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Refundar o PS nos Açores

O Partido Socialista (PS) nos Açores precisa ser refundado, com diferentes dirigentes e novos propósitos, regressando aos seus ideais originais, alguns dos quais foram-se perdendo ou adulterando ao longo dos anos. Foi pena! E o resultado, como já se viu, não foi bom…
O PS é um partido democrático, é muito necessário aos Açores e tem um património valioso ao serviço da Região Autónoma e da sua população. Durante os seus 24 anos de governação regional teve várias e indiscutíveis virtudes, realizou obras muito importantes e valorizou a sociedade com iniciativas de grande alcance económico, cultural e social. Cometeu também erros – e vários -, que nunca reconheceu e de que nunca muito menos se penitenciou. Ficou-lhe mal!
Entre os erros praticados – imperdoáveis, a todos os títulos -, vou citar apenas alguns. As Termas das Furnas eram públicas e estavam abertas para ricos, remediados e pobres. Todos tinham acesso aos tratamentos ou ao lazer termal. Um Governo Regional socialista concessionou esse valioso património a um privado e as saudosas Termas das Furnas são agora um “hotel-spa” para ricos. Um Governo Regional liderado pelo PS vendeu a um privado a bela e grande propriedade da Grená, igualmente nas Furnas, quando esse espaço florestal deveria continuar no domínio público e a valorizar o património da Região Autónoma. Um Governo Regional socialista mandou destruir a maior parte do centenário jardim do Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada, para construir um absurdo pavilhão subterrâneo, que, segundo dizem, não serve agora para nada. Um Governo Regional socialista impôs um projeto de chamada requalificação do espaço público da Calheta de Pêro de Teive, também em Ponta Delgada, que permite a construção de um enorme hotel por um privado, quando deveria ser criada ali uma ampla zona de lazer para a população, que poderia ser, nomeadamente, uma praça ou um jardim. Se todas essas decisões foram de cariz socialista, eu vou ali e…não volto. Efectivamente, o PS nos Açores colocou várias vezes o socialismo na “gaveta” ou mesmo no caixote do lixo…
O povo já demonstrou nas urnas que não aprecia e não quer esse tipo de PS. Esse tipo de PS, ao contrário do que apregoam, não é de confiança, porque ignora os interesses da população, funciona na lógica do “quero, posso e mando” e cede facilmente aos grandes interesses financeiros. Digo isto com todo o respeito, mas é a minha avaliação pessoal.
Com o que tem de bom do seu passado – e é muito, sem dúvida – o PS nos Açores tem que se virar para o futuro: e o futuro é já amanhã. Urge acabar com tutelas internas que já deram o que tinham a dar, terminar com teias familiares que também já se viu que não resultam e encontrar no seu seio novos dirigentes, mais ousados, livres de certos condicionamentos internos e capazes de abrir um novo ciclo partidário, na fidelidade ao socialismo democrático, à Autonomia político-administrativa regional, ao progresso no arquipélago, ao humanismo e ao povo açoriano.
Se o PS nos Açores continuar com a mesma vida interna, com o mesmo modelo de organização, com as mesmas já gastas tutelas internas e esquecendo vários dos seus ideais originais, então vai ficar na oposição por muitos anos. Militantes históricos como Angelino de Almeida Páscoa, Francisco Macedo e Silvano Neves Pereira – poderia citar vários outros – não ficariam com certeza satisfeitos com certos caminhos errantes e errados que o PS nos Açores seguiu durante vários anos. Importa recuperar, pois, a pureza e a generosidade de objetivos do verdadeiro Partido Socialista, para que o PS seja PS. Não desejamos um PS de esquerda apenas às segundas, quartas e sextas-feiras, funcionando como uma força política de direita nos restantes dias da semana, avesso ao diálogo, não auscultando as populações e tomando decisões contrárias aos nobres ideais do socialismo democrático, como aconteceu várias vezes quando esteve no poder regional.
Repito: é preciso refundar o PS nos Açores. E para isso é necessário que alguns tenham a humildade de se afastar, de deixar que outros tomem livremente os destinos do PS e que construam um novo projeto político para servir os Açores, como verdadeira alternativa à coligação de direita PSD-CDS-PPM, muito respeitável e com algumas virtudes, mas que suscita muitas dúvidas, porque tem a marca da instabilidade política e carece de uma liderança forte. Digo isto com todo o respeito, mas é, do mesmo modo, a minha avaliação pessoal.
Não sou militante do PS, nem de qualquer outro partido. De resto, já votei em vários partidos, consoante as eleições e os protagonistas políticos. No caso do PS nos Açores, tenho apreciado muito a atuação do dr. André Franqueira Rodrigues: é novo, é jurista, tem boas ideias, é muito dinâmico e tem vontade de servir. Seria uma hipótese muito válida para uma nova liderança do PS nos Açores. Mas isso – claro! – é com os militantes socialistas açorianos.

Tomás Quental Mota Vieira

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