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Ideias Há muitas – Não mudem que um dia tropeçam

Há momentos na vida — e sobretudo na vida pública — em que a palavra “mudança” se transforma numa espécie de não se fazer nada. Proclama‑se, imprime‑se em cartazes, em discursos retóricos, em documentos estratégicos e em promessas de ocasião, mas, no fundo, todos sabemos que não passa de uma coreografia estudada para que tudo permaneça igual.
A verdadeira ironia de não mexer em nada também é uma decisão, e das mais profundas. É uma verdadeira forma de resistência, de medo, de conforto, de cálculo político ou até de autopreservação. Na arte de fingir que se avança, talvez ninguém repare que se está parado.
Mas – ó ingenuidade! – quando mudar significa não mexer em nada, revelamos muito sobre nós: sobre a nossa incapacidade de lidar com o desconhecido, sobre a nossa dependência do previsível, sobre a nossa tendência para confundir movimento com transformação.
O mundo precisa de progresso. Podemos mudar os nomes dos departamentos, até as leis podem ter palavras diferentes, mas se não forem efetivas, acompanhadas de mudanças de comportamento, não passam de reformas de cosmética, produzindo sempre os mesmos resultados.
Por que a mudança verdadeira — essa sim — raramente é ruidosa. Não precisa de slogans. Acontece quando alguém tem coragem de mexer no status quo, no que implica perder para poder ganhar. Acontece quando se aceita que mudar é, inevitavelmente, deixar de ser quem se era.
Por isso, quando mudar significa não mexer em nada, o que temos não é mudança: é medo disfarçado, é prudência excessiva, é gestão de expectativas, é manutenção do status quo disfarçado de vanguardismo.
Um dos grandes desafios do nosso tempo é este: aprender a distinguir entre o movimento que nos engana e o movimento que nos transforma.
Para alguns, mudar é não mexer em nada. Essa inércia extrema é um tropeção intenso na preguiça e na indolência. E a governação precisa de vitalidade e vigor.
Luís Soares Almeida
[email protected]

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