpa é de S. Miguel, que representa 62% do tráfego total, mas o facto é que a ilha até aumentou ligeiramente o seu peso no total, embora perdendo, cerca de 1,77% em relação ao ano passado, e já está a perder 9,45% em relação a 2009. Mas a Terceira, que representa 23,96% do tráfego, perdeu 4% em relação ao ano passado, já está a perder 15,2% em relação a 2009 e baixou o seu peso no total. Em relação a 2009, S. Miguel perdeu 17.897 passageiros, enquanto que a Terceira perdeu 11.874.   
Santa Maria e o Pico têm apresentado tendências de crescimento. Santa Maria já atingiu 1,07%, quando em 2009 tinha um peso de apenas 0,73%, mas este ano baixou para 0,94%, com um total de 2.977 passageiros. O Pico atingiu este ano o seu maior valor de sempre, com um peso de 1,94%, o que corresponde a 5.366 passageiros. Já o Faial, também atingiu este ano o seu pior valor de sempre, com um peso de 11,16%, e uma descida em relação a 2009 de 16,4%, o que é a maior redução dos Açores.
Em relação às viagens inter-ilhas, o número de desembarques neste período desce pelo 2º ano consecutivo, estando nos 368 mil passageiros, o que é o pior valor desde 2010. Em relação a 2012, houve reduções em quase todas as ilhas, com excepção do Corvo, Faial e S. Jorge. Comparando com o ano de 2009, a redução total foi de 2,23%, com reduções em todas as ilhas à excepção do Corvo e Pico. A Terceira regista a maior redução em relação a 2009 (-7,8%), enquanto que em relação ao ano passado a maior redução foi da Graciosa (-8,35%).
Em termos das ligações internacionais o caso é diferente. Há um aumento total de 14,7% em relação ao ano passado, com subidas de 14,9% em S. Miguel e 13,5% na Terceira. S. Miguel é responsável por 86,7% do total sem que tenham existido grandes flutuações.           

Fortes quebras na produção de queijo e leite, mas aumento do preço ao produtor

leite 2A produção de queijo nos Açores este ano, nos 3 primeiros trimestres, foi a mais baixa dos últimos 3 anos. Foram produzidas apenas 21,3 mil toneladas, o que representa uma quebra de 8,5% em relação às 23,3 mil toneladas processadas no ano passado. É uma diferença significativa, especialmente tendo em conta que o queijo é o produto que representa a maior mais valia na produção de lacticínios.
Aliás, não é a única redução a registar, até porque a entrega de leite nas fábricas também caiu fortemente, na casa dos 7,7%, ficando-se pelos 413 milhões de litros. Não é, no entanto, o pior valor desde 2005, embora registe uma redução na tendência de aumento dos últimos anos, e corta uma série de subidas sucessivas que se verificava desde 2010.
O tratamento de leite para consumo sofreu uma redução de 15,2% em relação ao ano passado, e apresenta o volume mais baixo desde pelo menos 2005. Foram tratados apenas 11,2 mil toneladas de leite, o que é uma quebra abrupta de 2 mil toneladas, mas o facto é que marca o 4º ano de uma clara tendência de redução. A maior quebra regista-se ao nível do leite magro, com -31,1%, sendo que este é o leite mais produzido pela Região (o leite gordo, que é o 2º em volume, apresenta uma quebra de 8,2%). Apenas o leite meio gordo registou uma subida, de 25%, embora seja o leite menos laborado. Há ainda a registar uma quebra de 11,5% na produção de Manteiga, e de 3,6% na produção de iogurtes.
Mas o resultado não poderia ser mais interessante: o anúncio do aumento do preço do leite ao produtor em S. Miguel, primeiro pela Unileite e depois pela Insulac. A Bel ainda nada anunciou, mas segundo a Antena 1, o anúncio da Unileite foi feito em Assembleia Geral: entre 1,8 e 2 cêntimos por litro, beneficiando a qualidade. Segundo Gil Oliveira, presidente da cooperativa, “o nosso leite é bom, mas queremos melhorar”. Alegadamente, 90% dos fornecedores da cooperativa serão abrangidos por este aumento do preço a pagar à produção.
Já Jorge Costa Leite, da Insulac, também assume que a decisão da Unileite vai fazê-lo “decidir alguns ajustes e acompanhar”, mas refere que a Unileite apenas o faz porque “em alguns casos estava a pagar menos que as restantes indústrias”. No entanto, deixa alguma luz: “isto só é possível porque o mercado está favorável, pois os stocks baixaram significativamente nos últimos anos a nível mundial, uma vez que as campanhas não foram boas devido a questões climatéricas”.

