Câmara Municipal da Ribeira Grande está “estável financeiramente”

camara ribeira grandeA Câmara Municipal da Ribeira Grande (CMRG) votou ontem os documentos de prestação de contas do ano 2012, que demonstram um conjunto de rácios financeiros que suportam a ideia da existência de uma autarquia saudável e com capacidade financeira para continuar a servir os ribeiragrandenses.
Em comunicado de imprensa, a autarquia avança que, de 2006 a 2013, a CMRG ultrapassou o investimento dos três últimos mandatos do PSD (1994-2005), ou seja, em 12 anos o PSD investiu à volta de 77.402.320,70 euros e o PS aumentou em cerca de 4 197 615,44 euros, num total de 81. 599. 936,14 euros. Os documentos  foram votados e aprovados por maioria, esta terça-feira, em reunião de câmara.
O imobilizado líquido da autarquia “quase que duplicou”, passando de 69.765 092, 29 euros, em 2005, para 131.816 792,73 euros, tendo o passivo de médio e longo prazo passado a 12 milhões, enquanto que em 2005 situava-se nos 15 milhões de euros.
“Os valores só foram possíveis de atingir, devido à estabilidade económico financeira da CMRG e que lhe dá credibilidade para prosseguir um trabalho que sectorialmente tem acumulado vantagens claras para o bem-estar dos ribeiragrandenses”, lê-se no comunicado.
Segundo o presidente da autarquia, Ricardo Silva, deram-se “passos significativos na melhoria do património escolar, ambiental – água e resíduos sólidos urbanos -, desportivo e cultural, além de se partilhar responsabilidades na promoção da actividade económica com o sector privado”.
Contudo, numa análise mais detalhada da conta de 2012, verifica-se que, relativamente ao orçamento da receita, foi atingido um índice de realização na ordem dos 69,42%, o que equivale a um aumento de cerca de 9,5% em relação a 2011 e que corresponde a um montante de receita superior a 20,5 milhões de euros.
No que se refere às receitas correntes e receitas de capital, foram atingidos índices de execução designadamente de 82,96% e 56,99%, no montante de 11,3 milhões de euros e 9,2 milhões de euros, respetivamente.
No que concerne às despesas correntes e despesas de capital foram atingidos índices de execução, designadamente de 77,61% e 62,81%, no montante de 8,4 milhões de euros e 12,3 milhões de euros, respectivamente. A autarquia avança ainda que as receitas correntes superaram as despesas correntes em 2.874.523,86 euros, suportando, desta forma, uma parcela significativa dos investimentos.
Relativamente ao Plano Plurianual de Investimentos notou-se um aumento em termos percentuais do grau de execução de investimentos, de 16,38%, passando de 39,6% em 2011 para 56% em 2012.
Ao nível das Dívidas a Terceiros (Passivo), verificou-se uma diminuição de cerca de 2,5 milhões de euros, motivada pela diminuição da dívida a terceiros de curto prazo em 3,8 milhões de euros.

Jovens do Nordeste “forçados a emigrar”

nordesteBianca Melo e o namorado partem em Abril para o Reino Unido numa “emigração forçada” que já fez muitos outros jovens abandonar o concelho do Nordeste e que as autoridades locais dizem ser “um verdadeiro problema”.
“O país não dá oportunidade aos jovens. Dá-nos estágios durante seis a dez meses e depois temos de ir para fora. Aqui não vale a pena”, afirmou à agência Lusa Bianca Melo, de 18 anos e natural do concelho do Nordeste, que vai interromper um estágio numa empresa de contabilidade que terminava em Dezembro para emigrar com o namorado.
Com passagem marcada para 27 de Abril, não esconde a tristeza de deixar a sua terra e família para tentar encontrar melhores condições de vida e mais estabilidade financeira, acrescentando que vários outros amigos e pessoas mais velhas do concelho também já optaram por emigrar.
“Eu não vou com a ideia de ficar lá de vez. Tenho sempre a ambição de querer voltar e conseguir abrir um negócio no ramo da restauração”, disse a jovem, que estima regressar dentro de dois a três anos “quando o país estiver melhor”.
Bianca Melo e o namorado partem com a garantia de um contrato de trabalho na área da restauração, ordenado mensal de cerca de 1.200 libras (a que equivale cerca de 1.300 euros), com direito a pequeno-almoço e almoço.
“Temos pessoas conhecidas lá fora que trabalham no ramo da restauração e que nos convidaram, como convidaram outros nossos conhecidos a irem para lá trabalhar”, referiu, acrescentando que os futuros patrões “preferem dar emprego aos portugueses do que aos ingleses”.
Bianca Melo, que tirou uma curso profissional ligado à contabilidade, admitiu que os pais “estão tristes” com a sua partida, mas “compreendem que não há outra solução”, um cenário que se repete noutras famílias do concelho com filhos jovens.
A jovem, que já começou a fazer a mala, onde irá levar “álbuns fotográficos, o cachecol do Santa Clara e do Benfica e uma bandeira de Portugal”, revelou que pagou as passagens aéreas com o vencimento deste mês, servindo o ordenado do namorado para assegurar alimentação e estadia à chegada ao Reino Unido.
O presidente da Câmara Municipal do Nordeste, o social-democrata José Carlos Carreiro, reconhece que esta situação é um “verdadeiro problema” para o concelho, já de si afastado dos principais centros urbanos da ilha de S. Miguel e com uma população envelhecida.

