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Destino Açores nomeado para prémio internacional de inovação e turismo sustentável VISTAS 2014

LagoadasSeteCidadesO arquipélago dos Açores, enquanto destino premiado Quality Coast, foi nomeado para o prémio VISTAS 2014 - Vision Innovation for Sustainable Tourism Awards, cujos vencedores serão conhecidos a 6 de março, numa cerimónia que vai decorrer na IBT - Bolsa Internacional de Berlim.
O VISTAS pretende “destacar a excelência do trabalho desenvolvido por parte dos destinos distinguidos em prol do turismo sustentável e de uma forma inovadora e efetiva”, refere o Gacs.
A nomeação foi proposta pelo programa Quality Coast, desenvolvido pelo Coastal and Marine Union (EUCC), entidade constituída por cerca de 2.700 membros de mais de 40 países, que reúne especialistas de várias áreas científicas para promover o desenvolvimento sustentável em destinos costeiros, através de uma estratégia de informação dirigida aos visitantes.
O programa Quality Coast pretende ainda estabelecer uma rede mundial de comunidades costeiras que partilhem os mesmos valores e práticas de desenvolvimento sustentável.
Os Açores venceram o Quality Cost Gold Award 2013, prémio internacional que distingue a qualidade ambiental costeira para um turismo sustentável, após a obtenção, pelo quarto consecutivo, da melhor classificação, obtida entre 100 destinos selecionados.
Com esta distinção, os Açores viram reconhecido o trabalho que têm vindo a desenvolver pelas boas práticas de sustentabilidade, agora reforçado com a nomeação ao Prémio VISTAS.
A Região vai estar representada na IBT 2014, um dos maiores eventos de turismo do mundo, através da Associação Turismo dos Açores.

Bloquistas querem “retirada imediata de amianto da escola das Capelas”

Zuraida-Soares-coordenadora-do-BE-AçoresO BE visitou ontem a Escola Básica Integrada de Capelas  para alertar para a existência de amianto neste estabelecimento de ensino, que deve ter “prioridade imediata de intervenção” e “estudos epidemiológicos” junto da comunidade escolar.
“Consideramos inaceitável que uma escola que foi das primeiras a detectar e a denunciar a existência de amianto nas suas instalações, nomeadamente ao nível da cobertura, esteja ainda na situação em que está. Onde estão estes estudos e estes levantamentos feitos ao nível da medicina do trabalho, do acompanhamento dos funcionários, professores e alunos da escola feitos pela Direcção Regional da Educação?”, afirmou a deputada Zuraida Soares, em declarações aos jornalistas.
Segundo a agência Lusa, o BE visitou esta escola do concelho de Ponta Delgada solidarizando-se com as preocupações da comunidade escolar.
“É necessário que esta escola seja a prioridade imediata de intervenção para a remoção de amianto e é preciso fazer estudos epidemiológicos nesta escola e na sua comunidade para saber como estão as pessoas”, alertou a deputada do BE no parlamento dos Açores.
Zuraida Soares, que foi recebida pelo presidente do conselho executivo, lamentou que a escola não seja considerada uma prioridade na calendarização para remoção do amianto das escolas dos Açores.
Tectos com a cortiça danificada e a cair ou água a escorrer pelo tectos e paredes quando chove são outras das situações que preocupam a comunidade escolar.
Apesar de não ser possível estabelecer uma relação de causa efeito, Zuraida Soares sublinhou que o amianto é “uma substância altamente cancerígena”, alertando para a existência de alguns casos de cancro.
Zuraida Soares disse que “falta cumprir o Decreto Legislativo Regional” relacionado com os edifícios públicos com amianto, denunciando a “inexistência” de estudos epidemiológicos “nos locais onde há risco”.
Paula Leite, representante dos pais na área escolar de Capelas, manifestou preocupação em relação à situação da escola, alegando que “já se criou um pânico” com “alguns casos de cancro que têm aparecido”.
“Neste ano lectivo já apareceu mais um cancro novo numa docente e uma reincidência noutra docente. No ano passado apareceram mais dois casos”, apontou, revelando que a petição para que se façam obras na escola e a retirada urgente do amianto já tem mais de 1200 assinaturas.

