Açorianos produzem muito mais lixo que a média nacional...

recolha selectivaDe acordo com os dados do INE, que serão incluídos no Anuário dos Açores 2012, no ano passado os açorianos registaram uma produção de lixos recolhidos per capita de 499 quilos, o que é o 2º maior valor do país. Os Açores apenas ficam abaixo do Algarve, que atingiu uma capitação de 761 quilos, mas ficamos muito acima da média nacional, que foi de 454 quilos por habitante. No entanto, quando se introduz o factor do turismo – que no caso do Algarve, como em outros indicadores, explica aquele valor –, compreende-se como os valores açorianos estão acima da média, podendo mesmo, objectivamente, colocar a Região no topo do país. S. Miguel atinge mesmo os 512 quilos por habitante, e Ponta Delgada atinge os 554 quilos.   
Cerca de 91,3% da recolha é de tipo indiferenciado, o que coloca a Região na cauda do país, embora a média nacional seja igualmente elevada, atingindo os 86%. Nos Açores, apenas 8,9% dos resíduos são recolhidos de forma selectiva, o que é o mais baixo valor do país.
Em relação ao tratamento que é dado a esses resíduos, 86,4% são simplesmente depositados em Aterro, o que é, de longe, o pior valor do país, onde a média é de apenas 54,4%.
Neste particular, há várias alternativas. A nível nacional, 19,5% dos resíduos são valorizados em energia, enquanto que 14,6% recebem valorização orgânica. Nos Açores, não há valorização energética, e a orgânica fica-se pelos 3,6%. Este é um valor que só não é o mais baixo do país, porque a Madeira converte quase todo o seu lixo em energia, através da incineração. 
É caso único no país, mas permite algumas conclusões. Desde logo a factura não é propriamente baixa e apresenta mesmo a mais alta despesa do país, com uma média de 142 euros por tonelada, enquanto que a média nacional é de 92,4 euros e a dos Açores de 73,7 euros. O rátio com a receita, embora mais favorável, está também longe de ser o melhor. A Madeira apresenta uma receita de 80,7 euros por tonelada (que neste caso é por tonelada queimada), o que é o maior valor do país, onde a média é de apenas 41,7 euros e nos Açores de 46,33 euros. Mas  em termos de rátio, a receita na Madeira representa 56,8% da despesa, enquanto que a nível nacional é de 45,2% e nos Açores é de 62,9%. 
Mas tendo em conta a capitação dos lixos, parece evidente que os Açores têm um longo caminho a percorrer ao nível da redução de resíduos.

Governo anuncia como meta para 2020 “um PIB per capita entre 80% a 85% da média europeia”...