Governo activa fundos para compensar pescadores pelo mau tempo

pescadoresO Governo dos Açores anunciou esta quinta-feira que decidiu activar o FundoPesca para apoiar os pescadores que têm visto a sua actividade limitada por causa do mau tempo dos últimos meses, segundo avançou a agência Lusa.
“A Secretaria Regional dos Recursos Naturais decidiu activar o FundoPesca na sequência das condições climatéricas adversas ocorridas nos últimos meses, que têm impedido os pescadores de exercer em pleno a sua actividade”, divulgou o Governo Regional num comunicado.
De acordo com o mesmo texto, a Secretaria Regional dos Recursos Naturais, que tutela as pescas, vai por isso “proceder à convocação do Conselho Administrativo do FundoPesca para avaliar a situação e decidir de acordo com o regulamento deste fundo de compensação salarial” os apoios a activar.
A Federação de Pescas dos Açores (FPA) tinha anunciado que ia pedir ao Governo Regional um reforço do FundoPesca, sublinhando que por causa do mau tempo, há pescadores “a passar dificuldades enormes”, segundo disse à agência Lusa José António Fernandes, presidente da FPA.
O dirigente da federação afirmou que “há famílias inteiras a passar fome” porque os pescadores não têm podido sair para o mar.
“Já tenho alguma idade e julgo que este é um dos piores invernos de que tenho memória”, frisou José António Fernandes.
Desde que foi accionado há cerca de um mês que os pescadores beneficiários do FundoPesca estão a receber um valor mensal que tem como referência cerca de 50 por cento do salário mínimo regional açoriano, ou seja, cerca de 250 euros.
Mau tempo, preservação de recursos, interdição de pesca por motivos de saúde pública ou defesa do ambiente e impossibilidade do exercício da faina ditada por condicionantes decorrentes do carácter migratório das espécies são algumas das condições previstas para accionar o FundoPesca, criado em 2002.

Comunidade surda na região exige “inf ormação para todos” e lança críticas à inexistência de um comunicador de Língua Gestual na RTP-Açores

surdosHá quantos anos existe a Associação de Surdos da Ilha de São Miguel?
No próximo dia 24 de Junho de 2013, a ASISM (Associação de Surdos da Ilha de S. Miguel) irá comemorar o seu 20º aniversário.

Quais os objectivos da associação?
Os principais objectivos são: a defesa e promoção dos interesses sócio-profissionais, educacionais, culturais e morais das pessoas surdas, e de todos os seus associados e suas famílias; criar estruturas de apoio ao surdo e implementar medidas de integração social; fomentar o ensino especial e difundir a Língua Gestual Portuguesa (LGP); desenvolver na Região Autónoma dos Açores, em articulação com organizações congéneres e entidades públicas, nacionais ou comunitárias, acções de prevenção, tratamento e rastreio da surdez; organizar serviços e desenvolver acções, no sentido de facultar aos próprios sócios e aos surdos em geral, todas as formas de apoio e informação destinados à resolução dos problemas gerais e da comunicação entre as pessoas surdas e ouvintes.

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Bolieiro defende “pensamento livre e crítico para o futuro do centro histórico da cidade”

Ponta delgadaO actual presidente da autarquia de Ponta Delgada defendeu esta quinta-feira que o futuro do centro histórico de Ponta Delgada não pode ser apenas pensado pela governança local e com “meros objectivos eleitorais”. “Deve, sim, contar com a participação de todos e ter um verdadeiro sentido estratégico de médio prazo”, salientou.
Segundo avança a câmara municipal em comunicado de imprensa, José Manuel Bolieiro falava no encerramento do workshop sobre “A Cidade, o centro e a(s) História(s): visões, perspectivas e análises entre gerações”, organizado pela autarquia para assinalar o Dia Nacional dos Centros Históricos.
José Manuel Bolieiro defendeu um “pensamento livre e crítico” para o futuro do centro histórico da cidade e agradeceu aos oradores da iniciativa, António Soares de Sousa, Rui Sabino de Sousa, Teresa Tiago e José de Almeida Mello, a participação no evento que quer ver repetida.
Bolieiro desafiou os oradores a continuarem a ter um “pensamento crítico e construtivo” sobre o centro histórico de Ponta Delgada, reforçando a ideia de que os objectivos que o Poder Local quer assumir para o presente e para o futuro não podem ser feitos de forma unilateral.
O workshop, moderado por Luís Almeida, decorreu na Academia das Artes dos Açores e contou com participação de algumas dezenas de munícipes, tendo debatido o que se pretende para Ponta Delgada em termos de futuro, nomeadamente no que respeita à integração do novo no antigo, ao centro histórico como centro de um futuro sustentado, à cidade em constante mutação e à inteligência competitiva que se pretende para a maior urbe açoriana.
No debate, ficou clara a necessidade de serem encontradas alternativas para trazer mais pessoas à cidade e torná-la mais viva; transformar o comércio tradicional numa marca de valor da cidade; unir forças com vista à reabilitação urbana, mesmo que seja necessário trazer as experiências que resultaram noutras cidades.
A criação de mais serviços na cidade, precisamente para dar mais vida a Ponta Delgada, foi uma das ideias defendidas ao longo do debate, o que, aliás, é também preconizado por José Manuel Bolieiro.