Câmara de Comércio de Angra propõe “comissão de desenvolvimento estratégico” à FLAD

Sandro PaimDe acordo com a agência Lusa, a Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo propôs ontem à Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) a criação de uma “comissão de desenvolvimento estratégico” para os Açores, face à previsível diminuição da presença dos EUA nas Lajes.
“Achávamos que era importante não só ter a câmara de comércio, a universidade e as câmaras municipais, mas também a FLAD, na medida do possível, a estudar e a desenvolver aquilo que pode ser uma alternativa a essa redução”, disse Sandro Paim, presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCAH).
Sandro Paim falava aos jornalistas no final de um reunião com o presidente do Conselho de Administração da FLAD, Vasco Rato.
No que toca à estratégia da CCAH face à redução do efetivo militar norte-americano nas Lajes, Sandro Paim propôs a criação de uma “comissão de desenvolvimento estratégico e competitivo da região”, que integre a FLAD.
Segundo Sandro Paim, a CCAH apresentou ainda à FLAD outros projectos de apoio à região e à sua competitividade, como a criação de um ‘hub’ logístico no porto da Praia da Vitória, que considerou “muito importante para a competitividade logística” do arquipélago e para “o crescimento de emprego em toda a região”.
O presidente da câmara de comércio defendeu ainda a criação de “um acelerador de empresas”, que apoie a qualificação dos empresários açorianos e a internacionalização das empresas regionais.
Vasco Rato disse que a fundação vai analisar “em detalhe” as propostas da CCAH, mas considerou que algumas são “boas”, salientando que a FLAD e a câmara de comércio apresentaram uma perspectiva “coincidente”.
Por outro lado, o presidente da FLAD considerou que a criação de uma delegação da fundação na Terceira não é “crucial” neste momento.

ONU é “preconceituosa ao limitar crianças em touradas”, dizem terceirenses...

Tourada à corda - TerceiraA Tertúlia Tauromáquica Terceirense (TTT), a mais antiga colectividade dinamizadora de espectáculos taurinos nos Açores, considera “preconceituosa” e “parcial” a recomendação da ONU para limitar a participação de crianças em touradas.
“Esta posição da ONU parece-nos absolutamente inaceitável, porque carece de fundamento e foi tomada de uma forma leviana e preconceituosa”, disse à agência Lusa o presidente da TTT, Arlindo Teles.
Segundo a agência Lusa, num relatório divulgado a 5 de Fevereiro, o Comité dos Direitos das Crianças da ONU aconselhou Portugal a criar legislação que restrinja a participação de crianças em touradas, referindo estar “preocupado com o bem-estar físico e mental das crianças envolvidas em treino para touradas, bem como com o bem-estar mental e emocional das crianças enquanto espectadores que são expostas à violência das touradas”.
Na base desta decisão esteve um relatório da organização não-governamental Franz Weber.
O responsável pela TTT critica a recomendação por “tomar como referência as informações manipuladas que o lóbi anti-taurino do milionário suíço Franz Weber tem difundido massivamente”.
“Peca logo na base por se tratar de um trabalho sem qualquer sentido crítico ou científico, não estudando de uma forma isenta e profunda a realidade da cultura taurina, sem ouvir não apenas os agentes da tauromaquia, mas sobretudo várias outras entidades independentes e avalizadas que inclusivamente já se pronunciaram oficialmente em sentido oposto, em diversos momentos”, afirma.
Entidades, exemplifica Arlindo Teles, como a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) que, em deliberações publicadas, refere que “as corridas de touros não são suscetíveis de influir negativamente na formação das crianças e adolescentes”, apontando ainda um estudo da instituição espanhola Defensor del Menor en la Comunidad de Madrid que conclui que “não se pode considerar perigosa a contemplação de espectáculos taurinos por menores de 14 de anos”.
“Uma entidade com a responsabilidade da ONU dispôs-se a fazer uma recomendação de uma forma preconceituosa e parcial, desrespeitando a identidade cultural e as liberdades individuais do nosso país”, declarou.
Criada há 48 anos na ilha Terceira, a TTT promove espectáculos, encontros e diversos projectos tauromáquicos, possui um grupo de forcados amadores que forma jovens e actuam não só na região, como em território continental e ainda no estrangeiro, nas comunidades de emigrantes açorianos do continente americano e em corridas de touros europeias.
Semelhante posição crítica à recomendação da ONU tem a organização da “Tourada dos Estudantes”, uma manifestação cultural com cerca de oito décadas promovida por estudantes da ilha Terceira durante o carnaval.
Diogo Rocha, elemento da organização que promove um desfile no centro de Angra do Heroísmo e uma tourada na Praça de Touros da ilha Terceira, explicou à agência Lusa que se trata de uma “tradição cultural nacional, muito enraizada” na ilha, “que deve ser mantida e defendida”.
“Além ser um marco do Carnaval de Angra do Heroísmo, a Tourada dos Estudantes sempre foi a rampa de lançamento para cavaleiros, toureiros e forcados da nossa terra”, apontou.
O relatório do Comité dos Direitos das Crianças da ONU refere que a próxima avaliação de Portugal sobre esta matéria será feita em Outubro de 2017.

