A participação dos Açores, através de Ponta Delgada, na candidatura da “Arte e Saber-fazer da Calçada Portuguesa” ao Património Cultural Imaterial da Humanidade ganha novo enquadramento com a intenção do Governo da República de criar um grupo de trabalho dedicado à valorização desta prática profissional e artística.
A informação foi confirmada pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, de acordo com notícia avançada pela RTP, que refere que a iniciativa do governo tem como objetivo estudar a situação da atividade e propor medidas de valorização.
Segundo a informação divulgada pela RTP, o futuro Grupo de Trabalho para a Valorização dos Calceteiros e da Calçada Portuguesa deverá reunir representantes designados pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desporto e pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, com um prazo de seis meses para apresentar um relatório final após a entrada em vigor do respetivo despacho.
A missão passará por analisar a realidade profissional dos calceteiros e formular propostas, incluindo recomendações legislativas, para a salvaguarda e sustentabilidade da profissão e da calçada portuguesa.
A iniciativa surge num momento em que a candidatura já foi formalmente entregue à Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), na sequência de três anos de trabalho liderado pela Associação da Calçada Portuguesa, envolvendo mais de 50 calceteiros, a colaboração de oito municípios, entre os quais Ponta Delgada e o apoio de mais de 20 instituições públicas e privadas.
O objetivo central, segundo a documentação da candidatura, é evitar a extinção deste saber-fazer e assegurar a sua transmissão às futuras gerações, sublinhando a presença e relevância da calçada portuguesa também nas ilhas.
O reforço institucional acontece ainda depois de a Assembleia da República ter aprovado por unanimidade a resolução que institui o Dia Nacional do Calceteiro e da Calçada Portuguesa a 22 de julho, recomendando ao Governo medidas concretas de valorização da profissão e da calçada enquanto património cultural identitário.
A resolução, aprovada em votação final global a 9 de janeiro, é apresentada como particularmente relevante no contexto da candidatura à UNESCO, já formalmente entregue.
A calçada portuguesa distingue-se pelo calcetamento com pedra de formato irregular, normalmente em calcário branco e negro, permitindo a criação de padrões decorativos e mosaicos no espaço público.
Para os promotores, trata-se de um património singular que combina dimensão artística, histórica e social, e cuja continuidade depende da capacidade de atrair e formar novos profissionais, num ofício descrito como em declínio.