Angra lidera no total de mortes provocadas pelo HIV nos Açores

SidaHoje assinala-se o Dia Mundial da SIDA. Uma doença que atravessa todas as classes sociais e que tem vindo a aumentar devido à própria conjuntura actual económica que potencia o desenvolvimento de comportamentos de risco.
Segundo dados fornecidos pelo executivo açoriano, relativos ao período 1986-2012, existem 116 casos de SIDA nos Açores, 179  casos de Portadores Assintomáticos (PA) e 50 classificados como “Complexo Relacionado com SIDA” (CRS). No total, são 345 pessoas infectadas pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) (embora se estime que haja mais pessoas seropositivas na região, pois este é um vírus de fácil contágio em relações sexuais desprotegidas), das quais 62 já faleceram (18% dos doentes). Destas, 48 dizem respeito ao estádio mais avançado da doença – a SIDA, propriamente dita – estando o concelho de Angra do Heroísmo a liderar, com dezasseis indivíduos, seguindo-se Ponta Delgada com seis. Na tentativa de perceber o porquê de a taxa de mortalidade ser muito superior naquele concelho, quando comparada com outros concelhos dos Açores, falamos com Suzete Frias, directora da ARRISCA (Associação Regional de Reabilitação e Integração Sociocultural dos Açores), que nos disse que “não há uma explicação” para essa taxa de mortalidade ser elevada, “a não ser razões intrínsecas aos pacientes e evolução da sua patologia”.
Por outro lado, o concelho onde se verifica mais casos de VIH  em todo o arquipélago é o de Ponta Delgada, com 127 doentes, seguindo-se Angra do Heroísmo com 94 e Ribeira Grande com 20. Em último, situa-se o das Lajes das Flores com apenas um caso. A maioria dos indivíduos com SIDA nos Açores é do sexo masculino (93), havendo apenas 23 mulheres infectadas, com idades a partir dos 15 anos, sendo a faixa etária mais predominante a dos 30 aos 39 anos (51 casos).
Dantes associada a homossexuais e a toxicodependentes, na região criou-se o estigma de que a doença estava relacionada com os “repatriados”, por ter havido um período em que havia um número significativo de portadores do vírus provenientes dos Estados Unidos da América e Canadá.
Contudo, os dados confirmam que, neste momento, o grupo mais afectado é o heterossexual. Suzete Frias explica, em entrevista do DA, que essa inversão dos grupos deveu-se, sobretudo, ao facto de “inicialmente esta doença ter sido associada aos homossexuais e depois aos consumidores de drogas injectáveis e, por este motivo, todas as campanhas foram direccionadas para estes grupos, levando a uma falsa ideia de imunidade na restante população, o que teve como consequência que estes não se prevenissem e não extinguissem comportamentos de risco, ao contrário dos homossexuais e consumidores de drogas injectáveis que mudaram os seus comportamentos devido às campanhas de prevenção ao longo dos anos”.
Paralelamente, a própria crise económica em que vivemos tem moldado o quadro dessa doença, já que muitas mais pessoas se prostituem agora para poderem sobreviver, aumentando, desse modo, os comportamentos de risco. “Estudos indicam que a vulnerabilidade económica está associada à vulnerabilidade de contracção desta doença. Porém, importa referir que ela atravessa todos os estratos sociais”, destaca.
A ARRISCA desempenha um papel fundamental na actuação de combate ao vírus VIH, uma vez que acompanha regularmente pessoas seropositivas e ajuda-as a enfrentar e a aprender a lidar com a doença. Do apoio pelo Serviço Clínico da associação, “faz parte o rastreio por uma bateria de análises, entre as quais, DST onde se inclui VIH/SIDA”, diz, avançando que “em caso de positividade, o caso é notificado e a pessoa é encaminhada para o Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital de Ponta Delgada, trabalhando os clínicos de ambos os serviços em parceria”. A directora acrescenta ainda que “sempre que for necessário a nossa Equipa Móvel de Apoio ao Domicílio de cuidados integrados e continuados – PillPost  presta apoio na residência do utente, sendo geralmente esta uma intervenção de média duração”.