Rui AmannDepois de ter afirmado há dois dias que “apesar de ter registado uma boa execução dos fundos comunitários, os Açores continuam a estar entre as regiões mais pobres da Europa”, o director regional do Planeamento e Fundos Estruturais, Rui Amann, parece ter sido ontem obrigado a rectificar o que dissera antes.
As primeiras declarações tinham sido proferidas publicamente, durante uma conferência sobre “O Proconvergência e o Mar”, realizada na cidade da Horta. “Os Açores aproximaram-se dos 75% do PIB per capita médio europeu, que permitiria colocar a região num novo patamar de desenvolvimento, mas a crise financeira não o permitiu. Ainda se pensou que pudéssemos vir a integrar aquelas regiões que passaram esse limiar, mas com a crise que aconteceu neste país, temos vindo a cair um pouco nesse ‘ranking’”. E revelava mesmo que “os Açores têm actualmente um PIB per capita que é 73% da média europeia”.
Ontem, em conferência de imprensa, optou por lançar a bola para a frente: “os Açores têm como meta para 2020 atingir 80 a 85% da média europeia do Produto Interno Bruto (PIB) per capita”, disse, segundo notícia da LUSA.
Quanto à crise nacional: “Esta conjuntura nacional adversa que se atravessa no caminho do desenvolvimento regional afecta e perturba forçosamente o progresso que se vem alcançando. Porém, todo o desenho e a estratégia da política regional que vai dar corpo à nova geração do apoio dos fundos comunitários encerra os elementos necessários à retoma e recomposição dos ritmos de crescimento, dentro de um futuro próximo”.
Há 2 dias, referira que no próximo quadro comunitário de apoio, que arranca em 2014, os Açores “vão continuar a pertencer ao grupo das denominadas regiões proconvergência, que “agora vão passar a designar-se por regiões menos desenvolvidas ou com atraso de desenvolvimento”. Ontem esses termos desapareceram, para darem lugar à comparação com o país: “a nível nacional a região deixou de se colocar como menos desenvolvida, para assumir uma posição intermédia”, lembrando que o PIB por habitante dos Açores, em paridades de poder de compra, é superior ao das regiões de convergência Alentejo, Centro e Norte.
A nota do GACS sobre o assunto é mais recatada e não dá uma única linha ao alegado objectivo dos 80% do PIB europeu. E focou-se sobretudo na contabilidade.
Primeiro, “os Açores têm um Produto Interno Bruto (PIB) per capita superior a mais de 60 regiões do espaço comunitário europeu, segundo dados dos serviços da Comissão Europeia”. Que “os primeiros números revelados pela Comissão Europeia indicavam que, em 1983, a Região era a última da Europa comunitária, com um PIB equivalente a 39% da média europeia, situação que, 10 anos depois, era quase a mesma, sendo, então, os Açores a penúltima região na produção de riqueza”. E que “essa situação mudou substancialmente a partir de meados da década de 90, numa mudança alavancada por uma visão renovada sobre o crescimento económico e com os recursos proporcionados pelos fundos comunitários”.
Os Açores foram, de entre as regiões ultraperiféricas, a que mais dinheiro recebeu da UE. E Rui Amann indicou alguns “resultados expressivos” da aplicação dos fundos neste período mais recente: “como o financiamento comunitário do apoio concedido a 763 projetos de investimento privado de expansão/modernização, a 1.609 empresas através de linhas de crédito, a cerca de 600 campanhas e eventos promocionais, a 71 espaços TIC, a seis projetos de I&DI de contexto empresarial e a 24 postos da Rede Integrada de Apoio ao Cidadão”. Ao nível do contributo para o capital humano, citou “os apoios à construção/remodelação de 57 estabelecimentos de ensino básico e secundário, à construção/apetrechamento de cinco estabelecimentos de ensino profissional, às intervenções em dois pólos da Universidade dos Açores, a cerca de 26 equipamentos culturais construídos ou intervencionados, a 42 equipamentos de animação local, culturais e de desporto, construídos ou remodelados, a 15 unidades de saúde construídas ou remodeladas e apetrechadas e ainda a 44 projetos de intervenção social”. E na “coesão territorial e sustentabilidade ambiental”, referiu “obras em 597 quilómetros de estradas, intervenções em 10 portos comerciais e em nove portos de pesca, apoio à elaboração de 10 planos de ordenamento, construção ou beneficiação de cerca de 91 quilómetros de rede de distribuição de água, 27 projetos de captação e tratamento de água e apoio a 33 projetos de conservação da biodiversidade e valorização dos recursos”.
Conclusão: “com os últimos dados disponíveis, no quadro das regiões europeias, o desempenho económico registado pelo serviço oficial de estatística da Europa colocava o nível de desenvolvimento dos Açores bem à frente de mais de 60 regiões da Europa comunitária, não estando pois, ao contrário do que foi afirmado, como das mais pobres, nem muito menos na cauda da Europa”.
Quanto ao objectivo do Governo de alcançar entre 80% ou 85% do PIB europeu em 2020, e tendo em conta que poderá ter havido já um recuo para 73% neste momento, convém lembrar o ritmo a que cada desses “1”s foi alcançado nos últimos anos, quando a economia ia de vento em popa e as Lajes estavam para ficar, para se concluir que se calhar nem aos 80% poderemos chegar... Pelo menos sem que a UE nos apoie ainda mais...

