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Requalificar à medida

Uma das grandes necessidades e prioridades dos nossos dias é a falta de estacionamento quer seja na cidade, quer fora desta.
Daí que uma das principais preocupações de qualquer erário público devesse ser a criação de novos parques de estacionamento e a potenciação ao máximo dos existentes nas vias e lugares e não a eliminação e estrangulamento de lugares de estacionamento com a colocação de árvores ou outros elementos físicos como blocos ou pinos de metal por mais não serem que obstáculos e um verdadeiro perigo para quem circula, quer seja a pé, quer seja de carro.
As árvores são necessárias, é verdade, mas não em lugar de estacionamento.
Estes devem ser livres, desimpedidos e sem quaisquer obstáculos.
Se divisões tiverem que ser feitas, que o sejam riscadas no pavimento e não com separadores, divisórias ou quaisquer outros elementos físicos.
Vem isto a propósito da chamada obra de “requalificação” da Rua do Poço, na freguesia do Livramento, junto à Praia das Milícias.
Já não bastava a casa em construção a ocupar a quase totalidade do passeio da rua, por sinal embargada judicial e camarariamente e que devia ser expropriada para permitir o alinhamento com a Rua do Poço do lado direito e transformar com isso esta a Rua na Avenida do Poço, vem agora a Câmara Municipal de Ponta Delgada, em jeito de fato à medida em vez de repor a legalidade exigindo a demolição e alargar o passeio e a via, reduzi-la e estrangulá-la.
E não contentes com tal “requalificação” vão reduzir os lugares de estacionamento da rua, quer do lado dos apartamentos Garden Residence, quer do lado das casas em frente… lugares que se no inverno já são poucos, no verão serão pouquíssimos.
E se Deus não acode ainda colocarão pinos e lombas para evitar o estacionamento em face do encurtamento da via, redução e insuficiência deste.
A rua pode ficar “riquinha” mas não fica funcional.
Ainda vamos a tempo de requalificar a Rua do Poço, como deve ser, na Avenida do Poço, para que não aconteça uma lamentável requalificação para pior… e evitar um investimento público claramente inútil e desnecessário.
Temos consciência que não será fácil o reconhecimento do erro mas ter a coragem de o evitar é uma virtude só ao alcance de poucos.
Que não se perca esta oportunidade.

Eduardo Medeiros *

  • Advogado, morador
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