Interrupções Voluntárias da Gravidez aumentam nos Açores, ao contrário do resto do país

gravida corAs interrupções voluntárias da gravidez (IVG) nos Açores têm aumentado nos últimos anos, não acompanhando a tendência para a “estabilização” e “redução” verificada a nível nacional.
Segundo dados do serviço regional de saúde dos Açores, houve 177 casos de IVG em 2008, 164 em 2009, 178 em 2010, 204 em 2011 e 223 em 2012. Em 2013, os valores disponíveis são apenas até Junho e apontam para 106 IVG na região em seis meses.
A nível nacional, de acordo com o mais recente relatório, referente a 2012, da Divisão de Saúde Sexual, Reprodutiva, Infantil e Juvenil da Direcção-Geral da Saúde, “em 2010 e 2011 assistiu-se a uma estabilização do número de interrupções voluntárias realizadas e em 2012 a uma redução de 7,6% relativamente ao ano de 2011”.
Em termos de valores totais, foram realizadas 18.924 interrupções de gravidez no país em 2012, 97,3% das quais IVG.
Dos 223 abortos voluntários feitos por mulheres residentes nos Açores em 2012, apenas 142 foram realizados na região, no hospital de Ponta Delgada, o único que presta actualmente esta resposta no arquipélago e onde existem dois especialistas e dois internos que não praticam objecção de consciência.
Entre 2007 e 2010, as IVG foram realizadas somente no Hospital da Horta, no Faial, tendo sido repartidas, em 2011, com a unidade hospitalar de São Miguel que, desde 2012, assume sozinho este serviço, sendo as utentes das restantes duas unidades (54 da ilha Terceira e 25 da Horta) encaminhadas para o serviço público e privado no continente.
O obstetra do hospital de Ponta Delgada e membro da direcção nacional da Associação para o Planeamento da Família (APF), Pedro Cosme, disse à agência  Lusa que o desemprego e a maior acessibilidade à IVG estão a associados aos números registados nos Açores nos últimos anos.
O médico explicou serem “frequentes” casos de “mulheres desempregas cujos parceiros também estão no desemprego”.
“É preciso não esquecer que, dentro da conjuntura nacional, os Açores têm as mais altas taxas de desemprego e de famílias com recurso ao rendimento social de inserção”, destacou.
Pedro Cosme sublinha, por outro lado, o facto de, desde 2011, haver “maior acessibilidade” na “ilha mais populosa” à IVG, através da sua disponibilização no serviço de obstetrícia e ginecologia do Hospital de Ponta Delgada.
O especialista apontou ainda a “relação pouco estável com parceiro” como outro dos factores que levam ao aborto voluntário nas ilhas.
A maioria das mulheres que recorre à IVG nos Açores tem entre 25 e 35 anos, contudo, em 2012 aumentou ligeiramente o número de casos na faixa etária dos 20 a 25 anos.
Pedro Cosme refere tratarem-se de “mulheres esclarecidas”, não só sobre o procedimento, como em relação à “diminuição dos apoios sociais” referentes ao abono de família para crianças e jovens.
“Nas consultas prévias, mais de 90% das mulheres não pede nem consulta de apoio psicológico, nem de serviço social”, detalhou.
A IVG até às 10 semanas de gravidez, por solicitação da mulher, é legal em Portugal há sete anos, depois do referendo realizado em Fevereiro de 2007.