Reitor da Universidade dos Açores renuncia ao cargo para possibilitar solução a 3 anos

Jorge Medeiros - ex-ReitorO reitor da Universidade dos Açores renunciou ontem ao cargo, justificando que “a minha reitoria teria neste momento apenas um ano de vida útil para implementar um projeto que deverá ser desenvolvido em três anos e iniciar-se em 2014. Muito pouco tempo certamente para os desafios que se colocam e que exigem continuidade e coerência na governação. Por estas razões, entendi ser meu dever renunciar ao cargo de Reitor da Universidade dos Açores, abrindo espaço a que uma nova equipa possa prosseguir nas condições agora existentes, um projeto que nunca encarei como pessoal mas sim institucional”.
Em causa está o facto que o Ministério da Educação e Ciência “vai negociar com o das Finanças e com o Governo Regional a aprovação do plano para o período de 2014-2016, no qual se prevê a assunção dos défices de 2014 e 2015 da universidade, bem como da totalidade dos encargos com o empréstimo que a instituição ainda tem por liquidar”.
Ou seja, “a Universidade dos Açores ficará equilibrada financeiramente”, disse Jorge Medeiros, destacando que a academia recebeu um reforço orçamental do Governo da República que lhe permitirá terminar o ano “em condições normais de funcionamento”.
“Independentemente dos termos em que tal plano vier a ser aprovado, certo é que nos próximos três anos a Universidade dos Açores terá necessariamente de se reestruturar a vários níveis. Neste contexto, será necessário estabelecer e implementar um conjunto de medidas que permitam consolidar e desenvolver a universidade num quadro estável e de grande abrangência, aproveitando igualmente o arranque do próximo Programa Quadro para o período de 2014-2020”, escreve o reitor.
Jorge Medeiros reconhece, por outro lado, que está “ciente que nem tudo se fez da melhor forma”, mas deixou um agradecimento “a toda a equipa que comigo trabalhou e a todos os órgãos e dirigentes da Universidade dos Açores, aos docentes, investigadores, funcionários e alunos o trabalho também por eles desenvolvido durante estes anos”, tendo realçado que lutou “pela dignidade da Universidade dos Açores, pela sua sobrevivência e pela sua defesa junto das diversas instâncias e órgãos”.
O reitor acredita também na sobrevivência a Uaç e que “um dia será possível a necessária união e conjugação de esforços para que tal aconteça”.
Jorge Medeiros havia assumido a função de reitor da academia açoriana  a 4 de Julho de 2011, num quadro, como disse, “de grandes constrangimentos de ordem financeira, impostos por uma crise económica internacional sem precedentes”.

