“As eleições para o exercício do poder local são um momento relevante para as populações discutirem, abertamente e sem temor, os diversos programas e propostas e o futuro coletivo de cada freguesia e concelho.”
Estamos em plena campanha eleitoral para as eleições autárquicas, embora só no próximo dia 30 tenha início o período oficial de 12 dias, antes do ato eleitoral.
Não significa isto que as forças políticas e os respectivos candidatos tenham descurado as suas aspirações e estratégias para alcançarem os objetivos a que se propõem.
Muitos fazem-no ao abrigo de um carreirismo partidário a que ascenderam no desempenho de cargos para que foram eleitos democraticamente; outros estão envolvidos, por fidelidade a valores e princípios enquadrados em ideologias político-partidárias; há ainda quem não se identificando nem conhecendo o universo eleitoral a que se candidata, tem como único objetivo satisfazer apenas os interesses particulares da força política concorrente, servindo desse modo de moleta para aumentar a subvenção do Estado pelos votos conquistados. Este estratagema foi em tempos utilizado, não para promover a participação cívica e dignificar a democracia, mas para fins meramente eleitoralistas. Nas próximas eleições, o mesmo acontecerá em alguns concelhos, com candidatos fantasma, sem que, até agora, os residentes tenham denunciado essa reprovável atitude partidária, contrária ao sistema democrático.
1. As eleições para o exercício do poder local são um momento relevante para as populações discutirem, abertamente e sem temor, os diversos programas e propostas e o futuro coletivo de cada freguesia e concelho.
Esse exercício cívico, baseado num diálogo franco e aberto a todos os cidadãos, mesmo aos opositores, visa esclarecer os objetivos e motivações de quem promete fazer o quê, quando, como, porquê e com que finalidade. Não pode ser só um discurso que alimente os correligionários e simpatizantes, criticando a atuação dos adversários. Deve ser não uma batalha de surdos, mas um espaço de diálogo, de esclarecimento, de troca de opiniões, para que o bem-comum da comunidade local e concelhia seja atingido.
Constato que as campanhas eleitorais, não correspondem às inquietações dos eleitores. E mesmo quando líderes partidários e candidatos, fortuitamente, se relacionam com o eleitorado, melhor seria que soubessem o que vai na alma de tanta gente simples que, só por delicadeza, não recusa os gestos aparentemente afetuosos.
Nos “outdoors”, as mensagens são vazias de conteúdo, pouco apelativas e mobilizadoras. Optam habitualmente pela crítica aos adversários políticos e não raro menosprezam a inteligência e o bom senso do cidadão comum.
As leis da publicidade comercial, aplicadas à campanha política, não têm os resultados pretendidos, pois o número de abstencionistas aumenta.
Por outro lado, as subvenções estatais aos partidos carecem de controlo público, o mesmo se diga do financiamento de entidades privadas que se “escondem” por detrás de interesses nublosos.
Enquanto as forças políticas não abrirem portas e janelas aos eleitores, com permanentes ações de diálogo livre e de resposta às verdadeiras inquietações dos cidadãos, estes afastar-se-ão da participação democrática, abjurando o regime em que acreditaram após a Revolução de Abril.
Apostar na figura dos líderes do momento para convencer os cidadãos da bondade dos candidatos, pode ter efeitos festivos momentâneos, mas não convence o eleitor menos conformado com o rumo que a sociedade e a economia estão a tomar.
- Na próxima campanha eleitoral saberemos o que pretendem os candidatos realizar nos próximos quatro anos.
A situação de crise internacional é o cenário de fundo a que nenhum território escapa. Muito menos este arquipélago, situado no Atlântico Norte, sujeito às consequências nefastas das alterações climáticas, à situação geoestratégica – fronteira da Europa com os Estados Unidos, em crise de regime e de liberdades –, num processo de declínio demográfico, de envelhecimento populacional presentemente irreversível.
Somos cada vez mais dependentes, económica e financeiramente, do exterior.
O turismo tem valido, até agora, para esconder as nossas fragilidades económicas e financeiras, mas muito pouco têm aproveitado os trabalhadores do setor, profissionalmente cada vez mais competentes e a população em geral. Não vale a pena negá-lo.
Se não houver mudanças na distribuição da riqueza e a população residente se sentir incomodada com a presença dos visitantes a quem atribui o aumento do custo de vida, o crescimento do trânsito nas estreitas ruas citadinas, nas estradas e nos tradicionais locais onde a beleza e a natureza convidam ao repouso e ao bem-estar, de nada valerão os empreendimentos.
O tema tem de ser discutido na próxima campanha, como todos os problemas locais, por menores que sejam. Com calendarização definida, para que o eleitorado avalie os programas mais com racionalidade e sem pendor partidária.
Ninguém é senhor da verdade única, nem da liberdade de cada um.
Quem se afirmar único defensor do cidadão é candidato a tirano, prepotente e arrogante.
José Gabriel Ávila *
*Jornalista c.p.239 A
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