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Visão do Paraíso em perspectiva

Sergio Buarque de Holanda foi/é visto como um intelectual que se debruçou na árdua tarefa de interpretar o país multifacetado chamado Brasil, encontramos em seus textos, de maneira articulada, aspectos sociológicos, históricos, políticos e, segundo Antônio Candido, alcançando aspectos “psicológicos”. Seu singular pensamento é terreno fértil sobre a constituição cultural e, também, histórica, do “homem brasileiro”.
Sergio Buarque de Holanda nasce em 1902, na Cidade de São Paulo e morre em 1982, na mesma cidade. Foi professor da Universidade de São Paulo (USP), pedindo aposentadoria em solidariedade aos professores perseguidos pela ditadura civil-militar estabelecida em 1964, no Brasil. Exerceu o cargo de diretor do Museu Paulista e professor na Universidade do Distrito Federal (UDF), de breve existência.
Geralmente, quando o intelectual é citado, se remete à obra Raízes do Brasil, destacando-se, gerando polêmicas, o conceito de “homem cordial”. O conceito é criticado por vários intelectuais, que o apreendem no sentido como uma “essência” do povo brasileiro a “cordialidade”, formando seu “caráter” é considerada como um aspecto “positivo” inerente ao ser brasileiro.
Porém, essa interpretação é refutada pelo seu criador como superficial, pois esse homem, aparentemente “cordial ”, é capaz de extremos de amorosidade e, no mesmo movimento, capaz de ações cruéis.
Textualmente, aponto para outro livro, menos citado do que Raízes do Brasil, com título Visão do Paraíso. Constitui-se na tese acadêmica de Sérgio Buarque de Holanda no contexto de seu concurso (1958) para cátedra de História da Civizalização Brasileira, na Universidade de São Paulo, e o próprio autor dizia ser este livro muito mais interessante do que Raízes do Brasil. Sua primeira edição é a tese como foi apresentada pelo intelectual. A segunda é uma versão bastante ampliada da primeira.
Neste livro o autor se debruça e analisa os mitos edênicos, daí seu título “Visão do Paraíso”, recorrendo a diversas e diferentes narrativas sobre o descobrimento e colonização das Américas. Narrativas estas buscadas do final do século XV e o século XVIII, sem, contudo abrir mão de retroceder à séculos do ínicio da era cristã para discutir o conceito de “mito” na sua vertente edênica ( Éden).
O livro é reconhecido como um dos mais denso, erudito, sendo um marco na historiografia brasileira. Para muitos é representativo da corrente chamada de História das Mentalidades. O próprio autor, em nota, na segunda edição esclarece que não pretendeu fazer uma História das Idéias e nem tampouco ficar preso aos mitos que atravessaram o descobrimento das novas terras, no além mar.
Profa. Dra. Adir da Luz Almeida

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