S. Miguel a caminho dos 60%

Pessoas na rua - PDLDe acordo com os destaques dos Anuários de 2012, do INE, a população açoriana, juntamente com a de Lisboa, foi das únicas a crescer no país entre 2011 e 2012. No caso açoriano, o aumento terá sido de 0,2%, o que motivou regozijo em alguns círculos. Mas serão esses dados realmente positivos?
O facto é que existem algumas variáveis de peso. Desde logo, a ilha de S. Miguel atinge um peso de 56% da população regional, com 138.551 dos 247.549 residentes dos Açores. E tendo em conta os dados conhecidos, nomeadamente os recenceamentos decenais desde 1900, é a primeira vez que S. Miguel atinge esse valor. No resultado do Censos de 2011, que levou a uma correcção de 2,63% em relação aos dados do ano de 2010 (que, como os de 2012, são por projecção), S. Miguel já revelava esse aumento substancial, mas tinha-se ficado pelos 55,9% da população. As centésimas que faltaram concretizaram-se em 2012. Pelos censos decenais, o ano com menor peso da população terá sido de 1900, em que S. Miguel apenas tinha 47,6%. Neste momento, S. Miguel parece assumir uma tendência para se aproximar dos 60% da população açoriana, especialmente quando se coloca em equação as taxas demográficas.
A questão é esta: apesar do INE registar aumentos populacionais em 2012 em quase todas as ilhas, com excepção das Flores, Faial e S. Jorge, o facto é que esses valores positivos apenas foram conseguidos através da migração. Na verdade, apenas S. Miguel consegue manter uma taxa de crescimento natural (calculada com base na diferença entre o número de nados vivos e o número de óbitos) positiva, com 0,32, que é suficiente para manter esse indicador positivo nos Açores, com 0,11 (o Corvo também tem uma taxa de crescimento natural positiva, mas é irrelevante em termos regionais). Curiosamente, S. Miguel apresenta uma taxa de crescimento migratório negativa (essa taxa é calculada sobre a diferença entre o número de entradas e saídas por migração, internacional ou interna). Com excepção trambém de S. Jorge, os saldos positivos de todas as restantes ilhas apenas foram conseguidos por essa via.
Há outros indicadores, como o índice de dependência de idosos (que é a relação entre a população idosa e a população em idade ativa) em que S. Miguel apresenta a melhor dinâmica (um índice de apenas 17,9, que é o único abaixo da média regional de 18,7). Esse índice chega a atingir os 29,8 na Graciosa. 
No índice de envelhecimento (relação entre a população idosa e a população jovem) S. Miguel apresenta a mais baixa relação do arquipélago, com 56,7 (idosos por cada 100 jovens), o que fica bastante abaixo dos 74,1 de média regional. Em 5 ilhas esse indicador é superior a 100 e até a Terceira tem uma relação de 88,6, que está acima da média regional. Por outras palavras, apenas S. Miguel parece estar preparada para continuar a aumentar o seu peso populacional.
S. Miguel tem neste momento uma densidade de 186 habitantes por quilómetro quadrado, enquanto que a média regional é de 106,6. A densidade do país é de 113,7, sendo o Alentejo a menor, com apenas 23,7 pessoas por quilómetro quadrado. A Madeira atinge os 328,4, que só fica abaixo dos 939 de Lisboa.
A mais baixa densidade nos Açores regista-se no Corvo e Flores, abaixo dos 30, e no Pico e S. Jorge, abaixo dos 40. A Terceira atinge os 141,5. A nível de S. Miguel, a maior densidade regista-se na Lagoa, com 320, seguindo-se Ponta Delgada com 295 e a Ribeira Grande com 180,5. 

16.638 casos de cancro em 15 anos e os homens são os mais atingidos

Pessoas na rua - PDLEntre 1997 e 2011, o número de cancros entre os residentes dos Açores tem apresentado uma tendência sempre crescente, terminando o período com 16.638 casos detectados, ou 13.741 se forem exceptuados o cancros de pele não melanoma. A média anual terá sido de cerca de 1.100 casos (916 sem cancro de pele não melanoma).
Esses valores não significam o mesmo que pessoas, mas está lá perto. Conforme as regras internacionais de registo oncológico definidas pela International Association of Cancer Registries, cada caso corresponde a um diagnóstico de um determinado tipo de cancro. O mais normal é uma pessoa ter um só cancro ao longo da sua vida, mas existem também casos, não tão raros, de a mesma pessoa ter dois ou mais. Para efeitos de registo oncológico, só se regista o tumor primário (ou seja, para as estatísticas de incidência não contam as recidivas de um mesmo cancro ocorridas posteriormente ao primeiro diagnóstico). Do mesmo modo, se uma mulher tem um cancro de mama em 2000 e outro em 2007, mesmo que em mamas diferentes, só se contabiliza o cancro de 2000. E se um homem tem um cancro da próstata em 1997 e uma recidiva em 1999 só conta o de 1997, e assim sucessivamente. Contudo, se aquela mesma mulher tem também um cancro do cólon em 2011, então este entra igualmente para as estatísticas.
Os homens são claramente os mais fustigados, com cerca de 60% em ambos os indicadores, e aparentemente com tendência de aumento do seu peso relativo. Nos quinquénios de 1997-2001 e 2002-2006, os homens representavam cerca de 58,8% dos casos, mas no de 2007-2011 aumentaram para 59,7%. As tendências de crescimento do total de casos entre quinquénios são claras: um aumento de cerca de 12% entre 1997-2001 e 2002-2006, e de 13% entre 2002-2006 e 2007-2011. Entre o 3º e o 2º quinquénios, o aumento foi se 26,3% no total de cancros e 27,5 sem os da pele não melanoma.