Esta associação, por trabalhar com uma população vulnerável, já que na sua maioria são consumidores de drogas injectáveis e em exclusão social grave, “para além do rastreio e encaminhamento para o Serviço de Infecciosas pelo serviço médico e de enfermagem, faz sessões de educação para a saúde (cuidados a ter, vias de transmissão, desmitificação dos aspectos relacionados com a doença, entre outros) aos utentes e comunidade em geral,” refere, mencionando que também são feitos atendimentos de Psicologia com o intuito de ajudar o doente a (rea)viver com a doença, aprender a lidar com as dificuldades diárias com que se depara, emoções e possíveis atitudes de discriminação e preconceito de que é alvo.
Note-se que todos os recursos disponibilizados aos seus utentes pela associação não têm custo, sendo necessário frizar que, para a população em geral, o Sistema Regional de Saúde (SRS) disponibiliza gratuitamente o diagnóstico, acompanhamento e tratamento desta patologia.
No entanto, esses tratamentos têm custos elevados para o executivo. De acordo com Suzete Frias, o custo é “variável consoante a combinação terapêutica de cada doente, que pode variar de 600 euros a 2000 euros mensais”, salientando que o “aparecimento de genéricos vai reduzir substancialmente estes custos para o Estado”. Nas palavras da responsável, que também é psicóloga, importa referir que o “encaminhamento é célere e que nem todos os seropositivos necessitam de tratamento imediato, porque existem portadores assintomáticos que não necessitam de tratamento logo após o diagnóstico e avaliação”.
Enquanto directora da ARRISCA e Presidente da Comissão Regional, Suzete Frias  preocupa-se com as formas de sensibilizar as pessoas a construírem práticas sexuais mais seguras dentro dos contextos relacionais. Neste sentido, para entender melhor as estratégias necessárias para a prevenção dessa doença, a ARRISCA está a fazer um estudo sobre Comportamentos, Atitudes e Percepção de Risco.  “No estudo que estamos a fazer na região verificamos que os jovens tendem a justificar os seus comportamentos não preventivos por estarem no interior de uma relação”, ou seja, o amor e a confiança ainda bloqueiam os cuidados a ter. “Sentindo-se protegidos numa relação pela confiança e amor no outro, se tivermos em conta a monogamia serial nos jovens vemos como esta representação social envolve risco”, salienta. As representações ainda “opõem o conceito de SIDA ao de amor e conjugalidade, isto em parte por as pessoas verem o VIH/SIDA como algo estranho e ligado a grupos específicos. O estar em relação aparece como justificação para a não utilização do preservativo nas relações sexuais”, o que faz com que as pessoas “mantenham um controlo imaginário sobre a síndroma”. Suzete Frias diz também que a mulher heterossexual “é, de igual modo, um grupo que nos preocupa, pois pela sua condição, apesar de todas as mudanças, ainda tem menor poder negocial na relação”. Ainda segundo a directora da ARRISCA, devemo-nos preocupar, principalmente, com a banalização desta doença “pelo facto de esta ser considerada actualmente uma doença crónica, pois esta ideia pode levar a comportamentos de risco, visto que o espectro da morte esbate-se com o aumento de sobrevida dos seropositivos”.

A SIDA em Portugal e no Mundo
Desde 1981, mais de 25 milhões de pessoas morreram de SIDA em todo o mundo. Só no continente africano mais de 11 milhões de crianças ficaram orfãs devido à epidemia.
Em Portugal, são cerca de 14 mil o número de pessoas doentes de SIDA, num total de 32.491 mil casos de infecção que se registaram desde 1983.
No final de 2010, segundo um relatório internacional divulgado nesse mesmo ano, em Genebra, cerca de 34 milhões de pessoas viviam com o VIH, o número mais elevado de sempre que, segundo os especialistas, se deve ao aumento da sobrevivência. O relatório apresenta, precisamente, esta como uma das principais conclusões: a estabilização do vírus VIH, a diminuição das novas infecções e do número de mortes e o aumento do número de pessoas a viver com o vírus.