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No dia que o Império cair

Oito de janeiro, mais uma novidade desastrosa que nos atinge como um murro, proveniente da terra outrora arrogada de Liberdade e prosperidade para todos e todas. Numa operação especial, que poderia ser de Vladimir ou Kim, mas foi antes promovida pelo companheiro de carreira ditatorial, Donald, a polícia política do ditador avançou para Minneapolis e disparou, a sangue-frio e sem motivo evidente, contra uma mãe de família.
Bem sei que, ao lerem estas linhas, reconhecerão a factualidade das mesmas, sem que seja preciso que as elenque, novamente. Mas, importa chamar os bois pelos nomes, e os fascistas pelos crimes. O que se passa nos Estados Unidos, com uma crescente e gritante impunidade, é fascismo na sua forma mais pura, decalcada do projeto primeiramente preparado por eles, e agora executado pelos seus lacaios.
Regressemos a uns meses atrás, quando o Projeto 2025 começou a ser implementado, com alguma vergonha e pudor, cavalgando a onda de violência que se foi levantando, incentivada pelas redes sociais, contratadas pelos financiadores de Trump. Por essa altura, o caminho ainda era feito entre pessoas com alguma fibra moral, e lacaios sem compaixão. Havia meios termos. Aparente esperança, para as pessoas que nunca leram livros de história, ou pensaram para lá do seu pequeno mundo.
Só que Trump está muito velho. Literalmente a cair de podre, em alguns momentos das últimas semanas. E os sanguinários que escolheu para o seu gabinete sentem o sangue na água. Estão prontos para tomar o poder, e assegurar a conquista que lhes falta fazer. Não a do país, mas a da alma da Nação, que morrerá debaixo de um manto de corrupção e ganância, muito comum a estes regimes.
Ninguém inventou a roda. Nos últimos dias, o que cresceu foi apenas a falta de vergonha, potenciada pela conquista da Venezuela, numa invasão dedicada à manipulação do resto do mundo, que parece ter resultado, até certo ponto, com a conivência do regime que Maduro alimentou até à sua mortepolítica.
Assim, voltamos ao presente, para recordar as principais personagens deste círculo do Inferno de Dante. Na Casa Branca, KarolineLeavitt e Stephen Miller, próximos do ditador, e com o ouvido dele à sua disposição. Ela é a manipuladora principal da comunicação oficial, com menos de trinta anos e uma já vasta carreira de mentiras, sustentada numa aparente e total falta de moralidade. Ele, é um monstrengo, que ao que tudo indica já nasceu assim, sanguinário e cheio de vontade de conquistar o seu próprio país.
Leavitt foi literalmente instrumentalizada por homens mais velhos, que a rodeiam há muito tempo, e que a guiaram até ao pódio da comunicação de Trump, onde ela papagueia o que é necessário, e mente a olhos vistos. O grande truque do fascismo é dizer que o azul é, na verdade, verde. E os seus apoiantes acreditarem. É esse o trabalho dela. Miller, por sua vez, é o arquiteto da destruição da paz social, que propositadamente provoca os americanos para gerar uma onda de caos inevitável, e invocar, assim, a sua polícia política para resolver o assunto aos tiros.
A juntarem-se a esses inenarráveis seres, temos de falar de KristiNoem. A tal ICE, de que ouvimos falar, e que é a verdadeira força fascista dos americanos, na atualidade, é comandada por Noem, uma mulher desprezível, capaz das maiores mentiras para promover o discurso oficial do partido e destruir o seu próprio país. Foram esses os atores que se juntaram, com o apoio de bastidores de muitos outros, para tentar, uma vez mais, lançar a guerra civil nos Estados Unidos. Desta vez, deram mais um passo para lá da linha vermelha. A polícia política assassinou uma mulher, a sangue-frio, e devidamente filmado. A transmissão do evento, provocou o caos no país, que se revoltou contra Trump e os seus cães-de-fila. É o que eles querem. A guerra final. E possivelmente vão conseguir.
Quem morreu foi ReneeGood, uma mulher de trinta e sete anos, mãe de filhos, poetisa, apaixonada por livros e pela vida. Quem a conhece, diz que nunca foi particularmente ativista, mas que se preocupava cada vez mais com o que se passava no país. Ressentia-se por viver num estado ditatorial, coisa que é perfeitamente compreensível. Foi assassinada, pouco depois de ter deixado o filho de seis anos na escola, quando observava uma das operações de destruição social promovidas pela ICE, de forma pacífica, e sem envolvimento direto na mesma.
Noem diz que é mentira. Que a inocente era afinal uma terrorista. Miller defende o assassinato. Sublinha que a América é uma Nação de força, onde manda quem tem a arma maior. E Leavitt escreve os discursos do seu paizinho Donald, apelando a que o eleitorado acredite na mentira, e veja em ReneeGood uma inimiga mortal.
KarolinneLeavitt está grávida, ao que parece. Mas nem por isso se compadeceu com o assassinato de uma mãe de filhos. É essa a verdadeira face do decadente império que se vai destruindo a si próprio. É esse o resultado de séculos de desinformação e ignorância generalizada. Os Estados Unidos não são a Alemanha de Hitler. Estão mais próximos do Império Romano, que ao cair levou consigo as suas gentes, deixando apenas ruínas e estátuas para trás. De Roma, resta apenas a história da sua sanguinária existência. Dos Estados Unidos, esperemos que nada reste, quando isto terminar. É duro, mas é necessário. ReneeGood, se ainda estivesse viva, imagino que conseguisse compreender.

Alexandra Manes

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