A escritora Lídia Jorge vai ser hoje agraciada com o título de Doutora Honoris Causa em Literatura, pela Universidade dos Açores, numa cerimónia solene marcada para as 14h45 na Aula Magna do Campus de Ponta Delgada.
No despacho que delibera a atribuição desta importante distinção, mais uma a reconhecer a relevância do percurso cívico e da obra de Lídia Jorge, a Universidade dos Açores diz que ela se justifica “pelo seu percurso como professora, escritora e cidadã activa” relembrando, por outro lado, a “originalidade e profundidade da sua obra literária, reconhecida tanto em Portugal como no estrangeiro”, nela se destacando “a atenção que dedica ao tempo e à época em que vivemos, em particular àqueles que mais precisam, e pela sua capacidade de, através da palavra, tocar cada um de nós individualmente, e nos lembrar o que nos deve unir e aquilo que nos torna humanos”.
Susana Mira Leal, reitora da instituição, destaca ainda a intervenção da escritora na defesa de “valores fundamentais como a democracia e o combate ao discurso de ódio” e pela adoção de “uma postura ética e cívica para defesa de valores humanistas”
A sessão solene, que será transmitida para os Campus de Angra do Heroísmo e da Horta, terá início às 14h45, com a saída do Cortejo Académico do edifício da Reitoria.
Segue-se a cerimónia de investidura, na Aula Magna, com a intervenção da Reitora, Susana Mira Leal, e o Elogio da Homenageada pela madrinha, Ana Cristina Gil, Professora Associada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade dos Açores.
A comunicação de Lídia Jorge, já com as insígnias doutorais, encerra a cerimónia.
Romancista e contista portuguesa, Lídia Jorge nasceu em 1946, no Algarve. Viveu os anos mais conturbados da Guerra Colonial em África. Foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. É professora do ensino secundário e publica regularmente artigos na imprensa.
Estreou-se em 1980 com o romance “O Dia dos Prodígios”.
O tema da mulher e da sua solidão é uma preocupação central da sua obra, como, por exemplo, em Notícia da Cidade Silvestre (1984) e A Costa dos Murmúrios (1988). O Dia dos Prodigíos (1979), e O Vento Assobiando nas Gruas (2002) são outos romances onde a autora e aborda a relação entre uma mulher branca com um homem africano e o seu comportamento perante uma sociedade de contrastes. Este seu livro venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores em 2003. Venceu o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas 2020.
Tem cerca de três dezenas de obras publicadas.
